O Martelo De Ares.
1 I — TREVOR.
Notas iniciais
OBS.: Site não deixando editar corretamente... perdoem.
UMA TARDE COMUM NO ACAMPAMENTO MEIO-SANGUE. BEM, COMUM PARA UM meio-sangue. Se você não é, então é normal ou comum.
Meu nome é Trevor Casey, tenho quatorze anos e, sim, eu sou um meio-sangue. Moro com minha mãe, Sarah Casey, em Chicago e este é o meu terceiro ano no acampamento.
O.K... vou dizer como tudo começou...
ANTES
Em meu primeiro ano, eu não conhecia ninguém — óbvio — e meu primeiro local de moradia, era o chalé de Hermes, juntamente com vários outros meninos e meninas. Havia mais meninos do que meninas, mas isso não vem ao caso. Eu não fiz amizade com nenhum deles, eles pareciam que me odiavam; por isso nada de amizades. Eu só tinha amizade com o meu melhor amigo Dave no início, que eu descobri logo em seguida que ele era um sátiro. Sim, metade bode, metade homem. Ele era o único com quem eu conversava no acampamento todo.
Mas em uma determinada noite, estávamos ouvindo histórias de heróis que lutaram bravamente contra monstros na fogueira, algo mudou completamente a minha vida... uma luz esverdeada surgiu acima de minha cabeça, iluminando tudo ao meu redor. Quando olhei para cima, deu tempo de ver um tridente verde flutuando acima de minha cabeça antes dele sumir. Desde então eu comecei a frequentar o chalé de Poseidon. Sozinho. É, eu sou filho do grande deus do mar e irmão mais novo de Tyson, o ciclope de qual todos falavam no acampamento, e do herói Percy Jackson, outro de quem todos falavam. E quando dito todos, é todos mesmo. Mas eu não ligava para isso.
Contudo, eu não fiquei sozinho por muito tempo.
Depois de duas semanas vivendo totalmente sozinho no chalé de Poseidon, ele reconhecera Tommy Anderson como seu filho no dia da captura da bandeira — um dos jogos mais famosos do acampamento.
Tommy é um garotinho de pele bronzeada, tinha quatro anos — ainda me pergunto como uma criança daquela veio parar numa vida dessa e em um acampamento como esse —, olhos verdes como o mar e parecia assustado. Totalmente assustado. Eu o entendia, eu estava igual a ele quando chegara ao acampamento. Mas, desde esse dia, Tommy e eu nos damos perfeitamente bem. Ele vivia dizendo que amava ter um irmão mais velho, já que ele não tinha irmão algum. Era estranho ter a ideia de ter irmãos, mas eu também amava ter a ideia de ter um irmão mais novo. Tommy me amava e eu o amava.
Depois de um longo verão juntos, Tommy voltara para sua casa, mas tive que prometer que o voltaria a vê-lo no acampamento. E eu iria. Eu não tinha escolha. Eu já estava amaldiçoado a ser um meio-sangue. Eu tinha que aproveitar cada momento como se não houvesse o amanhã não é mesmo?
No verão seguinte, Tommy e eu estávamos curtindo o nosso momento de irmãos no acampamento. Tudo estava ótimo. Eu tinha um irmãozinho e o amava. Nada de diferente podia acontecer. Certo? Errado.
Uma semana depois de chegarmos ao acampamento, Tommy pegara minha mão, em um belo dia, e fomos ao lago onde estava repleto de campistas se divertindo — Quíron, o instrutor de todo o acampamento, deixou que os campistas se divertissem pelo resto do dia, depois de convencer o sr. D, diretor do acampamento, sobre o assunto. De qualquer maneira, Tommy e eu havíamos nos sentado na areia, perto de alguns campistas, mas Tommy se cansou de brincar comigo e foi brincar na água, completamente sozinho — eu me perguntava como, mas ele realmente parecia estar se divertindo, então o deixei. Mas não fora aquilo que me surpreendeu, foi o que acontecera minutos depois...
Uma luz esverdeada forte chamou a atenção de todos — mesmo estando em plena luz do dia — e eu me colocara de pé, e olhara bem a tempo de ver um tridente acima da cabeça de outra criança. Um menino de pele tão clara como uma vela, mais ou menos do tamanho de Tommy e era ruivo. Sua cabeleira era laranja, para ser mais preciso — um ruivo natural — e, da distância em que eu estivera, dava para ver que ele também tinha olhos verdes, assim como Tommy e eu. Poseidon reconhecera Bryan Tait como seu filho e me dera mais um irmão mais novo, e dando a Tommy um companheiro para brincar.
Mas não acaba por aí.
