O Menino Alado
3 Chapter 2
Notas iniciais
Acordei dolorida. Tinha algo cutucando minhas costas. Me virei no saco de dormir, e descobri o cabo da maior faca da cozinha me incomodando. Suspirei, me lembrando da noite anterior. Meu estômago me dera cinco segundos para chegar ao banheiro e sentir até minha alma saindo pela boca. Eu pegara o saco de dormir velho, a faca, e me trancara no banheiro para dormir. Era o cômodo mais fechado da casa. Uma pequena janela com grade que dava para o fundo da garagem, e a porta de madeira com um ferrolho que se soma a uma tranca a chave. Eu não sabia se tinha sido uma boa ideia, mas me sentia segura ali. Não poderia dormir no meu quarto com aquilo na janela. Se é que havia mesmo algo na janela… E se tivesse sido mais uma alucinação? Eu teria dormido no banheiro como uma louca faria. Esfreguei os olhos, suspirando outra vez. Me levantei devagar e me olhei no espelho da pia. Tinha olheiras e o cabelo como um ninho de ratos. O curativo no meu pescoço tinha um dos esparadrapos solto. Me sentia doente. Não havia comido nada além de croquetas e mais croquetas desde que o episódio da torre acontecera. Precisava me alimentar direito. Escovei os dentes com as mãos tremendo. Estava ansiosa de deixar o cômodo. Mas não havia quem chamar. Terminei, e olhei para a saída, receosa. Recolhi a faca, e com as mãos geladas, abri as fechaduras. E em seguida a porta, vagarosamente. Espiei o lado de fora. Não havia nada de anormal a princípio. Mas quando dei dois passos para fora, algo chamou minha atenção. Pelo canto do olho, vi algo comprido e branco enroscado na janela da cozinha. Derrubei a faca ao perceber o que era. Uma pena. Longa e larga. A parte interna era branca e manchada de cinza, e a de fora era escura e lustrosa. Com as pernas bambeando, não resisti ao impulso de ir até lá e tocá-la. Era macia, mas mais resistente do que aparentava ser. Estava revestida de algo parecido com óleo para cabelo, e isso lhe dava reflexos de luz. Meu coração estava acelerado. Não havia falcão-peregrino grande o suficiente para o tamanho daquela pena. Eu sabia a que aquilo pertencia. A quem aquilo pertencia. Eu não precisava ir ao psiquiatra. Precisava ir até a Catedral.
Andei de um lado para o outro por alguns minutos, a pena em mãos, criando coragem para sair. Estava vestida para correr, e tinha preparado uma mochila pequena. Lá tinha croquetas de pescado fritas, uma blusa, e as duas maiores facas da cozinha. E ainda, duas cordas grandes. Respirei fundo. Era próximo das 9h. Eu precisava ir antes que a torre enchesse de turistas. Para o que eu precisava fazer, não podia ser vista. Tranquei a porta. Meus cães estavam acuados no fundo da garagem. Imediatamente me arrependi de não tê-los recolhido na noite anterior. Deviam estar aterrorizados com a coisa. Me aproximei deles, fazendo carinho em ambos. Eles ficariam melhor com o tempo.
Corri pela rodovia sem olhar em volta mais do que o necessário. Já havia movimentação e pessoas montando feira no centro, em frente a prefeitura. Segui pelas ruas laterais até a praça da catedral. Ciganos vendiam artesanatos por ali, e homens faziam bolhas de sabão gigantes com pedaços de madeira, barbantes, e bacias de água com detergente. A catedral estava sendo aberta oficialmente. Não havia nada de estranho no topo da torre. Nenhum turista a vista. Comprei o ingresso da torre, e comecei a subida em espiral. O lugar vazio me dava calafrios. O vento do topo estava gelado. Mas em vez de subir ao balcão dos sinos, continuei pelo caminho da torre que estava proibido por fitas. Era uma área de risco da antiga construção, e não havia parede no extremo do recinto. Dava para o céu aberto, e se eu olhasse para baixo, via o telhado da catedral ao lado. Estava colado na torre, mas muito abaixo de onde eu me encontrava. Eu precisava chegar ao telhado sem chamar atenção. As pessoas na praça pareciam distantes e pequenas.
