O Mar de Vingança
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Capítulo 2
Há quem diga que sexo deve ser feito apenas durante a noite. Lucius não é um deles. Assim como havia dito, assim que chegaram a Faregorr, seguiram caminho até a primeira pousada que encontraram. Foram momentos intensos de prazer para Lucius, porém, de dor e angústia para Valencia. Nunca imaginou que sua primeira vez seria daquela forma, mas ela não tinha escolha. Ou aceitava a proposta, ou provavelmente teria sido estuprada no meio da estrada, ou até mesmo pior, podendo estar morta, com o cadáver boiando em algum riacho ou enterrado em algum lugar desconhecido. Após tudo ter terminado, cada um seguiu seu caminho.
O serviço que tinha aceitado era, ironicamente, de ser o guarda-costas de um rico senhor de terras que tinha a cabeça a prêmio. Não seria algo fácil de ser feito, pois o homem a quem devia proteger devia dinheiro para mais de 3 facções com fama de sanguinárias. Só esteve vivo até agora pois se escondeu na casa de um velho conhecido durante meses. Mas a tranquilidade não existia mais, pois uma carta foi entregue em sua porta, dizendo que, caso não pagasse o que devia, sua cabeça não estaria muito tempo em seu corpo. Foi então que resolveu envolver Lucius. Pediu para Christoppher, seu amigo, enviar uma carta para ele, mas com um prazo de 4 dias. Assim que a recebeu, correu para seu encontro. Nunca gostou de dizer não a dinheiro fácil, ainda mais quando se tratavam de senhores de terra, pois sempre conseguia algo a mais, fazendo chantagens.
Antes de chegar ao local marcado, cobriu a cabeça com seu capuz e o rosto com um pano. Não gostaria que sua face fosse vista por seus contratantes, era arriscado demais. Apenas amigos próximos ou as mulheres com quem se deitou o viram. Poucos momentos depois, chegou uma carruagem, sendo guiada por um homem de estatura baixa e barrigudo. Estava vestido com uma túnica vermelha extravagante, como se quisesse ser notado por todos os que passavam pelo local. Mas se vestia exatamente como avisara que estaria, ficando mais fácil achá-lo.
– És tu quem veio a meu pedido? – Disse o gorducho, com os olhos aflitos e preocupados, olhando para os lados em todo momento.
Vendo que era o homem que o havia contratado, acenou com a cabeça, concordando. Em um rápido movimento, subiu na carruagem.
– Pois bem, vim a seu pedido e não nego que estou com tremenda vontade de saber quem será o primeiro louco a nos atacar. Se permitir, gostaria de passar a viagem a seu lado, por precaução. – Lucius disse, não escondendo a excitação que sentia por esse trabalho, nem escondendo a seriedade em sua voz. – Espero que não se importe de eu citar algumas coisas que faço enquanto presto esse tipo de serviço.
– V-você é quem manda, senhor. – Respondeu o assustado contratante.
– Certo. Primeiramente, gostaria de saber seu nome. Não foi falado na carta que me enviara. Gosto de saber como chamar aqueles que me contratam.
– Vaatho.
– Vaatho... – Deixou o nome pairar no ar, como se fosse algo divertido e relaxante dizer. – Vamos ao que interessa. Não gosto de traições. Vários homens já tentaram me matar pelas costas, mas nenhum se encontra vivo para dizer como foi planejado. Torço para que não seja necessário que minha lâmina te corte, e creio que você também.
O homem engoliu em seco. Pelo jeito, Lucius estava certo. O medo estava exposto em seu rosto, não queria que um dos mais conhecidos assassinos da época o atacasse. Pelo contrário, precisava dele para ser protegido.
– Dito isso, posso continuar com as explicações, certo? – Olhou para o lado e viu o homem concordar com a cabeça. – Se eu disser pra abaixar, abaixe-se e só se levante até eu dizer que está bem. De preferencia, ache um lugar para ficar escondido. Um arbusto pode ser seu melhor amigo nessas horas. Outra coisa que...