Bryan não gostava muito de mim. Certo dia eu o ouvi conversando com Tommy e ele dissera que eu era chato e irritante com o meu jeito sério de ser, e ele me odiava por conta disso. Aquilo me fez infeliz e eu não sabia como mudar isso. Eu tinha que cuidar de duas crianças, eu não tinha muito tempo para brincadeiras. Ainda mais duas crianças de cinco anos. Eu tinha de ficar de olho neles. Não podia brincar todas as horas em que eles queriam que eu brincasse. Além de bancar a babá — e Dave achando graça disso —, eu ainda tinha que fazer as atividades do acampamento. Não era uma tarefa fácil.
Agora acaba por aqui? Que nada!
Duas semanas depois de ter Bryan como irmão, nós três (Bryan, Tommy e eu) fomos à outra captura da bandeira — na verdade, eu fui à captura da bandeira, eu não deixei Tommy e Bryan jogarem. Quando Quíron separou os chalés e eu, outra luz esverdeada iluminou a floresta — aquilo me surpreendeu muito porque eu pensava que Poseidon não poderia ter mais filhos assim — e eu olhei, e vi o tridente acida da cabeça de outro menino ruivo — a cabeleira igual à de Bryan —, de pele branca igual à de Bryan, sardas no rosto — eu estava atrás dele e dava para notar isso —, olhos verdes iguais aos meus e de meus irmãos menores e ele era um pouco menor que eu. Poseidon também reconhecera Charlie Wilden como seu filho e me dera mais um irmão mais novo — Charlie tinha doze anos nessa época e eu treze —, e dera a Bryan e Tommy mais um irmão para brincar, e me dando mais um motivo para me preocupar.
Contudo, eles me respeitavam. Principalmente Charlie. Ele me ajudava a tomar conta dos menores.
Enfim, aquele verão havia sido cheiros de surpresas para mim.
AGORA
Eu agora tinha diversos amigos pelo acampamento. Eu consegui ter amizade com os filhos de Apolo, Hefesto, Deméter — mesmo isso sendo perigoso —, Perséfone, Atena... com todos os chalés. Eu só não falava muito com o menino do chalé de Zeus, mas fora isso, eu conversava com todos.
Contudo, eu estava sentado à mesa de Poseidon na hora do almoço com Tommy — já com seis anos — a minha frente. Charlie e Bryan estavam terminando de arrumar o chalé Poseidon.
— Hey, Trevor, olhe... — disse Tommy abrindo a boca e me mostrando que faltavam os dois dentes superiores da frente.
Eu ri.
— Hmmm, parece que alguém está com janelinha. — falei segurando seu queixo para analisar sua janelinha na boca e ele riu.
Tommy agora tinha seis anos e eu quatorze. Ainda continuo sendo mais velho de nós quatro. Bryan tem a mesma idade que Tommy agora e Charlie tem treze. Todos nós nos damos bem agora, apesar de Bryan ter me odiado antes, ele gosta de mim, se não, ele não falaria comigo e me abraçaria. Ou, tampouco, diria que me amava. Eu também o amava.
— Não se esqueça de despejar parte da comida no fogo como oferenda à Poseidon, Tommy. — falei me levantando e indo em direção à fogueira.
Tommy também se levantou e me seguiu.
— O que é despejar, Trevor? — perguntou ele e eu ri.
— Significa que você tem que, digamos, jogar parte de sua comida na fogueira. — lhe expliquei e ele fez uma cara pensativa.
— Por quê? — ele despojou parte de sua comida na fogueira assim que eu fiz o mesmo ao chegar perto da fogueira.
— É um ritual... como parte de uma oferenda aos deuses.
— Ah... — disse ele ainda pensativo, mas eu baguncei seu cabelo e fomos de volta à mesa de Poseidon.
Tommy e eu continuamos a conversar. Ele queria saber o porquê eu ter perdido o seu aniversário no ano passado e eu disse que tive que ir me adaptar em uma escola nova primeiramente. Para quem não sabe... ser um meio-sangue tem as suas desvantagens. Eu não conseguia parar em uma escola. Nenhum de nós nunca conseguiu, na verdade. Sempre é repleto de monstros, cada um deles tenta nos matar. Como somos detectados? Dizem que é o nosso cheiro — apesar de eu não saber exatamente qual é o cheiro de um meio-sangue. Essa é a real desvantagem. Mas como eu explicaria isso a ele? Ele não ia à escola. Ele vivia com a mãe o tempo todo, então era mais... fácil para ele, se é que me entendem. Ele não corria tanto perigo. Nem ele e nem Bryan corriam perigo. Isso me reconfortava, um pouco, mas o que me preocupava era o Charlie.
Charlie parecia um menino meio assustado. Ele, no primeiro dia em que ele entrou em nosso chalé após a captura da bandeira, estava todo sangrando e com a roupa rasgada. Quando ele tirou a blusa, eu vi uma única cicatriz em suas costas e quando perguntei o que era, ele disse que não havia sido por conta das atividades do acampamento. Tinha sido em uma fuga de um monstro que ele havia conseguido escapar. Eu queria ter conhecido Charlie antes de tudo. Agora, pelo menos, eu tinha como protegê-lo e impedir de ele ganhar mais cicatrizes. Eu não deixaria isso acontecer.
