O Mal Entre Nós
1 Capítulo 01
Notas iniciais

Tudo começou em uma tarde normal como todas as outras. Eu estava na minha cama, usando o meu tablet para me informar sobre as últimas notícias. Era sempre bom ficar ligado nos comunicados recentes, e sempre gostei de estar a par das notícias. Depois da ver a previsão do tempo, fui até a sessão dos acontecimentos recentes. Enquanto pesquisava, um link misterioso surgiu na minha tela. Quando cliquei, apareceu a gravação de um morador de rua correndo atrás de uma idosa. Ao se aproximar, ele mordeu o pescoço dela. Logo em seguida, o vídeo terminou, sem mostrar o resto da cena. Fiquei vendo a tela preta por alguns segundos, sem entender. Mas, depois de pensar um pouco, ignorei aquela loucura. Afinal, aquilo podia ser apenas uma brincadeira sem graça, ou talvez o trecho de algum filme estrangeiro. Porém, quando fechei o vídeo, achei uma notícia de última hora nos recomendados. Pelo que o site dizia, uma nova epidemia havia surgido na América Latina. No final do link, foi dito que o governo estava trabalhando no problema, e que estava tudo sob controle. Quando saí do site, vi outras notícias recomendadas: "crimes urbanos sobem numa taxa de 12%", "anarquistas ateiam fogo em Banco do Brasil", "polícia investiga estranha onda de sumiços", e não parava aí. Decidi desligar meu tablet, já com a cabeça cheia. Pensei por um tempo no link do vídeo, que começou a me perturbar. Comecei a sentir que havia uma estranha conexão entre a filmagem e a notícia do vírus... Várias teorias surgiram na minha cabeça mas, após pensar por alguns minutos, simplesmente ignorei aquilo tudo e me levantei da cama.
—Estou trabalhando demais e ficando paranóico… Só pode ser isso hahah!
Pensei, tentando descontrair um pouco. Eu estava sempre no escritório, e nunca tinha tempo para minha família. Como era sábado, me arrumei e fui fazer minha caminhada. Sair um pouco seria bom para esquecer dos problemas... Enquanto andava, notei que a rua estava vazia. Chequei o calendário do celular e não era feriado naquele dia. Fiquei sem entender nada por alguns instantes, então decidi voltar para minha casa, com ainda mais perguntas na minha cabeça. Enquanto voltava, notei que havia um homem no meio da rua. Não consegui identificar o rosto, já que ele estava de costas. Me aproximei dele, perguntando se poderia me explicar o que estava havendo. Porém, ao chegar perto, o homem virou um monte de ossos esfarelados no chão. Me assustei com aquilo, caindo para trás. Logo em seguida, senti alguém me puxar pelo braço. Quando me virei, vi uma criatura com uma aparência cadavérica. Os olhos eram arregalados, o rosto era ossudo e vermes caminhavam pelo corpo dela... Senti um embrulho indescritível no estômago naquela hora, e tentei fugir logo da coisa. Contudo, ela continuou a me arrastar pela rua, grunhindo e babando sangue… Tentei gritar, mas não saía nenhum som da minha boca. Foi nesse momento que, de repente, ouvi o som ensurdecedor de um trovão.
Acordei do pesadelo gritando, banhado em suor e deitado no meu sofá. Minha respiração estava muito ofegante e cansada. Limpei o rosto, tentando ficar calmo. A chuva chegou naquela hora, forte como uma pancada e seguida de mais dois trovões, tão fortes como foi o primeiro… Me levantei e decidi comer algo, afinal, aquele pesadelo havia despertado e muito meu apetite! No momento em que abri a geladeira, a luz acabou de súbito. Muito provavelmente, resultado da chuva torrencial. Como a casa estava totalmente escura, usei a lanterna do celular para tentar enxergar alguma coisa. Foi aí que várias pessoas começaram a bater na porta, tentando desesperadamente entrar. Assustado e com medo, me escorei na porta, procurando me defender dos invasores. Então, peguei meu telefone e liguei para a polícia, mas eles estavam ocupados. