O Mendigo Pianista
8 Capítulo 8
Notas iniciais
EDWARD POV.
Seu lixo...
Porco nojento...
Escroto...
Você devia morrer...
Passa, vai!
Saia daqui!
Por dois anos, isso era tudo o que eu ouvia. Quando pedia um dólar para comprar comida, quando pedia um gole de água, quando passava em frente à algum lugar importante. E então eu vi que não havia mais chances para a humanidade, muito menos para mim, e pelos dois anos seguintes eu parei de pedir, parei de rodear lugares importantes com propósitos e parei realmente de ter esperanças.
Porém, naquele dia, naquela terça-feira, para ser exato, eu não poderia dizer não àquela tentação que me chamava. Um lindo piano público que me pediu para me sentar ali, mesmo eu não sabendo nada de música. No entanto, ao me sentar e começar a dedilhar aquelas teclas lindas e macias com meus dedos sujos, notei que eu sabia sim. Só não me lembrava, como não me lembrava de nada, à não se de acordar num hospital, rodeado de médicos que me encaravam chocados e me chamavam e milagre.
Eu toquei naquele instrumento por alguns minutos, mas eu teria ficado horas e mais horas ali, se eu pudesse e se eu não soubesse que seria expulso como um cão sarnento à qualquer minuto. Porém, não foi isso que me parou. Foram olhos. Olhos da cor de chocolate, que me pararam.
Aquela mulher tão imponente, pegando em mim, um homem sujo e nojento, e me dando dinheiro. Me dando mais dinheiro que eu podia imaginar. E depois indo embora. Aquilo reacendeu uma chama de esperança em meu peito de forma que me fez querer saber quem era ela e a agradecer.
Eu me arrumei da forma mais digna que pude, paguei para uma senhora me deixar tomar banho e tirar parte da imundícia que tinha em mim, àquela do lado de fora. Mas eu não consegui usar todo àquele dinheiro. Eu comprei comida para mim e roupas usadas, mas não foi mais nada do que uma nota e então comprei comida com as que sobraram e dei para aqueles que estavam no mesmo estado que eu.
No dia em que encontrei aquela mulher, sentada sozinha numa sorveteria, transmitindo todo seu poder mesmo com roupa comuns, eu desejei com todo meu ser, ser alguém que pudesse estar com ela.
Sua risada, suas bochechas coradas, seu olhar brilhante da cor do chocolate me encarando eram fascinantes para mim.
Mas o fato de eu ser barrado no museu me trouxe à realidade de que eu nunca seria o suficiente, estaria a altura daquela mulher, que mesmo sendo tão importante, tinha uma alma tão boa. Quando me defender, me encheu de esperança, mas ao mesmo tempo me fez me sentir mais lixo, por não me defender sozinho.
Tocar com ela foi incrível. Fitei-a enquanto tocava com paixão o violoncello, desejando aquela paixão toda para mim. E o banho de chuva havia sido incrível, mas mais uma vez me lembrou que eu não poderia beijar aqueles lábios rosas.
Eu contei minha história para ela, pois era o mínimo que eu podia fazer. Contei que acordei num hospital com médicos me olhando assustados. Contei que um deles me disse que eu tive três costelas quebradas e que uma perfurou uma parte de meu pulmão. Contei que tive a perna quebrada em quatro lugares e que tive lesões graves na cabeça, o que resultou em perda de memória e na perda de saber quem eu era. Só me disseram que eu me chamava Edward, mas não me disseram como souberam disso. Contei que tudo isso se deveu à um acidente de carro causado pelo teor de álcool achado em meu sangue.
E contei me enxotaram feito cachorro de lá, após saberem que não havia forma de eu pagar.
Quando ela chorou, quando ela ficou com ódio dos médicos, quando ela quis acionar toda a empresa para um processo contra o hospital e quando quis abrir um caso para mim e descobrir quem eu era, fez meu coração se apertar e meu estômago gelar.
Ela abriu sua casa para mim e me deixou dormir lá. Quanto tempo eu não deitava numa cama? Tirando a do hospital, eu não fazia ideia e Deus, àquela era muito confortável.
No entanto, eu sabia que nada perfeito era para sempre e quando aquele homem loiro disse o que eu já sabia que era verdade, eu tive de sair correndo dali, como um cão faz quando é enxotado.
Na rua, em qualquer rua, depois de andar sem rumo, encontrei um homem moreno xingando até os Santos na calçada, por não conseguir consertar um carro. Por não ter o que fazer, eu ofereci ajuda ao cara, que primeiro ficou desconfiado, mas depois viu que não tinha mais o que fazer a acabou aceitando.