Charlie aparecera com Bryan sentado em seus ombros e logo se sentaram a nossa frente. Bryan, Charlie e Tommy começaram a conversar e rir ao mesmo tempo. Na verdade, eles estavam brincando. Mas eu não estava me importando com isso, Eu me importava em como mantê-los seguros. Eu não conseguia parar de pensar nisso desde que havia ganhado Tommy como irmão.
— Já terminaram no chalé? — perguntei a Charlie.
Charlie ainda estava rindo quando me respondeu:
— Sim, sim... ah, tem uma surpresa para você no chalé.
Surpresa? Para mim? A única surpresa que eu havia ganhado na vida, foi a minha luva de baseball de minha mãe quando fiz nove anos.
— O que é?
— Você vai saber... é a mesma que eu tive, Charlie? — perguntou Tommy.
Charlie riu para ele.
— Sim, moleque... é essa mesmo. — disse Charlie e deu uma piscadela, indicando o chalé de Poseidon.
Eu olhei, não só para o chalé onde eu dormia em todos os verões, mas para todos os vinte e três chalés que havia ali em forma da letra ômega — a última letra do alfabeto grego —, suspirei e me levantei.
Fui até o terceiro chalé, cujo é o de Poseidon, e adentrei nele.
De início, eu não vi nada de diferente, o chalé continha duas beliches com dois travesseiros em cada cama, tinha o guarda-roupa bem equipado para conter roupas de quatro garotos durante o verão e havia uma fonte que continha água salgada. Diz Percy que aquilo era um presente de Poseidon.
Você deve se perguntar com eu conheço Percy e Tyson... tudo bem, vou lhe contar.
No verão passado — bem depois de ter conhecido Charlie —, Percy e Tyson vieram ao acampamento para visitar seus antigos professores — apenas Quíron — e ver como estava o chalé de Poseidon. Nisso, ele me encontrara com Tommy brincando em nosso chalé. Tommy havia adorado Tyson e Tyson havia adorado Tommy. Por incrível que pareça, Tommy não se importou do fato de que Tyson só tivesse um olho. Eu também não me importava com isso. Depois Percy e Tyson conheceram Charlie e Bryan. Foi aí que Tyson se divertiu, tendo duas crianças para brincar e Charlie também não se importou com o fato de Tyson ter apenas um olho, e de ter mais dois irmãos mais velhos. Ele também havia gostado desse lance de mais dois irmãos mais velhos.
Em sua visita, Percy havia me contado tudo o que eu precisava saber para poder combater monstros e manter nossos irmãos vivos. Também havia me contado sobre a fonte e como ela havia sido importante para ele no passado. Mas eu não havia me perguntado a ele sobre esse passado. Se ele não havia entrado em detalhes, eu também não iria pedi-los. Mas, de alguma forma, eu havia gostado de Percy e ele havia gostado de mim. Digo o mesmo de Tyson. Mas, afinal, quem não gostava daquele ser imenso, não é mesmo?
Das histórias que eu ouvia sobre eles dois, Percy e Tyson haviam mudado muito. Percy estava com uma estrutura mais forte e mais alta. Continha cabelos pretos, com olhos verdes e barba — pouca, mas continha; Tyson continuava grande, como até mesmo Percy havia me dito. Ele tinha cabelos cor de areia, apenas um olho e um tanto magro. Ele não tinha músculos, mas Percy me disse que não era para subestimá-lo. Ele sabia como se defender e batalhar em uma luta feia.
Contudo, eu estava observando o quarto e, como não vi nada de diferente, eu dei meia volta, voltando para a porta e...
— Trevor... Trevor...
Mas o que...? Como a voz de Percy estava no quarto sem ele ao menos estar presente?, pensei comigo mesmo e virei para olhar as camas e o guarda-roupa, quando vi a fonte de água salgada brilhar. Eu me questionava, porque eu realmente não sabia como aquilo funcionava. Só sabia que era uma fonte comum que continha água salgada. Mais nada.
Mas andei até ela. A luz que irradiava dela era tão verde que eu lembrei-me de estar olhando para aquele tridente que havia aparecido em cima de minha cabeça quando Poseidon havia me reconhecido como seu filho. E o cheiro de água salgada ainda estava presente, porém mais forte do que antes. Parecia que eu estava no mar e contagiado pelo seu cheiro.
Assim que cheguei perto, algo me surpreendeu.
Silhuetas saiam da fonte e começavam a tomar formas em minha frente e, quando realmente havia tomado uma forma, era a de meu irmão mais velho, Percy.
Eu podia dizer que Percy realmente estava ali presente, se eu não contar que ele parecia meio opaco e sua roupa — calça jeans com blusa vermelha e jaqueta jeans — não estivesse quase transparente. Na verdade, dava para ver o outro lado do quarto por ele, mas eu tentei digerir aquilo tudo.
