O Meu Ídolo - Sem Cortes

8 Ouvir um "não" é péssimo.


O tempo corria em ritmo frenético, e esse fato fazia com que Júlia entrasse em desespero. Ao passo em que ela sentia vontade de correr até seus pais e implorar, ela também tinha medo de ouvir a resposta mais provável: o não. Era um risco que ela teria de correr, pois o calendário já marcava o dia dez de maio. Há algumas poucas semanas ela vivia o dilema; depois de muito pensar, ela procurou o momento mais propício para tocar no assunto.

...

- Pai, eu queria pedir uma coisa. — ela sempre pedia tudo ao pai — É muito importante para mim.

- Meu Deus, tava demorando — sua mãe se pronunciou antecipadamente.

- Deixe a menina falar — disse o pai de Júlia, em repreensão à sua mulher.

- É que... — Júlia falou hesitante — Sabe aquela banda que eu amo?

- O Tokio Hotel, não é? — respondeu Marcos. — Continue.

- Eles estão em turnê, e agora virão ao Brasil.

- E o que nós temos a ver com isso? — intrometeu-se Roberta, novamente.

- Já falei para você parar e deixar a menina falar. — Marcos alterou o tom de voz.

- Pai, eu estou falando isso porque eu queria muito ir ao show deles.

- Vai ser onde? Quando? — interroga o pai de Júlia.

- O show será no dia doze de julho, em São Paulo.

- São Paulo? Você não acha que é um pouco longe daqui? — a mãe de Júlia se exalta.

- Sua mãe tem razão, Júlia. De Goiânia para São Paulo é longe para se deslocar simplesmente para assistir a um show, mesmo sendo o da banda que você ama.

- Sim, eu sei disso, mas, pai, eu não sei quando eu terei a mesma oportunidade novamente.

- E você não pode ir sozinha para São Paulo. — diz Roberta.

- Mas eu não quero ir sozinha, eu vou com um de vocês dois.

- Júlia, você já tem idade o suficiente para entender que certas coisas são completamente fora de cogitação. Não é uma questão de maldade, e sim de bom-senso. Nenhum de nós irá se deslocar para tão longe só para ver a sua banda preferida. — Marcos explica à Júlia.

- Eu quero que pelo menos uma vez na vida, vocês me entendam e procurem realizar um pedido meu. Eu não peço tantas coisas assim a vocês, que é para justo na hora em que eu quiser, vocês possam me atender. Eu entendo que isso é muito difícil, o show será num local distante daqui, mas sabe lá quando eu poderei vê-los novamente?

- Não adianta insistir. — responde Marcos.

- Pai, você tem noção do quanto isso é importante para mim?

- É importante agora. Quando você chegar na minha idade, você vai ver que isso não vale nada. Você confunde o sentimento que a música lhe causa com a ideia de um falso amor.

- Eu vejo que não vale nada o meu esforço em ser uma boa aluna, acima de tudo, ser uma ótima filha. Eu não ganho pontos com vocês, ninguém leva isso em consideração. Se eu fosse uma má filha, vocês alegariam que eu não mereceria esse esforço, mas eu sei que eu mereço.

- Você merece muito mais, mas isso não faz parte das suas necessidades, você pode viver sem essas coisas. Eu sei que você vai ficar magoada, triste por alguns dias, mas vai passar, e depois que passar, você vai me agradecer por eu ter dado um choque de realidade na sua vida. Eu sou seu pai e me preocupo muito contigo, por isso, eu me vejo no direito de lhe mostrar que a vida é muito mais do que ilusões. Um dia, você terá sua família e passará a me entender.

- Pai, por favor, não me faça implorar. — disse com voz chorosa e olhos marejados.

- Não implore. Olhe, Júlia, eu não quero mais tocar nesse assunto por hoje, ou melhor, eu não quero nunca mais.

- Merda de vida. Pior é ser uma idiota como eu, que acha que alguma vez na vida vai pedir alguma para ouvir um sim. — Júlia grita estridentemente.

- Isso mesmo, xingue, esperneie, assim você se cansa logo.

Júlia correu para o seu quarto, trancou a porta, colocou o travesseiro sobre o rosto e desabou em lágrimas. Ela não sabia se estava mais triste pelo fato de seus pais lhe recusarem mais um pedido seu ou porque ela não veria o concerto de sua tão querida banda. Um ódio terrível tomou conta de si, tanto que ela desejou a morte dos seus próprios pais, mas quando percebeu a gravidade desse péssimo sentimento, envergonhou-se de si mesma. Depois chorar por um bom tempo, caiu em sono profundo, devido ao intenso cansaço mental.

Para a garota, os próximos dias seriam decisivos, pois, o não de seu pai, não significava, propriamente, que todas as suas chances de ir ao show tinham acabado, portanto, ela teria de procurar outros meios para isso.

Notas finais
Minhas aulas acabaram, então, poderei me dedicar por inteira a esta fic. Acho que postarei uma capítulo a cada dois dias ou todos os dias.
Desculpe se esse capítulo foi pequeno.
Voltei a todo o vapor.
Ah, e o novo visual do Bill hein? O que é aquilo? O ex-magrelo agora está todo saradão. Só não gostei daquele outro piercing (de novo).
Será que é maldade dos pais da Júlia? Será que eles tem razão?
Será que eu mereço reviews?
HAHAHA. Muitos beijos e até o próximo.