O Martelo De Ares.
8 8 — Trevor
Notas iniciais
MEU SONHO, OU VISÃO, FOI TOTALMENTE ESTRANHO. EU ESTAVA NO ACAMPAMENTO Meio-Sangue com meus irmãos nos divertindo. Aquilo que era estranho. Meus irmãos e eu estávamos nos divertindo em pleno Acampamento Meio-Sangue, juntamente com os nossos primos do chalé de Ares, Apolo, Afrodite e Hefesto. Os outros dos outros chalés se divertiam entre si em um lindo dia e ensolarado. Não era possível. Eu, depois de um tempo, parei de brincar com Tommy e Bryan. Não porque eu queria e sim porque eu passei mais tempo tomando conta deles do que brincando com eles. E Charlie estava no meio. Eu sabia que Charlie era o que brincava com os dois menores, mas ali o Charlie estava se divertindo com os menores e comigo, e ele estava... feliz, sem sua expressão de assustado. Não que ele também não fosse feliz, mas Charlie sempre parecia que estava assustado com tudo, como se algum monstro fosse atacá-lo a qualquer momento. Tudo aquilo era esquisito. Principalmente quando eu me via no meio deles. Como eu poderia estar lá me divertindo e me vendo ao mesmo tempo?
— Está vendo isso tudo? — disse uma voz masculina.
Olhei para todos os lados e não consegui encontrar nada.
— Quem é você? — perguntei no instante seguinte em que não vi nada.
— Digamos que você não precisa saber agora — disse a voz. — Mas repetirei minha pergunta: está vendo tudo isso?
Quem é esse maldito?, perguntei a mim mesmo.
— Sim — disse eu assentindo com a cabeça.
— Olha o que eu posso fazer... — disse a voz.
E no instante seguinte, a visão mudou.
Tudo estava destruído no Acampamento Meio-Sangue. Os chalés estavam totalmente destruídos. Quíron estava lutando com alguma criatura sobreaquática. Os filhos de Ares — eu vi Ian e Kyle ali — estavam lutando com alguns minotauros, juntamente com os filhos de Apolo. Os filhos de Hermes e Afrodite estavam batalhando com algumas quimeras. Os filhos de Atena — consegui ver Layla ali —, Peter e o restante estavam lutando com alguma criatura que eu não consegui identificar, a fumaça do fogo que vinda da Casa Grande era tremenda e eu não consegui enxergá-lo. Meus irmãos estavam em nosso chalé. Quando um escorpião gigante veio para perto deles, Charlie conseguiu matar o monstro com apenas um golpe de sua espada. Tommy e Bryan choravam e agarravam as pernas de Charlie. Tentei me procurar, mas não consegui.
— Onde eu estou... — disse eu e continuei a me procurar.
Uma risada forte e sinistra cortou minha atenção daquela visão.
— Você está bem aqui... — disse a voz masculina.
E a visão se distorceu, mostrando-me no topo da Colina Meio-Sangue, onde eu segurava uma espada grande — muito grande — com alguns detalhes azuis e verdes. Meu rosto estava completamente pálido e eu tinha um sorriso sombrio no rosto.
— O que eu estou fazendo ali? — perguntei indignado. — Porque eu não estou ajudando os outros? — gritei.
— Porque foi você quem liberou aqueles monstros, Trevor Casey — disse a voz e riu novamente.
Aquilo me pegou de surpresa. Como aquilo poderia saber o meu nome? Como eu poderia ter feito aquilo tudo? Por que eu colocaria a vida de todos no Acampamento Meio-Sangue em perigo, principalmente a de meus irmãos? Se eu cuidava deles, porque eu tinha levado monstros que poderiam matá-los até eles?
Depois daquela visão do Acampamento Meio-Sangue destruído, aquela voz me mostrou algumas ruas de Nova York em pleno caos. Os cidadãos estavam correndo pelas ruas e berrando. Carros andavam na contra mão e alguns estavam em chamas. Algumas pessoas estavam mortas no chão e monstros estavam atacando os vivos e até mesmo os feridos. Era uma cena completamente horrível de se ver.
— Como você sabe o meu nome? — perguntei com certo ódio na voz.