— Percy? Mas como...
— Mensagem de Iris. — interrompera-me, ele. — É bem comum, sabia? Todos recebem uma.
— Essa é a primeira vez que recebo uma. — disse baixinho, mas ele ouviu.
— Ah... desculpe.
— Tudo bem. — falei. — Onde você está, Percy?
— No fundo do mar.
— O que faze aí?
— É complicado...
— Aconteceu alguma coisa?
— Bem, na verdade, aconteceu. — ele fez uma cara cansada.
— O que foi? — juntei as sobrancelhas ao perguntar.
Ele respirou fundo.
— Percy... está me assustando...
— O Martelo de Ares sumiu, Trevor. — disse ele por fim.
— Mas o que isso...
— Ares... ele está louco. Ele pensa que algum semideus o roubou. Não acredita que tenha sido algum monstro. Ele acha que os monstros não têm capacidade para roubar a arma de um deus. E nem mesmo os deuses podem fazer isso. É proibido. — disparou ele. Eu queria entender como isso podia me afetar. Eu não poderia ter capturado o Martelo de Ares. Eu não capturei o Martelo de Ares. E eu nem sabia como eu poderia ajudar. — Nosso pai está no Olimpo nesse exato momento, tentando convencê-lo de manter a calma, junto com os outros deuses. Se não acharem o Martelo... Ares fará guerra. — finalizou ele.
Mas o que eu podia fazer? Eu não sabia nada direito sobre os deuses. Só que eles eram criaturas divinas e imortais. Apenas isso, mais nada. O que ele estava pensando?
— Você... você acha que eu o roubei? — perguntei focando o chão.
— Não! Mas é claro que não! — disse ele.
— Mas então...
— Quero que nos ajude.
— Como? Eu não sei fazer nada. Não tenho uma arma como você tem a Contracorrente. Não tenho um bastão divino como Tyson. Eu não tenho nada, Percy. — disparei ao perceber aquilo. Eu realmente não tinha nada. — A única coisa que eu tenho, são meus irmãos e minha mãe. Mais nada.
— Calma, Trevor...
— Não é questão de calma, Percy. Você pode chamar qualquer outra pessoa e até você mesmo pode fazer isso. Já fez uma vez com o raio de Zeus...
— Não é a mesma coisa.
— É sim! — respondi um tanto nervoso. — Por que não busca você?
— Por que eu tenho que estar no comando do reino marinho. Eu não posso ir porque nosso pai está no Olimpo.
— Os filhos de Ares podem ajudar.
— Eles devem estar em guerra entre si. Talvez disputando quem deva ir a essa missão. Eles só sabem pensar em luta. Mais nada.
Ele tinha razão... eu não podia ignorar isso. Os filhos de Ares eram sedentos por luta. Um maior do que o outro e mais forte que o outro. Não duvidava que eles pudessem estar em confronto entre si para ver quem irá a essa missão. Mas eu só queria saber como eu poderia ajudar nisso tudo.
Eu tinha irmãos menores para cuidar, sem contar que eu não tinha arma alguma. Nadinha de nada. Nem uma adaga qualquer de bronze para me defender. Ao contrário dos filhos de Ares; eles tinham qualquer tipo de arma. Na verdade, eles não tinham uma arma específica — só alguns — para combate. É só colocar alguma coisa em suas mãos e eles se viram.
Mas eu não fugiria disso. Essa era uma chance de provar que Poseidon não havia me reconhecido como seu filho a toa. Eu não lutaria por Poseidon, porque ele nunca havia me feito nada de bom, a não ser, ser reconhecido por ele. Eu lutaria por meus irmãos. Eu não deixaria nada acontecer com eles e eu não queria que eles fossem convocados para essa missão. Era perigoso de mais para eles. Eu não deixaria isso acontecer.
Levantei a cabeça com determinação e olhei para Percy e ele me olhou com as sobrancelhas erguidas. Mas eu disse com firmeza:
— O que eu tenho que fazer?
Ele sorriu, mas eu não liguei para isso.
— Chame Quíron... preciso falar com ele primeiro.
Vire-me de costas, mas voltei a olhar para ele.
— O quê? — perguntou ele sem entender o motivo de minha volta.
— É que... bem, Charlie e os meninos disseram que tinha uma surpresa para mim aqui. Era... era você com isso? Bem... isso não é uma surpresa que eu adoraria como eles disseram. — disse rindo nervoso.
— Não... — disse ele rindo nervoso também. — Era Poseidon que iria falar com você.
De início, eu não acreditei. Mas eu tinha que acreditar porque Charlie e as crianças saíram daqui com um sorriso grandioso. Especialmente Charlie. Até Tommy e Bryan tinha visto Poseidon e eu não. Percy e Tyson viviam com ele. Era um pouco estressante ter a ideia de que todos os meus irmãos tenham o visto e eu, o único, não.
