O Meu Ídolo - Sem Cortes
23 A proposta de Natalie.
Notas iniciais
Mais um personagem. De início, ele parecerá apagado, mas terá grande influência nos capítulos futuros.
Júlia havia pedido para Matt deixá-la em alguma rua movimentada, na parte central da cidade, para que ela pudesse fazer as compras da casa. Eles não possuíam empregada, no máximo uma faxineira temporária, por causa do ciúme de Júlia, apesar de ela alegar outro motivo. Dali, ela seguiria para o curso de maquiagem, que já estava na reta final.
Caminhou apressada, fez as compras normalmente, e depois parou em frente à uma máquina de jornal, para comprar a sua revista preferida. Curiosa para ler, folheou as páginas, avidamente, procurando ver primeiro algo de seu interesse. De repente, se depara com algo que chama a sua atenção, em especial. Era uma foto de Bill, exibindo o seu novo visual, ao que Júlia exclamou:
- Puta que pariu! Esse viado ficou lindo! — Falou quase gritando. Todos em volta olharam, por sorte, não entederam, porque Júlia não falou em inglês. Quando percebeu todos os olhares, se recolheu, envergonhada.
Olhou e olhou, várias vezes, admirando a mudança de visual. Ela se sentiu triunfante, não só por ter dado uma "mãozinha", mas, bem mais pelo resultado, do qual ela se sentia responsável.
Mais uma vez apressada, ela seguiu para o curso de maquiagem. Por coincidência, sua professora era Natalie Franz. Júlia se destacava com uma das melhores alunas, ganhando a simpatia de Natalie. Nesse tempo decorrido, algumas mudanças haviam ocorrido na vida de Júlia, afinal, já decorriam dois meses do episódio do chiclete. Ela também mudara a cor dos cabelos, antes negros, agora vermelhos. Havia se tornado amiga de uma colega de curso, chamada Bruna Loch, que também era brasileira, porém descendente de alemães, e que, agora residia em Los Angeles, por isso, o sobrenome alemão.
Júlia
Entrei no estúdio de maquiagem para participar de uma das últimas aulas do nosso curso. Natalie sinalizou algo para mim, avisando que queria ter uma conversa comigo, em outro momento. Fiquei um pouco desconfiada, pois sempre me dei bem com ela, que me chamava carinhosamente de "Iulia". Me dirigi para perto de Bruna.
- Oi, Loch. — Cumprimentei Bruna.
- Oi, sua chata. — Bruna respondeu fingindo mau humor. Ela detestava seu sobrenome, porque significava buraco, traduzindo ao pé da letra. — E aí, que cara de "boba alegre" é essa? Já sei. Você disse que estava com dor de cabeça e o Matheus te deu um belo paracetamol.
- Vê se eu tenho cara de quem sente ou finge dor de cabeça, minha filha. E, por acaso, eu preciso de motivo pra ficar alegre? Eu sou alegre, sempre. Agora, vamos parar de conversa, porque eu preciso fazer isso aqui em você. — Falou referindo-se à maquiagem que Natalie mandou a turma pôr em prática.
Ao fim da aula, conforme o combinado, Natalie chamou-me para ter uma conversa em particular.
- "Iulia", preciso falar algo muito importante com você.
- Confesso que fiquei curiosa, Natalie. Passei a aula inteira pensando no que poderia ser, mas... diga.
- Eu estive acompanhando o seu desempenho no curso, durante todo esse tempo. Vi que você leva muito jeito com a maquiagem, é bem criativa, por isso, pensei em fazer uma proposta a você.
- Proposta? Confesso que você me pegou de surpresa.
- Eu vim para cá acompanhando as pessoas para quem trabalho. Além de dar aulas aqui, eu sou maquiadora pessoal, então, decidi abrir um curso para ter um trabalho a mais e, principalmente, encontrar alguém que pudesse ocupar a minha vaga nesse outro emprego. Eu já conversei com meus chefes sobre a minha saída, e eles pediram que eu indicasse alguém antes. Na verdade, conheço outras maquiadoras muito competentes, mas elas não me inspiram confiança para isso. Você é a pessoa mais indicada, no momento, para isso. Será uma ótima profissional, além de ser casada, o que é um ótimo quesito para esse trabalho. Sem contar que, o salário é ótimo. Só estou saindo porque quero me dedicar a outros projetos de vida, que esse trabalho atual impede.
- Nem sei o que dizer, Natalie, não esperava por isso.