De alguma forma, eu sabia o que fazer, assim como com o dia que ajudei na empresa de Isabella ou com o piano. O homem se identificou como Jacob e me ofereceu uma vaga ali naquela oficina. Menti que me chamava Edward Mansen e pedi apenas para dormir ali como pagamento. O homem ficou desconfiado por algum momento, mas ao final suspirou e assentiu, oferecendo uma quantia em dinheiro também.
Eu então estava trabalhando, me fazendo me sentir um pouco digno. Aquela quarta se passou, e a quinta também. Na sexta, ouvi um dos mecânicos falarem que estavam contratando garçons para aquela noite numa festa e que iriam descola uma grana legal, e eu pedi para ir também.
Eu só não esperava o que ia acontecer. Que ela ia estar lá e que ia me defender outra vez. O que me fez sumir de sua vista quando ela foi procurar a outra mulher. Eu já me sentia humilhado o suficiente e não precisava da mulher que me ajudou tantas vezes se preocupando em me defender outra vez.
O sábado chegou e eu fui trabalhar num carro, que estava dando dor de cabeça para todos ali. Me ofereci para fazer o serviço enquanto eles cuidavam de outras coisas. Eles aceitaram, é claro. Já se passava da hora do almoço, quando sai debaixo do carro, suando em bicas. Tirei a camisa para aliviar o calor e aproveitar que estava sozinho, já que os outros mecânicos estavam em horário de almoço.
No entanto, eu não esperava ver quem eu estava vendo ao olhar para a porta, e me encarava em choque. Senti meu coração pular e acelerar no peito quando a pessoa começou dar passos em minha direção.
ISABELLA POV
O sábado amanheceu com sol quente e comigo já melhor da gripe. Lígia preparou waffles pra mim de café da manhã, me fazendo sentir saudades de casa. Eu precisava muito ver meus pais e urgente.
Passei a manhã trabalhando no escritório com alguns casos particulares que havia aberto recentemente. E claro, assinando todos os papéis necessários para a compra da parte de Sam na empresa, que estava se aposentando. Segunda seria a oficialização de tudo, quando eu teria ficado 33% mais dona da empresa.
Mas na verdade, eu me afundei de trabalho naquela manhã porque não queria lembrar do que Edward tinha feito comigo na noite anterior, mais uma vez. Eu estava magoada e chocada, pois eu pensava estar fazendo certo, quando parece que só errei com ele.
Na hora do almoço, Rosalie me ligou para ir almoçar lá, e eu aceitei para dispensar Lígia ficar co sua família. Me troquei rapidamente, após um banho e fui para o estacionamento. Quando fui dar a partida, o carro afogou e morreu.
Duas vezes seguidas isso aconteceu, me rendendo um suspiro de raiva e um de tristeza. Eu deveria trocar esse carro, pois já estava dando trabalho demais.
Mandei uma mensagem para Rosalie dizendo que me atrasaria, pois teria que passa no Jacob antes de ir lá. Tentei mais algumas vezes, até que ele pegou. Dirigi com cuidado para a oficina e eu sabia que, como era horário de almoço, só haveria um mecânico ali, mas era o que tinha que ajudar.
Saí do carro, acionando o alarme e indo para dentro. Olhei para ver se achava alguém, e encontrei um movimento debaixo de um carro. Um mecânico saiu debaixo daquele carro, ficou de pé e fechou os olhos, tirando a camisa e secando o rosto com ela. Meu coração parou ao ver quem era.
Edward então me notou e parou. Dei um passo adiante, e ele deu um para trás, o que fez meu coração se apertar e me fez parar. De repente eu estava com raiva e antes que eu pudesse me conter, eu estava falando e andando firme na direção dele.
–-Como você ousa?! — Indaguei totalmente indignada. -- Como ousa sumir na quarta, quando abri minha casa para você? Como ousa sumir ontem, quando pedi para que confiasse em mim? O que há de errado comigo, ou o que eu faço de errado para que você continue fugindo de mim? Porque eu estou tentando, mas estou ficando cansada também!
–-Você não entende, Isabella.
–-Então me explique! — Gritei, perdendo a postura.
Edward olhou para baixou, depois para cima. Fechou os olhos e respirou fundo. Detalhe, ele estava sem camisa, e mesmo com sua magreza, ele tinha definição. Não perca o foco, Isabella!
Ele então fitou meus olhos.
