O Melhor Das Piores Intenções
4 Capítulo 4 - Testemunha
Notas iniciais
Postei o capítulo mais cedo do que o normal porque consegui escrever bastante em pouco tempo. Se eu continuar tendo tempo livre para escrever e, se receber comentários, posso começar a postar os capítulos mais rápido ao invés de apenas um por semana...
Esse capítulo tem bastante suspense, eu acho. Boa leitura!
Shizuo não conseguiu pegar no sono naquela noite. Ficou remoendo todas as informações que Izaya tinha lhe passado anteriormente. Informações sobre a Segunda Saika, sobre os assassinatos, sobre o perigo que assombrava Ikebukuro, sobre a proposta...
– Mas que droga — ele grunhiu, sentando-se em sua cama e acendendo a luz do quarto, depois de passar mais de uma hora tentando pegar no sono e sendo atrapalhado pelos pensamentos... E pelo sentimento de culpa.
Pulga, o filhote de gato malhado que estava enrolado sobre o lençol da cama, aos pés de Shizuo, acordou quando as luzes foram acesas e deu um miado insatisfeito.
– Foi mal — o ex-barman respondeu, acariciando atrás das orelhas dele. — É tudo culpa daquele desgraçado...
No fundo, Shizuo sabia que não era. Porém, ao mesmo tempo, ele também sabia que aceitar uma parceria com uma pessoa que ele não confiava era como dar um tiro no escuro. Ainda mais se essa pessoa era Izaya Orihara, conhecido por brincar com a vida de todo mundo e especialmente a dele.
Nessa história toda, entretanto, havia algo maior. Algo que pesava mais na equação do que a falta de confiança que Shizuo tinha na pulga. Havia um monstro solto lá fora. Haviam pessoas sendo assassinadas diariamente. Pessoas inocentes. O caos estava se formando na cidade.
E por mais que Shizuo tentasse dizer a si mesmo que ele não tinha nada a ver com isso, uma voz culposa em sua mente dizia-lhe exatamente o contrário — ele tinha, e sim, muito a ver com isso. Porque ele tinha algo que as pessoas inocentes que estavam sendo atacadas não tinham: força para se defender. Talvez até, como Izaya tinha dito, força para deter o causador ou causadora do problema.
Não havia qualquer garantia de que, juntando-se a Izaya, os dois fossem capazes de solucionar o problema. Mas havia uma chance e, naquele momento, ele a estava desperdiçando, por motivos pessoais.
Shizuo tinha a chance de usar sua força para proteger ao invés de destruir, pela primeira vez há muito tempo. E o que ele faria com essa chance? Deixaria-a passar por algo menor?
Os pensamentos o deixaram estressado e ele deu um soco na parede ao lado de sua cama, abrindo um buraco nela. Através do buraco dava para ver o seu banheiro. Droga droga droga droga droga droga...
Enfim, resolveu ligar para Izaya. Não tinha mudado de ideia a respeito de sua decisão ainda, mas queria fazer mais algumas perguntas a respeito da situação à ele, já que ele tinha mais informação do que qualquer outra pessoa.
Porém, o informante não atendeu. Por um lado, Shizuo tinha esperado isso, já que ele deveria estar muito puto, mas por outro lado ainda tinha esperanças de que Izaya atendesse... De que estivesse esperando que ele mudasse de ideia...
Decidiu então mandar uma mensagem de texto.
xxx-xxx-420
23:52
Izaya?
Esperou dez minutos e nada.
xxx-xxx-420
00:02
Eu sei que você tá lendo essa mensagem seu desgraçaod ENTÃO RESPONDE
xxx-xxx-420
00:02
*DESGRAÇADO. TANTO FAZ
Mais dez minutos...
xxx-xxx-420
00:12
PULGA
xxx-xxx-420
00:12
RESPONDE
xxx-xxx-420
00:13
AS MENSAGENS
Shizuo estava mais nervoso do que nunca mas tinha que manter o controle para não esmagar as pequenas teclas do celular.
xxx-xxx-420
00:18
Eu não sei se é isso que você quer ouvir sei lá mas???? me desculpe. Sei lá. Morre.
xxx-xxx-420
00:19
Boa noite...
Shizuo acabou desistindo. Izaya provavelmente não responderia. Boa parte disso era culpa dele mas ele não queria admitir. E ainda se perguntava porque se importaria tanto assim logo com a pulga que lhe causava tantos problemas...
Exausto pelo excesso de pensamentos, o ex-barman caiu no sono depois de mais alguns minutos.
* * *
O dia seguinte passou rápido para Shizuo Heiwajima.
Pela manhã, os telejornais matinais anunciaram a morte de mais três pessoas causada pelo 'misterioso maníaco da katana'. Também anunciaram que a polícia e investigadores estavam atrás do assassino. Mas o que polícia e investigadores comuns seriam capazes de fazer caso o assassino realmente fosse uma saika — uma entidade sobrenatural -, quando nem sequer sabiam que coisas daquele tipo existiam?
O sentimento de culpa de Shizuo aumentou mais um pouco.
Mais ou menos no mesmo horário, seu irmão, Kasuka, telefonou para ele:
– Bom dia, Nii-san. Liguei cedo demais?
A voz peculiar e sem qualquer emoção de Kasuka surpreendeu Shizuo.
– Kasuka! — Shizuo exclamou. — Não, eu já estava acordado há algum tempo. Como você está?
– Estou bem, Nii-san, e você? Estou voltando à Ikebukuro amanhã. Quero tirar uma folga das gravações por um tempo.
– Eu estou bem, também. ESPERA AÍ, O QUÊ?
Era só o que lhe faltava: seu irmão voltar para Ikebukuro justamente quando o maníaco da katana, ou melhor, a Segunda Saika, estava à solta cortando pessoas por todos os lados da cidade.
