O Misterioso
5 Sob Observação
Notas iniciais
Domingo — Dia das Mães
— Neste momento, o corpo de Casey Kirt foi encontrado por investigadores. Até agora, as informações indicam que a vítima foi estrangulada e esfaqueada na região do pescoço…
A televisão continuava falando, mas Stacey já mal escutava.
— Como alguém pode fazer uma coisa tão brutal assim? — ela perguntou, a voz falhando.
A mãe se aproximou e segurou seu rosto com cuidado.
— Filha, eu sinto muito… mas quero que você fique tranquila. Nada vai acontecer com você.
— Ok, mãe… — Stacey respondeu, abraçando-a com força, tentando acreditar.
O que ninguém ali sabia era que, a partir daquela semana, Stacey começaria seus estudos justamente na fraternidade onde Casey morava. E mais do que isso: ficaria no quarto que havia pertencido a ela.
Ao chegar à fraternidade, foi recebida com sorrisos forçados e abraços longos demais. Tudo parecia… exageradamente acolhedor. No caminho até o quarto, abriu a porta no momento errado e flagrou um casal em plena intimidade.
— Ai! Desculpa! — disse, fechando a porta rápido, sentindo o rosto queimar.
Mais tarde, decidiu caminhar pelo campus. Observava tudo com curiosidade até avistar a fraternidade masculina, a OCD — conhecida por ser só para rapazes e por abrigar os “queridinhos” das garotas da ZBZ.
Enquanto andava distraída, esbarrou em um dos garotos.
— Ah, desculpa! — Stacey disse.
— Relaxa, não foi nada demais — ele respondeu, sorrindo.
À noite, Stacey voltou para casa para passar o Dia das Mães com a família. Jantaram juntos na varanda, riram, conversaram. Por algumas horas, o mundo parecia normal de novo.
Mas o mal já tinha escolhido novos alvos.
Segunda — 08:06
Logan e Tyler se sentaram para tomar café. Ainda estavam tensos demais desde a festa, mas fingiam normalidade. O cheiro de comida quente não trouxe conforto algum.
Logan abriu o cardápio.
No lugar das opções, havia apenas uma frase escrita à mão:
“Vocês estarão mortos.
E as mamães também.”
O sangue gelou.
— Você tá vendo isso… né? — Tyler murmurou.
Logan assentiu, fechando o cardápio com força. Eles se levantaram rápido demais, chamando atenção, e saíram do local sem olhar para trás.
Caminhavam apressados em direção ao carro, discutindo em sussurros, quando chegaram perto demais.
O mundo explodiu.
Uma detonação ensurdecedora rasgou o ar. O carro foi lançado em chamas, destroços voaram em todas as direções. O impacto jogou os dois no chão.
Ouvidos zunindo. Fumaça. Gritos ao redor.
Do outro lado da rua, parcialmente escondido pela fumaça que ainda subia do carro em chamas, alguém observava.
A figura estava parada, imóvel demais para alguém curioso. Usava um moletom escuro, o capuz baixo, o rosto fora do alcance das luzes de emergência que começavam a se aproximar.
Na mão direita, um celular.
Na tela, o vídeo gravado segundos antes da explosão ainda estava pausado: Logan e Tyler se afastando do café, rindo nervosos, completamente alheios ao que estava prestes a acontecer.
O observador ampliou a imagem.
Apertou stop.
Do outro lado da rua, Logan tentou se levantar, cambaleante. Tyler gritava por ajuda. Pessoas corriam. Sirenes começavam a cortar o ar.
O observador guardou o celular no bolso.
Antes de ir embora, ergueu o olhar uma última vez, como se quisesse memorizar aquela cena. O fogo refletia na superfície lisa de algo escondido sob o moletom.
Uma máscara.
Não a de chamas do telão.
Outra.
Mais simples. Mais pessoal.
Quando virou as costas, o celular vibrou novamente.
[SMS enviado]
“Agora vocês sabem que é real.”
A figura desapareceu entre as pessoas em pânico, misturando-se ao caos com facilidade assustadora.
E, à distância, alguém que também observava — de uma janela alta da fraternidade — sentiu um arrepio estranho.
Como se tivesse reconhecido aquele jeito de andar.
Como se, no fundo, já soubesse quem era.
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