–-Eu... Olha, eu já te falei. Eu não consigo! Eu não me sinto... Digno! De estar com você, de falar com você ou muito menos estar na sua casa. Todas as vezes é você tem que me defender, pois nem isso posso fazer sozinho! Não sei minha idade nem meu sobrenome! Isabella, você é incrível e não está fazendo nada errado! Eu só... Eu só não consigo! — E então sua voz estava embargada e seus olhos lagrimados.
Sem pensar duas vezes, eu fechei o espaço entre nós, segurei seu rosto em minhas mãos e esmaguei meus lábios nos seus. Não me importei de estarmos numa oficina, ou dele esta suado contra mim. Eu continuei com meus lábios ali e para ajudar, enlacei seu pescoço com meus braços e enfiei minhas mãos em seus cabelos, ficando nas pontas dos pés.
Senti então mãos hesitantes em minha cintura, me segurando ali. Edward abriu os lábios e me permitiu passagem por sua boca, movendo devagar seus lábios sobre os meus. Meu sangue começou a correr rápido em minhas veias, meu coração disparou desenfreado e havia muitas borboletas em meu estomago gelado.
Nos beijamos por algum tempo, vagarosamente, senti o sabor de céu que a boca de Edward tinha e o deixei provar da minha, numa carícia sem fim. Cedo demais nos afastamos, e eu o encarei, vendo suas esmeraldas brilharem extasiadas.
–-Por favor. Não fuja de mim, não tenha vergonha e não ligue para o que as pessoas dizem. Eu quero você pelo que você é. -- Sussurrei, acariciando sua bochecha.
Ele fechou os olhos e respirou fundo, me deixando à esperar. E então os abriu de novo e me encarou com um sorriso pequeno e tímido. Edward assentiu devagar, me deixando com o limite da felicidade ultrapassado.
–-Isabella, você é a melhor coisa que me aconteceu. Me perdoe por desaponta-la tanto. — Sussurrou, subindo uma mão e a pousando em minha bochecha, para acariciar.
Balancei a cabeça em negativo.
–-Está tudo bem. — Afirmei, tentando parecer segura quando na verdade minhas pernas haviam virado geléia ao ouvir o que eu era pra ele. — Vai me deixar te ajudar?
Ele suspirou.
–-Por favor. — Disse. Assenti, me afastando um pouco.
–-Abro segunda-feira seu caso. -- Disse. — Quer jantar hoje?
–-Só se for por minha conta. — Disse, abrindo um sorriso enorme.
Meu coração vacilou uma batida.
–-Okay. -- Sussurrei.
E então voltei a realidade, franzindo o cenho.
–-Você o tal Mansen então? — Indaguei, erguendo uma sobrancelha. Edward coçou a cabeça.
–-Sim. Eu tive que inventar, sabe, pra conseguir. — Falou. Assenti. — Está brava?
Neguei, sorrindo.
–-Onde está Jacob, afinal? — Indaguei. Foi a vez de Edward arquear uma sobrancelha.
–-Vocês se conhecem? — Indagou. Eu ri.
–-Essa oficina é de Jacob com Rosalie, minha irmã. — Falei.
–-Oh... Okay. Ele não veio hoje, apenas eu e mais dois. Mas foram em almoço. — Deu de ombros.
–-E você não foi porquê...? — Indaguei.
–-Vou depois. — Disse simplesmente. Eu suspirei.
–-Será que você pode dar uma olhada no meu carro, então? — Pedi. Ele me olhou curioso.
–-Não sabia que você tinha um carro. — Comentou. Esperei, confusa. Ele se apressou em se explicar: — Bom, é que quando nos vimos no restaurante, você foi pra estação. Depois na sorveteria e no museu estávamos à pé...
Eu ri de leve.
–-É que eu o uso mais para trabalhar ou eventos, pois é muito chamativo. E aquele dia do metrô, tava no concerto. — Franzi o cenho, me dando conta. — Ele anda muito no concerto, acho que terei de trocar.
–-Onde você colocou? — Edward pediu, pondo a camiseta de volta e me encarando.
–-Lá na frente. — Indiquei, caminhando na frente para ir ao meu carro.
Quando Edward o encarou, seu queixo foi parar nos pés, o que me fez rir sem graça.
–-Eu tinha 25 anos e estava no penúltimo ano de PhD na Alemanha, quando fui passear na Suécia e o encontrei. De um desconto. — Expliquei.
Edward, ainda em choque, assentiu e caminhou devagar para perto do carro, estendendo a mão para acariciar a lataria.
