O Misterioso: Central de Tormentos - Temporada 4
4 A Grande Peça
Meses depois
Sexta-feira | Madison Square Garden
O Madison Square Garden estava lotado. Ingressos esgotados, filas dobrando a esquina, expectativa no ar. A peça era uma das mais aguardadas do ano, anunciada como o grande retorno do diretor mais influente de Nova York.
Nos bastidores, o clima era outro.
Os atores andavam de um lado para o outro, ajeitando figurinos, repetindo falas em sussurros. Tyler sentia as mãos suarem. Mesmo acostumado aos ensaios, nunca tinha visto tanta gente reunida para assisti-lo. Dylan observava de longe, tentando sorrir, mas com aquela velha sensação de que algo estava errado.
As luzes se apagaram.
O espetáculo começou.
A peça seguia como planejado. Cena após cena, aplausos contidos, silêncio respeitoso. Tyler aguardava o momento certo, o coração acelerado.
Então chegou sua vez.
No palco, sob luzes suaves e trilha lenta, Tyler contracenava com Chloe. A cena retratava dois jovens sob efeito de drogas, perdidos entre amor e delírio. O texto dizia que tudo girava ao redor deles. O público assistia hipnotizado.
O roteiro previa a morte de Chloe fora de cena.
Mas algo mudou.
Do fundo do palco, uma figura surgiu.
Não fazia parte do elenco.
Vestia preto. Movia-se com segurança demais para alguém perdido. Em um segundo de silêncio absoluto, a faca brilhou sob a luz do refletor.
E atravessou a garganta de Chloe.
O sangue jorrou.
Gritos cortaram o teatro. Chloe caiu nos braços de Tyler, o olhar vazio, o corpo tremendo. Por um instante, o público acreditou que aquilo fazia parte da encenação.
Até perceberem que não era.
O pânico tomou conta do Madison Square Garden.
A peça terminou ali.
O nome do diretor estampou jornais do mundo inteiro. Sua carreira acabou naquela noite. Não havia como limpar aquela imagem. Não havia explicação possível.
Uma semana depois
Tyler e Dylan já não tinham dúvidas: alguém continuava atrás deles.
Com as poucas provas que haviam reunido, decidiram procurar a polícia. Precisavam de ajuda antes que fosse tarde demais.
No balcão da delegacia, Tyler falou primeiro.
— Precisamos de ajuda. Estão nos perseguindo e a gente não sabe mais como fugir.
O policial nem tirou os pés do balcão. Mastigava um Doritos com desinteresse.
— A gente não tem tempo pra pegadinha ou história falsa — disse. — Tá chegando o Halloween, todo mundo quer brincar de terror.
— Ok… — Dylan respirou fundo. — Então pode me dizer o que é C.D.T?
O efeito foi imediato.
O policial congelou. O saco de salgadinhos escorregou da mão. Os olhos se arregalaram ao encarar os dois.
O silêncio que se seguiu foi pesado.
Então ele se levantou devagar.
— Venham comigo — disse, sério. — E façam o favor de ficarem calados.
Tyler e Dylan trocaram um olhar rápido.
— E não toquem em nada — completou o policial, abrindo uma porta nos fundos.
Naquele momento, eles entenderam que tinham feito a pergunta certa.
E que a resposta podia ser muito pior do que imaginavam.
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