— Porque eu sei tudo sobre você, filho do deus do mar — disse a voz e aquilo me fez ficar paralisado. — Daríamos um belo time, você não acha?
— Eu jamais trabalharia para você — falei com raiva. — Prefiro morrer a trabalhar para você.
A voz riu novamente.
— Mas é claro que você morrerá — revelou a voz. — Mas não agora. Você é precioso demais para mim para morrer agora.
— Quem é você? — perguntei quase cuspindo as palavras de tanta raiva.
— Aqui estão as minhas condições: ou você trabalha para mim, ou você pode recusar e eu prometo que farei sua vidinha miserável muito pior do que você imaginaria que ela poderia ser — disse a voz mais séria.
— Eu gostaria de ver você tentar — falei sério.
A voz riu novamente.
— É corajoso, semideus — disse a voz. — É uma das coisas que eu mais gosto em você — a voz ainda ria, mas parou no segundo depois. — Todos aqueles que você diz ser importantes para você morrerão e tudo será por sua culpa.
— Não se eu consegui protegê-los primeiro...
— Mas isso seria quase impossível — cortou-me a voz. — Nem todos estão ao seu alcance.
— Veremos... — o ameacei.
A voz riu mais uma vez e aquilo começou a me irritar.
— Estou te dando uma oportunidade para provar ao seu querido pai que você é melhor do que ele...
Aquilo era... tentador. Por mais que eu queria que Poseidon me notasse e me visse como eu realmente era e não como uma cópia mais nova do grande Perseu Jackson — que eu sabia que ele me via assim, ou nem notava a minha presença —, eu não poderia aceitar uma proposta como aquela. Mesmo eu trabalhando para aquilo que estava me tentando, ele chegaria a uma maneira de matar meus irmãos e eu não podia deixar isso acontecer.
— Consigo provar isso sem a sua ajuda — disse eu.
— Então qual é a sua resposta? — perguntou a voz.
— Eu não vou trabalhar para você — disse eu sério.
A voz bufou, ou quase isso.
— É uma pena... — disse a voz. — Eu lhe faria grande...
— Não preciso de sua ajuda para ser grande — cortei a voz.
— Então parece que terei que trabalhar com outra pessoa... uma pena — lamentou a voz. — Ainda iremos nos encontrar, Trevor Casey. Você ainda correrá para mim.
— Ai de você se tocar em meus irmãos ou em quem eu me importo — ameacei. — Eu juro...
— Nos vemos em breve, filho de Poseidon — disse a voz me interrompendo.
Dizendo aquilo, a visão da destruição se distorceu e tudo se apagou.
Quando eu acordei, eu precisei piscar várias e várias vezes para reparar que quem estava me acordando era Peter. A claridade ainda estava no céu e então não indicava que eu tinha dormido por dias. Quando olhei aos arredores, eu estava em um gramado e um rio ao lado. Tentei me mexer até o rio, mas eu não consegui, eu estava sem forças para poder ir até o local que realmente poderia me ajudar. Meus membros pareciam concreto, eu não conseguia movê-los de maneira alguma.
Olhei para meus amigos e só Peter estava perto de mim. Procurei Ian e Layla e os achei perto do rio. Agradeci aos céus por eles estarem bem; eu não me perdoaria se algo acontecesse com eles.
— Você está horrível — disse Peter e riu.
— Ajude-me a sentar... — disse eu tentando me sentar.
Senti as mãos dele em meus braços e ele conseguiu me colocar sentado.
— Quanto tempo fiquei desacordado? — perguntei.
— Umas duas horas — respondeu ele. — São três da tarde, se quer saber. Temos tempo para ir ao Olimpo. O Martelo de Ares está conosco.
— Temos que ir... — falei tentando me por de pé e senti a pior dor de minha vida.
— Vai com calma... — disse ele, me ajudando a me sentar novamente.
— Preciso da água.
— Sabemos disso.
— Então me traga água.
— Eles estão trazendo — ele indicou os outros dois com a cabeça.
Assenti para ele.
Não demorou muito e Ian e Layla estavam ao meu lado. Layla tinha dois baldes cheios de água — não me pergunte como ela tinha um balde, porque eu não sei — e Ian tinha dois cantis que também pareciam cheios — talvez aqueles cantis fossem os meus, eu também não sabia dizer.