Tirei as duas cordas da bolsa, sentindo a barriga gelada. Amarrei uma delas numa coluna larga e sólida que fazia parte da torre. Fiz uma amarra na outra ponta da corda, e me vesti dela até que estivesse bem presa em minha cintura. Isso iria me segurar enquanto eu improvisava a descida pela lateral da torre, seria minha corda de segurança. Prendi a outra corda na mesma coluna, e segurei firme nela. O restante do seu comprimento descia abertura afora. Sentia minhas pernas tremendo ao me inclinar para começar o rapel, e meu braço não doía, mas eu não me sentia tão confiante a seu respeito. Com o corpo posicionado, dei o impulso para descer pela parede. Mas meu pé ficou preso na beirada. Minhas costas encostaram na parede quente do sol, e eu perdi o ar. Eu estava de ponta cabeça, travada pela corda. O grito ficou preso na minha garganta, e eu não ousei abrir os olhos, porque iria me desesperar se visse a altura a que estava pendurada. Apoiei os cotovelos na pedra dura, e busquei a corda em minha cintura. Respirei fundo, usando de toda a minha força para me puxar, e finalmente apoiar os joelhos no chão da torre. Puxei o ar, hiperventilando, meu corpo tremendo. Deitei no solo empoeirado, tentando me acalmar. A corda de segurança ainda estava presa a mim. E como eu acabara de descobrir, a ancoragem estava funcionando perfeitamente. Passei a mão pela beirada, apenas para descobrir que havia erosões ali que com certeza prenderiam meu pé outra vez. Respirei fundo mais uma vez, e reiniciei o processo, num canto mais liso da pedra. Não olhei para baixo. Desci aos pulos, mal respirando, e o telhado estava debaixo dos meus pés antes que eu percebesse. Lá havia escadas e apoios, que os funcionários usavam para manutenção. Desfiz a amarra em minha cintura. Não tinha sido inteligente o suficiente para fazer um nó que eu pudesse soltar lá debaixo, então agora não tinha corda nenhuma. Ambas estavam presas na torre. E começava a parte difícil: Escalar a parte de trás do frontão da catedral. De lá, eu podia usar a passagem que conhecia do dia do ataque. Havia poucos apoios, e daquele lado da catedral, ninguém da praça podia me ver escalando. Atrás de mim, prédios e o mar, distante. Meus braços tremiam com o esforço de carregar o peso do corpo, eu nunca fora boa naquilo. Tinha falhado em todos os treinamentos de escalada, embora fosse boa com os nós e amarras. Eu sabia lidar com o rapel, mas a escalada era meu ponto fraco. Pensar nisso agora talvez não fosse a melhor das ideias. Prendi o pé numa erosão, e estendi a mão para segurar um tijolo um tanto deslocado dos demais. Deslocado o suficiente para se soltar. Me senti leve, tudo sumiu do meu estômago, e o vento assobiou no meu ouvido. Eu ia morrer ali.
