Notas iniciais
Oie! Como vão vocês? ♥

Ah, eu estou tão feliz por ser sexta-feira! Não via a hora do final de semana chegar. Provavelmente vou escrever bastante esse final de semana, tomara, hehe.

Sem mais delongas, cá está o terceiro capítulo de OMDPI, cheio de revelações~ Espero que gostem, boa leitura!

– Eu tenho uma proposta pra você, Shizu-chan.

Shizuo tirou o cigarro da boca, posicionou-o no cinzeiro e ficou encarando o informante por uns bons dois minutos, com um olhar desconfiado.

– Quer ouvir a proposta ou não? — Izaya ficou impaciente, estranhando também a atitude do outro.

Shizuo riu, levando o cigarro à boca novamente.

– Nem precisa me dizer. Porque seja lá o que for que você esteja tramando, pulga, eu não vou me envolver nisso. Tudo o que você fez até hoje foi infernizar a minha vida, então eu não vou participar dos seus joguinhos.

Izaya soltou um suspiro frustrado, resmungando alguma coisa que Shizuo não entendeu por completo, mas tinha a palavra 'imprevisível' no meio.

– Shizu-chan, a proposta que eu quero fazer não tem nada a ver comigo. Tem a ver com a cidade. Por um momento eu acho que devo ter esquecido que você é só um troglodita estúpido e que não sabe conversar.

O loiro fechou o punho e ameaçou enterrá-lo na cara do moreno, mas em seguida respirou fundo, tentando ao máximo não rosnar enquanto falava:

– Diga logo que proposta é essa, então.

– Não quero mais — Izaya fez biquinho e virou para o outro lado da cama.

– PULGA!

– Era brincadeira Shizu-chan, ouch... Antes de falar da minha proposta, eu vou ter que te explicar o contexto de tudo isso. Você ficou sabendo dos assassinatos de katana que tem ocorrido ultimamente?

Alguma coisa 'clicou' na mente de Shizuo e ele soltou o cigarro, prestando atenção de verdade no que o informante dizia dessa vez.

– Sim, ouvi sobre isso várias vezes.

– Certo. Nas últimas duas semanas, durante as quais Shizu-chan deve ter sentido mu~u~ito a minha falta — ele deu uma risadinha — eu estava ocupadíssíssimo reunindo informações sobre o ocorrido.

– E... ?

– E aí que eu estava mandando alguns contatos meus irem atrás de informações sobre o acontecimento, bem como informações sobre o possível assassino, tais como a aparência, se alguém tinha o visto, ou seja, testemunhas, etc etc — Izaya disse.

Shizuo bateu o cigarro no cinzeiro sem tirar os olhos do informante.

– Eu mesmo também fiz minhas próprias pesquisas aqui, acompanhando o que era dito no fórum dos Dollars. Você sabia que o fórum dos Dollars é um lugar ótimo para obter esse tipo de informação? Quando algo desse tipo acontece, as pessoas continuam falando sobre o ocorrido por muitas e muitas horas, algumas até compartilhando informações do tipo "eu vi o que aconteceu". Muitas vezes essas informações podem ser mentirosas uma vez que a internet está cheia de "trolls" e pessoas querendo espalhar o caos, mas garimpando a fundo é possível encontrar informação relevante.

– Vá direto ao ponto, pulga.

– Certo, certo. Meus contatos conseguiram conversar com testemunhas dos assassinatos, que afirmaram que o assassino se movimentava com uma rapidez sobre-humana, tornando quase impossível ver o seu rosto, roupas ou sequer identificar se era homem ou mulher. Tudo o que puderam ver foi que não era alguém muito alto, teria em torno de um metro e sessenta e pouco; e que essa 'pessoa' tinha olhos vermelhos vivos, como se houvesse uma luz neles. Está acompanhando o meu raciocínio, Shizu-chan?

O ex-barman assentiu, prestando atenção seriamente.

– Muito bem. Essas informações pareciam combinar com os rumores que corriam pelo site dos Dollars, que eu estava acompanhando, e que falavam que o assassino poderia ser um novo tipo de Saika. Uma Segunda Saika, pode-se dizer.

– Segunda... Saika? — Shizuo perguntou, com uma ruga de confusão em sua testa. — Então poderia ser que... Existe outra pessoa possuída por outra espada demoníaca, que não é aquela... Colegial... Como era o nome dela?

– Anri Sonohara — completou Izaya, com um sorriso. — Exatamente. Veja só, Shizu-chan, você não é tão burro quanto parece!~

O loiro bufou, ameaçando dar um soco no outro novamente.

– Calma, calma!~ — O informante riu. — Então, como eu dizia... Ah, a Segunda Saika. Eu não sei se você chegou a ficar sabendo sobre isso, mas a Saika de Anri Sonohara não chegou a matar ninguém. Ela apenas cortava as pessoas para poder hipnótizá-las e 'transformá-las' em outras Saikas, para que assim pudessem cortar e hipnotizar mais pessoas, como se espalhasse uma doença. É aí que entra algo estranho: a Segunda Saika, que tem causado os assassinatos dos últimos dias, até agora matou todas as pessoas que atingiu. Dessa maneira, podemos dizer que a Segunda Saika não é como a primeira; ao invés de 'hipnotizar' e 'possuir' parece ter o objetivo de matar pessoas. Eliminá-las. Aleatoriamente, pois, pelo que sabemos até agora, as vítimas nunca tiveram nada em comum.

