O Meu Ídolo - Sem Cortes
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– Tom, por acaso você tá dormindo?
– Para de encher o saco. Você acha que a gente tá circulando pelas pistas da Alemanha? Se estiver achando ruim, venha dirigir no meu lugar.
– Vou mesmo.
– E eu tenho cara de quem vai deixar um barbeiro que nem você dirigir o MEU carro? — Falou dando ênfase à palavra "meu".
– Tanto faz, contanto que a gente chegue logo naquele estúdio. Não aguento mais gravar ele cdzinho afrescalhado.
– Ô Bill, a comida te fez mal?
– Você fala assim porque só vai entrar no estúdio e colocar a sua guitarrinha pra chiar um pouco.
– Vá a merda, idiota. Eu não tenho obrigação de ficar aguentando o seu mau humor. Você tem os seus grilos e vem querer descontar em mim? Vai me dizer que não gosta da vida que a gente leva?
O gêmeo mais novo rapidamente pegou a bolsa que carregava, dela retirou os óculos escuros e pôs no rosto para disfarçar a sua comoção por conta do que o irmão acabara de falar. Desde a sua infância, ele almejava trilhar uma carreira musical bem-sucedida, mas os últimos tempos não haviam sido fáceis, pois, agora ele se dava conta da realidade em que estava submerso. Pressão, ordens, expectativas...
No começo, parecia muito fácil dançar conforme a música. Na época, eles ainda estavam mal saídos da infância, e nem entendiam o andamento das coisas. Ao contrário do que o líder do Tokio Hotel espalhava aos quatro ventos, eles não tocavam, nem faziam, o que queriam, e sim, o que a gravadora e os produtores desejavam. No final das contas, sobrava uma boa vida financeira, e o grande vazio de uma rotina permeada por pressões.
– Chegamos, mademoiselle.
– Por favor, Tom. Eu não estou para brincadeiras. — Bill abriu a porta e fez menção de sair do carro.
– Espera. Que porra é essa no seu cabelo?
– Ahn?
– Deixe eu olhar o teu cabelo. — Tom se aproximou e abriu o cabelo do mais alto que estava todo colado. — É chiclete. — O mais velho começa a rir descontroladamente.
– Como é que essa merda veio parar no meu cabelo? — Interroga o mais novo, encolerizado. — Mas, Tom, me diz se foi grave.
– Não sei. Nada que a Natalie não dê um jeito.
– MERDA! — Arremessou a bolsa no chão, fazendo o irmão rir novamente.
– Relaxa, Bill. Eu sei que você detestava essa vassoura de bruxa. — Bill finge que não ouve o comentário do irmão.
Os dois caminharam para dentro do estúdio, pois não poderiam se expor na rua por muito tempo, principalmente depois da cena que Bill acabara de protagonizar. Chegando lá, o mais novo imediamente liga para Natalie Franz, chamando-a com urgência.
– Natalie, você não faz ideia do que me aconteceu. — Bill fala com voz quase suplicante.
– Conte, meu amor. — Natalie revira os olhos depois de forçar um tom de voz meloso.
– Meu cabelo tá todo colado de chiclete.
– Como isso foi acontecer?
– Eu não faço ideia... Será que dá pra parar de perguntar e vir logo aqui?
– Onde você está?
– No estúdio. Rápido, por favor.
Tom encontra-se com Gustav e Georg, que estavam em uma sala, aguardando os dois chegarem para continuarem as gravações, mas Bill interveio, avisando que não entraria enquanto não arrumasse o cabelo.
Natalie's POV
– Tenha um pouco de paciência, já estou chegando aí. — Foi a última coisa que me esforcei para responder.
Garoto insuportável! Eu não sei de onde tirei energias para aguentar esse Bill durante todos esses anos. Não fosse o ótimo salário que me pagam, e o fato de outros meninos serem legais, eu já teria caído fora. Tudo bem, porque, em breve, eu me livrarei de todos esses abusos. Agora, é melhor eu esquecer e me concentrar para não rir da presepada que ele fez no cabelo. Quero só ver.
...
– Você já consultou o seu manager?
– Sim, eu expliquei tudo e ele concordou. — Falou Bill, mais calmo.
– Boas notícias: se você não quiser cortar, não precisa. Eu posso passar um oleozinho e remover ou refazer os dreads colados.
– Não, faço questão de cortar essa moita; qualquer dia, vai sair um animal peçonhento de dentro dele.
– Ok, e você tem alguma sugestão?
– Na verdade, eu estava pensando em fazer um moicano.
– Então, Bill, eu teria que deixar um moicano alto, porque você tem que manter a sua aparência andrógina.
– Ah, que seja, Natalie.
Eu estava rindo por dentro das caras que o Bill fazia. Curiosamente, ele se deliciava a cada tesourada que eu passava em suas madeixas, talvez ele achava ridículo o próprio cabelo, apesar de as meninas gostarem e o acharem extremamente bonito, pois realmente ele era.
Finalizei o corte, o penteado e ele olhou para o espelho, aparentemente satisfeito. Gesticulou positivamente para mim e seguiu ao encontro dos outros rapazes.
Natalie's POV
– HAHAHAHAHHA. — Os três garotos riram em uníssono ao ver o novo corte do amigo.
– Cara, a sua única solução é nascer de novo. — Georg falou entre risos que foram acompanhados por Tom que deu uns soquinhos no braço do amigo.
– Eu não sei o que é pior: usar uma vassoura de bruxa ou um espanador na cabeça. — Tom implicou com o irmão.
– Olha o bullying. — Até Gustav se pronunciou. — Pessoal, já perdeu a graça, agora, vamos trabalhar, cambada. O Bill já fez a gente perder tempo suficiente, por hoje.
Bill limitou-se a permanecer calado. Os rapazes acataram a sugestão de Gustav e entraram no estúdio para darem seguimento ao trabalho. Ora se divertiam, tirando sarro entre si, ora discutiam, e assim se seguiu o resto da tarde.
Notas finais
Eu ri, ao imaginar o Bill arremessando uma bolsa no chão, com raiva, kkk.
Bem, aqui fica a mesma coisa de sempre. Se eu merecer, deixem aqui os seus comentários maravilhosos, que eu amo. Beijo, liebes.
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