Andei mais alguns metros até chegar ao meu destino, com uma hora de atraso, mas cheguei. E, logo de cara, encontrei um nervoso Jean, correndo de um lado para o outro, como sempre, muito ocupado.

Eu: Jean, deixa eu explicar o que...

Jean: Kamijo, não há tempo para explicações. Vá para o seu camarim agora! As fotos precisam ser entregues para a revista ainda hoje. — olhou-me dos pés a cabeça e continuou — E, por favor, tome um banho antes de se arrumar, ok?

Consenti calado e fui. Parecia que meu dia havia começado a melhorar, pois, enfim, tomaria um banho decente. E, não só isso, comeria também (meu café foi interrompido por duas vezes, lembram-se?).

Ao entrar no camarim, uma visão maravilhosa. Um banquete me aguardava. Sobre uma mesa estavam frutas, jarras de suco e água, torradas, biscoitos e geléias. Peguei um damasco e mordi, infelizmente, só uma vez. Pois senti braços e mãos me puxando.

Eram Tomiko e Tomoyo, as gêmeas. Uma figurinista, e a outra maquiadora, ambas executando suas funções sobre mim, pobre mortal que nada podia fazer para detê-las. Em instantes me vi nu, novamente vestido, perfumado, maquiado e com o cabelo arrumado.

Olhei-me no espelho e quase não me reconheci. Estava completamente diferente de como havia chegado, e — assustei-me — vestido de noivo.

Noivo? Ninguém me disse que seriam fotos para revista de noivas (burro, deveria ter perguntado). Opa, calma lá! Se eu estou assim, quer dizer que provavelmente haverá uma noiva.

Minha pergunta foi logo respondida, assim que a porta se abriu.

Kaya: Kamijo, que bom ver você! — abraçando-me tão forte que me sufocava — Sua demora me preocupou, está tudo bem?

Eu: Bom te ver também, Kaya (mentira), e está tudo bem sim. Por favor, não me abrace tão forte, vai amassar o seu vestido (mentira de novo).

Kaya: É verdade, desculpe. — soltando-me, para meu alívio — Sempre preocupado com os detalhes, não é, Kami? Por isso te admiro e gosto tanto. — acariciando-me o rosto, para meu desespero.

Percebendo a ainda presença de Tomiko e Tomoyo no local, Kaya ordenou que elas se retirassem. Logo depois, fechou a porta, sem trancar, e voltou-se para mim.

Sentados no sofá, Kaya me pressionava contra a lateral do móvel enquanto jogava as madeixas da peruca prateada sobre mim.

Kaya: Há quanto não nos víamos, não é mesmo Yuuji (meu primeiro nome). — disse, debruçando-se mais para cima de mim, enquanto percorria suavemente meu rosto com os dedos, ora passando-os sobre meus lábios, ora afagando os cabelos da minha nuca.

Não vou dizer que senti nada com aqueles toques, era provocante, admito, mas eu deveria parar aquilo.

Eu: Tem razão, faz tempo, mas... — meio sem voz devido ao nervosismo — Por favor, Kaya, você não deveria... Nós não deveríamos...

Kaya: Relaxe, Kami. — interrompeu-me — Não vamos fazer nada de mais. Somos apenas dois bons amigos matando as saudades (e eu era um homem morto, caso isso continuasse).

Nossas faces estavam tão próximas que era possível um sentir a respiração do outro. E nossas bocas estavam prestes a se selarem em um beijo, quando, abruptamente, Jean entrou no camarim.

Salvo pelo gongo! Nunca fiquei tão feliz em ver o fotógrafo rabugento. Claro que, no momento do flagra, minha cara queimava de vergonha, mas no fundo eu estava aliviado em sair daquela fria.

Jean: Deixem de namoricos e andem logo vocês dois. Temos uma sessão de fotos para fazer.

Kaya levantou-se, saindo nervoso pela porta (se fosse um desenho, sairia fumaça pelo nariz). Tomei um copo d’água antes de sair também, com Jean no meu encalço.

Duas horas e quarenta e nove fotos depois, minhas pernas doíam, suor escorria pelo meu corpo (fotografar é tão fácil quanto correr uma maratona), mas ainda faltava uma última foto.

Fim da parte 2.

Notas finais
Mais um capítulo postado, enjoy! Elogios, críticas ou sugestões serão sempre bem vindos.