O Mendigo Pianista
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Acordei no dia seguinte com a cabeça pesada e sentindo meu nariz entupido. Me sentei na cama resmungando e olhei para o criado-mudo, olhando as horas. Praguejei quando vi que era tarde e que eu havia dormido demais. Me levantei e me arrastei para o banheiro, tentando me lembrar do que houve. No banho quente meus músculos doíam enquanto as lembranças da noite passada vinham à minha cabeça, me fazendo sorri.
Sorri ainda mais ao lembrar que Edward conseguira confiar em mim à ponto de dividir o que houve com ele, embora o deixasse extremamente desconfortável. Me vesti com algo rápido, mas a altura do escritório, fiz uma maquiagem rápida para disfarçar a cara de doente que eu estava e escovei os cabelos.
Desci para a cozinha, onde encontrei Lígia limpando o armário grande em cima de uma cadeira.
–-Bom dia, Lígia. — Cumprimentei-a, olhando em volta. Ela se virou assustada pra mim, quase caindo da cadeira.
–-Senhorita Isa! Até que enfim acordou! Estava me assustando já. — Disse enquanto descia da cadeira e vinha até mim.
Eu franzi o cenho quando notei sua inquietação.
–- Tudo bem? — Indaguei. Ela mordeu o lábio e balançou a cabeça, negando. Meu coração pulou uma batida. — O que aconteceu? Edward ainda está aqui?
Ela baixou a cabeça.
–-Não, ele já foi.
–-O que houve, Lígia? Você está me assustando.
Ela suspirou, começando a falar.
–-Cheguei cedo hoje, e o senhor Mike estava aqui. Ele me pediu pra entrar porque havia esquecido as chaves. Mas quando entramos, encontramos um outro homem aqui, que se apresentou como Edward. Ele estava descendo as escadas pondo a camiseta, então o senhor Mike pensou... Coisas. Eu não entendi muito bem, mas o senhor Mike falou algumas coisas para o senhor Edward, que não retrucou em nada e saiu embora de cabeça baixa.
Meu coração pode ter se dividido em dois nesse momento. De ódio de Mike e de medo do que ele falou à Edward. Assenti para Lígia, perdendo toda a fome que eu estava, assim como o bom humor. Agradeci à Lígia e disse que ela estava dispensada pela tarde. Peguei minhas coisas no escritório e desci para o estacionamento.
Manobrei bruscamente lá, os pneus cantando e ecoando por todo o lugar. Dirigi pelas ruas de Manhattan até sair da ilha, indo para o Brooklyn, onde estacionei em frente à uma casa. Era grande a chance dele não estar ali, mas desci do carro e marchei para a porta da frente, onde bati insistente e esperei.
–-Oh, Bella. Como é bom te ver! Venha entre, Mike está no banho. — A senhora Newton disse ao abrir a porta. Seu sorriso era tão falso quantos seus peitos de silicone.
Para uma senhora de 53 anos, ela era uma piranha. Sua simpatia extrema comigo só se devia ao fato de minha conta no banco ter um valor de 10 dígitos. Dei um sorriso falso para ela também, enquanto aceitava o convite e entrava para a sala.
–-Vou espera-lo no quarto. — Falei, já indo pra ele.
–-Claro, querida!
Fui para o local já tão conhecido e entrei, franzindo o nariz para a bagunça que estava, e pelo odor nojento. Me escorei na parede onde estava a janela para poder respirar ali, depois de ter fechado a porta. Escutei quando a torneira se fechou do banheiro e após alguns minutos a porta abria, revelando um Mike de jeans e camisa polo. Demorou para ele me ver, mas quando o fez, seu corpo inteiro se congelou.
–-Olá, Mike. — Falei, lhe oferecendo um grande sorriso. Vi ele engolir.
–-Bella... — Sussurrou.
–-Fiquei sabendo que me fez uma visita hoje. — Falei, descruzando os braços e começando a caminhar até ele. Com saltos, eu ficava do seu tamanho, o que era muito bom.
–-Eu, eu... Érh, sim. — Ele gaguejou, dando um passo para trás. Eu sorri mais ainda.
–-Me desculpe não poder vê-lo. Eu estava... Ocupada. Se é que me entende. — E pisquei. A farsa estava indo bem, pois vi um flash de raiva passar por seus olhos azuis.
–-Tu-tudo bem. — Disse, dando de ombros.
–-Ah, que isso. Eu fiz questão de retribuir a visita. -- Dei mais um passo.
