O Menino da Casa ao Lado
2 Chapter II
Notas iniciais
Greenville, New Hampshire
06 de Julho de 2015
Alissa observava Ivie fazer brownies com nozes enquanto imaginava o quão deliciosos aqueles doces estariam. A doce menina se oferecia para mexer a massa e fazia aquele pequeno ato com satisfação. Quando enfim a massa ficou pronta, Ivie dispôs os doces em uma fôrma e os levou ao forno, calculando mentalmente o tempo necessário para ficarem prontos.
— O que você acha de brincar um pouco lá fora? Você pode fazer novas amizades. – sugeriu Ivie
— Você acha? – perguntou a menina receosa
— Tenho certeza. Olhe, bem nos fundos da casa há vista para um pântano. Sei que não é grande coisa, mas não é todo dia que encontramos um, não é?
— Tem razão. Há muitas crianças por aqui, tia?
— Algumas. Esta parte de Greenville é um pouco mais afastada da região central, então não há muitas crianças por aqui. Mas certamente você pode encontrar alguém brincando por aí. As famílias costumam viajar e passar as férias de verão fora, mas é claro que nem todas o fazem.
— Ok. A senhora me avisa quando os brownies estiverem prontos?
— Claro. – sorriu Ivie com ternura
A jovem se dirigiu aos fundos da casa, onde mais ao longe encontraria o Pântano Green com muitos Salgueiros e Tupelos. A brisa quente do verão tocava sua pele e o vento, ainda que tímido, balançava as folhas das árvores, trazendo para si o cheiro acre do pântano. Os pássaros, que há pouco cantavam, silenciaram-se e pareciam se esconder por entre as árvores.
‘’Não estou aqui para fazer mal algum. Fiquem tranquilos. Minha presença não representa qualquer perigo.’’ pensou Alissa ao perceber a agitação das aves.
Ao olhar para o lado, de relance, a jovem se assustou com a pequena figura que a observava por trás de um enorme Salgueiro. Um menininho pálido, franzino e de aspecto doentio a olhava com curiosidade e estranheza.
— Olá? – perguntou Alissa se aproximando
— Olá. – respondeu o menino num tom quase inaudível
— Quem é você?
— Estou aqui para cumprir ordens.
— Ordens? – perguntou Alissa com espanto
O pequeno menino não respondeu. Apenas encarou o chão e revirou a terra sob seus pés.
— Não entendi. Ordens de quem? – perguntou Alissa
— Estou em uma missão. – enfim respondeu o garoto, encarando-a
Havia algo naquele menino capaz de provocar arrepios em Alissa. Seu olhar era distante e sombrio. As maçãs de seu rosto eram fundas, como se há muito tempo aquele pobre menino não fizesse uma refeição decente. Seus cabelos eram curtos e negros como piche e sua pele, branca como a neve.
Ao se aproximar mais daquela figura desconhecida, Alissa pôde perceber em seu rosto uma pequena cicatriz na altura do supercílio direito.
— Que missão? – perguntou a jovem curiosa e interessada
— Não posso contar. É segredo.
— Eu gostaria de brincar também. Se você não se importar, claro.
— Bem, preciso ir. Tchau. Até mais! – disse o menino, que rapidamente somiu do campo de visão de Alissa
A menina, sem entender muito, decide voltar para casa.
— Já chegou? Os brownies estão quase prontos. – disse Ivie
— Estão com um cheiro muito bom. Parecem deliciosos.
— Espero que sim. Conheceu alguém por aqui?
— Sim. Bom, mais ou menos...
— Como assim? – perguntou a tia intrigada
— Conheci um menino perto do pântano. Ele me pareceu meio estranho, mas talvez seja apenas impressão minha.
— É? E qual o nome dele?
— Não sei, tia. Nem cheguei a perguntar. Ele não parece ser muito de conversar. Disse que estava em uma missão e logo foi embora.
— Meninos... Sempre avoados. – respondeu Ivie rindo da situação
Ao se levantar para conferir o forno, Ivie constatou que enfim estavam prontos. Logo dispôs a forma em cima da bancada da cozinha e cortou alinhadamente os brownies. Quando estes já estavam numa temperatura adequada, tia e sobrinha se deliciaram com os doces feitos por elas.
Após lancharem, as duas passaram o resto da tarde juntas, jogando conversa fora enquanto Ivie levava Alissa para conhecer um pouco daquela pequena e pacata localidade.
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