Notas iniciais
sorry pela demora..estive dodói esses dias ); #bad
a cidade aqui é fictícia, ok? mas se ela existisse, vc teria coragem de ir passar as férias em um lugar estranho, quem sabe? kkkk ¬¬
Boa leitura! (:

Richmond,Virgínia. Nos dias atuais.

Comunicado:

Cara aluna Valerie Arsen. Recebemos seu histórico escolar e suas boas notas, o que a qualifica dentro do quadro de nossos acadêmicos. Quero por meio desta carta, em nome da universidade, lhe dar os parabéns em se tornar uma de nós. Ficaremos felizes em recebê-la para que faça parte da nossa universidade.

Enfim, o grande dia havia chegado.

Férias. Talvez, acabar de se formar no ensino médio e entrar direto na universidade não seja tão incomum assim. Ainda haveria algum tempo para eu me acostumar, depois da festa de formatura que Claire, minha melhor amiga, fez.

- Você recebeu também! — ela veio gritando pelo corredor da universidade — que era enorme por sinal. Eu, como boa pessoa altruísta que era, já estava efetuando minha matrícula. Reler o bilhete era uma forma de eu me alegrar um pouco.

- É, Claire, muito legal. — eu disse.

Ela suspirou.

- Qual é! Devia estar feliz...

Claire Burners e eu éramos amigas desde pequenas. Ela não era muito alta, e tinha cabelos pretos e lustrosos, além de ser muito animada. Ela tinha uma família grande, e a notícia na casa dela foi um alvoroço. Decidimos ir para o mesmo curso, já que haviam algumas coisas em comum com o que gostávamos.

- É claro que estou feliz. — argumentei. — A ficha não caiu ainda. Só isso.

Não era exatamente uma mentira.

Eu queria que a minha família fosse como a de Claire — cheia de gente e agitada. Minha mãe havia morrido quando eu tinha 15 anos. Desde então, esse dia se tornou horrível pra mim; e meu pai — que já não era muito presente devido ao seu emprego de empresário — se manteve afastado mais do que nunca. Além deles, só podia contar com Lila; minha "babá", e meus avós, pais de minha mãe. Estes moravam em uma cidadezinha distante e pacata, onde passaria as férias antes do primeiro dia na universidade. Eu tinha poucos tios — só por parte de pai, e moravam em outro estado — e nenhum irmão ou irmã. Minha mãe era filha única.

Dá pra perceber que minha vida nunca foi lá essas coisas.

- Vai ser divertido. — Claire disse com a mão no queixo, pensativa. — Vai se alegrar assim que for pro mato.

Ri da maneira como ela apelidava cidades pequenas e pacatas. Na verdade, sempre gostei de lugares assim: quietos e aconchegantes.

- Você vai gostar. — disse-lhe. — Aposto que conhece pouca coisa.

Talvez por piedade ou pena — ou até mesmo apreço — , meus avós permitiram que eu convidasse mais pessoas. A casa da fazenda era enorme. Claire ia, além de minha prima Sara — com a qual eu não tinha lá uma amizade — e o namorado dela, Steve; um garoto arrogante e badboy; mas no fundo um cara legal. Cursamos o ensino médio juntos.

- Seus primos são muito terríveis?

- Eles não mordem com muita força...- brinquei.

De volta pra minha casa — que na verdade era um apartamento gigante, onde vivia sozinha com Lila, uma mulher negra e muito humilde; e minha cuidadora desde a infância — liguei para o meu pai, que devia estar em algum lugar na Europa. Ele adorava eventos chiques e cheios de frescura.Quando ele não atendeu, suspirei.

- Pai — disse para a caixa postal. — Já fiz a matrícula na universidade. Estou com as malas prontas e parto daqui a pouco. Acho que visitar vovó e vovô será legal. — engoli em seco. — Acho que o sinal pega lá, então... — medi as palavres, provavelmente achando que ele não as escutaria. Então, não falaria muito. — Pode me ligar...se estiver afim...

Desliguei. Já podia até imaginá-lo em alguma conversa, e o celular tocando no bolso.

- Ele não tá nem aí, né? — Claire fez muxoxo.

- Tudo bem. — guardei o telefone, pegando uma foto dele e de Sammantha,minha mãe. Ela tinha cabelos castanhos-claros e olhos amendoados; enquanto ele tinha cabelos pretos. Tive sorte ao herdar mais coisas de minha mãe. — Ele deve estar ocupado.

- Há! — zombou ela. — Com certeza! Ocupado com alguma vadia oportunista que talvez venha a ser a sua madrasta má...

- Valerie. — Lila apareceu na porta, para a alegria dos meus ouvidos. — O carro está na porta. Quer que eu ajude com as malas? — sorriu.

Nos dirigimos para a porta num silêncio tenso. Por fim, nos abraçamos.

- Se cuide, menina. — advertiu ela. — Sei que lá você estará muito melhor. Quer minha opinião? — ela falou. — Devia ficar por lá mesmo.