–-Não precisava.
–-Precisava sim. — Sussurrei cara a cara com ele.
–-Por que? O ruivo não deu conta durante a noite e veio se satisfazer comigo? — Indagou petulante. Aí! Esse era o Mike que eu queria agora.
Joguei a cabeça pra trás e gargalhei com força.
–-Ah, claro, claro. -- Disse depois de parar de rir, voltando à encarar seus olhos. Ele agora tinha deixado de lado o medo e me encarava de igual.
Minha visão lampejou vermelho e num movimento rápido, coloquei as mãos em seus ombros e dei uma joelhada em sua virilha. Mike arquejou enquanto ofegava, no entanto o firmei na parede e o segurei pelo colarinho.
–-O que você falou pra ele, seu canalha? — Rosnei. Mike diminuiu o olhar arregalado.
–-Nada demais. Só a verdade.
–-Que verdade?! — Eu queria tanto gritar! Mas me contentei em empurra-lo de novo contra a parede.
–-Ué. Que alguém como ele não tinha chances como você. E que havíamos voltado.
Cega de ódio, meu minha mão direita se soltou de seu colarinho e se fechou em punho, acertando em seguida seu queixo. Nota mental: Agradecer à papai pelas aulas de alto defesa, à Emmett por me ensinar Jiu-Jutsu e à meu professor de Muay-Thay.
–-Escute aqui, seu merda. — Rosnei, tentando e controlar. Mike não sabia se ponhava a mão no queixo ou no saco. -- Eu te sustentei, te dei trabalho, te dei as chaves de casa-
–-Mas não me deu seu coração! Eu te amo! — Ele acusou, me cortando.
Eu gritei alto de frustração, antes de cair na gargalhada.
–-Você é patético! Com 34 anos, você mora com sua mãe, que também não presta! Você não sabe o que é amor! — Berrei na sua cara. — E Mike, eu juro por Deus. Não cruze meu caminho de novo. Não cruze o caminho de Edward-
–-É mais fácil ele cruzar o meu. — Cortou-me de novo. No entanto, isso me parou, o que o fez levantar uma sobrancelha. — É, eu sei que seu ruivo precioso é um imundo, um morador de rua, um nojento.
E lá se foi a calma de novo.
Cheguei às pressas em meu escritório.
–-Gelo, gelo, gelo! — Pedi a Alice, enquanto passava por ela rumo à minha sala. Joguei tudo em cima da mesa e me sentei no divã.
Alguns minutos depois, Alice apareceu com Leah e Rosalie aos seus encalços, trazendo uma bolsa de gel congelado. Ela me entregou, junto de uma toalha de algodão.
–-Obrigada. — Falei, lançando um olhar agradecido à Alice e à Leah. Elas sorriram, assentindo.
–-O que aconteceu? — Rosalie indagou horrorizada, olhando para minha mão inchada. Eu dei de ombros.
–-Caí. — Disse, simplesmente. Ela me olhou franzindo o cenho.
–Bella, você não cai. E você não machucaria apenas a mão... Alice, Leah, podem nos dar licença?
As duas assentiram, saindo da sala. Rosalie se sentou ao meu lado e esperou, cruzando os braços.
–-Vou começar descontar seu salário. — Murmurei. Ela bufou.
–-Sou eu quem comanda a folha de pagamento. — Zombou.
–-Mas sou eu que mando. — Rebati azeda.
–-O que aconteceu, Isabella?
Resmunguei, chateada por ser chamada pelo nome todo.
–-Dei um soco em Mike... Okay, podem ter sido mais que um, mas não importa. Ele precisava de uma lição. — Me justifiquei.
Rosalie riu.
–-Mas o que te levou à isso? — Ela indagou, após se acalmar das gargalhadas. — E que cabelo é esse? E essa maquiagem? Tudo isso por causa do encontro? Isabella, o que está acontecendo?
Eu resmunguei, esfregando o rosto com a mão boa e lembrando tarde demais que estava de maquiagem. Eu tinha que começar à me acostumar não fazer mais isso. Suspirei e narrei tudo para Rosalie. Todo o encontro, o 'quase-beijo' na chuva, Edward em casa e me contando tudo. Hoje cedo e na casa de Mike. Quando acabei, ela parecia à beira de um ataque.
–-Uau! — Disse simplesmente, se levantando. — Bom, primeiro o mendigo-
–-Edward. -- Corrigi.