O tranco que recebi ao ser presa no ar me fez acidentalmente morder meu próprio lábio. Senti o gosto de sangue, enquanto de pouco em pouco, era levada para o alto. O sol me cegava e eu não podia vê-lo, só a extremidade das asas. Tinha os dois braços bem travados debaixo dos meus, e o corpo quente de esforço. Ouvia o bater das asas, e sentia o vento nos circulando. Suas unhas estavam longe da minha pele, mas ainda assim senti um calafrio, ficando extremamente consciente do curativo no meu pescoço. Eu não estava alucinando. Sabia que não. Chegamos à abertura da torre, e fui envolvida pelas asas rajadas, para que pudéssemos passar os dois pelo pequeno espaço. Ele abriu as asas novamente dentro do espaço fechado, e me deixou no chão, de joelhos. Respirei pesadamente, ainda podia sentir o aperto dele no meu corpo, estava dolorido. Meu lábio ainda sangrava. Agora, sem estar atordoada ou seriamente machucada, eu podia vê-lo direito. Estava completamente nu, mas mesmo constrangida, eu não podia evitar a análise de um ser tão fantástico. O cabelo estava preso atrás das orelhas, cacheado e emaranhado. Era mais longo do que eu achei ter visto da outra vez, no meio das costas. Tinha feições firmes, e nem sinal de pelos faciais. O corpo era atlético, e meu palpite era que usar aquelas asas pesadas era exercício o suficiente. Ele pareceria um adolescente completamente normal, se não fossem as garras escuras que saíam de seus dedos, que também aparentavam ser um pouco mais longos que mãos humanas, e as enormes asas. Elas estavam recolhidas atrás de suas costas, movendo suavemente enquanto ele respirava. Finalmente desviei o olhar. Mantive os olhos no chão, meu coração pulando no peito, minha respiração rarefeita. Meu estômago estava vazio, e ainda assim se revirava, me causando ânsia. Apoiei as mãos nos joelhos, tentando controlar os tremores nos dedos. Na visão periférica, vi que ele cruzou os braços.
“Achei que eu tivesse sido claro, humana”, disse. Respirei fundo, mas não consegui evitar o gaguejar em minha voz.
“E-eu tenho um nome”, respondi, por impulso. Tinha mil perguntas a fazer sobre quem ele era, o que ele era, e como ele era. Mas o rosto fechado dele me dizia que não era uma boa ideia. Ele se agachou e ficou da minha altura, a cerca de 2m de distância, as asas pareciam ajudar o equilíbrio dele. Sua expressão mudou de fechada para ligeiramente confusa, o rosto deitado para o lado como anteriormente.
“Nome? O que é isso?”, questionou, o cenho franzido. Se não estivesse tão aterrorizada, eu poderia ter rido. Ele não sabia o que era um nome. Decidi olhá-lo no rosto. Eu não podia ficar encolhida ali para sempre.
“É como seus pais decidem te chamar”, expliquei da maneira que achei mais simples. O garoto endureceu a expressão outra vez. Eu baixei os olhos para o chão de novo, receosa. Ele brincou com as unhas, roçando-as no próprio joelho. Quando pensei em agradecê-lo por ter me salvado da queda, ele se pronunciou.
“Onde está minha comida, humana?”, disse, ignorando meu comentário anterior sobre ter um nome. Eu levantei as mãos devagar, e tirei a mochila das costas. Ele estava alerta, prestando atenção em cada movimento meu, eu podia sentir. Quando comecei a abrir o zíper, ele me interrompeu. Unicamente rápido, ele veio até mim e tirou a bolsa de minhas mãos, as asas causando uma brisa. Eu me encolhi com a proximidade. “Eu faço isso”, disse, autoritário, e começou a buscar a comida na bolsa. Não demorou nada para encontrá-la. E para encontrar as facas. Ele apertou a ponta da lâmina, e uma gotinha de sangue saiu de seu dedo. Eu permaneci imóvel, paralisada de medo. Mas tudo o que ele fez foi atirar ambas as lâminas para dentro do ninho gigante. Percebi que havia uma pilha de objetos reluzentes ali.
Se passaram apenas 5min para que ele tivesse devorado todas as 20 croquetas que eu fizera. Ele jogou o pote onde estavam pelo chão da torre, junto da mochila. E então, caminhou até mim, e sentou de pernas cruzadas a minha frente. Suas asas recolhidas em suas costas. Desviei o olhar. Percebi pelo canto do olho que um pequeno sorriso surgiu em sua boca.