— Tome — disse Ian dando-me um cantil.
Tentei levar minha mão até ele, mas não consegui.
— Eu... eu não... eu não consigo — falei fechando a cara.
— Talvez seja o veneno — disse Layla. — Temos que levá-lo para o rio.
— Boa ideia! — falei um tanto feliz.
Tudo o que eu queria era ser jogado naquele rio. Eu sabia que eu poderia me curar ali, mas não era por isso que eu queria entrar na água. Eu queria sentir quão gelada a água de um rio poderia ser. Queria sentir a corrente em minha pele, a água passando pelos meus poros... eu só queria a água.
— Por favor... me levem? — pedi.
Eles assentiram e me levantaram.
Eu não consegui mexer um músculo. Eu não sabia quanto tempo exatamente o veneno ainda estava em meu corpo, mas eu queria aquilo fora de mim o quanto antes. Meus membros pareciam pedra e minha respiração tinha começado a ficar ofegante. Talvez eu realmente esteja morrendo, pensei comigo mesmo.
Peter tentou levantar meu braço, mas aquilo fez um enorme estalo — como se um pedaço de concreto estivesse quebrando — e gritei e reclamei de dor. Quando eles levantaram a manga de meu casaco (eu estava de casaco, para início de conversa), viram que meu braço parecia cinzento e tinha uma enorme... rachadura? Eu entrei em pânico. Meu braço estava petrificando, virando pedra. Mas o que mais me assustou foi que, ao vê-lo daquela maneira, não saia sangue... saia um líquido gosmento, fedorento e verde. Peter tampou meu braço logo em seguida quando viu aquele líquido.
Meus amigos estavam tentando me levar, mas eu via o esforço deles. Peter mal conseguia segurar meu braço rachado e Layla não conseguia me apoiar em seu ombro. O único que parecia realmente não fazer esforço comigo era Ian, porque ele segurava minhas duas pernas e sua testa não estava nem franzida.
— Ian, você consegue me carregar? — perguntei.
Eles pararam de andar. Olhei para Ian e ele pareceu pensar um pouco.
— Sim, acredito que sim — disse ele.
— Então me leve... deixe os outros. Eles precisam...
— Onde pensam que vão, semideuses? — perguntou uma voz atrás de nós.
Ian me soltou dos outros dois e me colocou em seu colo — ele não pareceu se incomodar com o fedor e gosma que saia do meu braço. Layla e Peter puxaram suas armas para a voz e, quando Ian virou-se para a voz, vimos quatro manticores a nossa frente. Eles eram criaturas horríveis. Tinham corpos de leões e rostos humanos, com caudas espinhosas. Eles eram totalmente intimidadores.
— O que querem? — perguntou Ian sério.
Um dos manticores bufou.
— O Martelo de Ares, é óbvio — disse o manticore da ponta direita.
— Entregue o martelo para nós e nós não o mataremos — disse o manticore do meio.
Layla deu um passo à frente e Peter a seguiu, ambos se colocando na frente de Ian. Eles dois ficaram em posição de ataque; estavam prontos para o combate.
— Isso é tolice, semideuses — disse o manticore da ponta esquerda.
— Desistam, vocês não podem contra nós — disse o manticore ao lado. — Somos poderosos.
Talvez ele estivesse certo. Eles realmente pareciam poderosos e eu estava quase virando uma estátua humana, então seria quatro contra três; eu não poderia entrar em combate. Mas eu tinha que fazer alguma coisa... se ao menos Ian me jogasse no rio, eu poderia conseguir me curar. Daí eu poderia voltar e lutar...
— Ian? — sussurrei em seu ouvido.
Ele apenas balançou a cabeça em positivo; ele estava ouvindo.
— Olhe, eu preciso que você me esfaqueie nos braços, pernas, peito, barriga, em minhas costas e que me jogue no rio...
— O QUÊ?! — ele sussurrou, mas como sua boca estava em meu ouvido, parecia que ele tinha dito aquilo alto demais.
— É a única maneira de eu me curar e voltar para lutar — rebati. — É a única chance que temos.
Layla e Peter tremiam de raiva e eu podia jurar ver uma corrente elétrica percorrer pelo corpo de Peter, onde saia pequenos raios dele; Layla parecia estar envolta por uma aura cinzenta — talvez uma benção de sua mãe... ou não.