–-Okay, desculpe. Edward. Primeiro você se encontra com esse Edward tocando piano público e se encanta. Depois na sorveteria, onde ele se arrumou como pode. Aí vocês tem esse encontro no seu museu, e em seguida vão para um banho que chuva que é SUPER romântico. — Rosalie parou e se virou pra mim. — O que está acontecendo com você?
–-Se você perguntar mais uma vez isso, eu já aviso que mesmo inchada, minha mão aguenta mais uns dois socos. — Falei.
Rosalie bufou, se jogando ao meu lado.
–-E agora, o que você vai fazer? — Ela indagou, depois de um tempo em silêncio.
Eu suspirei.
–-Não faço ideia. Não tem como encontra-lo, Rose. É impossível. Mas eu queria tanto vê-lo outra vez. — Choraminguei.
–-Ai, minha irmã, no que você foi se meter? — Rosalie indagou retoricamente, me puxando para seu peito.
Aquela quarta-feira passou monótona, assim como a quinta feira. Sexta eu estava extremamente mal. Acordei com enxaqueca, minha mão estava rocha e minha gripe super atacada. Pra ajudar eu ainda teria uma reunião com o conselho europeu da empresa e uma conferência com o representante do Japão. Só de pensar nisso, o mal-estar piorava.
Na empresa, a correria estava grande por estar finalizando setembro e tinha de entregar um relatório para a sede oficial de LA, Alice estava me deixando maluca entrando e saindo, Leah atrás de mim o tempo todo e claro, Rosalie conferindo á cada minuto se eu estava bem. No entanto, a notícia que me quebrou foi a de que teria um baile de boas-vindas para um sheike que tinha uma empresa de NY que era nossa cliente e que eu tinha que ir. Por um milagre, consegui sair mais cedo para passar no salão fazer o cabelo, já que as unhas estavam prontas desde terça.
Porém, por um lado, aquela correria toda com o trabalho estava ajudando à não pensar em Edward, o que era impossível, mas ajudava. Vez ou outra me pegava perguntando onde ele estaria ou o que estava fazendo, mas então tentava focar em outro assunto.
–-Jacob contratou um mecânico novo. — Rosalie comentou ocasionalmente, na cadeira ao meu lado. Por conta do baile, a arrastei comigo para os mimos e para o baile também.
–-Hmm... Que bom, pra vocês... -- Sem interesse real algum. Rosalie bufou.
–-Não quer saber o nome dele? — Indagou. Rolei os olhos.
–-Não.
–-Sério?
–-Aham.
–-Okay. Seria uma pena se ele se chamasse Edward. — Rosalie disse, se fazendo de sonsa. Minha cabeça se virou automaticamente para ela, fazendo a cabeleireira se queixar atrás de mim.
–-Desculpe. — Sussurrei para ela, mas com os olhos em Rosalie. — O que você sabe sobre ele?
–-Nada, só que se chama Edward.
–-Do que?
–-Hmm... Não me lembro bem. Parece que Mansen. — Falou, dando de ombro.
Eu murchei, decepcionada. Meu Edward não tinha um Mansen no nome.
Meu? Sério Isabella?
Chacoalhei a cabeça -o que fez a cabeleireira rosnar- para espantar os pensamentos. Do salão, fomos direto para a loja que Alice havia feito reservas.
As vendedoras nos conduziram para o fundo, nos vestiários e nos ajudou com os vestidos e acessórios.
Quando estava pronta, olhei na direção do espelho, me vendo com o vestido longo de um ombro só, com o cabelo preso e jóias. Pedi minha bolsa para uma das vendedoras e peguei a caixinha preta que tinha lá dentro, a jóia que eu raramente usava. Meu anel de formatura. Não combinaria com o que tinham feito pra mim, por ser ouro amarelo e eu estar cheia de prata, mas era necessário em ocasiões assim.
Me encontrei com Rosalie, que estava extremamente magnifica num vestido longo vermelho, a deixando muito sedutora. Ri quando notei que seu anel de noivado também não combinava com suas jóias.
–-Você está linda. -- Comentei, pegando a sacola, a clutch e minha bolsa das mãos das vendedoras enquanto as agradecia também.
–-Você também, maninha. — Rosalie piscou, sacando seu cartão da carteira.
Pagamos juntas no caixa, saindo para meu carro. Jogamos tudo no porta-malas e eu estravei para entrarmos.
–-Emmett não vai? — Indaguei, manobrando pra sair da vaga.
–-Mais tarde. Já dei o endereço pra ele. — Ela disse enquanto se olhava no espelho.