Mas balancei a cabeça para ele e saí do chalé pensativo indo em direção da Casa Grande.
Primeiramente, eu tinha que fazer isso sem que Bryan, Charlie e Tommy soubessem. Se eles soubessem, fariam de tudo para que eu não fosse. Mas era inevitável. Eu tinha que ir de qualquer maneira. Não poderia deixar de honrar o chalé de Poseidon e meus irmãos. Tyson e Percy contavam comigo e eu tinha que ajudá-los.
A caminho da Casa Grande, eu vi, de relance, o chalé de Ares. Seus filhos estavam brigando, lutando e discutindo. Tudo ao mesmo tempo. Alguns berrando pragas em grego antigo, outros xingando em grego antigo. Era uma coisa horrível de se ver e se ouvir. Eu tinha que alertar a Quíron para fazê-los pararem de fazer aquilo. Havia crianças perto deles e dentro deste acampamento. Era errado xingar perto de crianças. Todos sabiam disso. Não digo só de meus irmãos menores, mas o chalé de Ares também continha crianças.
Ainda no caminho, olhei para a mesa de Poseidon e meus irmãos estavam lá. Eles olharam para mim e riram. Forcei um sorriso para eles, o mais simpático que eu tinha, para convencê-los de que estava tudo bem, mas, quando virei meu rosto, meu sorriso se desfez e se formou uma cara de espanto, e medo. Mas e não podia fracassar agora. Eu já tinha afirmado que eu iria nessa missão. Custasse a minha vida, ou não.
Assim que cheguei a Casa Grande, avistei Quíron — um enorme centauro — na varanda da Casa Grande, conversando com o sr. D e ao mesmo tempo jogando cartas com ele — eu me perguntava seriamente como alguém conseguia jogar cartas com ele ou ter algum tipo de conversa com o sr. D. Ele era chato e irritante demais. E o pior, não podíamos fazer nada, ou ele me colocava de castigo, ou me fulminava ou me matava. Acho que fulminar e matar se encaixam na mesma coisa, mas eu não duvido de mais nada desde que cheguei nesse acampamento. Sem contar que o sr. D era o diretor de todo o acampamento.
Quíron me viu e esboçou um sorriso, onde fiz o mesmo, mas sem vida. O sr. D fez questão de me olhar e me ignorar, mas eu fiz o mesmo. Assim que Quíron viu meu sorriso sem vida, ele parou de jogar com o sr. D e veio até a mim.
— Ah, eu estava na última jogada, Quíron! — reclamou o sr. D.
— Espere um pouco, sr. D. — disse Quíron galopando ao chegar a mim.
O olhei e ele juntou as sobrancelhas para mim.
— O que houve, Trevor? — perguntou ele.
O Martelo e Ares... ele foi roubado, Quíron! Os deuses estão quase em guerra e provavelmente os monstros estão atacando e por trás disso tudo. E eu estou sendo convocado para recuperar esse Martelo, mas eu não sei como! Eu não tenho nenhuma arma que possa me ajudar. Eu tenho que fazer tudo sozinho e sem meus irmãos saberem! Eu não sei se posso realmente ir! Eu tenho que manter meus irmãos seguros. A segurança deles é o que realmente importa para mim e não a porcaria de um martelo idiota!
Isso era o que eu queria dizer para ele, mas o que eu realmente disse foi:
— Tem uma mensagem de Iris para você no meu chalé. Percy quer falar com você.
Ele arregalou os olhos ao ouvir o nome de meu irmão. Ele olhou para mim e depois para o meu chalé, e eu confirmei com a cabeça.
— Me espere aqui... — logo em seguida, ele saiu da Casa Grade galopando.
Eu queria saber da conversa toda. Já que eu estava predestinado a ir a essa missão, eu tinha que saber de tudo a respeito dela. Não era justo?
— Então... quer dizer que o Peter Johnson está de volta? — retrucou o sr. D.
— O nome dele é Percy. Percy Jackson! — falei irritado e olhando para ele.
Ele riu ao ver meu rosto que, provavelmente, deveria estar completamente vermelho. Eu não ligava para como eu ficava. Eu só não gostava do sr. D. Ele era arrogante demais para alguém gostar dele. Nem sei como os filhos dele conseguiam gostar dele direito.
— Que seja, Thomas... — disse ele errando o meu nome e eu realmente odiava isso — pensei que aquele moleque irritante tinha saído de minha vida há muito tempo.
— Meu nome é Trevor! — rosnei completamente com raiva dele. — E você quem devia sair de nossas vidas. — falei dando de costas para ele e indo em direção de volta à mesa de Poseidon.
Mas algo me deteve.
Algo estava segurando meus pés, onde raízes estavam prendendo-os e as raízes ainda surgiam e vinha na direção de meus braços, onde fizeram volta neles e me prenderam. Virei meu pescoço e olhei para o sr. D completamente com raiva, e ele estava com o indicador da mão direita apontada para mim, e, como sempre, um sorriso em seu rosto, o que me faz ficar com mais raiva dele do que eu já estava.