— Semideuses tolos — disse o manticore ao lado do manticore da ponta direita.
— Rendam-se — disse o manticore do meio.
— Rápido, Ian... — falei.
Ian assentiu.
No segundo depois — o que passou bem rápido —, Ian tinha pegado minha adaga do meu bolso e me perfurou profundamente onde eu tinha dito. Mas ao me esfaquear, não saiu sangue algum de mim. Muito pelo contrário. O que saia de mim era aquele líquido fedorento, gosmento e verde. No instante depois daquele líquido começar a sair de mim, Ian me lançou no rio e em questão de segundos, fui engolido pela água gélida daquele rio.
Dentro do rio, eu permiti que a água me molhasse, mas de um jeito que não me afogasse. Eu fiz o mesmo processo que tinha feito com Ian, Layla e Peter... fechei meus olhos e desejei que a água se purificasse em forma de cura e, quando senti a água entrar pelos ferimentos que Ian tinha feito em mim, aquilo ardeu. Mas não ardeu por muito tempo, foi rápido. Ardei em um segundo e no seguinte não ardeu mais. De qualquer maneira, eu senti a água correr por dentro de mim, me purificando e, quando abri os olhos, a água em volta de mim estava brilhando na mesma tonalidade que tinha ficado quando curei meus amigos. Eu sentia o veneno se esvaziando de mim, saindo pelas aberturas que Ian tinha feito em mim e, quando parei de sentir o veneno saindo de mim e olhei as aberturas, elas não existiam mais. No lugar delas só existiam pequenas linhas como cicatrizes.
Eu estava me sentindo novo em folha; era como se nada tivesse acontecido comigo. Como se nada tivesse me picado, mordido ou qualquer outra coisa do tipo. Eu me sentia renovado, novo. Eu me sentia bem.
Mas, após aquele pequeno momento de cura e bem-estar, eu lembrei que meus amigos precisavam de mim. Lembrei de que tinha deixado eles lá na superfície e eu estava submerso. Eu tinha que fazer alguma coisa para ajudá-los, eu não podia esquecer deles... simplesmente não podia.
Ainda submerso, fechei os olhos, juntei minhas mãos e senti um grande formigamento em meu umbigo. Abri os olhos e eu sabia o que fazer. Olhei para cima e, com um jato que se formou em meus pés, voltei para a superfície, onde vi Ian, Layla e Peter travando uma batalha feia com os manticores.
Ian lutava com dois, ele tinha ficado o dobro do seu tamanho novamente e lutava com o Martelo de Ares — ele realmente parecia uma máquina sanguinária e sedenta por luta. Uns manticores investiam contra ele, mas ele bloqueava com o martelo e atacava com eles, mas os manticores recuavam; parecia que eles sabiam do que o martelo era capaz. Layla lutava com apenas um, mas ela parecia saber exatamente o que estava fazendo. Ela não parecia estar preocupada com a cauda do manticore, ela simplesmente desviava daquilo tudo de uma maneira fácil e de causar inveja; parecia que ela tinha a vitória nas mãos. Peter lutava com sua espada como um raio, ele era totalmente rápido. O manticore que ele lutava investia com a cauda e também era rápido, mas parecia que Peter era bem mais rápido, ele parecia que tinha a velocidade de um trovão. Ele investia com sua espada e desviava de alguns golpes do manticore, e às vezes ele simplesmente soltava uma descarga elétrica no bicho horrendo. Peter era bom de luta.
Eu estava como um tornado envolta de minhas pernas, aquilo estava me erguendo cada vez mais alto, fazendo com que eu visse a luta do alto. Meus amigos estavam precisando de minha ajuda e eu não podia simplesmente assistir tudo aquilo, eu tinha que agir.
Levantei minhas mãos ao alto e, depois de ver quase toda aquela água do rio se erguer com os movimentos de minhas mãos — eu sentia a fora da água em meus braços e mãos —, ergui minhas mãos na direção dos manticores e a água se formou em uma incrivelmente gigante e engoliu os manticores. Fiz com que o tornado que estava em volta de minhas pernas me levasse até os meus amigos e assim ele fez.
