Notas iniciais
Obrigado pelos acompanhamentos *-* Então, esse capítulo será um pouco – pra não dizer muito – confuso, mas é assim mesmo, ainda não posso explicar muitas coisas. Talvez nos próximos capítulos eu explique mais. E é só, boa leitura (:

Acordei com a batida acelerada vindo do pequeno aparelho sobre o criado-mudo ao lado da cama. Abri um sorriso quase instintivamente e resolvi não desligar o alarme, era raro eu conseguir acordar de bom humor como naquela manhã, ou melhor, madrugada.

─I used to think one day we'd tell the story of us… — Comecei a cantarolar enquanto se levantava e saía da cama.

Verifiquei a hora no celular só para constatar o que eu já sabia. Que ainda tinha longas duas horas para executar minhas atividades cotidianas e depois me preparar para ir à escola, onde passaria a maior parte do meu dia fingindo ser um adolescente normal. O que eu já sabia há muito tempo que não era verdade.

Fui ao banheiro e rapidamente fiz minhas necessidades e higiene matinais, me demorando um pouco de frente ao espelho, só para fitar aquele rosto pálido que eu mostrava a todo mundo dia após dia, mas que poucos conheciam a verdadeira face por trás dele.

Atravessei o quarto espaçoso quebrando o silêncio de toda a casa com a música alta acompanhada da minha voz sonolenta. Por um segundo eu achei que devia me preocupar, mas logo lembrei que os vizinhos nunca me escutariam ali, nem se morresse de chamar pelos seus nomes.

Parei à porta do quarto e desliguei o alarme, o bom humor de fora só pelo fato de eu ter me lembrado da minha triste condição. A mansão de paredes brancas e lisas estava completamente vazia, mergulhada no silêncio, como se estivesse adormecida e inabitada por anos. Desci a escada me apoiando no corrimão de mogno até estar no saguão. Os meus pés descalços pouco faziam barulho no assoalho de madeira, de modo que passei pela casa quase silenciosamente, chegando à lateral, onde havia uma porta dupla feita de ladrilhos de vidro colorido e metal cor de cobre.

Abri as duas folhas da porta e entrei na estufa. O ar ali era especialmente úmido e um cheiro forte constantemente rondava pelo ar. Toda a estrutura da estufa era feita igualmente de metal e vidro, até o teto arredondado, que sustentava várias plantas suspensas por ganchos de ferro.

─Olá, queridas. – Falei sorrindo, estar ali sempre me alegrava.

Fui até o fundo, onde havia algumas mesas, uma cômoda e várias prateleiras com materiais de jardinagem e calcei luvas, mas antes, apertei um botão no microssystem ali em cima, fazendo minhas músicas preferidas reverberarem pelos vidros da estufa.

Primeiro peguei um regador na cômoda e o enchi de água com a torneira que ficava no canto esquerdo, ao lado de uma porta de acesso aos fundos da casa. E só então comecei a regar as plantas que pacientemente vi crescer desde que me mudara para aquela casa, ou melhor, para aquele bairro. Eu podia perfeitamente fazer aquilo de uma maneira mais fácil, mas trabalhar como uma pessoa normal me fazia sentir mais próximo de um ser humano comum.

Passei cerca de uma hora me empenhando em regar, trocar de vasos e podar as minhas plantas, que em grande maioria eram ervas úteis para diversos fins e de que eu, provavelmente, precisaria no futuro.

Ao acabar, eu estava cansado e sujo. Minhas vestimentas antes alvas estavam agora repletas de manchas de barro nas pernas, braços e barriga. Mas o esforço valera a pena, há muito tempo eu precisava organizar aquela estufa e fazer jus ao título de mestres das plantas e ervas defendido pela minha família por tantas gerações. E que agora só podia ser defendido por mim.

Desliguei a música.

O sol já começara a surgir, com sua luz dourada passando através dos vitrais e intensificando ainda mais o verde das plantas ao meu redor, que por um momento pareceram se virar na direção da luz.

Sorri satisfeito e voltei para o interior da casa, frio, silencioso e triste como sempre. Voltei para o quarto e passei direto para o banheiro, onde tomei um banho revigorante, o meu dia havia apenas começado.

