Às ordens da equipe, posicionei-me atrás de Kaya, abraçando-o pela cintura, enquanto ele apoiava a mão direita em meu ombro esquerdo. Viramos o rosto um para o outro, nos foi pedido que olhássemos romanticamente, mas diante daqueles olhos ameaçadores, era quase impossível. Tentei o máximo que pude para fazer uma boa foto logo de primeira, e poder me livrar logo da presença de Kaya. A foto saiu, o que não saiu foi ele do meu pé.

Kaya: Espere, Yuuji, temos que conversar. — disse, enquanto eu seguia de volta até o camarim.

Eu: Conversar o quê? — continuava andando — Não temos o que conversar, Kaya. Me deixa.

Ele entrou no camarim juntamente comigo, trancou a porta e me segurou na parede.

Kaya: Por que está me evitando?

Eu: Porque nossa relação deve ser estritamente profissional. — levantei os braços, soltando-me.

Kaya: Há dois anos, você não pensaria assim.

Eu: Há dois anos, eu era um louco sonhador shakespeariano. Mas eu mudei, Kaya. Nós mudamos.

Kaya: E o quê te fez mudar? Por acaso foi...

Eu: Não meta Hizaki nisso! Ele não teve culpa da minha mudança, se é que pode-se dizer assim.

Kaya: Então foi o quê? — aumentando um pouco o tom de voz.

Eu: Meus sentimentos mudaram, meu pensamento mudou.

Kaya: Seus sentimentos por mim também mudaram? — disse em tom mais baixo, aproximando-se de mim novamente, envolvendo-me em um abraço.

Eu: Você sabe que sim. E também sabe por quê. — respondi rispidamente, afastando-o.

Kaya: Foi tudo um mal entendido!

Eu: Encontrei você na cama com meu (ex) melhor amigo, e você me diz que foi um mal entendido?

Kaya: Mas foi! Juka me seduziu, eu não queria estar lá.

Eu: Ah, pois não era isso o que os seus orgasmos estavam dizendo!

Kaya: Tudo bem, eu errei, admito. Mas você tem que me perdoar.

Eu: Eu não tenho que te perdoar, e nem quero te perdoar. Eu só quero você fora da minha vida.

Kaya: Está bem, entendi. Também não precisa ser rude.

Eu: Não estou sendo rude, é que você me deixou alterado. Agora saia, por favor. — abri a porta — Sou compromissado, e é melhor que não nos vejam juntos.

Kaya: Não precisa pedir duas vezes, já estou indo. — andou até a saída e parou — Mas você ainda vai se arrepender e querer voltar pra mim, querido Kamijo. E quando isso acontecer, sou eu quem não vai te querer.

Eu: Que bom saber. Agora vá!

Kaya saiu bufando como da outra vez. Fechei a porta e respirei aliviado. Ufa! Enfim consegui me livrar dele. Pelo menos por enquanto.

Fim da parte 3.

Notas finais
Mais um capítulo pra vocês, divirtam-se!