Assim que cheguei perto deles, eles vieram falar comigo, mas eu não dei atenção. Fui aos manticores, pois eu sabia que eles não iriam morrer só com aquilo; a água não era feita de bronze, ainda não tinha acabado. Quando vi os manticores deitados no chão e reclamando de dores, aproximei minhas mãos à boca e, puxando fôlego, assoprei.
O ar que saiu de minha boca foi completamente gélido e dava para ver a fumaça. A fumaça foi caminhando e caminhando, e, quando finalmente chegou perto da água que tinha nos manticores, a água começou a congelar e congelou os manticores no segundo seguinte.
Fui até Ian e estendi a mão para o Martelo de Ares. Ele entendeu e me entregou o martelo no momento seguinte. Assim que toquei naquilo, eu só pude pensar em raiva, ódio, luta e guerra. Era como se eu fosse um dos filhos de Ares, como se a guerra, a luta, o ódio e a raiva estivessem em meu sangue o tempo todo, prontos para serem libertados. Voltei-me para os manticores e, quando golpeei todos com o martelo, eles viraram poeira de monstro no mesmo segundo em que o martelo os encostou.
Ofegando, soltei o martelo e senti as mãos de Ian em meu braço no segundo seguinte. Olhei para ele e ele tinha guardado o martelo, e sorria para mim. Parecia que no meio de toda aquela confusão de monstros e quase sentenças de morte não danificavam o sorriso encantador de Ian. Sorri para ele.
— Você está bem? — perguntou ele, pegando em minha mão.
— Eu me sinto bem melhor — falei a verdade e apertei sua mão com afeto.
Ele sorriu de lado e me beijou bem na frente de Layla e Peter. Segundos depois, ouviu-se um pigarro e nos afastamos. Olhei para eles dois e eles pareciam estar sem graça.
— Ahn... bem... — começou Peter. — Sem querer atrapalhar, mas...
— Temos que ir ao Olimpo... — continuou Layla. — Se vocês não se importam... temos que... bem... entregar o Martelo de Ares... — ele riu sem graça, como se tivesse se arrependido de nos interromper e levantou os polegares para nós.
Ian e eu nos olhamos e nós ficamos vermelhos.
— Ah, sim... é — foi só o que eu disse.
Ian pigarreou.
— Desculpem — disse ele.
Eles dois assentiram.
— Bem, não temos muito tempo, então... — disse Layla.
— Tem como você chamar os pégasos, Trevor? — perguntou Peter.
Assenti para ele e assobiei o mais alto que pude.
De início, nada aconteceu. Mas, depois de uns dez segundos, ouviram-se alguns relinchos vindos do céu e eu sabia o que aquilo significava. Blackjack e seus amigos estavam a caminho.
Depois de mais alguns segundos, Blackjack e seus outros amigos pégasos que nos ajudaram em nossa viagem aterrissaram bem em nossa frente. Eles pareciam bastante energéticos. Claro, Blackjack era um garanhão que não parecia estar indisposto para nada, mas ele, como qualquer outra criatura nesse planeta, deveria se cansar. Igualmente seus amigos.
Diga, chefe, disse ele. Qual é a missão agora?
— Bem, precisamos voltar para Nova York, Blackjack — disse eu. — Mas sem paradas. Temos que ir diretamente para o Empire State Building. Vocês conseguem? — perguntei olhando para os outros pégasos também.
Todos os quatro pégasos relincharam, como se estivessem sido ofendidos.
Mas é claro que conseguimos!, disse o pégaso azul.
O que acha que somos, chefe? Molengas?, perguntou o pégaso marrom.
Não somos fracos, chefe, disse o pégaso branco.
Somos fortes, chefe, disse Blackjack. Somos durões, nós podemos seguir viagem.
— Desculpem... — disse eu. — Só não queria cansá-los.
Blackjack relinchou e entendi aquilo como um bufo.
Somos fortes, chefe, repetiu ele. Aguentamos.
— Então vamos logo — falei.
E desta vez, Blackjack relinchou, levantando as patas dianteiras e seus amigos fizeram a mesma coisa logo em seguida. Nós quatro montamo-nos nos mesmos pégasos que nos conduziram na última vez e, batendo as asas, os pégasos levantaram voo e fomos direto para a direção do Empire State Building.
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