- Nem precisa saber. Vá pra casa, pense bem e depois me diga. Dependendo de sua resposta, levarei você para conhecer e conversar com meus patrões. Mas, lembre-se: o salário é ótimo.
- Posso perguntar uma coisa?
- Sim.
- São quantas pessoas? São homens ou mulheres?
- São quatro homens. Na verdade, é basicamente um, pois os outros três são adeptos de maquiagem corretiva e só.
- Bem, eu vou pra casa, conversar. Na próxima aula, eu dou a resposta.
Matt foi me buscar. Permaneci todo o caminho pensando na melhor maneira de dar essa notícia a ele. Eu havia ficado tentada com a proposta de Natalie. Um trabalho era tudo o que eu precisava naquele momento, para preencher a monotonia do meu dia-a-dia, para ganhar o meu próprio dinheiro, e bom dinheiro, diga-se de passagem, mas, Matt poderia impedir, principalmente porque eu trabalharia com homens.
Chegamos em casa. Chamei Matthew para conversarmos sobre o assunto, e ele olhou-me de sobrancelha arqueada.
- Matt, minha professora me fez uma proposta de trabalho.
- Hum... é mesmo? — Respondeu com um ar descontraído, que me impediu de segurar o riso.
- É sério, Matt.
- Tudo bem, mas o que te fez querer um trabalho?
- É bem diferente. Eu não estava procurando um trabalho. Minha professora fez uma proposta inesperada, e eu estou pensando em aceitar, mas antes, precisava conversar com você.
- Não vejo problemas, só acho que você não tem necessidade disso.
- Então...
- Espera. — Interrompeu-me e, em seguida, prosseguiu. — Primeiro, eu quero saber: o salário é bom? Como é, esse emprego?
- Bem, a Natalie disse que o salário é ótimo. O trabalho consiste em ser maquiadora pessoal de quatro rapazes.
- QUATRO rapazes? — Deu ênfase à palavra "quatro".
- Ué, Matt, você vê mal nisso?
- E você não vê? Você acha certo, eu deixar minha mulher ser a maquiadora pessoal de quatro marmanjos?
- Poderiam ser até vinte. Acaso você não confia em mim? Pois saiba que eu confio em você.
- Não é questão de confiar em você ou não. Eu não confio nos outros. Como é que eu vou saber o que se passa na cabeça de quatro homens?
- Matt, você contrataria uma maquiadora pessoal para você?
- O que tem a ver com a nossa conversa?
- Responda, por favor.
- Não, eu não preciso de maquiagem.
- Nem você, e muitos outros homens não precisam disso. Maquiagem é coisa de mulher, não acha? Qual é o perfil dos homens que usam maquiagem?
- Sei lá, acho que os gays.
- Pronto, você chegou onde eu queria.
- É, mas se não forem?
- Se não forem, não é obrigatório que deem em cima de mim, e se derem, eu saio do trabalho, simples assim.
- Você deveria ser advogada, por causa dessa sua lábia. Me engabelou direitinho. — Forçou uma seriedade.
- Hahahaha. Não, Matt, falei só a verdade. Então, o que digo para a minha professora?
- O que for da sua vontade. Veja a prova da minha confiança, que estou dando a você. Estou te deixando trabalhar em meio a quatro marmanjos.
- Sim, meu amor, eu reconheço.
- Não pense que vai ficar barato. Tudo tem o seu preço. — Sorriu, de um jeito maroto, exibindo aquelas covinhas fofas que ele tinha na bochecha, que traziam um ar de inocência à sua expressão, mesmo que ele estivesse tentando ser malicioso.
- É? E como eu vou pagar essa dívida?
Matthew nada respondeu, simplesmente jogou-me em suas costas, segurando-me pelas pernas, levando-me de cabeça para baixo, enquanto eu dava umas esperneadas até ele me conduzir ao outro cômodo.
É, eu realmente estava com um grande homem, em todos os sentidos...
Notas finais
A Júlia não sabe que a Natalie é maquiadora dos meninos, porque ela nunca se interessou por esse assunto, e na época em que ela acompanhava a banda, nunca surgiu essa informação.
Gente, fala sério, eu acho que o Matt erra em algumas coisas. Ele não deveria deixar a mulher dele solta por aí, #cala-teboca.
Galera, estou pensando em postar uma nova fanfic, cujo personagem central será o Tom. Devo ou não?
Bem, desejo ver novamente aqueles reviews maravilhosos que vocês sempre deixam. Obrigada, mais uma vez.
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