De volta ao motel, a adrenalina da luta deu lugar a uma nova realidade. Eles haviam cutucado o ninho de vespas. Kaito agora sabia que McAllister estava em Reno, e que ele sabia sobre Teri. A guerra havia sido declarada.


"Ele não vai negociar", disse Max, enquanto limpava suas armas. "Ele vai tentar nos esmagar."


"Eu sei", disse McAllister. "E é por isso que não vamos esperar que ele venha até nós. Nós vamos para Eagle's Nest. Mas não como ele espera."


O plano de McAllister era audacioso. Eles não tentariam um ataque frontal. Eles se infiltrariam na base de Kaito, resgatariam Teri e desapareceriam. Mas havia um problema: Okasa.


"Ele está aqui", disse McAllister, sua voz baixa. Ele estava olhando pela janela, para a escuridão do deserto. "Eu posso senti-lo."


Max sentiu um arrepio. Ele confiava nos instintos de seu mestre. Se McAllister dizia que Okasa estava perto, então ele estava. O caçador havia se tornado o caçado.


Naquela noite, eles se revezaram na vigília. McAllister sabia que Okasa não atacaria diretamente. Ele era um predador paciente, um mestre da guerra psicológica. Ele tentaria separá-los, desgastá-los, antes de dar o golpe final.


O ataque veio pouco antes do amanhecer. Não foi um ataque a eles, mas a Jodie. Okasa, em um movimento brilhante e cruel, sequestrou a jovem mecânica de seu esconderijo. Ele deixou para trás um único shuriken, uma estrela ninja, cravado na parede. Era sua assinatura, sua carta de visita.


"Ele a está usando como isca", disse Max, furioso.


"Não", corrigiu McAllister. "Ele a está usando para nos dividir. Ele quer que eu escolha: salvar Jodie ou continuar a busca por Teri. Ele quer me forçar a abandonar meu código, a sacrificar um inocente."


Okasa deixou uma trilha, uma série de pistas que os levaram a uma mina de prata abandonada nas montanhas. Era uma armadilha óbvia, mas eles não tinham escolha. Eles não podiam abandonar Jodie.


A mina era um labirinto de túneis escuros e poços traiçoeiros. Okasa os observava das sombras, sua presença uma ameaça constante. Ele usou o ambiente a seu favor, criando desmoronamentos, armando armadilhas e usando ecos para desorientá-los.


"Ele está brincando conosco", disse Max, enquanto eles se esquivavam de uma chuva de pedras.


"Ele está nos testando", disse McAllister. "Ele quer ver se você é digno de ser meu aluno. E ele quer ver se eu ainda sou digno de ser um mestre."


A confrontação final aconteceu em uma grande caverna no coração da mina. Jodie estava amarrada a um pilar de madeira, com uma série de explosivos aos seus pés. Okasa estava em uma saliência acima, sua silhueta recortada contra a luz de uma única lâmpada.


"Faça sua escolha, Mestre", disse Okasa, sua voz ecoando pela caverna. "Sua filha ou a garota. Você não pode salvar as duas."


McAllister olhou para Jodie, depois para a escuridão onde ele sabia que Okasa estava. Ele então olhou para Max, e uma compreensão silenciosa passou entre eles.


"Você está errado, Okasa", disse McAllister. "Eu não estou sozinho."


Em um movimento coordenado, eles agiram. McAllister criou uma distração, jogando uma série de shurikens em direção a Okasa, forçando-o a se proteger. Naquele instante, Max correu em direção a Jodie. Ele não tentou desarmar a bomba; ele cortou as cordas que a prendiam, libertando-a.


Okasa, percebendo que havia sido enganado, detonou os explosivos. Mas era tarde demais. Max e Jodie já estavam a uma distância segura, mergulhando atrás de uma pilha de rochas enquanto a explosão abalava a caverna.


Na confusão, Okasa desapareceu. Ele não havia sido derrotado, mas seu plano havia falhado. Ele havia subestimado o vínculo entre McAllister e Max. Ele havia subestimado o quanto o aluno havia crescido.


Eles saíram da mina, feridos e exaustos, mas vitoriosos. Eles haviam resgatado Jodie e sobrevivido à armadilha de Okasa. Mas a vitória teve um custo. Kaito agora sabia que eles estavam vindo. E Okasa, humilhado, estaria esperando por eles no Arizona. A caçada estava prestes a atingir seu clímax sangrento.