Liguei o rádio, vendo que faltava pouco para estar atrasada, e sintonizei numa rádio legal. Dirigi até o endereço que Alice me enviou. Parecia um museu de tão grande, me lembrando o Licoln Center, e estava todo iluminado por fora, com árvores ornamentais e fontes. Eu nunca fui ali?
O manobrista nos saudou com 'boa noite', cobiçando Rosalie sem algum pudor e pediu minhas chaves, cobiçando meu carro também. Eu ri, enquanto lhe entregava as chaves e ia para dentro. Na porta enorme de vidro tinha um segurança, era negro e enorme de grande.
–-Identidade, por favor. — Disse, carregado de sotaque enquanto olhava a lista em sua mão.
Rosalie me entregou seu SSN*, onde o peguei e o entreguei junto do meu para o grandão. Ele checou rapidamente e depois sua lista, nos devolvendo em seguida.
*SSN = Social Security Number. É o documento oficial do americano, como se fosse nosso RG.
–-Sejam bem vindas. — Disse formalmente.
–-Obrigada. — Rosalie disse, quando eu já tinha entrado.
A decoração estava totalmente controversa em vista do homem que recebia a festa. Tinha uma decoração contemporânea, com um coreto com uma banda clássica, uma pista de dança, um bar e uma mesa de petiscos. Muitas pessoas estavam ali e notei um palco improvisado ao lado do coreto.
–-Vou beber. -- Rosalie anunciou já indo para o bar. Eu assenti, enquanto ia nas direções de conhecidos para fazer os cumprimentos.
Fiz social por cerca de duas horas, meus pés estavam doendo no sapato novo, o vestido era muito pesado e eu já estava começando a suar. Sem falar que perdi totalmente Rosalie de vista.
Cansada e sabendo que o sheike ainda demoraria para chegar, fui para o bar pedir alguma coisa mais forte do que o champanhe que os garçons serviam. Peguei um docinho no caminho e no bar me sentei na banqueta, puxando o vestido um pouco pra cima.
–-Uma vodka dupla, por favor. — Pedi. O homem assentiu e foi buscar meu pedido.
Aproveitei para pegar um espelho na clutch e ver como minha maquiagem estava. Abri o pó compacto, focalizando a visão em meu rosto. Porém, outra coisa me chamou mais a atenção. Ou melhor, outra pessoa.
Pelo espelho, vi a uns seis metros de mim Edward, que me encarava pelo espelho também. Ele estava no uniforme dos garçons segurava uma bandeja vazia na mão esquerda.
Fechei o espelho e o enfiei na clutch, me virando para ele. Desci da banqueta para ir até ele, mas parei quando o vi recuar. Edward deu alguns passos para atrás até se virar e sumir do meu campo de visão.
Chocaca, ergui o vestido com uma mão e fui atrás dele. Encontrei-o preso entre uma senhora que falava alguma coisa não muito amigável e a parede. Eu riria, se eu não estivesse magoada.
–-Com licença... Oh, é você Magda! — Fingi um sorriso para a senhora que tinha 84 anos e esqueceria de mim dali a 5 minutos. Ela sorriu pra mim.
–-Sim, Jéssica? — Indagou. Me segurei para não rolar os olhos.
–-Acho que vi o seu esposo lhe procurando. Ele estava... Ali! — E indiquei uma direção qualquer.
–-Oh! Muio obrigada, querida Kemillyn! — Disse, dando um tapinha em meu rosto e saindo. Então olhei para Edward, tentando não demonstrar minha decepção.
–-Oi. — Sussurrei, olhando em seus olhos.
–-Você não devia estar falando comigo. — Ele disse baixinho. Eu suspirei.
–-E por que não?
–-Porque não mereço sua atenção. — Disse rápido.
–-Edward, Mike é um... Deus, não tenho nem palavra para expressar o que ele é!
–-Mas ele teve razão. Só disse verdades. — Deu de ombros.
Eu rosnei e cheguei mais perto, erguendo o punho direito e fechando a mão. Lhe mostrei todos os nós de minha mão roxos.
–-Não. Ele não disse porra nenhuma, e isso aqui é a prova disso. — Falei. Edward examinou minha mão.
–-Você... Bateu nele? — Indagou incrédulo.
Suspirei, assentindo e abaixando o punho.
–-Sim. Ele mereceu. Mas o ponto é que... Como você pode, Edward? Quero dizer, confiei em você e disse isso. — Falei, tentando não soltar os cachorros de uma vez.
