O Melhor Das Piores Intenções
5 Capítulo 5 - Coincidência sangrenta
Notas iniciais
Eu vou muito bem! Espero que gostem do capítulo de hoje.
Boa leitura!
Shizuo enfiou o cartão no bolso e fugiu daquela cena de filme de terror sem olhar para trás.
Duas imagens se repetiam em sua mente conforme ele passava a passos largos as calçadas de Ikebukuro: os olhos vermelhos e iluminados da Segunda Saika e em seguida o cadáver da garota.
Horror, nojo e raiva misturavam-se e alternavam-se em sua mente turbulenta, de modo que ele mal era capaz de enxergar o caminho à sua frente e passava quase esbarrando nas pessoas. O que tinha acabado de ver era mais do que horrível e nojento. Era desumano. E ele tinha que acabar com quem quer que seja que tivesse causado aquilo.
Chegando em seu apartamento, o ex-barman foi direto ao banheiro e lavou o rosto repetidas vezes. Já não sentia mais vontade de vomitar mas continuava se sentindo enjoado. Além disso, estava em estado de choque, precisava se sentar por um minuto, se acalmar, organizar as ideias.
O que antes parecia ser só um rumor tinha se materializado em frente aos seus olhos.
Izaya não tinha inventado ou exagerado em nada. A cidade corria perigo de verdade. E daí que o informante nao estava nem aí para as outras pessoas e queria apenas recuperar o controle sobre seus 'amados' humanos? Ele já tinha até um plano.
Shizuo se arrependeu por não ter aceitado a proposta de Izaya antes. Ele teria que dar um jeito nisso, logo logo.
Primeiro era necessário tomar conta do braço ensanguentado. Shizuo percebeu que cobrir aquilo com esparadrapos não seria o suficiente. Era um corte fundo e precisaria de uma sutura.
Ele agradeceu mentalmente por ter um amigo médico.
– Alô? Kishitani Shinra desu~
– Alô, Shinra? Aqui é o Shizuo...
– Ah, Shizuo-kun! Como você está?
– Não muito bem... Tenho um corte aberto do ombro até o cotovelo. Será que você poderia dar um jeito nisso?
– Claro que poderia! Venha aqui que eu conserto isso pra você.
– Uhm, er, obrigado... Até mais.
Para a sorte de Shizuo, o apartamento de Shinra não era longe. Ele enrolou uma toalha no braço e saiu. 'Rezou' para encontrar poucas pessoas nas ruas porque qualquer um que o visse daquele jeito pensaria que era ele quem tinha machucado uma pessoa e adoraria confirmar o famoso rumor de que ele era um monstro.
Quando na verdade, nessa situação, ele era a vítima. Tinha sido atacado por um monstro.
Após alguns minutos de caminhada em uma rua pequena e bem pouco movimentada, o ex-barman estava em frente à porta da residência e consultório de Shinra Kishitani.
– Shizuo-kun! — Shinra parecia animado. — Fazia um tempo que eu não te via, aa? Izaya-kun parou de causar problemas?
– Andei ocupado, sabe como é... Trabalho e tal — Shizuo deu de ombros. — E não, na verdade aquela pulga maldita ficou fora do meu campo de visão por duas semanas. Voltou agora.
– E foi ele que fez isso? — Shinra riu, apontando para as diversas manchas de sangue na camisa de Shizuo e na toalha encharcada especialmente. — Até para alguém habilidoso com o canivete como Izaya-kun, isso parece bem trabalhoso...
– Não, não foi ele quem fez...
– Sério? — Então o doutor pareceu se lembrar de algo muito importante. — Ah, que falta de educação a minha, fiquei entretido na nossa conversa já e esqueci de falar para você entrar... Fique à vontade.
Shizuo tirou os sapatos e entrou no apartamento do amigo. Celty estava sentada em um sofá de couro preto vestida com 'roupas' mais casuais e caseiras do que seu costumeiro traje preto liso. Ao notar a presença dele, digitou rapidamente um 'Oi!!!!' em seu tablet.
Por ser uma Dullahan e não ter cabeça, ela se comunicava sempre digitando ou escrevendo.
[ O que aconteceu? (braço) ]
– Ah... — Shizuo disse, sem muita emoção na voz — Cortei.
O loiro desenrolou a toalha cheia de sangue do braço, exibindo o machucado enorme. Nenhuma outra pessoa conseguiria suportar e tratar aquilo de uma maneira tão natural, como se nem doesse. Bem, Shizuo realmente tinha sensibilidade menor à dor como outra consequência de sua força sobre-humana, mas mesmo assim, era estranho a maneira com que mostrava o ferimento para os amigos — calmo, como se fosse um mínimo corte de papel no dedo ao invés de um grande e profundo corte no braço.
[ Cortou como? É enorme! ]
– Não fui eu que fiz, na verdade. É uma longa história...