– Algum problema, Nii-san?
– N-não... — Shizuo tentou disfarçar o nervosismo. — I-Isso é ótimo, Kasuka. A gente pode jantar junto se você quiser ou algo do tipo...
Kasuka ficou em silêncio do outro lado da linha por alguns minutos e Shizuo presumiu que ele tivesse percebido mesmo que tinha algo errado. E ele estava certo.
– Nii-san, qual o problema?
O ex-barman respirou fundo.
– Você ficou sabendo sobre os assassinatos que têm ocorrido nos últimos dias, não? Seria melhor se você não viesse para cá agora. Não é seguro.
– Sim, os assassinatos da katana. — Kasuka não adicionou nenhuma emoção à sua voz. — Não se preocupe, Nii-san, vou ficar bem. Venho acompanhado de diversos seguranças. E por que o assassino viria justamente atrás de mim, afinal?
– Eu não sei... — Shizuo suspirou pesadamente. — Eu acho que seja lá quem esteja fazendo isso esteja escolhendo vítimas aleatoriamente... Eu realmente não sei... Você é famoso, Kasuka...
– Não se preocupe, Nii-san. Vejo você amanhã.
Kasuka desligou e Shizuo colocou o telefone de volta no gancho, desconcertado. A situação parecia piorar a cada instante. Kasuka estava certo, por que o assassino iria atrás dele especialmente? Talvez Shizuo estivesse sendo paranóico demais... Mas isso não anulava o fato de que era sim perigoso, pois havia uma chance, mesmo que pequena.
O período da tarde foi como o de costume. Shizuo teve que lidar com alguns devedores complicados mas nada de excepcional. Ele mandou mais algumas mensagens para Izaya mas o informante não respondeu nenhuma delas.
– Mas que saco...
Shizuo saiu do trabalho um pouco mais tarde do que o normal naquele dia, aproximadamente às oito horas e meia da noite. Estava voltando para seu apartamento, pelo mesmo caminho de sempre, fumando um cigarro, como sempre. Tudo parecia normal.
Até que, então, ele ouviu um grito. Parecia ser feminino. E vindo de trás dele. Shizuo voltou alguns passos e entrou em um beco.
Estava escuro pelo fato de não haver nenhum poste ou qualquer tipo de luz próxima, mas ele podia observar duas silhuetas. Uma delas estava gritando.
Foi então que ele viu, pela primeira vez. A Segunda Saika.
Shizuo não pôde reparar em suas feições ou roupas, pois a mesma imediatamente saiu do lugar e pôs se a se movimentar de um lado para o outro com uma agilidade sobre-humana, aparentemente correndo em círculos em volta da outra pessoa que estava ali. Mesmo não podendo reparar muito bem, ele pôde notar que não era muito alta e o corpo era magro. Devia ser uma garota ou um garoto jovem.
A única coisa que ficava bem distinta e impossível de não ser vista eram os olhos. Olhos vermelhos e brilhantes. Olhos que pareciam brilhar na escuridão do beco frio e úmido.
A cena seguinte ocorreu como um flash em frente aos seus olhos. Quando a Segunda Saika se movimentou dessa vez, a sensação foi de uma rajada de vento. Seus movimentos eram tão rápidos que nem pareciam ser humanos e Shizuo não conseguia acompanhá-la com os olhos.
Ele ouviu mais gritos femininos junto ao o som de alguma coisa sendo rasgada e, desesperado, tentou se mover em direção à vítima, que parecia estar no canto direto do beco.
Porém, no exato momento em que saiu do lugar, seu braço foi atingido por uma lâmina.
O corte era profundo e sangue logo começou a empapar a manga da camisa branca do ex-barman. No instante em que abaixou a cabeça para olhar seu braço, a Segunda Saika aproveitou para escapar.
O beco tinha voltado à escuridão e ao silêncio. Shizuo gemeu de dor pelo braço e tentou conter o sangramento com a outra mão.
Foi então que ele viu algo que logo desejaria não ter visto.
O corpo estraçalhado de uma garota estava no chão. Havia sangue por todos os lados. O tronco tinha sido completamente arrebentado, os intestinos e boa parte dos órgãos internos estavam à mostra, mas o rosto, braços e pernas estavam intactos.
Ao se aproximar do cadáver, Shizuo esqueceu do próprio sangramento e usou o braço para cobrir sua boca, sentindo vontade de vomitar.
O rosto era exatamente o rosto de uma das duas estudantes de colegial que ele tinha visto no dia anterior, sem dúvida. Como mesmo era o nome dela? Ou apelido... Aa-chan. A de cabelo comprido.
"- Tome cuidado se você for sair à noite, Aa-chan... Você é a minha melhor amiga, eu não sei o que eu faria sem você...
– Eu sou tão bonitinha, com certeza o 'maníaco da katana' viria atrás de mim!~"
– Não pode ser... Não não não...
Shizuo desviou o olhar para o outro canto to beco para evitar encarar o corpo novamente. Foi então que localizou um cartão branco salpicado de sangue, há aproximadamente dois metros de distância do cadáver. O loiro o retirou do chão e observou-o por alguns instantes. O cartão tinha apenas algumas poucas palavras pequenas escritas em uma letra floreada. Uma deveria ser o nome de alguém, e abaixo havia um número.
Mas por que diabos aquilo importaria naquele momento?
Ele tinha que sair dali. Rápido.
Shizuo enfiou o cartão no bolso e fugiu daquela cena de filme de terror sem olhar para trás.
Notas finais
Já tenho mais capítulos prontos então vou fazer assim: quanto mais comentários receber, mais rápido posto o capítulo seguinte.
Até o próximo!
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