Ele baixou a cabeça.
–-Eu... Só... Me desculpe. — Disse, derrotado.
Eu balancei a cabeça, frustrada. Peguei a bandeja de sua mão e a pus na mesa vazia que estávamos próximos. Depois segurei em seu ombro e o fiz olhar para mim. Mas raios! Edward, mesmo eu estando de saltos altos, era mais alto que eu!
–-Olhe pra mi, por favor. — Pedi. Um segundo depois, ele olhou. -- Não se desculpe, por favor. Eu prometo entender. Agora só, por favor... Confie em mim.
–-Mas eu confio! — Ele se defendeu.
–-Não foi isso que eu quis dizer...
–-Senhorita? Há alguma coisa errada? E por que você não está trabalhando? — Um homem falou atrás de mim. Pus um sorriso falso no rosto e me virei.
–-Não há nada de errado. — Falei, lhe dando a mão. — Isabella Swan. E eu peço que libere Edward por essa noite, pois ele é meu acompanhante.
–-Oh, Srta.Swan. Mas...?
–-Agora.
–-Oh, claro, claro. Está dispensado. Passe acertar comigo depois. — O homem disse e então se retirou.
Me virei para Edward, sorrindo. No entanto, ele estava de cabeça baixa de novo.
–-Edward? — Chamei. Ele me olhou.
–-Hmm?
–-Está escutando a música que está a tocar? — Indaguei, escutando os acordes de Thosuand Years soando no salão. Ele assentiu, me fazendo sorrir. — Não vai me convidar à dançar?
Os olhos dele se arregalaram e ele riu, negando.
–-Oh, não, não, não! Não quero aleijar ninguém hoje. — Ele disse, ainda rindo. Eu sorri, pegando sua mão.
–-Não vai. — E pisquei, começando o puxar.
Edward suspirou e se rendeu, vindo atrás de mim. No meio da pista de dança, eu parei e me virei para ele, pondo as mãos em seus ombros. Ele segurou, hesitante, em minha cintura e olhou em meus olhos.
Nos movimentamos devagar para não correr risco algum. Movi minhas mãos para a nuca dele e as acomodei lá, me aproximando mais.
–-Você está linda. — Ele disse em meu ouvido. Eu corei.
–-Obrigada. — Sussurrei, colocando a cabeça em seu peito.
Dançamos a música toda assim, pouco nos mexendo e sem falar mais nada. No entanto, de alguma forma, aquele contato foi muito mais intimo que um beijo.
Ao fim da música, eu sorri para ele, segurando em sua mão. Edward sorriu de volta, segurando minha mão na sua e eu constatei o quão bem elas se encaixavam. Eu estava prestes à chama-lo para sair dali, quando um barulho soou. Olhamos para o palco, onde um homem de terno preto estava e anunciava a vinda do sheike.
O homem de turbante -mas de terno- subiu ao palco e sorriu, acenando e dizendo que chamaria algumas pessoas ali em cima para agradecer e dar um presente. Infelizmente, meu nome estava no meio, o que me fez me separar de Edward para ir até lá.
Ganhei um colar de pérolas, tirei algumas fotos com o homem e recebi os agradecimentos dele. Depois desci do palco e fui para onde Edward me esperava e sorria, parecendo orgulhoso.
–-Que foi? — Indaguei, sem graça, lhe dando um soquinho no braço. Edward riu vendo minha frustração que eu não conseguia nem move-lo.
–-Fraquinha. — Debochou. Rolei os olhos, enquanto colocava a mão em seu cabelo para tirar uns fios que estavam fora do lugar.
Um flash então se deu ao meu lado, me deixando cega por alguns segundos. Foquei a visão para o fotógrafo e franzi o cenho. Ele me deu um sorriso sem vergonha e estendeu a mão.
–-James. — Disse, apertando minha mão e a de Edward depois. Depois ele indicou a câmera e perguntou: — Posso?
Olhei para Edward, que deu de ombros. Então cruzei meu braço no dele e sorri. O fotógrafo tirou a foto e agradeceu, saindo.
–-Qualquer coisa, você processa ele. — Brinquei, mas Edward não riu.
Notei então que Rosalie estava junto de Emmett, vazando da festa.
–-Espera um segundo? — Perguntei para Edward, que assentiu. Fui na direção de Rosalie, no entanto algumas pessoas me pararam no caminho, me impossibilitando de fazer qualquer coisa.
Quando enfim me libertei, nem Edward nem Rosalie estavam mais ali.
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