Notas iniciais
Olá! Prontas para o antepenúltimo capítulo? Espero que gostem!

—-Bella!

Acordei assustada e me virei para Edward, que estava sentado ao meu lado na cama, ofegante. Franzi o cenho e esfreguei os olhos, me sentando ao seu lado e levando uma mão até sua costa nua. Ele estava suado e isso indicava que ele estava há algum tempo tendo pesadelos.

—-Hey... -- Sussurrei, estreitando os olhos para poder enxergar seu rosto. -- O que foi?

Edward não disse nada, apenas se virou pra mim num movimento brusco, seu rosto revelando uma agonia profunda, olhos arregalados e perturbados e então me abraçou com força, enfiando a cabeça em meu pescoço.
Sem falar nada, envolvi meu braço livre em sua nuca e comecei à acariciar os cabelos dali. Edward estava quente e todo suado, sua respiração ofegante e o coração acelerado, podia sentir isso já que seu peito estava grudado ao meu. Após alguns minutos, ele pareceu se acalmar e se afastou devagar, fitando meus olhos.

—-O que foi? Sonho ruim? — Sussurrei, acariciando seu rosto. Ele fez um movimento pequeno, assentindo. -- Quer falar sobre? -- Ele negou.
Concordei, apenas continuando a lhe acariciar. Sua respiração enfim voltou ao normal e ele não parecia tão mais perturbado.

—-Vem, vamos tomar um banho. — Falei, saindo da cama e lhe puxando pela mão. Foi fácil, pois ele parecia estar mole.

Liguei o chuveiro e configurei até ficar na água morna que Edward gostava. Depois me virei para ele, que estava parado na porta, com os olhos vidrados. Suspirei, indo até ele, o puxando para dentro do banheiro e fechando a porta. Depois segurei sua nuca, acariciando sua nuca com as unhas, do jeito que ele gostava. Selei nossos lábios num casto beijo antes de despi-lo de seu moletom e a cueca. Tirei a camisa dele que eu estava vestindo e o puxei para debaixo do chuveiro.

—-Vire-se de costas. — Pedi, enquanto pegava sabonete. Ele assim o fez e eu comecei esfregar suas costas com a esponja ensaboada. Ele estremeceu, estava muito tenso devido ao que seja que tenha sonhado. Lavei desde seus ombos até suas coxas, sem nenhuma segunda intenção. -- Fique de frente pra mim.

Ele assim o fez. Eu peguei o shampoo e despejei um pouco em minha mão antes de colocar em seus cabelos já molhados e esfregar até ficar todo ensaboado. Pedi para ele fechar os olhos para poder enxaguar, depois peguei o sabonete e passei por seu rosto, orelhas e pescoço. Com a esponja, esfreguei seu peito, braços, axilas e abdômen. Segurei seu membro em minhas mãos e o limpei, sem insinuar nada, no entanto, naturalmente, ele endureceu parcialmente. Fingi não notar e me levantei, jogando a esponja no chão para poder enxaguá-lo.

—-Limpinho. — Brinquei quando acabei, olhando para ele. Edward me encarava, e seus olhos estavam escuros. Suas mãos subiram, uma indo parar em minha cintura e outra em minha nuca. Com urgência, ele colou nossos lábios e me beijou de forma faminta.

Fui pega de surpresa, mas correspondi como pude, agarrando sua nuca e lhe beijando com voracidade. Ele mordia meus lábios e eu os dele, sua língua explorava minha boca e brigava com a minha, nossas respirações totalmente ofegante. Seus dedos se afundaram na carne da minha cintura, o que doeu, mas não ousei reclamar. Edward parecia fora de si e essa fome pra cima de mim parecia acalma-lo.

Ele desgrudou sua boca da minha e a levou até meu ouvido, sussurrando algo que amoleceu todos meus ossos.

—-Faça amo comigo, por favor. Por favor. -- Sua voz beirava a agonia.
Eu assenti em seu pescoço. E sem pensar mais, Edward nos tornou um.