–-É... Incrível. Eu já vi muitos carros belos, mas esse aqui... — Ele me olhou, boquiaberto. Depois chacoalhou a cabeça e se recompôs. -- Vamos pô-lo lá dentro que eu dou uma olhada.
Depois de manobra-lo e coloca-lo aos fundos da oficina, desci e me encostei na parede, olhando Edward abrir o capô e começar a analisar.
–-Como você... Quero dizer, a perca de memória e tudo mais? — Indaguei em algum momento. Edward me olhou de relance.
–-Como consigo tocar piano? Como consigo arrumar portas elétricas? Passando por aqui quarta-feira, percebi que eu conseguia mexer na parte elétrica dos carros... -- Ele deu de ombros. — Eu tenho uma teoria de que...
Apenas minhas lembranças se perderam. Mas conhecimentos, nenhum se perdeu. Suspirei, assentindo e o olhando admirada.
Edward ficou algum tempo mexendo aqui e lá, suspirando e resmungando consigo mesmo. Em algum momento, desisti de assistir e fui para o escritório, onde pedi desculpas para Rose e remarquei para o próximo sábado nosso almoço. Disse que explicaria tudo na segunda.
Se passava das duas quando Edward me chamou para dentro com uma cara nada boa. Eu mordi o lábio, esperando o pior.
–-Bella, eu tentei, mas... Eu acho que o tempo de vida dele já era. — Disse, suspirando. Eu assenti, meio conformada por já estar esperando isso.
–-Vou ver se troco essa semana. -- Dei de ombros e indo para perto do carro, acariciando a lataria. — Vou sentir falta dele. Foi a única loucura que cometi na vida.
Edward me deu um sorriso grande, que iluminava seus olhos.
–-Sério, única? — Indagou.
–-Uhum. -- Assenti.
–-Posso passar te pegar às oito? — Perguntou, com um brilho diferente nos olhos.
Franzi o cenho, mas balancei a cabeça devagar em consentimento.
–-Certo. — E piscou. Eu ri, um pouco assustada com aquele lado brincalhão dele.
–-Okay. — Dei de ombros, sorrindo para ele.
–-Bells?
Olhei para trás, onde Jacob me encarava confuso. Olhou para Edward, depois para o carro e de novo para mim.
–-Hey, Jake. — Sorri, indo para abraça-lo.
–-Como você está? — Ele perguntou, retribuindo o abraço.
–-Muito bem. — Sorri, me afastando. Ele franziu mais ainda o cenho. — E você?
–-Bem... Eu acho. O que houve? — Indagou, indicando meu carro com a mão, mas eu notei seu olhar em Edward.
–-Problema, de novo. Custou pegar em casa e aqui Edward me disse que realmente já era. — Suspirei.
–-Edward? -- Indagou Jacob, num fio de voz. — Vocês se conhecem?
Eu corei.
–-Aham. — Concordei. — Lembra do conselho que te pedi?
Jacob coçou a cabeça, mas assentiu. Eu me afastei até estar lado à lado com Edward e segurei seu braço, dando um sorriso que rasgaria meu rosto à qualquer instante. Achei que Jacob teria dor de cabeça por estar com o cenho tão franzido, mas então os olhos arregalaram e sua boca se abriu em choque.
–-Uau! Sério, vocês dois? — Indagou chocado. Assenti, apertando o braço de Edward, que estava imobilizado ao meu lado. — Eu, hmm, érh... Parabéns?
Dei de ombros, assentindo. Voltei meus olhos para Edward, que sorria tímido e olhava para baixo, mas acabou encontrando seus olhos nos meus.
–-Valeu, Jake. -- Disse, olhando para meu melhor amigo. Jacob sorriu de volta para Edward e para mim.
–-Cara, eu conheço Isabella há... Sei lá, 12 anos? Nunca a vi sorrir assim. Você acaba de subir em meu conceito.
–-Vá se ferrar, Black! — Exclamei sem graça, tentano chuta-lo. Ambos riram de mim.
–-Okay, eu levo você pra casa, e Edward tem que trabalhar. — Jacob disse. Eu suspirei, sabendo que ele e espremeria pra saber tudo.
Olhei para Edward e sorri, assentindo.
–-Até mais tarde. — Sussurrei. Ele sorriu e assentiu.
–-Até. — E beijou minha testa.
Como eu havia pensando, Jacob conseguiu tirar tudo de mim e só ficou satisfeito quando acabei o último ponto. Ele me deixou em casa, prometendo segredo e me parabenizando.