Depois de alguns minutos eu estava pronto, então peguei minha mochila com o material escolar e voltei ao térreo. Eu adoraria dizer que minha mãe havia preparado o café da manhã e me esperava à mesa com meu pai e meus irmãozinhos adoráveis, mas eu já não tinha esse privilégio há muito tempo. O café estava, sim, pronto. Mas não fora feito carinhosamente como algum familiar poderia fazer.

Cheguei à cozinha e vislumbrei a mesa repleta de pães, queijos, sucos e várias outras iguarias típicas de um café da manhã colonial. Só um lugar havia sido preparado, na cabeceira. Passei ao lado da mesa e peguei uma maçã de uma cesta cheia de frutas.

─Eu seria muito sádico se concordasse com esse teatrinho. – Falei em voz alta, mesmo tendo a certeza de que ninguém me escutaria.

Rumei para a porta e saí do frio daquela casa. Tranquei a porta e o portão da frente enquanto mordia a maçã e tomei a direção do ponto de ônibus. Diferente do dia anterior eu não estava atrasado e não precisava me desesperar para pegar a condução. Subi a rua lentamente, dando uma mordida ou outra no que seria o meu café da manhã daquele dia.

Antes de chegar ao ponto, avistei quem estava lá. Ele. O meu mais novo vizinho de bairro, que estudava na mesma escola que eu e por quem eu nutria uma certa... Curiosidade. Nada com o que ele precisasse se preocupar, é claro.

Lembrei que na noite passada eu não havia resistido e mandado outra mensagem anônima para o garoto. Ele finalmente respondera uma das minhas perguntas, o que, para mim, significava um grande avanço na minha pesquisa. Eu sempre fui assim. Sempre tive essa mania de criar uma obsessão por alguém e descobrir tudo sobre ele, mas precisava parar com isso, da última vez as consequências haviam sido devastadoras. Danem-se as consequências. – Pensei e acelerei o passo, pois inconscientemente eu quase parara no meio da rua absorto em pensamentos.

Eu estava mais centrado e seguro do que fazer, não estragaria as coisas como fizera no passado.

Me aproximei do garoto. Dei uma última mordida na maçã. Ele estava parado de braços cruzados e mal percebeu quando parei à sua frente. Eu era alguns centímetros mais baixo, de modo que precisava levemente inclinar a cabeça para cima se quisesse encará-lo. Ed não parecia em nada comigo. Tinha a pele um pouco bronzeada e não era tão magro, mas também não era gordo. Seu rosto, um pouco arredondado, lhe dava uma expressão pensativa, quase misteriosa. O vento fez seu cabelo se mover um pouco, não era liso e escorrido como o meu, mas encaracolado e castanho claro, e embora fosse curto, eu poderia facilmente mergulhar meus dedos entre os fios e enrolar algumas mechas entre eles enquanto o fazia um...

─Humn... Olá? – Ele falou, interrompendo meus devaneios.

Só então percebi que estava parado, fitando-o como se fosse um ser de outro mundo. Pisquei algumas vezes, o resto da maçã ainda estava na minha mão, só para completar a situação constrangedora.

─Oi. – Falei pondo um sorriso no rosto.

Corri os olhos em volta e joguei a maçã no lixo, voltando minha atenção para o garoto novamente, ele estava com um olhar confuso.

─Você mora... Por aqui?

Eu já deveria esperar por aquela pergunta, afinal, eu passara um ano estudando na mesma escola que ele e agora, repentinamente, surgira no seu bairro e estava pegando a mesma condução.

─Ah, sim. Me mudei para a casa no fim da rua semana passada. – Apontei na direção da qual acabara de vir.

A minha casa ficava a duas quadras da dele, mas eu entendia que ele nunca havia me visto. Eu preferia não sair muito. Apenas permanecia solitário, vivendo o meu carma como fizera há tanto tempo.

─Então eu acho que somos vizinhos. – Ele sorriu, talvez por ter notado que eu assumira um semblante triste.

─Sim, vizinhos. – Concordei devolvendo-lhe o sorriso, que naquele momento era meramente superficial.

─Bom, ontem eu devo ter me esquecido de dizer meu nome, não sei se...