— Sabia que eu posso matá-lo aqui e agora sem nenhum rancor? Como ousa falar com um deus assim, moleque? — ele se aproximava de mim.
— Eu não tenho medo de você. — falei sério e olhando fixamente para seus olhos quando ele chegou perto de mim, ficando a centímetros de distância de meu rosto.
Eu sei que deveria ficar calado. Sim, ele realmente tinha poder para me matar e podia fazer isso quando quisesse. Mas eu não conseguia me manter no controle. Não quando se tem déficit de atenção. Você não consegue ficar calado em seu momento de fúria.
Ele riu novamente.
— Pois devia ter... — o dedo que ele apontava, voltou a se juntar com os outros em punho fechado.
De repente, as raízes que me prendiam nos pés e nos braços, começaram a me apertar. Parecia que meus ossos de tais regiões iam quebrar. Olhei incrédulo para o sr. D e ele apenas estava rindo, como se aquilo estivesse o divertindo.
Meus braços e pernas começaram a ficar dormentes e eu sentia que a qualquer minuto eu poderia estar com um braço quebrado ou uma perna quebrada. Mas o sr. D não ligava para isso. Ele inda me olhava como quem se divertia assistindo a um programa de tevê.
— Sr. D... já chega. — ouvi a voz de Quíron atrás de mim.
O sr. D abriu a mão que estava fechada e as raízes saíram de meus braços e pernas. Senti o sangue volta para as articulações de meus membros e olhei para Quíron agradecido e lhe lançando um sorriso.
Quíron me levou para longe do sr. D e disse:
— Você sabe o que houve.
— Não. — falei sério.
— Não minta, Trevor...
— Não estou mentindo, Quíron. Não tem como eu saber o que houve. Eu passo mais tempo tomando conta de meus irmãos do que passo conversando com Dave. — disparei, interrompendo-o e tomando fôlego.
O que era totalmente verdade. Eu mal falara com Dave desde que cheguei ao acampamento. Eu via Dave sempre com as filhas de Afrodite, com algumas ninfas... ele sempre estava com alguém e eu sempre me via cercado por duas crianças e um adolescente. Não estou reclamando. Eu agradeço a Poseidon — seja lá como ele for, ou seja, lá onde ele estiver — por ter me dado meus irmãos, mas... era chato ver meu melhor amigo e mal poder falar com ele.
— Eu acredito em você. — disse Quíron.
Aquilo me fez olhá-lo e esboçar um sorriso em meio a meu drama mental. Ele retribuiu o sorriso.
— Agora... — disse ele após ter me dado um abraço (acredite, isso é possível) quando agradeci — você precisa treinar.
Fiz uma careta e ele riu.
Todas as vezes que Quíron diz algo que é referente a treinamento, a gente teria que treinar quase o dia todo. Ou até que todos estivessem desmaiando. Mas isso era quando o Quíron que dava os treinos. Quando era o sr. D...
O sr. D fazia tudo o que Quíron fazia, porém, tudo com mais intensidade, com mais perigo e os alunos desmaiavam com o treinamento dele. E ele não fazia questão de nada. E tampouco fazia nada a respeito quando pedíamos para descansar. Muito pelo contrário, ele aumentava a intensidade do treinamento.
Suspiro.
— O que tenho que fazer? — perguntei já mais disposto.
Quíron riu.
— Primeiro você tem que ir a seu chalé. Percy ainda quer falar com você. E depois começamos o treinamento. Tenho que recrutar. — disse ele, fitando o nada.
Recrutar?
— Recrutar? Para quê? — perguntei sem entender.
— Você não irá sozinho. Agora vá! Percy o espera.
Assenti com a cabeça, virei em direção ao chalé de Poseidon e segui.
Eu tentei não pensar muito no assunto, pois essa seria a minha primeira missão de verdade (eu já tinha ido a uma caçada a procura de lobo encantado, mas isso é outra história). Todos os que voltaram — eu digo os sobreviventes — disseram que era perigo, horror, adrenalina e aventura. Eu só queria uma missão por conta da adrenalina e aventura. Eu não queria o horror. Tá, um pouco de horror e perigo seria bom. Isso tornaria a missão mais emocionante.
Chacoalhei a cabeça com esses pensamentos. Eu não podia ter esses pensamentos. Eu tinha Bryan, Tommy e Charlie para cuidar. Não podia ir a essa missão.
Chegando a meu chalé, avistei a figura de Percy ainda na mensagem de Iris. Meu irmão tinha um sorriso no rosto. Isso era bem visível.
— O que é tão engraçado? — perguntei.
Percy não disfarçou, mas respondeu:
— Não... nada.
— Hmmm...
— O.K., o negócio é o seguinte: você tem de treinar...
— Eu sei. — eu disse baixinho.