“Eu não sou cego. Sei que humanos usam essas coisas no seu corpo, embora não saiba porquê. Mas eu não sou humano. Lide com isso”, disse, quase de bom humor. Com asas ou sem asas, ele era um menino adolescente, e como todos eles, ficava bastante satisfeito ao ser alimentado. O modo como ele me olhava ainda era predatório, mas sua postura me deixou um pouco mais relaxada. Tentei olhá-lo de novo.
“São roupas. Você nunca usou roupas?”, reuni coragem e fiz minha primeira pergunta. Ele negou com a cabeça. E estendeu uma mão, devagar. Eu me encolhi.
“Não vou te matar. Quero tocar isso”, disse, apontando um dedo para a manga da minha camiseta.
Respirei fundo. Ele usara “matar” em vez de “machucar”. Talvez ele agisse como uma ave de rapina, e só machucasse aquilo que queria matar. Senti meu pescoço formigar ao pensar nisso. Assenti devagar com a cabeça, e ele aproximou a mão do meu braço. Segurou o tecido entre o indicador e o polegar, e eu me arrepiei. Mesmo a ponta de seus dedos era quente, o que era anormal para uma extremidade. Mas eu tinha que me lembrar que não estava lidando com algo inteiramente humano. Ele soltou o tecido, e recolheu a mão. Eu relaxei um pouco. Não ergui os olhos quando falei.
“Você tem um nome?”, perguntei. Mas ele não estava tão disposto a dar informações sobre si mesmo.
“Como seus pais chamavam você?”, questionou a mim, sem me responder. Eu poderia dizer que tinha perguntado primeiro, mas ele não entenderia o conceito. Segurei o impulso de estender a mão.
“Malena Morgado”, respondi. Ele deitou a cabeça para o lado. Ficamos em silêncio. E então ele se levantou, as asas ainda fechadas.
“Meu nome é filhote”, disse. Eu não consegui evitar ficar boquiaberta, e nem pude segurar o riso baixo que saiu de mim.
“Filhote?”, questionei, respirando fundo para não rir mais. Ele me olhou confuso.
“Você disse que nome é como os pais te chamam. Minha mãe me chamava de filhote”, respondeu. Consegui parar de rir. Ele tinha uma mãe, então. Mas não tinha um nome. Seria algo da espécie deles? Não nomeavam seus filhos? Como eu explicaria a ele?...
“É… Diferente. ‘Filhote’ não é um nome… É uma palavra para descrever um anim... Um ser que acaba de nascer, que ainda não cresceu”, me arrisquei a tentar explicar, e segurei a palavra “animal”. Ele continuou com a mesma expressão, mas aos poucos, pareceu entender a parte importante: “Filhote” não era um nome.
“Hm… Como eu posso ter um nome?”, perguntou, ao fim. Por um instante, eu esqueci que estava sentada na parte proibida de um monumento, conversando com um garoto alado, que tinha toda a capacidade para me matar, e que já havia tentado. Ele era apenas um menino sem nome.
“Posso te ajudar a escolher um”, respondi, baixo, sem encará-lo. Estava em pé, próximo do ninho. Suas asas mexeram levemente, como se fosse um sinal de ansiedade. Ele ficou em silêncio por alguns instantes.
“Creio que eu não conseguiria isso. Não sei nada sobre. Me dê um nome, huma… Malena”, disse, se corrigindo quase ao final da frase. Eu respirei fundo. Pensei por um tempo. Eu amava latim, ainda que fosse uma língua morta. Estudara tudo o que pudera para ter um vocabulário básico da língua. Olhei para suas asas, idênticas as de um falcão-peregrino, eu sabia. Senti medo dele. Era desconhecido e mais poderoso do que um humano. Tive um calafrio, e embora não me sentisse no direito ou na coragem de lhe nomear, a palavra perfeita já rodava pela minha mente.
“Accipiter é um bom nome”, respondi, sem encará-lo.
Ele inclinou a cabeça. Aguardei, quieta.
“Atch... Atch o quê?”, questionou. Um sorriso meu escapou. Espécie diferente ou não, ninguém encarava bem o latim. Arrisquei desdobrar uma perna, já que meus joelhos doíam contra a pedra. Ele acompanhou o movimento atentamente, mas não fez nada.