– Você faz ideia do motivo disso? — Indagou Shizuo, coçando a cabeça.

– Não. Eu não faço a mínima ideia. — Ao dizer essas palavras, a expressão de Izaya mudou completamente. Ele parecia irritado. — Ainda, quero dizer. Em algum momento, eu vou descobrir. Talvez nem tenha algum motivo real, se estivermos mesmo tratando de uma espada demoníaca. Talvez causar o caos na cidade seja o motivo.

Ficaram em silêncio por alguns instantes. Shizuo tentava organizar o excesso de informações na sua mente. Ele não era tão burro quanto Izaya o dizia ser, mas também não era uma pessoa muito inteligente quando se tratava de solucionar aquele tipo de coisa...

– Acontece — continuou Izaya — que eu sou a única pessoa que pode causar o caos nessa cidade.

Sua voz era séria e surpreendeu Shizuo. Izaya realmente estava com raiva daquela situação. Ele realmente queria, ou talvez até precisasse acabar com aquilo. Não iria desistir fácil.

– Não vou deixar qualquer criatura assassina tomar o controle em Ikebukuro. Especialmente de uma maneira sangrenta. Não que eu me importe com cada uma das pessoas que morreu — ele deu de ombros — mas eu amo os humanos. Todos eles, em conjunto, não pessoalmente. O que essa criatura está fazendo é quase uma afronta. Os humanos são meus.

O loiro estava surpreso pelo poder e seriedade das palavras do outro. Era quase assustador, de certa forma. Fazia ele se perguntar: o quão longe Izaya seria capaz de ir para ter o controle de Ikebukuro em suas mãos?

– Por mais que esse seu jeito de falar tenha me deixado surpreso — Shizuo disse — eu não dou a mínima pra essa sua vontade desesperada de se tornar um deus ou qualquer coisa impossível e louca que você pensa. Na verdade, a melhor coisa que poderia acontecer pra esse distrito seria ter você longe dele.

Por um segundo, ele se arrependeu e ficou com medo de estar sendo duro demais, mas então lembrou-se de que estava lidando com a pulga. A pessoa que mais tinha ferrado com a vida dele até então. Ele devia... Merecer isso, certo?

– Você é só uma pulga que está sempre por aí pulando de um lado para o outro causando problemas para pessoas inocentes. O que eu tenho a ver com isso? E depois de falar todas essas coisas você ainda não falou qual é a maldita proposta que você quer me fazer.

A expressão na face de Izaya mudou para alguma coisa entre tédio perturbador e decepção deprimente.

– Shizuo — Izaya falou, firmemente, surpreendendo o outro por chamá-lo pelo seu nome ao invés do apelido de sempre. — Vamos raciocinar mais um pouco, nee? Quais são as duas pessoas mais perigosas em Ikebukuro?

– Eu... E você.

– Exatamente. Se nós dois nos juntássemos, teria uma grande chance de que fôssemos capazes de ir atrás da Segunda Saika e acabar com ela, retornando a paz à Ikebukuro e o controle às minhas mãos. — O informante disse, com um sorriso frio, como alguém que faz um negócio. — Essa é a proposta.

Shizuo precisou de algum tempo para processar a informação.

– Então você sugere que eu trabalhe com você para... Dar um jeito no 'maníaco da katana'... A provável Segunda Saika...?

– Isso — respondeu Izaya, dando um suspiro do tipo 'finalmente-você-entendeu'. — Não é como se eu quisesse me juntar a você por escolha própria. Pra ser sincero, a simples ideia disso me dá nojo. Acontece que eu não sou forte o bastante fisicamente para lidar com tudo sozinho, mas tenho um bom plano. E você é forte fisicamente mas em termos de inteligência é burro como uma porta.

– Eu não sou burro, eu só não gasto o meu tempo planejando a desgraça dos outros como você faz, tch — contra-argumentou Shizuo. — Eu já disse que não me importo com a sua baboseira de controle... Que motivo eu teria pra te 'ajudar' nisso?

A ideia de 'ajudar' Izaya era estranha por si só. 'Ajudar' a pessoa que ele mais odiava? Ele tentou se convencer de que não faria aquilo pela pulga... Pela cidade, talvez sim...

– Pense bem, Shizu-chan. Várias pessoas estão morrendo por causa da Segunda Saika. — Izaya resolveu utilizar o apelo emocional. — Você não ficaria preocupado com o seu irmão, com o seu chefe, seus amigos, como a motoqueira sem cabeça, Shinra... Eles poderiam ser os próximos, nee?

– Não involva os meus amigos e família nisso, pulga — Shizuo rosnou.