Acordei com o barulho que vinha do andar de baixo. Lígia. Suspirei e me mexi, virando para o lado. Edward estava de costas para mim e ressonava tranquilamente, parecia que a madrugada nunca existira. Ótimo. Resisti a tentação de acaricia-lo e acabar por acorda-lo e me virei para levantar.
Não sei se o movimento foi muito brusco ou se era resultado do que havia acontecido de madrugada, mas num momento eu estava sobre meus pés e no outro tudo rodou e eu estava na cama de novo. Respirei relaxada quando notei que Edward nem se mexeu e tentei de novo, dessa vez mais devagar. Tudo ótimo.

Segui então para o banheiro, esvaziar a bexiga e escovar os dentes. No espelho, notei roxos aparecendo em minha cintura e pescoço, e quando olhei para baixo, minhas coxas também. Ótimo.

Era quarta, e havia quase duas semanas que havíamos voltado de Forks. Na semana passada tive várias crises de mal estar que não contei para ninguém. Tontura e muita dor de cabeça. Eu me rendi na quinta e marquei um exame para segunda, que ficaria pronto hoje.

Sem falar que provavelmente tudo aquilo que eu comi na casa de meus pais me engordou pra caramba, porque praticamente todos meus tailleur e terninhos estavam justos. Por isso optei por um vestido hoje, mais soltinho. Para não ficar parecendo um balãozinho, coloquei um cinto que me irritou por não ficar na casa de sempre e joguei um blazer por cima. Por estar no começo de dezembro, fui obrigada a jogar um sobretudo por cima.

Dei um beijo leve na cabeça de Edward antes de descer rumo ao escritório, onde peguei rapidamente minha bolsa, maleta e celulares. Encontrei Lígia na sala, limpando a rack.

—-Bom dia, senhorita Bella. -- Me saudou com um sorriso caloroso, mas que derreteu quando olhou para minha cara. -- O que houve? Está tudo bem?
Eu suspirei, assentindo.

—-Vai ficar, Lígia. Obrigada. Edward está dormindo ainda e essa noite não foi uma noite boa pra ele, então não precisa limpar nada lá em cima hoje e por favor, faça aquelas panquecas que ele gosta. Lhe vejo mais tarde. — Dei um beijo em sua bochecha bronzeada e saí.

No elevador, liguei meus celulares e esperei carregar todos os emails. Mas nenhum era o que eu estava esperando. Com um suspiro de resignação, comecei a responder os da empresa e depois as mensagens pessoais.

Foi eu pisar no estacionamento que senti minha cabeça pesar. Claro que eu devia pegar um táxi, mas não havia tempo pra isso. Eu tinha uma reunião importante no primeiro horário e com meu Porsche eu poderia costurar.

—-Bom dia, Bella. — Jasper me cumprimentou. Eu lhe dei um sorriso, totalmente forçado.

—-Bom dia, Jazz.

—-Está tudo bem? Não que seja da minha conta, é claro. -- Jasper era realmente sensitivo. Eu lhe dei um olhar de gratidão.

—-Vai ficar, Jasper. Obrigada.

Ele assentiu e não disse mais nada. Eu agradeci, porque com a dor de cabeça que eu estava, eu não era a melhor pessoa para conversar. O elevador apitou e se abriu para eu descer.

—-Tenha um bom dia! — Jasper desejou.

—-Você também, Jazz.

Saí do elevador, notando que havia chego bem cedo, pois o departamento estava com poucas pessoas. Apenas acenei para as que eu passei, sem muita disposição para abrir a boca.

—-Alice, por favor, o mesmo de ontem. -- Pedi ao passar por ela. — E bom dia, desculpe.

Ela sorriu e assentiu.

—-Claro, tudo bem. Bom dia!

Entrei em minha sala e corri para fechar as cortinas antes de jogar minhas coisas em cima da mesa e me jogar em minha cadeira. Em cinco minutos, silenciosa como uma dríade, Alice entrou na sala e fechou a porta. Em uma mão, meu café extra-forte sem açúcar e na outra um copo de água e comprimidos.
—-Com licença, Bella. — Disse, se sentando à minha frente e me dando as coisas.

—-Obrigada, Alice. Me repasse a agenda de hoje. — Pedi, enquanto engolia as pílulas com a água e depois começava meu café.