Foi nesse momento que ele a viu. Foi rapidamente, mas tinha certeza. Era aquela a quem procurava por anos. Ela o olhava como uma mulher que contempla a beleza de um homem, com um sorriso malicioso no rosto. Seu sangue começou a ferver e, esquecendo Vaatho, pulou da carruagem e a seguiu. Os gritos do barrigudo não podiam ser mais ouvidos, mesmo que isso implicaria uma perda de serviço. Ele apenas queria A Fera. Queria matá-la por tudo o que fizera com sua vila. Faze-la se arrepender de tê-lo deixado vivo, com o sentimento de vingança dentro de seu peito, agora acumulado por 7 anos. Ao perceber que ele a seguia, colocou o capuz vermelho sobre o rosto e correu, subindo na construção mais próxima. Sem se importar, Lucius a seguiu, subindo em outra construção com a mesma rapidez que a moça.
Durante os anos que se passou, A Fera parecia não ter mudado em nada. Os mesmos cabelos brancos, olhos vermelhos como fogo, rosto lindo de se contemplar, corpo majestoso e sua capa manchada de sangue.
– Vejo que guardou minhas palavras para contigo, garoto! – Ela gritou enquanto fugia, se divertindo com a situação. – Venha, me pegue se puder!
Aquilo apenas serviu para ampliar a raiva de Lucius. Ela apenas brincava com ele, enquanto toda sua raiva era liberada durante a corrida. A adrenalina corria por todo seu corpo, o fazendo continuar, não importando o tamanho do espaço entre uma construção e outra.
– Vamos, enfrente-me! Não é isso o que você quer? – Ele gritava de pura raiva.
– Ainda não, querido! Se quiser, venha e me alcance você mesmo! – Ela respondeu, com tom de zombaria. – Não é possível que um homem como você não consiga nem sequer alcançar uma jovem dama!
Depois de pouco tempo correndo sobre os prédios, seguiram para a floresta que se via a oeste da cidade. A perseguição continuou durante pouco menos de uma hora, quando ele já não conseguia mais correr. Ao perceber que seu perseguidor não mais a seguia, pelo contrário, descansava, ela parou e foi em sua direção, com seu lindo sorriso estampado no rosto e um sensual gingado nos quadris.
– Ora, vejo que ainda não está pronto para me matar, afinal de contas! – Disse de certa distancia, pois sabia ter a chance de ele estar apenas fingindo. – Não me venha dizer que um dos mais temíveis assassinos da atualidade não consegue nem sequer correr por um longo tempo? Parece que as lendas sobre você não são todas verdadeiras, afinal de contas. – Enquanto dizia, não conseguia segurar o sorriso, que ficava cada vez maior em seu rosto.
– Não me venha com essa, sua vadia! – E numa última tentativa, voltou a correr, tentando pegá-la desprevenida e com a guarda baixa. – Assim que eu te pegar, farei você sofrer, assim como me fez naquele dia!
Sua tentativa de surpresa não foi das melhores, pois ela logo percebeu e tornou a fugir.
– Qual é, grandão. Será que melhorou apenas de aparência? Afinal, virou um homem muito belo! Que tal esquecer tudo na cama? – Tentou fazer a voz mais sensual que conseguia, mas não dava certo, a situação a divertia demais. – Vamos, me alcance!
E assim o fez. Dessa vez, o rio a impedia de seguir em frente. A forte correnteza não a deixaria passar, dando tempo suficiente para ele chegar.
– E aqui estamos nós. Depois de 7 longos anos, finalmente te encontrei. – Conseguiu dizer, ofegante. – Antes de eu te matar, por quê? Por que fez aquilo? Vivíamos de forma pacifica, sem incomodar ninguém.
– Exatamente por isso, vocês eram muito quietos! – E mais uma vez, desatou em risada. – Acho que esse papinho não dará certo com você. Como deve dar pra imaginar, fui contratada. Mas isso não vem ao caso no momento. – Antes de terminar a explicação, sacou sua espada e apontou em sua direção. – Vamos, se me vencer, direi tudo!
– Isso é tudo o que queria ouvir. –E, assim como ela, sacou a espada.
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