─Eu sei quem você é. – O interrompi, mas ele não pareceu surpreso, o desconhecido ali era eu. ─Meu nome é Tomas, e eu te perdoo por não saber meu nome depois de estudar um ano na mesma escola, Eduardo.

O ônibus parou no ponto e eu subi rapidamente. Estava mais vazio que no outro dia, tanto que peguei um lugar no lado da janela, e me surpreendi ao vê-lo sentar-se ao meu lado. Por um segundo lembrei-me do porquê de não deixar as pessoas se aproximarem de mim, mas reprimi os pensamentos depressivos fitando os olhos castanhos do garoto ao meu lado, que por causa do pouco espaço estava mais próximo. Ele ainda sorria.

─Eu confesso, não sou uma das pessoas mais bem informadas daquela escola. E pode me chamar de Ed, só Ed.

Ele virou-se para frente e tirou o celular e seus fones de ouvido de um bolso do casaco.

Refleti um pouco sobre as suas palavras, elas ainda ecoavam na minha cabeça. ‘‘Só Ed’’. Tateei meus bolsos atrás dos fones e só o que encontrei foi o vazio. Bufei me xingando mentalmente. O meu dia já era ruim com música, agora sem ela seria excruciante. Ed já escutava suas músicas ao meu lado, usando apenas um dos fones. Seria muita ousadia da minha parte se... Ah! Dane-se o mundo e as suas regras patéticas.

O garoto pareceu se assustar um pouco quando peguei o lado que ele não estava usando e coloquei no ouvido, mas logo sua expressão surpresa se transformou num sorriso divertido. Tocava uma música lenta de rock alternativo, o que me surpreendeu. Disfarcei o meu contentamento por estar ouvindo a mesma música que Ed e virei para a janela, passando a observar o mundo ao nosso redor, cuja importância naquele momento quase não existia, ao menos pra mim.

Permanecemos calados durante toda a viagem até a escola, as músicas que seguiram tocando foram tão boas quanto a primeira, e eu anotei mentalmente que deveria esquecer os fones mais vezes.

Descemos do ônibus e tomamos o caminho para a escola.

─Bom, acho que é aqui que nos separamos. Eu sei que você não vai querer andar pelo pátio com o esquisitão da escola.

Passei na sua frente apressado, indo para a minha sala, mas logo dei meia volta e encarei-o novamente.

─E obrigado pela música.

Continuei o meu caminho, deixando o garoto com uma expressão confusa parado na entrada da escola.

A verdade era que eu não podia me aproximar mais dele, já havia sido perigoso o bastante ter me mudado para o mesmo bairro. Mas como geralmente as coisas perigosas são as mais atraentes, eu sabia que mais cedo ou mais tarde nós iríamos nos aproximar.

Fui para a minha sala no andar de cima. Essa era a hora que eu mais odiava do dia. Não só porque eu ficava entre pessoas que eu odiava, mas por causa da futilidade, hipocrisia e ignorância que eu presenciava dia após dia naquela sala cheia de adolescentes com hormônios à flor da pele.

Entrei na sala com a minha característica aparência de rockeiro e uma expressão impassível, sem cumprimentar ou sequer falar com alguém. Como sempre, o barulhento grupo de garotas focou sua atenção em mim. Elas me olhavam e cochichavam entre si, provavelmente fazendo comentários que não mereciam nada além do meu desprezo.

Dentro de alguns minutos a aula começou, e resolvi prestar atenção às explicações a fim de deixar aquilo um pouco mais suportável.

Mas tudo não fora sempre tão ruim. Logo no início das aulas eu até tentei conhecer melhor as pessoas da sala, os meus ‘colegas de classe’. A princípio alguns me pareceram bem amigáveis, diferente da maioria, que se resumia a poucos grupos de garotos que jogam no time da sala e garotas que se não estiverem se maquiando, estão alfinetando quem nunca lhes deu atenção, como eu.

Muitas pessoas tentaram me integrar nos seus grupos de convívio, mas eu logo descobri que até os ‘aparentemente’ legais tinham seus momentos de hipocrisia e corrupção dentro do próprio grupo. E assim eu conclui que todo mundo tem um lado podre, ninguém naquela turma tem pelo menos um pouco de dignidade ou uma amizade sincera a me oferecer. Todos só me queriam nos seus grupos para tirar informações sobre o sombrio e enigmático Tomas Mackenzie. Por isso tomei a sábia decisão de repelir todos que quisessem se aproximar de mim, por mais inocentes que possam parecer.