—-Reunião no primeiro horário, ou seja, daqui meia-hora. Coquetel de boas-vindas ao dono daquela marca de roupas da Austrália que está sendo processado de assédio às 10:00am. Meio-dia você tem o almoço com os representantes de nossas filiais na Rússia e na Irlanda para decidir qual partido irão apoiar. Duas da tarde tem o treinamento com a turma do RH.

Eu suspirei, fechando os olhos.

—-Por favor, veja uma personal stylist para imediatamente. Não tenho trajes para nenhuma dessas ocasiões. Prática, que traga roupas aqui e que saiba maquiar. — Pedi. Não vi se ela assentiu, mas escutei sua caneta rabiscando a agenda. Quando acabou, o silêncio reinou, até a curiosidade ser maior que ela.

—-Bella, está tudo bem? — Ela indagou. Eu abri meus olhos, não antes de esfrega-los com força e ver estrelinhas e olhei para ela.

—-Eu pareço bem, Liz? — Indaguei, rendida. Ela negou. — Pois é. Mas eu tenho que estar, então vamos apenas ignorar, okay?

Ela me deu um sorriso triste, mas assentiu, parecendo contrariada.

—-Obrigada. — Sussurrei.

—-Não precisa agradecer. Agora tenho que ser rápida, então, com licença. -- Ela disse, já se levantando e indo para a porta.

Alice era uma boa amiga. E uma excelente assistente, pois em quinze minutos, havia três meninas entrando em minha sala para me arrumar para os compromissos do dia.

A reunião com o dono da marca fora bem. Com anos de prática, é bem lógico que eu já sabia distinguir um mentiroso de um sincero. E com certeza aquele homem era um mentiroso com todo o papo de amar sua mulher e que nunca faria algo assim e bla bla bla. Billy já conhecia a maioria das minhas jogadas e naquele dia eu usei uma das melhores. Não dei certeza que pegaríamos seu caso, mas também não o dispensei. Deixamos-o a ver navios enquanto a assistente de Billy já entrava em contato com a moça que havia sido assediada.

É assim que funcionamos na mídia. Defendemos os menores e ganhamos. À menos quando é empresa contra empresa. O assunto aí muda de foco.

Depois o almoço havia sido bom, embora eu quis socar o cara da Rússia por ser tão cega. É claro que os Estados Unidos e a Rússia ainda guardam rancor um do outro, portanto negociar com eles nunca era fácil. Mas ao final, chegamos à um acordo. O que não ficou bem foi meu estômago que, assim que voltei à empresa, insistiu por devolver o que eu comi, até que cedi.

Eu estava começando à ficar preocupada, pois foi assim que começou com meu pai.

E enfim chegou o horário do treinamento, onde eu vi Rosalie pela primeira vez no dia. Eu queria rir da cara dela, pois naquele dia ela, por alguma razão que eu desconhecia, havia trazido Brian para a empresa. Seu cabelo estava armado como se tivesse penteado ele com alguma escova vagabunda, ou se tivesse acabado de dar uma rapidinha. Suas roupas estavam amassadas e desalinhadas e ela parecia que ia dormir à qualquer minuto. Nosso instrutor não ajudando também, já que era mais monótono do que um robô.

Foi o pico do dia até ali, pois pude tirar uma com quem estava pior que eu. Principalmente quando Rosalie fingiu que examinava um documento em seu colo, quando na verdade, estava cochilando. Sem me conter, segurei seu nariz e assim ela soou um pequeno ronco, mas que naquela sala morta, parecia mais um alarme.

Ela acordou sobressaltada com os risos que ecoaram e quando me encarou e viu CULPADA em minha testa, eu vi seu olhar de quem se vingaria, antes de se juntar as risadas.

—-Por que trouxe essa coisinha cabeluda pra essa loucura hoje? — Indaguei enquanto me enfiava em sua sala, onde Brian estava dormindo num moisés em cima de um colchão inflável forrado com cobertores. Minha empresa estava virando o que agora?

—-A babá teve um imprevisto e Emmett realmente não podia ficar em casa. Desculpe transformar isso aqui numa creche, mas não tive escolha. E Susan faz isso toda semana. E Brian nem é tão agitado assim. — Ela despejou, enquanto se jogava em sua cadeira. Eu continuei acariciando o pezinho de Brian, mas me virei para ela.

—-Você está um bagaço. — Comentei. Ela bufou.