Eu ri.

Claire terminou de colocar nossas malas, quando Sara e Steve apareceram. Ele esboçou um sorriso zombeteiro assim que me viu. Suspirei. As férias seriam longas...

- Atrasada como sempre... — Lila disse para Sara.

- Se enxerga, empregada. — Sara respondeu, e Lila revirou os olhos. Lila já teve que cuidar dela várias vezes também. — Se minha mãe não tivesse me obrigado a ir pro mato, acha que estaria aqui? Ela pensa que vai se redimir com vovô e vovó me mandando pra lá...

- Cuidado com ela. — Lila cochichou no meu ouvido quando nos abraçamos, e escondi o riso. — Tome, caso tenha problemas. — ela me entregou uma medalha e algumas notas.

- Não, Lila! — recusei, devolvendo. — Você precisa mais do que eu...

- Fique pelo menos com isso. — ela enrolou a medalha na minha mão. — Vai protegê-la de qualquer coisa. Isso me deixará conectada com você. — e beijou minha testa. Lila era minha segunda mãe. A medalha era um símbolo simples, e talvez até pessoal para ela.

- Hey, Valerie. — Steve me cumprimentou. Não éramos muito chegados, mas fui educada. — Vai ser divertido pra você, que gosta de natureza e essas coisas...

- Sim. — sorri.

Claire sentou no banco da frente, e fiquei no banco de trás, entre Sara e Steve. A viagem seria longa, e o pôr do sol só fazia minhas pálpebras caírem mais. Chris, meu pai, não retornou minhas ligações.

A cidade de Scarabas não era muito longe, ao meu ver. Mais ou menos uma hora e meia de viagem. Mal podia esperar para passar noites acordada escutando as histórias que meu avô contava.

Chegaríamos à noite. Pelo que eu sabia, a cidade era muito antiga. Sempre ouvia rumores a respeito de lá. As pessoas costumavam falar mal de lugares pacatos demais; quietos demais. Contavam que lá era um lugar amaldiçoado.

É claro que ninguém acreditava. Meus avós moravam lá há anos, e me sentia mais à vontade lá, do que em qualquer outro lugar.

- Que estranho... — murmurou Sara, retirando os fones de ouvido. Notei que estávamos na entrada de acesso à cidade; onde uma ponte era o único elo que nos ligava. O tempo estava fechado, e uma neblina tomava conta de tudo. Uma placa acima de nós dizia:"Bem-vindo à Scarabas." Lá não parecia ser muito agitado; os carros vagavam devagar, e poucas lojas estavam abertas, assim como poucas pessoas circulavam nas ruas.

- Sinistro. — Steve falou.

- Dá pra ir...mais rápido...? — a voz de Claire falhou.

O motorista seguiu então por uma rua onde havia um parque.

Pessoas gritavam na montanha russa, e riam tomando sorvete. Percebi que havia um brinquedo interditado e isolado. Estranhei. O que teria acontecido?

Em seguida, passamos em frente a um centro comercial; onde havia um shopping pequeno, seguido por uma escola fechada. Logo entramos em uma estrada de terra, seguindo para a área rural. A neblina parecia ser mais densa por lá.

Sara se assustou quando uma coisa bateu na janela.

- Morcego. — Steve falou.

- Aqui está mais pra cidade fantasma. — comentei. — Por quê aqui é tão isolado e quieto? — perguntei para o motorista, que riu.

- Dizem que esse lugar é governado por forças sobrenaturais — contou. — Que não gostam de visitantes, e que sugam a vida por aqui. Tem sorte em ainda ter parentes vivos aqui.

Revirei os olhos.

Já podia avistar o casarão antigo de meus avós. Lá estava a varanda e chão de tábuas largas; e o teto lá no alto. Fomos recebidos pelo barulho das corujas. Uma luz se acendeu, e a porta foi aberta, revelando a figura de uma mulher robusta de cabelos grisalhos e semblante severo.

Ela nos olhou dos pés à cabeça.

- Beth! Eles chegaram!

Em seguida, vozerio e passos se calaram quando Beth, minha avó, apareceu. Ela era esbelta e loira; bem branquinha. Seus olhos brilharam ao me ver, e nos abraçamos apertado.

- Hector! — ela gritou o nome de meu avô. — Como foi a viagem querida?

- Tudo bem, vovó. — eu disse.

- Se acomodem! — ela nos convidou para entrar. A casa da fazenda era grande e possuía energia. Banheiro elétrico e fogão moderno haviam por lá, o que não afetaria nosso costume da cidade.

- Valerie! — meu avô, Hector, me abraçou. Ele era um homem bem robusto e de cabelos grisalhos; e dono da fazenda. — Vamos para o seu quarto. — ele nos guiou pela escada, onde um corredor levava aos quartos. Primeiro, o dele e de minha avó. Steve ficou no quarto dos homens, junto com outros dois rapazes que trabalhavam na fazenda.Sara, Claire e eu ficamos em um quarto enorme. — Devem estar com fome. Juntem-se à nós. — vovô disse depois de nos arrumarmos.

