Olá, prezados leitores. Meu nome é Kamijo e, a partir de agora, convido vocês a conhecerem um dia da minha vida.

Segunda-feira chuvosa. Acordei às sete horas da manhã, me revirando na cama, com vontade de dormir mais um pouco. Mas eu teria um dia agitado pela frente, a começar por uma sessão de fotos às oito horas.

Levantei-me e fui sonolento até o banheiro. E, ao abrir o chuveiro, descobri que não havia luz. A tempestade durante a noite caiu tão forte que danificou a rede elétrica — pensei comigo. Mas não havia tempo para esperar ela ser consertada. Tomei um rápido banho, frio mesmo, e voltei para o quarto.

Como pouco azar é bobagem, dei de cara com um guarda-roupa quase vazio e uma pilha de roupas bem ao lado, aguardando o momento de serem lavadas. Droga! Sem a arrumadeira nessa semana, afastada por motivos de saúde, me esqueci de colocar as roupas na máquina de lavar. Parte por falta de tempo, e parte por preguiça mesmo. Sou homem ué, errar é normal.

Vesti um terno preto limpo, calcei meias e sapatos, passei um pouco de gel no cabelo e penteei-o para o lado. Peguei minha bolsa (modelo masculino, ok?), um guarda-chuva e saí de casa.

Ao entrar no meu carro, outra surpresa. O motor estava afogado. Meu Santo Buda! O que mais falta acontecer? Era melhor não ter perguntado.

Eu que não entendo coisa alguma de mecânica, preferi largar o veículo por ali e pegar um táxi. Entrei no primeiro que vi e indiquei o caminho do estúdio. Olhei para o relógio, eram sete e trinta e cinco. Bom, eu chegaria um pouco atrasado, mas era compreensível. Poderia culpar o tempo, caso fosse advertido, afinal ainda estava chovendo.

Como eu disse, era melhor não ter perguntado pelo pior. Pois ele aconteceu. Na primeira esquina que o táxi virou — pasme! — quilômetros de engarrafamento. A chuva deixou o trânsito completamente insuportável. E insuportável também estava a minha paciência. Depois de quase meia hora dentro do táxi parado, com o taxímetro rodando, resolvi seguir a pé mesmo. Paguei o motorista, abri o guarda-chuva e saí do carro.

Foi a hora que o estômago começou a reclamar. Ah, já estava atrasado mesmo, melhor chegar mais tarde, mas com pelo menos a fome saciada.

Entrei em uma padaria e pedi um café e um sanduíche. A lerda da atendente, além de demorar, trouxe o café frio e o sanduíche empapado de mostarda, sendo que eu queria maionese.

Bebi um pouco do café e mordi um pedaço do pão. Tive vontade de cuspir, mas não o fiz. Na saída do estabelecimento, por milagre, apareceu um carrinho de lanches. Sim, ainda havia quem quisesse lucrar, mesmo debaixo de chuva. Comprei um peixe frito e continuei meu caminho. E já havia começado a comê-lo, quando meu celular tocou. Com as mãos ocupadas pelo guarda-chuva e pela comida, sem querer, acabei deixando minha última esperança de encher o meu estômago, ir por água abaixo, literalmente.

Abaixei a cabeça, respirei fundo, tentando manter a calma, e atendi o telefone. Era Jean, o fotógrafo.

Jean: Kamijo, cadê você? Sabia que está atrasado?

Eu: Sim, Jean, eu sei disso. Aconteceram alguns contratempos, mas já estou indo para aí.

Jean: Está bem, então, e vê se não demora mais. Alguém aqui está impaciente!

Eu: Quem?

Mas, antes que eu pudesse ouvir a resposta, a bateria do aparelho descarregou. Agora sim, sinto que não falta acontecer mais nada. E, mais uma vez, sinto que posso ter dito isso cedo demais.

Fim da parte 1.

Notas finais
Agradecimentos à Miss_Bizarre por ter feito a capa e por sempre rir das minhas besteiras. Lembrando, deixar uma review expressa a opinião de vocês e me motivam a continuar escrevendo.