—-Já faz três noites que não durmo por conta das cólicas que Brian tendo. Emmett também está todo dolorido por causa do torção que deu no ombro. E eu estou atrasada em duas semanas, meus peitos estão enormes e doloridos e parece que tem um alien hospedado em minha bacia.

—-Você está toda fodida. — Comentei.

Mas então com o que ela falou, eu me toquei. Eu também estava atrasada. Era isso! Eu estava atrasada alguns dias, era por culpa disso meu mal-estar! Eu quase cantei 'Aleluia' de alegria. Com o medo que eu estava de câncer, isso era como se alguém jogasse água refrescante em mim.

—-Bella, você está me ouvindo? — Rosalie indagou, me puxando de meus pensamentos. Olhei para ela.

—-Ãnh?

Ela bufou.

—-Nada. Você não tem que ir na sua sala e fingir que trabalha? Queria cochilar um pouco.

Eu ri, me levantando.

—-Também amo você.

Saí de sua sala e fui rumo ao elevador para ir à minha sala. Jasper não estava, portanto tive que me virar sozinha. Desci em meu andar e segui para minha sala, distraída demais para falar com alguém no caminho. Fechei minha porta e fui para minha mesa. Me sentei e liguei o computador, indo para minha caixa de entrada. Agora nem estava tão ansiosa mais para o resultado do exame.

Estava lá o email da clínica, como não lido. Havia chego há trinta minutos e implorava para ser lido. Suspirei e o abri para ler. Primeiro tive que fazer o download do arquivo PDF e então o abri para saber o que estava havendo comigo. Rolei o scroll pelo arquivo até que algo chamou minha atenção. Eu reli e então todo meu sangue congelou, me fazendo me prender na cadeira.

Em negrito, mas para mim parecia que estava em neon, constava:

BETA HCG................................................................................................ 115.670 mUI/ML

Eu não era estúpida e já havia visto isso antes, quando Rosalie me mostrava como funcionava ou quando Nessie esfregou na minha cara.
Aquilo era um teste de gravidez positivo.

Eu sabia que havia ficado ali um bom tempo, talvez mais de uma hora. Pois Alice se despediu de mim e eu vi a janela ir ficando escura.

Demorou um pouco para mim conseguir raciocinar direito. Meu corpo havia ficado dormente, eu não sentia minhas pernas e as pontas de meus dedos da mão formigava. Okay, rebobinando. Eu estava grávida. E aquele número maior que 100 significava que era mais de um mês. Um mês e meio, acho.

E então a ficha caiu. Toda aquela sonolência na casa da minha mãe, as crises de fome e enjoo, as crises fortes de dor de cabeça e tonturas, aquelas roupas apertadas... Eu estava grávida! Eu tinha um ser humano pequenino de Edward se formando dentro de mim!

De repente fui tomada da imensa necessidade de contar isso pra ele, portanto mandei uma mensagem falando pra ele estar em casa em meia hora. Bloqueei meu computador, peguei meu celular que possuía aquela conta de email conectada e minha bolsa e voei para a porta. Não notei se tinha alguém ainda ali, nem parei para ver e me despedir, apenas fui rápido em direção ao elevador e o apertei freneticamente. Jasper apareceu no que pareceu séculos depois, me recepcionando com um sorriso, que logo se desfez ao ver minha urgência.

—-Não vou brigar com você, mas faz isso ir logo por favor! — Choraminguei. Jasper sorriu, mas apenas deu de ombros.

Quando sai para o estacionamento, quase corri em direção ao meu, mas agora algo me impedia. Então mantive um ritmo rápido até chegar ao meu carro e poder manobrar para sair com ele. Pensei em parar em alguma lojinha para comprar um parzinho de sapatinho e fazer aquelas surpresinhas cafonas, mas eu não queria perder tempo. Por isso, ao invés de pegar a cidade, peguei uma das ruas mais abandonadas de NY para chegar em casa.

E foi por isso que cometi o maior erro da minha vida.

O sinal estava verde e eu avancei. O cara da direita também avançou. E a última coisa que vi foram os faróis brilhantes, como olhos raivosos, e chocando contra meu carro e me lançando para o alto.

Notas finais
Até o próximo!