As aulas passaram-se normalmente até que chegou a hora do intervalo. Geralmente esse era o momento ‘menos ruim’ da minha estadia na escola, mas ao lembrar que deixara os fones de ouvido em casa a minha animação se esvaiu por completo.

Desci e peguei meu lanche. Como de costume escolhi uma mesa mais afastada e sentei-me sozinho. Geralmente eu comia solitário, embalado apenas com as músicas que me deixam feliz, com uma sensação boa. Mas nada que possa ser comparado à companhia de um bom amigo.

Já que naquela hora nenhuma música iria me alegrar acabei por ficar olhando em volta, fitando os rostos com os quais já estava acostumado há um ano. Porém, não eram os rostos comuns que me interessavam.

Ed estava a uma distância considerável da minha mesa. O pátio era grande, mas eu conseguia vê-lo numa mesa com duas garotas e um garoto. Apesar de parecerem amigos, os quatro pouco conversavam ou sorriam como todos, com exceção das duas garotas. Claro, elas são sempre mais unidas.

Observei o comportamento dele enquanto comia lentamente meu hambúrguer e bebia refrigerante. Dentro de alguns minutos repassei mentalmente todo o nosso encontro pela manhã, que não fora tão longo, mas que pra mim valera mais do que um ano convivendo com pessoas detestáveis.

Pela primeira vez em muito tempo eu estava – estranhamente – pensando de forma positiva, imaginando um futuro diferente de como era a minha vida. No fundo, eu sabia a causa daquela reviravolta emocional, e estava olhando fixamente para ela naquele momento.

A sirene tocou. Foi como se alguém tivesse jogado um balde de água fria na minha cabeça. Fui puxado para a realidade em um microssegundo e me levantei, acompanhando a horda de estudantes entediados de volta para a sala de aula.

Durante todo o resto do dia fiquei passando pela mesma situação. Criei centenas – senão milhares – de situações que poderiam acontecer envolvendo o garoto de cabelos encaracolados.

Por mais que tentasse, bastava um momento de distração e eu já estava pensando em Ed. De qualquer forma, pensar nele era melhor que pensar em todos os problemas que eu tinha.

Já estava começando a escurecer quando a aula acabou. Juntei minhas coisas apressado e saí daquela sala como um presidiário sai do confinamento.

O pátio estava lotado de alunos que saíam de suas salas e iam embora em grupos. Foi inevitável procurar Ed no meio da multidão, assim que o avistei conversando com os amigos me dei por satisfeito e me dirigi à saída da escola.

Ao passar pelos portões tomei o caminho para o ponto de ônibus, seguindo pela rua mal iluminada e apinhada de alunos eufóricos, mas, em meio a tudo isso, vi algo de anormal ao olhar para o outro lado da rua. Lá havia um carro preto tipo esportivo parado e encostado nele um homem de quase dois metros de altura, vestindo uma espécie de uniforme militar e usando óculos escuros, mesmo estando à noite.

Poderia ser qualquer coisa, mas eu aprendera a desconfiar de tudo que me parecesse estranho à primeira vista, não podia me dar o luxo de deixar passar algo despercebido.

Continuei a andar, fazendo questão de me misturar mais com os adolescentes ao meu redor.

Logo cheguei ao ponto de ônibus, que, por sinal, também estava lotado. Porém, poucos dali pegariam a mesma condução que eu, então eu não tinha muito com o que se preocupar. Mesmo ali olhei ao redor atrás do carro e o estranho que vira na frente da escola, e pedia mentalmente que tudo fosse apenas uma paranoia da minha cabeça. ‘‘Se aquele homem for um deles...’’ – Pensei, estremecendo com a hipótese.

O ônibus chegou e eu subi apressado, precisava chegar em casa o mais rápido possível. Infelizmente não consegui um lugar sentado, acabei ficando em pé ao lado de algumas pessoas com expressões tristes, talvez por causa das duas desgastantes rotinas.