Shizuo se sentou no sofá de couro e Shinra fez o mesmo sentando-se ao seu lado, com uma maleta de materiais na mão. O doutor logo começou a suturar-lhe o braço, calmamente, murmurando alguma canção baixinho enquanto o fazia.
No início, o ex-barman ficou em dúvida sobre contar ou não sobre a Segunda Saika para Shinra e Celty, pois teve receio de que as informações devessem remanecer confidenciais. Porém, o casal era seu amigo há muito tempo e já tinham experienciado muitas coisas estranhas juntos — a existência de Celty por si só já era uma coisa anormal — então ele resolveu explicar a situação.
– Vocês sabem o que está causando os assassinatos que têm acontecido ultimamente... ? — Shizuo disse, numa tentativa de introduzir o assunto.
– Ah sim! O famoso 'maníaco da katana'. Eu não faço ideia e preferi não me aprofundar nisso porque já tenho muito com o que me preocupar — disse Shinra, dando de ombros — mas Celty acredita que tenha sido, como dizem os rumores... Uma nova Saika ou algo do tipo?
[ É isso o que eu penso ] disse Celty, digitando em seu tablet. [ Talvez não seja exatamente uma nova versão da Saika, mas alguma outra criatura sobrenatural. Ou alguém sobre o efeito de um feitiço, demônio, droga, não necessariamente Saika, mas algo assim. Gostaria de descobrir.]
– Foi esse assassino, ou criatura, que atingiu o meu braço, heh. Menos de uma hora atrás. — O loiro afirmou.
– Sério? — Shinra até parou o que estava fazendo para olhar para a cara de Shizuo.
[ AAAAAA O QUÊ? ]
– É verdade. Tive o azar de encontrar a criatura atacando uma pessoa. Tentei fazer alguma coisa para parar mas não consegui. Saí com esse corte...
– E a pessoa que estava sendo atacada?
– Morta — o ex-barman murmurou, abaixando a cabeça com um suspiro.
[ Eu sinto muito... ]
– Tudo bem Celty...
– AH! — Shinra exclamou. — Isso me lembrou de uma coisa. Celty, não foi ontem mesmo que um homem de terno apareceu aqui perguntando se já tínhamos atendido alguém ferido por esse assassino ou asassina famosa?
[ É verdade. Foi estranho ]
– Geralmente eu não divulgo informações sobre os clientes que atendo mas... Ele pagou bastante e... Eu disse que ainda não tinha atendido ninguém assim nos últimos dias. Ninguém com cortes grandes de espada. Ele deixou um cartão dele comigo e pagou mais uma certa quantia para que eu lhe ligasse caso aparecesse alguém. Estranho, não é?
[ Muito estranho. Até onde eu sei, o assassino tem sempre matado todas as pessoas que ataca com sucesso. Quer dizer, a não ser por você, Shizuo ]
– Então eu sou a primeira pessoa a sobreviver um ataque desses...
– Não é de se surpreender, Shizuo-kun — disse Shinra. — Deve ter sido tudo graças à sua força! Ah, e não se preocupe, por mais que ele tenha me pagado para avisá-lo sobre quem aparecesse aqui, obviamente não vou falar de você. Afinal, nós somos amigos...
– É bom ouvir isso — Shizuo sorriu de leve.
Já que ele já tinha chegado até ali, resolveu que iria contar sobre a proposta de Izaya para eles também. Caso fosse uma armadilha e a pulga realmente conseguisse fazer algo terrível com ele dessa vez, era bom alguém poder ter uma ideia do que poderia ter acontecido.
– Izaya me pediu para trabalhar com ele nisso.
[ Izaya-kun? Como assim? ]
– Você só pode estar brincando! Izaya pedindo para você ajudá-lo? Impossível. — Shinra riu alto, continuando a costurar o corte.
– É verdade. Quer dizer, não foi bem assim. Ele me fez uma proposta. Para que trabalhássemos juntos com o objetivo de encontrar certamente quem é ou o que é o assassino e eliminá-lo. Salvar Ikebukuro e os humanos ou algo do tipo. Eu recusei, afinal, não dá pra confiar naquela pulga maldita... Mas agora acabei me arrependendo depois de ver o problema com meus próprios olhos.
Shizuo suspirou pesadamente mais uma vez.
– Ah, Shizuo-kun, eu não te culpo por isso. No seu lugar, mesmo sendo amigo do Izaya, acho que eu não aceitaria também.
[ Nem eu ]
O loiro riu dos dois, quebrando um pouco o clima tenso. Shinra já tinha terminado de suturar e estava apenas limpando a região com antisséptico, para em seguida cobrir com bandagens.
– Hm... Shinra... Você me disse que o cara que veio aqui deixou um cartão com você... Será que você poderia me mostrar...?
O médico assentiu e, ao terminar seu trabalho, foi até sua mesa, procurando dentro de um caderno que parecia ser uma agenda telefônica, voltando com um pequeno cartão profissional em mãos.
Shizuo examinou-o.