– Não é como se eu quisesse envolver, Shizu-chan. É a realidade. Qualquer um pode estar envolvido nisso. Qualquer um pode ser o próximo. A diferença é que eu e você sabemos nos defender. E, além disso, depois de todo o prejuízo que você causou à cidade com a sua força, seria legal salvar o dia pelo menos uma vez, sim? Dessa forma, seria como se você estivesse pagando sua 'dívida'.

– Tudo isso soa muito suspeito — disse Shizuo, coçando a cabeça irritado. — Por que eu acreditaria em você, em primeiro lugar? 99% das vezes em que alguma coisa estranha acontece em Ikebukuro você está envolvido até o pescoço nisso, pulga.

– Você já me disse essas mesmas palavras uma vez. E eu respondi exatamente assim: será que você não pode acreditar no 1% restante?

– Não — o loiro chacoalhou a cabeça, com veemência.

Izaya chegou ao seu limite com aquilo. Ele se levantou, ajoelhou-se e segurou os ombros de Shizuo, parecendo extremamente frustrado, de uma maneira que Shizuo nunca o tinha visto.

– Eu não acredito que vou chegar a esse ponto — murmurou — mas...

O informante respirou fundo e olhou nos olhos dourados e cansados do ex-barman. Nisso, Shizuo percebeu que Izaya tinha olheiras fundas. Ele devia ter passado a última noite acordado pensando em tudo aquilo.

– Shizu-chan. Eu preciso da sua ajuda. A cidade precisa da sua ajuda. — Os olhos vermelhos de Izaya estavam fixos nos do outro como caramelo quente e não se moviam. — Pra quê você vai ficar sentado em casa assistindo o desastre acontecendo lá fora se você tem a opção de acabar com isso? Pra quê serve a sua força afinal, além de arruinar o patrimônio público e arremessar máquinas automáticas na minha direção, hm?

Aquelas últimas perguntas tinham atingido Shizuo com jeito. Aquela seria a chance dele de 'consertar' o que tinha feito antes e usar a força que ele tanto detestava como uma ferramenta para ajudar as pessoas ao invés de ferí-las. Isto é, se Izaya estivesse falando a verdade. Uma coisa da qual ele nunca teria certeza o suficiente.

O loiro suspirou fundo, passando a mão por seu cabelo tingido, de frente para trás, parecendo cansado — e estava.

– Não.

– Não?! Como assim 'não?! — A voz do informante desafinou um pouco quando respondeu, a irritação e preocupação evidente.

– Se eu conseguir entrar em contato com isso, vou resolver sozinho. Não consigo confiar em você, Izaya.

– Ah... Shizu-chan... Que cruel... Acho que vou até chorar — o informante dramatizou, levando as costas da mão à testa, como se fosse desmaiar.

Shizuo não acrescentou nada ao que tinha dito antes, apenas moveu-se para a borda da cama e ficou encarando o chão do quarto.

– Bem — Izaya disse, levantando-se — acho que então não tem jeito, não é? De qualquer maneira, é possível que eu consiga fazer isso sozinho. Seria apenas mais fácil com você por perto.

– Ei, antes você tinha dito que não conseguiria fazer sozinho — o ex-barman notou, movendo o olhar para a direção do outro. — Você chegou até a dizer que 'precisava' de mim.

Izaya se arrependeu completamente de ter falado aquilo. Agora seria difícil adotar a postura de 'não-é-como-se-eu-precisasse-da-sua-ajuda-mesmo'.

– Eu estava botando fé demais em você, provavelmente. Mais do que você merece. — O informante deu de ombros, saindo do quarto e recolhendo suas roupas do sofá da sala, onde as tinha deixado antes de vestir o bendito avental. — Mas tanto faz agora, nee?

O informante deu um sorriso frio e sarcástico, vestindo-se e em seguida andando até a porta de saída. Shizuo o seguiu, se sentindo culpado, com vontade de falar alguma coisa mas sem saber o quê deveria dizer... Notou que ele estava andando um pouco torto, com as pernas um pouco mais abertas que o normal. Devia estar doendo... Mas o orgulho de Izaya não o permitiria dizer.

– Tchau, Shizu-chan. Vejo você no inferno caso o temível assassino da katana acabe pegando um de nós dois! — Ele se abaixou para acariciar o gatinho malhado. — Tchau tchau neko-chan~

Izaya abriu a porta e deu um último aceno, cheio de sarcasmo. Depois, saiu, batendo-a atrás de si.

Shizuo se sentou no sofá e massageou as têmporas.

– Maldito maldito maldito maldito maldito maldito... — Repetiu, como se recitasse um mantra. — Merda... O que eu faço?

Notas finais
E aí, o que acharam! Confundi muito a cabeça de vocês com tantas informações?

Muito obrigada a todos que leram e comentaram até agora, como: legomes98, IsyPerolla (super fofa, sempre comentando nas minhas histórias!), micha, Anime Yaoi Love, Doll e Okumura Yui ♥ Espero continuar vendo vocês por aqui!

Novos leitores também são sempre bem vindos! Não fiquem aí quietinhos.

É isso. Por favor comentem e até o próximo! ♥