─Hey, você por aqui. – A voz chamou minha atenção.

Virei na direção que a escutara. Ed estava parado ali, ao meu lado. Ele se equilibrava com a mochila de lado e segurando-se na barra de ferro do ônibus.

─Oi, pois é, eu costumo passar por aqui todo dia, estranho não?

Sorri, mas com um pouco de nervosismo. Só não consegui distinguir se o nervosismo era causado pelo que eu vira há pouco ou por estar perto de Ed.

Abri a boca para falar algo, mas fui impedido. Senti uma coisa fria no âmago do meu peito e por alguns segundos fiquei fora de mim e percebi que já sentira aquilo uma vez. Não era uma sensação qualquer, era um pressentimento, dizendo que algo estava prestes a...

Pisquei algumas vezes e olhei através das janelas laterais do ônibus, nós estávamos numa avenida larga, que permitia uma velocidade mais elevada. Foi quando vi o carro, aquele mesmo que estava na entrada da escola. Ele avançou ao lado do ônibus e se afastou um pouco.

─Ele não vai... – Murmurei incrédulo.

E então o carro esportivo virou bruscamente na direção do ônibus até esbarrar na lateral da condução com toda a força. Apesar de ser menor, o carro provocou um impacto forte o suficiente para desestabilizar o ônibus. O motorista pisou no freio, fazendo o veículo derrapar por alguns metros, girando descontroladamente até parar, atravessado no meio da pista.

Os passageiros estavam um pouco atordoados, mas pareciam bem. Procurei Ed no meio da confusão de reclamações e gritos exasperados e o achei ainda ao meu lado, ele tinha um olhar perdido, ainda tonto por causa da batida.

─Olhem! – Gritou uma mulher apontando para fora do ônibus.

Ao longe, o carro preto acelerava na nossa direção novamente. Foi o estopim da confusão, os passageiros começaram a se amontoar na tentativa de sair do ônibus entre gritos de desespero e empurrões.

No meio de tudo eu entendi o que devia fazer, as minhas suposições estavam certas.

─Ed! Olhe pra mim! – Puxei o garoto pelo braço, ele, assim como todos, estava atordoado com tudo aquilo.

Segurei-o de frente, fitando seus olhos. Graças à minha visão periférica eu podia ver o farol do carro se aproximando cada vez mais.

─Eu sei o que eles querem, nós temos que sair daqui. – Falei tentando soar o mais seguro possível.

─O quê? Do que você está falando? É claro que nós temos que sair daqui.

Ele tentou soltar-se, mas eu o mantive firme. Fazer aquilo seria difícil, em condições normais eu precisaria de muita concentração. Sorte minha que aquela não era uma condição normal, e eu tinha de onde tirar forças.

─Você não entendeu. – Soltei seu braço e levei minhas mãos ao seu rosto.

Só de olhar para os seus olhos castanhos eu me sentia mais forte, eles despertavam em mim uma espécie de coragem, que até então eu pensei que não existia.

─Apenas... Confie em mim. – Envolvi meus braços no seu pescoço, em um abraço forte.

E de repente tudo escureceu. Eu ainda sentia o calor de Ed próximo a mim, mas à nossa volta só havia sombras distorcidas e um ruído enchia os nossos ouvidos. Depois de alguns segundos veio a luz e uma sensação de estar solto no ar, e nós realmente estávamos.

Caímos com um baque no chão frio e lustroso, em direções opostas. Pisquei um pouco, me acostumando com a luminosidade excessiva. Estávamos em um hall amplo, de paredes alvas que se elevavam a quase quatro metros de altura. Várias pinturas de pessoas desconhecidas estavam penduradas em todos os cantos para que olhássemos, nos encarando com expressões vazias.

─O que... O que... – Ed murmurava enquanto tentava recobrar os sentidos, caído no chão. ─O que você fez? Que lugar é esse?

Levantei-me devagar, o esforço me causou uma tontura repentina. Tirei a mochila das costas, deixando-a cair no chão.

─Essa... – Soltei uma risada triste. ─É a minha casa.

Notas finais
Certo, eu não tenho um roteiro pronto para essa história, tudo pode acontecer, mas tenho muitas ideias^^ Obrigado por ler e até o próximo o/