\"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.\"
(Fernando Pessoa)
Ravanna caminhava em volta do altar. Após meia hora meditando, ainda não conseguira desvendar o mistério. Nem todo seu treinamento na filosofia hindu estava sendo de algum uso; Ele se debruçou sobre o altar, do lado dos copos, e ficou ali olhando para eles.
Os dois copos, simples e dourados, estavam ali, a poucos centímetros de sua cabeça. E então como qualquer ser vivo ou não faz quando se sente fatigado, Ravanna soltou um suspiro.
Os copos acoplados tremeram. Ele franziu a testa. Tentou um sopro um pouco mais forte. Os copos tremeram mais, fazendo aquele som de atrito entre vidros, enquanto o cérebro de Ravanna fazia aquele som que antecede palavras como “Eureka!” ou “Já sei!”, ou a famosa “Então foi ISSO que ele quis dizer!”
Ravanna se curvou, mirou na fresta entre os copos, e deu um forte e curto sopro. A física fez seu papel e os copos voaram para longe um do outro, deslizando no altar e caindo com estrondo agudo no chão.
No lugar aonde estavam os copos, surgiu um pequeno baú roxo com escritas enigmáticas em dourado, com símbolos que ele não conseguia reconhecer.
Ravanna abriu o baú, e retirou de lá uma chave negra, que emanava uma aura de escuridão. Sua base era torneada e aparentava estar na forma de algum símbolo mágico oculto.
Assim que examinou a chave, A catedral começou a se despedaçar, e raios de sol começaram a adentrar pela capela, em faixos. Ravanna começou a correr e se esquivar dos vidros que caiam do teto, em direção à porta que se abrira e aparentava ser como aquela que tinha usado para entrar neste plano. Ele já sentia sua pele começar a borbulhar, quando atravessou o portal.
O vampiro se encontrou na mansão Giovanni novamente. Pandora estava sentada num grande sofá à sua frente, alisando os cabelos do próprio corpo dele sobre seu colo.
Ela sorriu e disse: “Eu sabia que conseguiria. Aproveitou a viagem?”
...
“O que..aconteceu?”
Ben acordou com suas costas e cabeça doendo. Estava no banco de trás do carro que vieram, com Fernando dirigindo e uma mulher no banco ao lado.
Ela dizia:
“-Eu sei de que Nosferatu vocês estão procurando. O nome dele é Antonius, e ele sabe tudo sobre este lugar. Na verdade sabe tudo sobre todos, já que todos os Nosferatu compartilham suas informações uns com os outros.
Ben se sentou, enquanto trabalhava seu sangue para curar as feridas. Suas roupas estavam encharcadas, e ele precisaria se trocar logo.
“-Ah, acordou, bela adormecida?” Disse Natasha, num tom sarcástico.
“- Foi um belo dum estardalhaço lá fora, rapaz. By the way, desculpe pelas balas.
Nós tivemos que dar uma sumida nos corpos ali atrás. Sim, você entrou em frenesi e os matou. Pelo menos, nos rendeu uma boa refeição.Agora estamos indo até o Nosferatu que te falei. Natasha aqui fez questão de nos acompanhar, quer que resolvamos nosso trabalho aqui o mais rápido possível para irmos embora logo.”
Fernando parou o carro em frente a uma pequena loja de \"1,99\",com alguma distância da multidão.A loja tinha duas pequenas portas e um senhor idoso sentado no canto da loja, aonde era o caixa e havia uma porta de trás dele.
“Fique aqui, Ben. Depois irei comprar uma camisa pra você, não dá pra sair na rua desse jeito. Aguarde aqui.
O velho tinha uma aparência cansada e cheia de rugas. As pessoas passavam por ele e evitavam seu olhar. Às vezes alguém comprava alguma coisa, mas o velho mal parecia se importar com isso.
Fernando era o único que possuía habilidades extra-sensoriais para enxergar a verdadeira face do Nosferatu,que se mascarava como um humano, escondendo seu rosto pútrido e deformado. Chegaram até ele no balcão, e após alguns momentos se encarando, por fim o monstro cedeu:
“-Ok, vocês podem me ver e eu vejo vocês. O que o belo casal quer saber?”
“-Estou procurando informações sobre o que aconteceu na noite da festa dos Toreadores, um dia atrás.”
“-E de que tipo de informação? Certamente não deve ser de que grifes e modelos que estavam usando,embora isso fascine um Toreador como você, não é!?”
“-Sei que você estava na festa, criança da noite. O que procura pelos lugares ocultos? Seja objetivo! Não tenho tempo para perder com membros de um clã tão fútil como o seu.”
“-Eu quero saber quem matou Joana Cartringer.”
O Nosferatu hesitou. Certamente não esperava uma resposta como essa, e muito menos que o neófito tivesse alguma veia de informação tão secreta como essa...
“-Voce tem idéia do que está dizendo? Quem te mandou aqui?”
“-Não posso te dar essa informação. Preciso da verdade, e você sabe o que aconteceu.”
“-Oh, meu amigo, as coisas são mais complicadas do que parece. E maior a história, maior o preço dela, entende? Não sei se dinheiro vai ser o suficiente para algo tão valioso assim.Estão dispostos a uns servicinhos? Posso usar de neófitos como vocês.”
- Antonius arreganhou os dentes tortos e pontudos, que saiam pra fora da boca-
“Serviços? Mas nós não temos tempo para perder com outras coisas!”
“Se está com pressa — E acredite em mim, deveria estar mesmo – posso lhe arranjar um serviço só....que valha por vários.Será muito perigoso, mas se você está disposto a arriscar seu couro morto nisso..”
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