\"Supor é bom — descobrir é melhor.\"
( Mark Twain )
Antonius, o Nosferatu, conduziu Fernando e Natasha para dentro da loja, enquanto fechava.
No fundo da loja, havia alguém arrumando as prateleiras, sem dar atenção aos estranhos.Quando Antonius abaixou a porta, o homem também baixou suas defesas: O corpo curvado e deformado de um Nosferatu se fez presente, feio o suficiente para fazer alguém vomitar.
“-Aquele é minha cria, Venser. Ele está tendo que permanecer aqui comigo porque cometeu um erro grande de perder um documento precioso, e então vai passar alguns meses aqui.
“-Na verdade, é este mesmo documento que vocês terão de recuperar para mim. Ele caiu na mão de um Seguidor de Set, membro de um clã independente da Camarilla.Isso é uma vantagem, não teremos o “governo” atrás dos nossos pescoços se atacarmos ele.É claro que vocês devem sempre tomar cuidado com o que fazem, a máscara é muito importante. Se vão matá-lo, então que não seja arrancando a jugular fora com os dentes, pelo amor de Deus.”
“De qualquer forma, essa cobra asquerosa merece. Malditos são estes membros, corruptos e donos do mercado negro da região.Este que vocês irão atrás é apenas uma cria, um mensageiro, que está levando o documento ao seu Senhor. Voces devem impedi-lo, porque acreditem em mim: Vocês não podem contra um Ancião. Ele esmagaria a cabeça de vocês como uvas.
“-Amanhã, eles passará pela rua 5. É uma rua sem moradores e policiais em um certo trecho dela, vocês devem aproveitar isso. Vou deixar que se planejem, e aconselho levarem algumas armas para ter certeza. Espero vocês aqui, amanhã.”
O Nosferatu mexendo nas prateleiras olhou para trás, examinou os estranhos e voltou a trabalhar. Fernando comprou uma camisa para Ben, e o contou da história. Depois, cada um voltou para seu refúgio. Natasha acompanhou Fernando para levar Ben embora, e depois quando estavam voltando, ela disse:
“- Tome cuidado com essa missão.. Não parece ser sua praia esse tipo de coisa, e vejo que você está bem desconfortável, mas...espero que tudo acabe logo. Boa sorte amanhã.”
Fernando ligou para Ravanna, e o convocou para se encontrarem amanha também. Iam precisar de toda ajuda possível, pelo jeito, e ele tinha que bolar um plano.
Ravanna se sentiu confortável, mas meio preso quando voltou ao seu próprio corpo. Pandora olhava com prazer para a chave, e disse a ele:
“- Obrigada, senhor. Esta chave é muito importante pra mim. Na verdade, muito mais para meu mestre. Pode-se dizer que é uma chave em vários sentidos, mas isso não vem ao caso. Aqui está sua recompensa: este malote contem quatro mil reais, e você disse que havia algo que gostaria de saber?”
“Sim, é sobre espíritos – a mulher consentiu – Eu gostaria de saber se existem formas de controlar um membro mesmo ele estando vivo,e contra a vontade dele. É possível ser possuído assim?”
A expressão na face de Pandora mudou drasticamente. Ela franziu a testa, parou de sorrir e disse rispidamente:
“-E porque alguém como você quer saber algo sobre isso?! Cuidado com suas palavras, Cigano! Perguntas não ofendem, mas podem lhe custar um coração empalado.Agora é hora de você ir embora. Sorte a sua, que seu trabalho foi bem feito e que meu Senhor não está aqui..voce já estaria sendo atormentado por mil assombrações neste momento.”
Ravanna saiu da mansão, e então seu celular tocou. Fernando lhe contou a sua historia, e Ravanna foi logo para um motel passar a noite.Estas noites na cidade tem sido boas, ao menos. Esperava que amanha continue melhorando.
Meia noite, um homem com o rosto liso e feições árabes e pele morena caminhava a passo rápido pela rua. Ele estava de terno risca de giz, cor de areia, e um chapéu escondia sua cabeça sem cabelos. Ben, Fernando e Ravanna estavam a postos, preparados para atacá-lo a qualquer instante. Eles haviam ido a noite passada se preparar com armamentos, e estavam confiantes.