A mesa era enorme; e a comida, deliciosa. As pessoas da casa nos olhavam curiosas, uma vez que éramos da cidade. As únicas mal-humoradas pareciam ser a mulher que nos recebeu e uma garota carrancuda que a acompanhava.

- Visitantes. — escutei a mulher cochichar com outra menina; dessa vez mais delicada. Em seguida, bufou. — Vai trazer mau agouro. Já sabemos o que vai acontecer.

- Isso é bobagem, mamãe. — a garota falou. Era baixinha de cabelos castanhos..

Quando me virei, esbarrei em alguém, deixando meu celular cair. Era um rapaz; alto, loiro de olhos verdes.

- Desculpe. — murmurou ele, sorrindo.

- Não; eu me distraí. — falei meio sem graça, enquanto ele me entregava me celular. Em seguida, avistei a garota carrancuda de cabelos pretos me observar com um olhar estranho...de repulsa, talvez.

- Ignore Rebecca. — escutei uma voz ao meu lado. Era a garota que vi na cozinha.Pelo tamanho, devia ter a minha idade. — Ela é assim mesmo com as visitas. — e sorriu. — Não é muito comum pessoas virem até aqui.

- Por quê? — eu quis saber. — Somos tão estranhos pra vocês? — disse enquanto voltava à mesa.

Para a minha surpresa, ela riu. Pelo menos, ela parecia ter gostado de mim.

- Me chamo Valerie. E você? Vai à escola? — continuei.

- Me chamo Lauren. — contou ela. — Escolas não costumam durar muito por aqui...

- Por quê?

- Valerie. — vovô Hector me perguntou quando cheguei à mesa, onde Sara fazia cara de nojo para a comida, e Claire se empanturrava. — Como estão as coisas na cidade? E o seu pai?

Engoli em seco. Era difícil — sem contar que meu pai e meu avô nunca se deram muito bem.

- Papai vive para os negócios. — fui verdadeira, mas me animei. — Entrei na universidade.

- Oh, querida! Ficamos felizes por isso! — vovó disse, alegre.

- Seu pai viajou de novo? — vovô Hector pareceu indignado. — Ele deveria cuidar e se preocupar com você em vez de deixá-la sozinha!

- É. — Sara disse, suspirando. — Mas Valerie se sente melhor aqui do que na civilização. E ele sabe disso. — então Claire lhe deu uma cotovelada, e riu desconcertada.

- Nós gostamos daqui. — Claire emendou. — Valerie sabe disso, não é? — ela ergueu a sobrancelha pra mim.

Um trovão rompeu o silêncio tenso.

- É melhor descansarem. — vovô Hector levantou da cadeira. — Não querem passar as férias sem se divertirem, não? Que tal um passeio à cavalo amanhã?

- Boa noite querida. — vovó nos levou até nossos quartos, e me deu um beijo na testa. — Não sabe como é bom tê-la aqui.

Fui a última a entrar no quarto, e logo vi a mulher carrancuda e Rebecca e Lauren seguirem para o quarto ao lado. Lauren foi a única que me deu um sorriso. Em seguida, Steve e o rapaz loiro seguiram para o quarto em frente.

A chuva banhava a janela, e o frio já começava. Remexendo em minhas coisas, acabei pegando no amuleto de Lila, e mexendo-o nos dedos.

- Por quê Lila deu isso à você? — Claire sentou na cama ao meu lado.

Dei de ombros.

- Ela disse que ia me proteger.

-Ah, por favor! — Sara folheava uma revista na cama. — Todo mundo sabe que ela é macumbeira. Devia jogar isso fora, Valerie.

Claire fez um gesto obsceno e depois colocou os dedos na boca, como se vomitasse, e eu ri.

- Não sei porquê nos olham estranho...já repararam? — Sara continuou. — Não gosto disso. Se não nos queriam aqui, então, por que convidaram? E por quê tudo é tão esquisito...viram aquele parque?

Claire e eu suspiramos.

- É garotas...as férias serão longas. — Claire se ajeitou na cama.

Mexi um pouco no celular ainda com esperanças de que meu pai tivesse me ligado. Que nada.

Caminhei até a enorme janela, observando tudo lá fora. Em seguida, passei pelo espelho, e suei frio de repente. Instintivamente, segurei firme o amuleto de Lila. Um vento frio passou por mim do nada.

Decidi esquecer isso e ir dormir. Colocando o amuleto debaixo do travesseiro, tentei me concentrar no sono.

Em determinado momento, pareceu-me que havia uma figura no espelho sussurrando:

"Vá embora!"

Notas finais
sentiram o gostinho? comentem, comentem!! (:
no prox cap coisas já começarão a acontecer..quem aí tem medo de fantasmas? ¬¬ o hihi
Xero bye bye