— ... e muito. — ele pareceu não perceber o que eu tinha dito. Melhor assim.
Eu apenas assenti.
O silêncio se propagou, mas eu quebrei o silêncio dizendo:
— Farei essa missão, Percy. Eu vou dar o meu melhor. Vou.. eu vou deixar nosso pai orgulhoso. — falei com firmeza.
Eu sabia que podia fracassar, mas como Percy havia dito uma vez: “Poseidon sempre estará com você.”. Eu duvidava. Eu duvidava porque eu não acreditava que um cara como o deus do mar poderia estar comigo. Eu nem ao menos tinha visto ele e ele a mim... eu acho. Que seja! Eu apenas duvidava que ele pudesse estar comigo, ou, muito menos, me ver.
Ele sorriu para mim.
— Eu sei que vai. — disse ele. — Agora vá treinar.
Assenti e saí do meu chalé...
— Trevor? — chamou Percy e eu voltei a olhá-lo. — Nosso pai já está orgulhoso.
Eu sorri ao ouvir aquilo e Percy agitou sua mão na mensagem de Iris e ele se foi.
Eu estava contente por ouvir aquilo, mas Percy poderia estar apenas dizendo aquilo para eu me sentir melhor. Era realmente duvidoso que Poseidon estivesse orgulhoso de mim quando me deu três irmãos mais novos para cuidar do que “cuidar” de mim em uma missão. Ou que “cuidaria” de mim nessa missão que eu faria. Poseidon não estaria orgulhoso de mim, tampouco, porque eu nunca fui a uma missão de tal perigo como essa. Eu só sabia cuidar de meus irmãos, pelo amor de Deus!
Saindo do chalé de Poseidon, consegui avistar Quíron no chalé de Ares, mas após ele ter terminado de conversa com um armário de um dos filhos de Ares, ele foi para o chalé de Atena. Conversou com alguns dos filhos da deusa da sabedoria e da guerra, mas eu tive a ligeira impressão de que era ele quem estava ouvindo um grande e sábio conselho e não ele quem estava dando. Mas ele não durou muito tempo ali e foi direto ao chalé de número um, o chalé de Zeus — eu queria muito saber o que ele estava fazendo naquele chalé, mas estava conversando com um garoto que eu nunca havia reparado antes, mas eu não me importei com isso. Eu tinha meus próprios problemas para me importar.
Mas ele estava falando sério sobre aquele lance de recrutar, pensei. Mas eu achava isso bom. Significava que a pressão da missão não ficaria toda em cima de mim. Isso era reconfortante, um pouco.
Avistei meus irmãos e eles estavam rindo. Charlie me olhou e acenou para mim e, claro, eu acenei para ele de volta. Mas Charlie fez um gesto com a mão para que eu fosse de volta à mesa de Poseidon e, reclamando em minha cabeça, fui. Eu temia pelo Charlie. Sempre com cara de espanto, mas agora ele tinha que cuidar das crianças. Era uma criança cuidando de outras crianças.
Assim que cheguei, Tommy disse:
— Viu a surpresa? — ele parecia empolgado, juntamente com Bryan que não parava de pular.
Os dois pareciam uma dupla dinâmica. Sempre estavam juntos; sempre brincavam, sempre pintavam, sempre comiam... sempre fazia tudo juntos. Sempre. Era fantástico, pois até um tempo atrás, Tommy só brincava comigo e eu sabia que aquilo não o deixava totalmente feliz.
— Sim, claro. — menti rindo e bagunçando seu cabelo. Ele também odiava isso, assim como eu.
— Eu sabia, eu sabia! — explodiu Bryan. — Eu sabia que o Trevor ia gostar dela! — Bryan batia palmas e saltitava, junto (adivinhem) com Tommy. — Sabia que papai faria algo de especial para o Trevor! Sabia! Eu não disse, Charlie? — perguntou Bryan, ainda saltitando com Tommy, a Charlie.
Charlie caiu na gargalhada, mas respondeu:
— Sim, moleque... você disse. — Charlie ainda gargalhava de Bryan e ele não gostou.
Bryan fechou a cara e disse para Tommy, mas ainda olhando com cara fechada para Charlie:
— Vem, Tommy. Vamos brincar. — ele pegou na mão de Tommy que, sem entender nada, se foi com ele.
Eu ri de Bryan.
Bryan era meio temperamental. Não gostava que tirassem sarro com sua cara — se é que ele sabe o que isso é —, mas a questão é o seguinte: não irrite Bryan. Aquela figura ruiva e baixinha consegue te deixar mal. E sem contar que ele consegue fazer uma bola de água gigante que pode te machucar ao se chocar com você. Esse é o meu irmão menor Bryan.
Assim que eles sumiram de nossas vistas, eu me sentei e Charlie também se sentou à mesa.
— Charlie, me responde uma coisa? — perguntei assim que ele parou de rir e começara a voltar a seu tom de pele. De vermelho para o seu tom de pele claro normal.