Subi para meu apartamento, onde acabei fazendo algo ali mesmo pra comer e trabalhei um pouco, mesmo contra minha vontade. Eu queria tocar meu cello e não me enfiar dentro do meu escritório, mas era impossível e me conformei.
Às sete entrei para o banho, onde lavei os cabelos e me depilei. Hidratei meu corpo com um creme que ganhei e fiz minha maquiagem, pouco elaborada. Sequei meus cabelos e prendi metado num meio rabo-de-cavalo. Me vesti e peguei minhas coisas.
O interfone tocou e o síndico informou que Edward estava me esperando lá embaixo. Desci impaciente no elevador lerdo, mas a a frsutração passou quando fitei os olhos verdes de Edward.
–-Oi. — Ele disse, acariciando minha bochecha quando estava já ao lado dele. — Você esta linda.
Sorri, encabulada.
–-Você também.
–-Estou linda? — Arqueou as sobrancelhas. Rolei os olhos, empurrando seu ombro.
–-Vamos logo. Estou faminta. — Falei. Ele coçou a cabeça.
–-Bom... É bem simples o lugar, okay? Mas a comida é boa. Tá afim de enfrentar o metrô?
–-Está tudo bem, Edward. Pra tudo. — Pisquei. Ele sorriu, estendendo sua mão para mim.
Franzi o cenho, encarando aquilo. Ele riu e então pegou minha mão, pondo na sua e entrelaçando nossos dedos. Meu estomago deu pulos nervosos.
Edward então nos guiou para o metrô rumo ao Village, onde descemos e caminhamos por alguns minutos em silêncio. Assunto havia em montes, mas era bom estar assim um na companhia do outro.
Então Edward nos parou em frente à um restaurante de esquina, que parecia mais um bar sofisticado. Entramos e sentamos ao fundo, numa mesa de dois lugares.
–-É aconchegante, aqui. — Falei, olhando o chão de assoalho limpo e lustrado e as paredes forradas. Haviam quadros intercalados nas janelas, que eram cobertas por cortinas claras, fazendo contraste com a cor marrom do local.
–-Jacob que sugeriu. — Edward disse, mais como se confessasse algo. Eu rolei os olhos.
–-É perfeito. E você fez bem perguntar. Pare de ficar se explicando.
Ele riu.
Então uma garçonete veio nos atender e para meu desgosto, encarou demais Edward. Pedi macarrão à bolonhesa e Edward pediu rosbife com aspargos, que eu torci o nariz ao ver. Ele até me tentou fazer comer e beber uma taça de vinho, mas não rolou.
–-Sem se eu te der um beijo? — Indagou, audacioso.
Eu franzi os lábios, pensando.
–-Três beijos. — Propus.
–-Um beijo e meio. — Arqueou as sobrancelhas.
Eu ri alto.
–-E tem como? — Indaguei, fazendo-o dar de ombros. — Okay, dois beijos e não falamos mais nisso.
–-Fechado. — E me estendeu o garfo que tinha o aspargo espetado. Eu mordi aquilo e o coloquei na boca, franzindo a cara.
Era horrível, mas mastiguei e engoli. Por cima, bebi de uma vez a taça de vinho.
–-Beijo, beijo, beijo, agora! — Pedi. Edward riu e se inclinou, primeiro beijando minha testa, depois a ponta de meu nariz e depois meus lábios. — Não eram dois?
–-Você é beijável demais pra dois beijos apenas. — E piscou.
–-Edward, quem te viu quem te vê, eim? — Brinquei, nos fazendo rir.
Fechamos então com um pudim de chocolate de sobremesa. Observei feliz enquanto Edward foi, todo orgulhoso, pagar as contas. Ao final, veio até mim e me deu um bombom.
–-Tá querendo me engordar, né? — Brinquei.
–-Sim. — Ele sorriu.
Saímos do restaurante de mãos dadas e apreciando o ar fresco que estava, já puxando o inverno.
–-Você disse que a única loucura que fez foi comprar o carro... — Edward começou.
–-Hmm?
–-E quanto à me dar dinheiro, à me convidar para sua casa ou o banho de chuva? — Indagou, me dando no que pensar.
–-É que nunca pareceu loucura pra mim, isso. Pareceu... Normal. Como se fosse pra ser assim. Como se eu pertencesse à isso. — Confessei, um tempo depois.
Edward então parou e se virou para mim. Pegou meu rosto entre as mãos e tomou meus lábios nos seus, me beijando por um bom tempo.
–-Isabella... — Sussurrou, encostando a testa na minha. — Estou apaixonado por você.
–-E eu por você. — E voltei à beija-lo.
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