O Misterioso: Central de Tormentos - Temporada 4
6 O Acerto de Contas
Acordei com a cabeça latejando.
A dor pulsava forte, e meus olhos demoraram a focar. Tudo ainda estava embaçado quando percebi uma silhueta parada à minha frente, imóvel, me observando.
À medida que a visão voltava, entendi.
Era ele.
O suspeito que nos perseguia.
Algo, porém, estava diferente. O corpo não era o mesmo daquele homem que eu e Dylan acreditávamos ter matado ao derrubá-lo do helicóptero. Mas a intenção era igual.
Matar.
A máscara não era sombria, mas dizia tudo. Branca. Lisa. No canto esquerdo, um grande ponto de interrogação preto — um símbolo que já conhecíamos bem demais.
Ele deu alguns passos à frente.
— Então… chegou o grande momento de você e do seu amigo descobrirem a verdade. — A voz era calma demais. — Não aquela historinha que o policial contou.
Ele puxou uma cadeira para a frente.
Nela, Dylan.
Desacordado.
— Não… — minha voz saiu falha. — Não machuca ele, por favor.
Ele sorriu por baixo da máscara.
— Já é tarde demais, Tyler. Primeiro ele… depois você.
A faca esportiva apareceu em sua mão. A lâmina carregava marcas de outros crimes, outras mortes.
— Por favor… — implorei. — Eu faço qualquer coisa. Te dou dinheiro. O quanto você quiser.
— Você acha que eu quero isso? — ele respondeu, irritado. — Eu quero justiça. E é exatamente isso que eu vou ter.
Sem hesitar, ele fez um corte fino na perna de Dylan.
O grito veio imediato.
Dylan acordou no mesmo instante, se contorcendo de dor.
Agora nós dois estávamos conscientes.
— Vocês vão pagar — disse o M, caminhando em círculos. — Cada erro. Cada riso. Cada silêncio.
Gritamos por socorro, mas sabíamos que ninguém viria. Tudo indicava que aquele seria o fim dos dois sobreviventes.
Foi quando eu gritei:
— Então vai! Mata a gente!
— Ou então conta a verdade!
Ele parou.
— Ah… — disse, animado. — Era isso que eu queria ouvir.
Ele se aproximou mais.
— Vamos recapitular o passado.
Época do Colegial — Último Ano
— Vocês e mais alguns garotos planejavam a última “brincadeira” contra mim. Diziam que ia entrar pra história.
No baile, como sempre, eu estava sozinho. Vocês, os populares, cercados pelas garotas mais bonitas. Eu observava tudo de longe, sentado nos bancos, até decidir ir ao banheiro.
Entrei primeiro.
Pouco depois, ouvi vocês chegando. Rindo. Gritando. Batendo nas portas. Quebrando tudo enquanto eu ficava preso dentro de uma das cabines.
Achei que tinha acabado.
Abri a porta devagar.
O banheiro estava destruído.
Espelhos quebrados. Vidros espalhados. Meu reflexo aparecia distorcido nos cacos que sobraram.
Foi quando senti o impacto.
Um dos seus “amigos”… ou melhor, cúmplices… jogou ácido sulfúrico direto no meu rosto.
Metade de mim morreu ali.
E naquele momento nasceu algo que vocês jamais conseguiram apagar.
A vingança.
— Você é doente… — falei, com a voz firme apesar do medo. — Eu não lembro de você. Me diz… quem é você?
Ele deu um passo à frente.
— Eu sou—
BANG.
O disparo atravessou o corpo do M.
Ele caiu no chão antes de terminar a frase.
— Sério que todo esse teatro foi só isso? — disse uma voz feminina, firme. — Um membro qualquer da C.D.T.?
Uma mulher se aproximou.
Usava roupas de couro. O cabelo preto destacava ainda mais os olhos azuis, frios, atentos. Havia algo de perigoso nela — e de poderoso.
— Não vai fazer falta — completou. — Vamos parar com esse lenga-lenga.
Dylan, ainda ofegante, levantou o olhar.
— Quem… quem é você?
Ela sorriu de leve.
— Meu nome é Stacey.
E, naquele instante, entendemos que o jogo nunca teve apenas um jogador.
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