O Mistério De Scarabas
16 Paranormal
Notas iniciais
Boa leitura '')
– Espera aí...como assim banho de cachoeira?
Fomos acordados às seis da manhã com essa notícia. Os irmãos Blake estavam perfeitamente sentados à mesa tomando café. Alice sorriu ao me ver e deu uma piscadela, assim como Rony.
– Não estão animadas? — vovó perguntou para mim e Rebecca, sorrindo.
– Você nunca falou dessa cachoeira. — Sara falou, cruzando os braços.
Vovó se retesou.
– É que antes estava frio...mas agora pela manhã a água deve estar quentinha!
Sara e eu trocamos olhares. Sabíamos muito bem o que era: bom modos para com os Blake.
Lila carregava uma cesta de piquenique, o que provavelmente significava que a manhã seria longa. Pude ver Alice se aproximar do irmão e cochichar algo que consegui escutar com um pouco de esforço:
– Vamos com calma. Na hora certa, agiremos. Aí, seguiremos com o plano.
Plano? Que plano? O que eles iriam fazer?
– Eles vão fazer alguma coisa! — cochichei perto dos outros.
– Então, vamos ficar atentos. — foi o que Steve disse.
Assim que chegamos na cachoeira de água cristalina, nos separamos do grupo que acompanhava os Blake.
– Ei, vocês, anti-sociais! — Alice ironizou, fazendo a maior pose de brincalhona e boa moça.
– Já sei o que vamos fazer. — Rebecca me disse.
– O quê? — disse enquanto olhava Claire sorrir e tentar flertar com Rony, que não dava bola pra ela.
– Você vai lá e tenta..."conversar" com ele. — ela fez as aspas.
– Mas o que eu vou dizer?
Sara revirou os olhos.
– Ah, vai, Valerie. Tenta. Só assim a gente pode fazer alguma coisa.
– É, e você já é sedutora naturalmente. — Steve falou sorrindo.
Suspirei.
Tentei parecer o mais natural possível.
– Esse lugar parece ser ótimo pra passar as férias — disse Rony.
Engoli em seco, pensando no que dizer.
– E...vocês? O que estão achando...? — disse, nervosa.
– Até agora, nada fora do comum — respondeu. — Mas minha irmã e eu estamos perto de desvendar algo grande.
– E o que é?
Ele hesitou.
– A tal fantasma que tem por aqui.
– E por que se interessam por isso? — emendei.
Ele suspirou e olhou para a água.
– Nosso pai. Ele se interessava por física e coisas materialistas. Mas o que ele mais defendia e queria provar era exatamente o contrário.
– Coisas materialistas? — a conversa me agradou.
– Se uma coisa não é feita de matéria; de algo intangível, ela não existe — explicou ele. — Como os fantasmas. Eles são invisíveis e intocáveis. Portanto, pela física, eles não existem.
– Então, por que o interesse?
Rony olhou para os lados.
– Meu pai nunca gostou de defender o materialismo. Ele apostava todas as fichas no sobrenatural.
– E o que ele queria com isso?
Ele olhou para Alice, avaliando se contaria ou não. Por fim, ele soltou:
– Ele passou meses em pesquisa para desenvolver técnicas e armas próprias para fantasmas. Queria detê-los de todas as formas. Ele iria, enfim, realizar seu sonho de ver um fantasma e revelá-lo. Mas aí tudo acabou quando ele morreu.
– E vocês levaram adiante? — instiguei.
– Muito além disso — ele sorriu, triunfante. — Foi aí que minha irmã e eu decidimos continuar o ramo. Podemos acabar de vez com os fantasmas. Vamos capturar a Vingativa e mostrar que os fantasmas existem e são reais. Vai ser o fim das assombrações. Além disso, eles serão nossos escravos e farão coisas no nosso lugar; como ir ao banco e nos servir. Será a era dos vivos! — concluiu, animado.
Me assombrei. Era muito pior do que eu pensava. Se o plano deles desse certo, seria o fim!
Alice nos observava por cima dos ombros, desconfiada.
– Ah...interessante. — murmurei.
Voltei para Rebecca e os demais e lhes revelei minha descoberta, e eles ficaram tão alarmados quanto eu.
