O Meu Ídolo - Sem Cortes
4 Bill nosso de cada dia
Notas iniciais
Estou aqui com mais um capítulo, saído direto do forno. Espero que alguém goste.
Começando mais uma semana normal, Júlia acordou cedo e foi para a escola — o lugar aonde, curiosamente, ela se sentia mais à vontade do que em casa, além do mais, encontrava sua melhor amiga, quase irmã, chamada Mariana, e podia compartilhar todos os seus sentimentos — depois de um longo feriado. Encontrar Mariana diariamente era uma grande alegria para Júlia, pois elas amavam-se tanto fraternalmente, quanto incondicionalmente. Depois dos dias de folga, finalmente as amigas reencontram-se para "colocar o papo em dia" — era assim que elas chamavam suas conversas:
- Oi Mary, como foi seu feriado? Dançou muito? Beijou muito?
- Hum... Que nada! Eu fui à balada, dancei tanto que estou com meus quadris doloridos, mas beijar que é bom... nada. Sabe aquele gatão que eu tava a fim?
- Sim, o Gustavo. E ele nem é gatão, tá? Você que exagera. Eu acho que ele é enrustido. Você está me cheirando a uma pessoa que está muito gamada; quando vê o cara falta pouco desidratá-lo de tanto que fica secando ele.
- Pare, Júlia, eu não tô apaixonada não. E ele é muito gato sim. Eu desconfio que você acha ele gato também, mas não tem coragem de assumir, porque você quer ser sempre do contra.
- Não, não. Vou te mostrar uma pessoa bonita de verdade para você aprender a ter bom gosto — Júlia tira o celular do bolso e mostra uma foto de Bill à amiga.
- Que coisa é essa, meu Deus? A poucos instantes a gente tava falando de um gostoso, e agora você vem mostrar a foto de uma mulher esquisita, desculpa Júlia, mas você deve estar com sério problemas.
- Mary, sua tosca, esse aqui é um homem, tá? Se chama Bill, ele sim, é lindo de morrer.
- Nem aqui, nem na China ele é homem.
- O fato dele se vestir assim, se explica por uma coisa chamada androginia.
- Puta merda, — Júlia arregalou os olhos para a amiga, pelo tamanho palavrão — se eu visse na rua, juraria que é mulher. Depois dessa, eu só tenho a dizer uma coisa: quem tem mau gosto aqui é você, que acha bonito um homem que nem faz jus às calças que veste. Mas, onde foi que você conheceu ele?
- Ah, ele é vocalista de uma banda alemã que conheci recentemente, aliás, eles estão bombando na Alemanha. A banda se chama Tokio Hotel.
- Tokio Hotel... Tenho a impressão de que já ouvi falar desse nome. A música pode até ser boa, mas o vocalista é esquisito.
- Olha bem para ele — Júlia coloca a foto bem no rosto de Mariana — é lindo, vai.
- Admito, é lindo mesmo, parece uma barbie, hahaha. Barbie paraguaia. É claro que ele é bonito, já viu boneca feia?
- Vamos deixar esse assunto para lá, então. Vou acabar me aborrecendo com você. Sobre o que a gente estava falando antes?
- Sobre o Gustavo. Você lembra que eu tinha medo de chegar nele? Pois é, eu sabia que aconteceria alguma coisa errada.
- Pode me contar tudo.
- Tenho até vergonha de falar. Deixa eu contar do começo: eu descobri que eu e ele temos uma conhecida em comum, e parece que quando a gente quer uma coisa, o universo conspira. Essa conhecida me convidou para ir ao aniversário dela, e, adivinha quem estava lá? Ele, o gostoso. Eu dei uma de joão-sem-braço e disse que conhecia todo mundo, na festa, menos aquele rapaz, então, pedi que ela me apresentasse ele. Até aí, tudo bem. Ela me levou até o cara, fizemos as apresentações, começamos a conversar, já estava pintando um clima entre nós, mas fui pega de surpresa por um espirro...
- E o que um espirro tem a ver com isso? — falou Júlia interrompendo-a.
- Calma. Um espirro me pegou desprevenida, foi tão rápido, que não deu tempo de tapar a boca com a mão. Espirrei catarro nele todinho, e ainda passei a mão na roupa dele para tentar limpar.
- Ahhh, ai meu Deus. Hahahaha.
- Pare de rir. — Mariana fez biquinho — Ele me olhou com tanto nojo, que senti vontade de arrumar um buraco para enfiar minha cara. Depois, só virou as costas e saiu.
- Desculpa, é que não tem como não rir. Mas, o melhor que você tem a fazer é esquecê-lo. Eu já te falei que ele deve ser enrustido, e é bem mais velho que você. Logo, logo, você encontra um que dê de dez à zero nele.
- Se ele é enrustido, imagina o Bill.
- Por falar no Bill, você deveria escutar as músicas da banda dele, garanto que ia gostar.
- Pode ser. Coloca uma aí para ver se eu curto.
Júlia colocou monsoon para tocar, e assim ficaram o recreio inteiro, até a sirene ordenar o retorno às aulas que se seguiriam.
Notas finais
Se você tiver chegado aqui, tente mais um sacrifício: faça esta mendiga aqui feliz, deixando um review na história dela.
Beijos.
Fale com o autor