O Misterioso
6 Resgate do Medo
Notas iniciais
Logan e Tyler pegam o carro de Dylan emprestado e seguem as coordenadas enviadas pelo GPS dos celulares de suas mães. A estrada fica cada vez mais deserta, o céu começa a escurecer e, quando chegam ao destino, o coração dos dois afunda.
A antiga fábrica de óleo da cidade.
Abandonada. Cercada por ferrugem, mato alto e silêncio. Faltava pouco para anoitecer. Eles entram rápido, antes que alguém os veja.
Lá dentro, o cheiro é insuportável. Fios elétricos correm pelas paredes, pelo chão, pelo teto — todos levando a uma pequena sala de tanques e ajustes. Tyler liga a lanterna do celular.
Sua mãe está ali.
Amarrada a uma mesa, a boca coberta por fitas, os olhos marejados ao vê-lo.
— Mãe… calma… eu tô aqui… — Tyler corre até ela e começa a tentar soltá-la.
CLANG.
A porta se fecha com força.
Tyler corre até ela, tenta abrir, empurra, grita. Nada. Logan entra em pânico e volta para perto da mãe de Tyler, tentando acalmá-la.
00:02 — Fábrica de Óleo
— Logan, me ajuda aqui… vamos tentar juntos! No três!
— Um… dois… TRÊS!
Eles empurram com toda a força e acabam caindo no chão.
— A gente vai morrer, né? — Logan pergunta, a voz quebrada.
— Não. Não vamos. Confia em mim. — Tyler responde, mesmo sem acreditar totalmente.
O tempo passa. O ar fica pesado. O frio aumenta. O cansaço vence. Logan, Tyler e a mãe de Tyler vão se desgastando até, um por um, apagarem.
Quando acordam, estão em um espaço maior, mal iluminado. Mais fios surgem pelos cantos, levando a uma sala ainda maior, com portas arrancadas.
Ali, encontram a mãe de Logan.
Ela chora ao vê-los vivos. Eles se abraçam rápido demais, sabendo que precisam fugir.
Mas tudo está trancado.
A única saída: o telhado.
Subindo as escadas enferrujadas, chegam lá em cima e veem alguém mexendo no carro de Dylan lá embaixo.
— Dylan vai me matar… — Tyler murmura, nervoso.
A figura se afasta.
Um rastro de fogo se acende.
O carro explode.
A onda de choque sacode a fábrica.
No telhado, um barulho atrás deles. Um deles vai verificar — e vê o perseguidor fechando a escada com tábuas, selando a saída.
Encurralados.
Eles ligam para a polícia. Ninguém atende. Acham que é trote.
O frio piora. O medo consome. Eles sabem que não querem morrer ali, para qualquer estranho louco e doente.
Horas depois, o cansaço vence.
Silêncio.
As tábuas começam a ser removidas.
O Misterioso sobe devagar. Observa todos, um por um.
Logan acorda.
Na penumbra, acredita reconhecer aquele corpo.
— Derek…? — ele sussurra, aliviado demais.
Logan se levanta e o agarra, tentando beijá-lo.
Recebe um empurrão violento.
Cai no chão.
A figura se aproxima. Retira a máscara.
— Como você é tolo — diz a voz fria. — Confiou em mim.
Logan tenta entender.
— Lembra quando você disse que queria voar?
— O… o quê…? — Logan balbucia.
— É isso mesmo. Vamos voar.
— Ou melhor… você vai.
— NÃO! PARA! — Logan grita.
O Sr. M o segura pela camisa, enfia a faca em sua barriga sem pressa… e o arremessa do alto da fábrica.
Durante a queda, Logan vê o rosto dele.
E morre.
O assassino observa com um olhar de satisfação absoluta.
Em outro lugar da cidade, Derek desperta no meio da madrugada no presídio, sentindo uma dor estranha no peito — e grita.
Terça — 07:24
JORNAL
— Depois de momentos de terror, Tyler Baker, da fraternidade local, sobreviveu a um ataque de um misterioso serial killer que assassinou Casey Kirt e Logan. O caso segue sem solução. Sabe-se apenas que Logan viu o rosto do assassino antes de morrer. Após o crime, uma foto foi deixada sobre seu corpo com a frase:
“Ele me viu. E depois eu o matei.”
Stacey Hall dobra o jornal lentamente.
— Tyler e Dylan tentam se manter fortes após a perda do amigo. As fraternidades entraram em luto por uma semana… — ela lê em silêncio.
A chuva cai do lado de fora.
E eu observava, pensa.
Como se não tivesse feito nada.
Então surge a pergunta:
Quem será o próximo?
Stacey Hall?
Ou continuo com Tyler e Dylan?
Talvez os três.
Depois eu decido.
Dois anos depois
— Queridos alunos… — diz a diretora no palco. — Foi uma honra acompanhar o crescimento de vocês. Mesmo com perdas, seguimos. Que lá fora vocês sejam felizes. Que venha um novo estágio.
Capelos são lançados ao ar.
Famílias aplaudem.
E eu observo.
Agora eles têm famílias. Trabalhos. Vidas estáveis.
E eu tenho algo melhor.
Novos alvos.
Novos jogos.
Uma nova matança.
Nos vemos em breve.
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