“Se diz a-tchí-pi-ter”, expliquei. Ele repetiu as sílabas, depois a palavra inteira. E então, sem sequer uma pergunta, assentiu com a cabeça.
“Pode me chamar assim, então”, disse. Franzi o cenho.
“Não quer saber o que significa?”, perguntei. Foi a vez dele de franzir o cenho. Percebi que talvez ele não soubesse o que era um significado, e nem como se aplicava a um nome. Estava cada vez mais intrigada com a história do garoto. Pela expressão em seu rosto, ele sequer sabia que pergunta fazer para entender o que eu tinha acabado de dizer. “Bem… Existem línguas diferentes no mundo. Essa é uma palavra de uma língua que ninguém mais fala, chamada Latim… E significa falcão”, continuei explicando. Ele pareceu entender.
“Eu sei que existem jeitos diferentes de falar. Ouço humanos aqui todos os dias. E já ouvi pessoas falando desse jeito. Ali embaixo”, disse, apontando para o telhado da catedral, que brilhava ao sol forte. Ele devia ter ouvido missas em Latim. Eu assenti.
“Podemos fazer do nome um apelido… Algo mais curto… como Acci”, arrisquei. Ele deu de ombros. Foi o máximo de resposta que consegui. O silêncio se instalou entre nós. Eu sentia as pernas doerem de ficar no chão, e estava nervosa de novo. Accipiter andou pelo espaço da torre sem parecer se importar com a minha presença. Comecei a ouvir os turistas logo abaixo de nós. Eles sequer imaginavam que acima deles havia um espécie completamente diferente e nova. Comecei a mirabolar ideias. Pigarreei, mas ele não reconheceu o gesto e continuou andando ao redor do enorme ninho.
“Hm… Posso perguntar algo?”, arrisquei, sem olhá-lo. Ele parou de andar. Senti que me olhava, e então ele se sentou à minha frente outra vez. Levantei os olhos apenas para notar que como um adolescente birrento, ele estava adorando me deixar desconfortável. Me senti indignada, e me levantei sem aviso prévio ou cautela. Seus olhos brilharam de ameaça, e uma de suas mãos enlaçou meu tornozelo. Sentia as unhas roçando levemente em minha calça. O aperto não era forte. Era quase cuidadoso. Mas passava uma mensagem clara de poder, pela expressão em seu rosto: Eu não iria a lugar algum. Senti meu sangue gelar, e tentei dar um passo para me livrar de sua mão. O aperto suave se transformou num puxão. Eu caí sentada, e senti o impacto se espalhar pela minha coluna, quase perdendo o ar. Ele travou minhas pernas entre seus braços, e apoiou as unhas no meu joelho.
“Minha mãe me ensinou a nunca tirar os olhos de uma presa, ou poderia acabar sem comida. E você, humana, está agindo como uma presa. Agora faça sua pergunta”, disse, autoritário. Respirei fundo, me apoiando nos cotovelos, imobilizada pelo estranho predador. Eu tinha me deixado esquecer que ele não era só um garoto. Não cometeria o mesmo erro de novo.
“Como você se alimentava antes de me… encontrar?”, perguntei, cautelosa. Ele deitou o rosto para o lado.
“Eu caço todas as noites, quando os humanos não podem me ver”, respondeu. Tive um calafrio ao lembrar das corridas que eu tinha feito, e das coisas que eu tinha visto. Ele tinha não só me perseguido, mas me caçado. Meus dedos tremiam, e meu coração ainda saltava no peito. Estava com medo e pisquei várias vezes para evitar a vontade de chorar. Foi quando senti minha perna sendo puxada cada vez mais para perto de Accipiter. Desisti de não chorar, a ansiedade atingiu seu pico, e eu já não respirava direito. Ele estava me caçando, e eu tinha ido direto até ele. Ia morrer, tinha total certeza.
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