Matsubara Shouichi
Shouichi Pharmaceuticals
194-890-990
Surpreso, ele teve a impressão de já ter lido aquela frase antes; aquele nome, aquele número... Shizuo tirou de seu bolso o cartão que tinha encontrado na cena do assassinato há menos de meia hora.
Os cartões eram idênticos.
Devido ao choque, ele não tinha reparado tanto no cartão que tinha recolhido naquele momento, mas logo que viu o que estava nas mãos de Shinra algo 'clicou' em sua mente. Os dois cartões eram cópias, exatamente iguais, tinham o mesmo nome e o mesmo número, com a diferença de que um estava parcialmente coberto de sangue seco.
– O que é Shouichi Pharmaceuticals? — O loiro perguntou, coçando a cabeça, deixando óbvio sua ausência de conhecimento mínimo em inglês.
– É uma grande empresa de laboratórios farmacêuticos, ou seja, fazem pesquisas e desenvolvem medicamentos que, após determinados testes, são levados ao mercado consumidor — explicou Shinra. — Tenho alguns medicamentos fabricados por eles aqui.
Shizuo passou alguns minutos analisando o cartão, virou-o algumas vezes, tentou pensar em algo mas não conseguiu. Resolveu que deixaria essa parte de análise para o informante.
– Posso levar esse cartão para o Izaya?
– Quer dizer que você vai aceitar a proposta dele?
– É... Não vou ficar bem comigo mesmo se essas coisas continuarem acontecendo e eu não tiver feito nada. Mesmo que envolva a pulga, pelo bem da cidade... Eu vou aceitar.
– Tem certeza disso, Shizuo-kun? Pode te trazer muitos problemas... E nunca dá para saber com certeza o quê exatamente o Izaya está planejando-
– Tudo bem, Shinra. A pulga nunca conseguiu acabar comigo e não é agora que isso aconteceria, certo? Aliás, ele parecia muito incomodado com a situação toda. Acho que ele realmente quer acabar com isso e está sendo sincero dessa vez... Eu espero...
– Está bem... Você pode levar o meu cartão.
– Obrigado, Shinra. — O loiro disse, guardando o cartão no bolso, junto com sua outra cópia. — Eu tenho que ir.
[ Shinjuku é muito longe daqui. Seria péssimo para você andar toda essa distância, ainda mais agora que perdeu bastante sangue. Posso te dar uma carona. ] Celty ofereceu.
– Ah, isso é ótimo. Obrigado, Celty.
– Ehhh, vocês vão me deixar sozinho aqui? — Shinra dramatizou. — Não demore muito, Celty, não sei se o meu coração vai aguentar...
A motoqueira sem cabeça deu um tapa de leve no rosto do médico ilegal e, com seu poder, trocou sua roupa rapidamente pela tradicional vestimenta preta. Em seguida, pegou o capacete amarelo de cima de uma mesa e saiu do apartamento com Shizuo.
– Até mais, Shinra.
– Até mais, Shizuo-kun! Cuide da Celty~
A motoqueira mexeu o pescoço como se chacoalhasse a cabeça, com jeito de quem diz 'Ele não tem jeito mesmo...' e levou Shizuo até a garagem onde a moto estava.
Na moto extremamente veloz de Celty, não demorou muito para que chegassem até Shinjuku. Ela parou em frente ao edifício onde Izaya morava e o ex-barman desceu.
[ Boa sorte ]
– Valeu, Celty — Shizuo respondeu, acenando 'tchau' para a amiga.
Parte da adrenalina voltou ao corpo dele quando se viu em frente ao apartamento dúplex da pulga. O número era 138.
Sem pensar demais, o loiro arrombou a porta. Não estava com a paciência para esperar Izaya atendê-lo. Nunca estava, na verdade, e quase sempre entrava lá dessa maneira. Mesmo quando queria apenas sexo.
O informante estava sentado em sua escrivaninha, usando o computador, rodeado por papéis. Vestia uma camiseta de manga comprida preta e uma calça de moletom. Ficou surpreso ao vê-lo, sua expressão em seguida transitando de surpresa para raiva.
– Francamente, quantas vezes eu vou ter que te dizer para não derrubar a minha porta, Shizu-chan? Você vai ter que pagar o conser-
Nisso, Izaya notou que as roupas de Shizuo, que não tinham sido trocadas, estavam manchadas de sangue em diversos lugares. Também notou as bandagens no braço direito. Seus olhos vermelhos da cor do sangue na camisa do outro se arregalaram.
– O que houve com você?! — Perguntou, com uma expressão de nojo e espanto.
– Izaya — Shizuo disse, firme — eu aceito a sua proposta.
Notas finais
Sei que ainda existem várias perguntas que tem que ser respondidas mas por favor tenham paciência comigo dfhjdk só não quero apressar a história ; v ; mas aos poucos vocês vão ficar sabendo!
Por favor deixem comentários! São eles que me deixam animada para escrever mais. Sem comentários, sem novos capítulos (pelo menos não tão cedo).
Até o próximo! Tenham um bom final de semana.
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