Assim que o Setita passou por onde eles estavam, eles se prepararam para pegá-lo de surpresa.Ben preparou o soco inglês em sua mão, mas o seu primeiro ataque seria mais potente que isso: Se preparou concentrando o poder do sangue em seus músculos, e teve a iniciativa do grupo.
Com um salto, foi em direção ao setita, com os dois pés prontos para esmagar o magro e frágil corpo do homem.Porém com uma velocidade sobrenatural, o vampiro desviou do ataque Rolando pelo chão, e rapidamente se pondo em pé; o lugar aonde Ben aterrissou abriu dois buracos no chão, que o prenderam até a canela.
“-Venham, filhos-da-mãe! Vou levar um de vocês comigo. Então, qual de vocês irá me acompanhar até os infernos de Set?!”
Ben não podia acreditar nos reflexos daquele cara. Ele estava surpreso com os olhos ofídicos daquele membro, quando Ravanna e Fernando passaram rápido por ele, cada um segurando uma katana.Agora à luz dos postes e sem o chapéu, podia-se ver claramente a pele escamosa dele, que refletia um pequeno brilho da lua. O setita desviou do primeiro ataque dos dois, e então quando Fernando aventurou-se a um segundo ataque, o setita desenrolou uma língua bifurcada de sua boca e quase perfurou o rosto do Toreador, não fosse ele ter a sorte de desviar, recuando.
Ben com um pouco de esforço se livrou do asfalto, e começou a aproximar-se por trás dele, enquanto ele parecia ocupado com os outros dois. Num lance de segundo, o setita contorceu seu pescoço e cuspiu algo no rosto de Ben.
Escuridão.Dor.Ben começou a gritar e caiu pra trás, pondo as mãos nos olhos e fazendo suas mãos arderem também.
“Ácido!!!”-pensou Ben .Confuso e aturdido, ele ouvia o barulho da batalha à sua frente. Ele era o mais forte do grupo, e se deixasse o setita fugir, com certeza se sentiria o culpado.Então com muita raiva, começou a arrancar a pele em volta de seus olhos. A luz voltou um pouco, e com a visão turva ele distinguiu alguém caído na sarjeta, enquanto dois ainda estavam se enfrentando. Ele percebeu uma pequena faca escura enfiada no punho de Ravanna, deitado no chão,com os olhos virando e entrando em choque.Fernando ainda resistia, graças à sua rapidez, que era tão boa quanto a do setita, embora estivesse com vários rasgos em sua roupa, e algumas manchas de sangue.
Bem aproveitou a distração do setita com a luta e foi de ímpeto contra ele. Acertou-o em cheio nos omoplatas.Sem esquivas desta vez.
O vampiro caiu com força no chão, obviamente com alguns ossos quebrados.Ben mandou Fernando cuidar de Ravanna, que ele cuidaria do que sobrou da cobra arisca.
Enquanto Fernando retirava sua faca e abria seu punho para lançar um pouco de seu sangue sobre a boca de Ravanna, Ben levantou o setita do chão com seu punho e o envolveu em seus braços, apertando com uma força monstruosa. Ele não pode deixar de sentir um pontinho de satisfação quando o setita cuspiu sangue em sua cara, claramente com seu corpo perfurado internamente pelos próprios ossos.
“O setita reuniu fôlego e disse: Hahaha, então é ISSSTO que eles têm para cuidar dos problemas? Essa cidade logo vai cair, e vocês vão ser os primeiros a virarem poeira! Se quase morreram contra mim, não passarão de VERMESSS quando tudo acontecer!”
O setita estava tirando sua língua bifurcada e pontuda pra fora de novo, quando Fernando veio por trás e cortou-lhe a cabeça.Instantaneamente, o corpo todo quebrado do membro virou pó e sua cabeça mal chegou a tocar o chão.
Com o paletó na mão, Ben colocou sua mão dentro e retirou um envelope. Estava amassado, mas inteiro e ainda lacrado.Após Ravanna recobrar os sentidos e todos se recuperarem, seguiram em direção à casa de Antonius, para descobrir do que o setita falara.
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