O Menino da Casa ao Lado
3 Chapter III
Notas iniciais
Greenville, New Hampshire
08 de Julho de 2015
9 horas da manhã. O dia se mostra quente, porém agradável.
Após se levantar, Alissa se dirige ao banheiro e toma uma boa e demorada ducha. Quando termina, se arruma e desce para fazer sua primeira refeição do dia junto de sua tia. Ao chegar ao pé da escada, já era possível sentir o delicioso cheiro de café coado. A menina fecha os olhos e inspira o ar leve e doce que vinha da cozinha. Como se apenas aquele cheiro fosse suficiente para deixa-la revigorada, Alissa abre um largo sorriso e desce correndo as escadas.
— Bom dia, minha flor! – disse Ivie sorrindo
— Bom dia, tia.
Ao se abraçarem, Ivie deu um bejio no topo da cabeça de sua sobrinha. Ivie Roberts nunca teve filhos. Não que ela não quisesse ou que faltassem pretendentes. Ivie era jovem e atraente, dona de um olhar doce e um sorriso amoroso. Sempre vaidosa, adorava cuidar de seus longos cabelos castanhos e estava no auge de seus 30 anos. Ela apenas nunca se sentiu suficientemente preparada para ser mãe. Apesar disso, Alissa era como a filha que Ivie nunca teve e o exemplo de filha que ela gostaria de ter um dia.
— Que tal tomarmos um bom café-da-manhã e depois fazermos uma maratona de filmes legais? – sugeriu Ivie
— Eu adoraria! – respondeu Alissa com animação
Como combinado, após o café Ivie e Alissa se esparramaram no sofá da casa e selecionaram 3 filmes para aquele dia. ‘’A Colheita Maldita ‘’ veio para começar, seguido de ‘’Cova Rasa‘’. Para encerrar, ‘’ Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet ‘’.
A sessão de filmes termina á tempo para o almoço. Ivie então se dirige até a cozinha para prepará-lo enquanto Alissa assistia televisão.
Ao final da refeição, Alissa decide caminhar um pouco na parte dos fundos da casa. Ao chegar perto da margem do Pântano Green, a jovem encontra o Menino Misterioso — como ela mesma o havia denominado — de cócoras, observando-o em silêncio.
— Você vem sempre aqui? – perguntou Alissa se aproximando a passos curtos
— Quase sempre. – respondeu o menino sem olhar para Alissa
— Mora aqui perto?
— Aham.
— Prazer. Me chamo Alissa. — a jovem estendeu as mãos para o menino. Quando ele apertou a sua mão, Alissa pôde perceber como as mãos dele eram frias. Sua pele era fina como papel.
— Você está com frio?
— Não. Por que?
— Nada... Você ainda não me disse seu nome.
— Que diferença isso faz? – perguntou o garoto
— Normalmente uma pessoa diz o seu nome para a outra quando se conhecem. Você já sabe o meu. Por que não pode revelar o seu? É tão feio assim?
— Mamãe disse que não devemos falar nosso nome para pessoas estranhas.
— Você me achou estranha? – perguntou Alissa com um olhar curioso
— Não, mas eu nem te conheço. Você não é daqui, é?
— Não. Sou de Boston. Vim passar as férias na casa da minha tia.
— Nunca fui a Boston.
— Deveria ir um dia. É muito legal. – respondeu Alissa sorrindo
O menino apenas balança a cabeça afirmativamente. Em seguida, encara Alissa com a cabeça levemente inclinada.
— Quem é a sua tia?
— Ivie Roberts. Você conhece?
— Sim... Conheço... Ela é amiga dos meus pais.
— Ah, legal... – a garota responde
A garota olha para o céu e percebe que o tempo, que antes era quente e agradável, agora era fechado e escuro. Apesar disso, não havia a menor ameaça de chuva.
— Conseguiu completar sua missão aquele dia?
— Não.
— Por quê?
— Não deu certo. Mas não tenho pressa. A missão não é tão urgente assim... – respondeu o garoto olhando para o nada
— Entendi. Há muitas crianças por aqui?
— Um pouco. Acho que estão todas viajando agora.
Apesar de não haver previsão de chuva, o céu estava escurecendo mais rápido que o esperado. Com medo de anoitecer tão depressa como a tarde se passava, Alissa achou melhor voltar para casa.
— Bem... Está entardecendo. Preciso ir.
— Ok. – respondeu o Menino Misterioso sem qualquer expressão no rosto
— Até mais. – disse Alissa com um tímido aceno
— Até.
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