— Até duas, se quiser. — ele riu e forcei um sorriso.
Respirei fundo.
— Promete que falará a verdade? — perguntei juntando as mãos sobre a mesa e o olhando sério.
Ele uniu as sobrancelhas e começou a tremer as mãos um pouco.
— Si-sim. — disse ele e assentiu com a cabeça.
Suspirei.
— Olha... o que aconteceu com você quando você foi em nosso chalé? — perguntei olhando fixo para ele.
— Hmmm... nosso pai apareceu. — disse ele.
Aquilo fez uma sobrancelha minha arquear. Poseidon aparecer para Charlie? Tudo bem, ele também era filho de Poseidon, mas eu acho que eu merecia um desconto... eu tomava conta de três dos filhos mais novos do grande deus do mar. Eu ao menos queria que ele tivesse dito um simples “Oi” para mim.
— O que mais? — perguntei um tanto irritado.
Ele pensou e ficou sério logo em seguida.
— Bem... ele disse que a hora de nos encontrarmos estava próxima. — disse ele fitando a mesa. — Que Bryan, Tommy e eu estaríamos com ele em breve. — ele me olhou.
Seus olhos verdes estavam vagando em mim, assim como minha mente estava vagando com o que ele tinha me dito.
O que Poseidon queria, na verdade? O que ele queria dizer com isso? Assim, eu tenho todo o respeito com o deus do mar, mas ele era louco? Charlie parecia ter medo de tudo a sua volta, Tommy era uma criança feliz e que não entendia quase nada do que estava a sua volta, tampouco Bryan. Esse era outro que não entendia nada a sua volta. Os dois eram literalmente crianças. O que Poseidon queria com eles e não comigo? Eu também era filho dele, poxa!
Eu consegui controlar minha raiva naquela hora. Eu não descontaria em Charlie, tampouco em Bryan e Tommy. Eles não eram culpados de nada. Eu era. Eu deveria ter ficado no caminho e morrer quando aquela quimera havia me perseguido. Eu não deveria ter deixado Dave me salvar. Eu deveria ter morrido. Assim eu não saberia que o meu próprio pai não ligaria para mim. E agora eu via as palavras falsas de Percy. Poseidon não estava orgulhoso de mim. Ele mal se quer ligava para mim. Agora seria difícil de acreditar em Percy também.
— Ele disse mais alguma coisa? — perguntei apertando os dedos.
Charlie balançou a cabeça em positivo e me mostrou sua pulseira cor de bronze em seu pulso esquerdo. Mas, antes que eu pudesse perguntar, ele tirou a pulseira do pulso e ela se transformou, automaticamente, em uma espada de bronze de noventa centímetros.
— Ele me deu isso de presente. — disse Charlie feliz.
Sorri para ele.
— Muito bem, obrigado, Charlie. — pus-me de pé e ele também se levantou.
— Trevor, aconteceu alguma coisa? — perguntou ele e chegou perto de mim.
Eu não poderia dizer o real motivo.
Eu ainda iria para essa missão, mas somente para provar que Poseidon não significava nada para mim. Eu não precisaria da ajuda dele para isso. Eu provaria a mim mesmo que eu estava certo e Poseidon estava errado.
— Cuide bem dos meninos, O.K.? Promete? — perguntei com os punhos fechados e tremendo de raiva.
— Trevor...
— Promete? — o interrompi e o olhei raivoso.
Ele ia abri a boca para dizer alguma coisa, mas ele preferiu engolir o que iria dizer e, logo em seguida, disse com firmeza:
— Prometo. — aquele não era o Charlie assustado que eu conheci. Aquela máscara havia caído dele. E o Charlie que eu via agora, parecia um menino sério e responsável. Relaxei um pouco.
— Não me decepcione, Charlie. — falei dando três tapinhas em seu ombro.
Virei-me de costas para ele e voltei a caminhar completamente revolto.
Eu tinha que ter sucesso. Eu sabia que conseguiria ter e eu teria que ter. Não podia fracassar. Agora, eu tinha que provar a mim mesmo que eu não precisava da ajuda do meu próprio pai.
Senti meus olhos arderem e lacrimejarem, mas eu não iria chorar. Suspirei profundamente cinco vezes e engoli o choro. Eu não iria chorar por causa de Poseidon. Ele nunca me vira e eu nunca o vira. Ele não merecia minhas lágrimas. Mas não adiantou de nada. Eu não consegui engolir o choro de raiva que eu tinha. Agradeci por não ter ninguém perto de mim e em meu caminho e comecei a chorar.
Mas, depois de alguns segundos caminhando, cheguei a meu destino: a quadra de vôlei. Eu começaria a correr dali e correria todo o acampamento. E dei início a minha corrida, completamente com raiva de Percy por ter mentido para mim e completamente com raiva por aquele que não dava a mínima para mim: Poseidon, meu próprio pai.
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