– Esses manés vão ferrar com a vida de todo mundo! — sibilou Sara.
– O que me preocupa são essas tais armas — falei. — Talvez até mesmo a Vingativa não escape. Por isso ela e os outros fantasmas fugiram com medo.
– Se eles querem fazer os fantasmas de escravos, por que estão tão quietos? — Rebecca quis saber.
– Vingança — Steve disse. — Como Valerie contou. O pai deles queria provar que eles existem.
– Temos que ter cuidado com a Alice — avisei. — Ela é esperta e perigosa.
Dito isso, dei uma olhada para ver onde ela estava e me dei conta de que ela e o irmão tinham sumido.
– Rápido! — sussurrei. — Se escondam!
Nos arrastamos atrás de uma pedra, onde permanecemos quietos. Olhei para todos os lados. Em um momento, vovó, Lila e os outros conversavam alegres. Após escutar um estalar de dedos, de uma só vez, todos eles caíram num sono profundo; e nós arquejamos, desesperados.
– O que eles fizeram? — sussurrou Sara.
– Shh! — fez Rebecca. — Olha eles lá!
Alice e Rony saíram de um local escondido, sorrindo. Espremi os olhos para ver nas mãos de Alice um objeto que irradiava uma luz iridescente, e suei frio por imaginar o que poderia ser.
– Vamos logo ao maldito parque! — Alice soou impaciente. — Quero descobrir o que há por lá.
O parque de diversão!
– Eles não podem ir lá! — disse Rebecca.
– Deixe eles acharem que estão sozinhos — propôs Steve. — Então, vamos segui-los.
Fui a primeira a sair do esconderijo, ainda sem acreditar. Todos ali — menos nós quatro — dormiam tranquilamente. Lila dormia aos pés de John, enquanto Claire nem sentia a pedra fria em suas costas.
Steve e eu demos as mãos e saímos correndo rumo ao parque de diversão. Àquela hora, pela manhã, o lugar devia estar totalmente vazio. Perdemos os Blake de vistas quando chegamos lá.
– Vamos nos separar. — eu disse.
– Tem certeza? — Steve ponderou.
– Se nos separarmos, será mais fácil encontrá-los. — Sara concordou.
– Ok, vou pelo lado dos brinquedos infantis — Rebecca foi se distanciando.
– Vou pelo outro lado! — Sara correu.
Steve me lançou um olhar preocupado.
– Vai dar certo — eu o tranquilizei. — Não vai acontecer nada.
– Se eles a pegarem poderão fazer todo o tipo de coisas — alegou ele. — Além do mais, os fantasmas não poderão ajudar.
– Confie em mim — eu me aproximei.
Ele suspirou e depositou um beijo calma em meus lábios.
– Tenha cuidado. Vou dar a volta.
– E eu sigo pelos brinquedos radicais. — sorri um pouco.
Nos afastamos até que nossas mãos se soltaram, e sumimos na fina neblina.
Fui na direção da roda gigante e da montanha-russa, e me deparei com o Trem-Fantasma, ou a Casa do Terror, e engoli em seco. Tudo estava muito silencioso. Caminhei devagar, atenta a qualquer movimento. Me assustei quando um dos palhaços que guardava a entrada do Trem-Fantasma deu uma risada sinistra sozinho.
Até que vi um vulto perto da roda gigante. Rapidamente, procurei me esconder. Infelizmente, a saída mais fácil era ficar no Trem-Fantasma. Meu coração batia com toda a força no peito. Escutei passos perto de mim, e temi pelo pior. Em seguida, escutei uma risada sarcástica, e notei que um dos Blake estava por ali, e me encolhi.
De repente, a cabeça de um dos palhaços de enfeite da fachada do Trem-Fantasma caiu, e dei um pulo, o que me fez virar.
Vi então uma fantasma amarrada a uma corda brilhosa, provavelmente capturada por Alice.
A fantasma estava suando.
Foi quando vi Alice atrás de mim com uma faca brilhos em riste, pronta pra me esfaquear.
Vendo que percebi seu ataque, ela sorriu, mas sem abandonar a postura assassina.
– Olá, Valerie. Vamos jogar um jogo...
Notas finais
Comentem, por favor.
Proximo capitulo está imperdível! xoxo
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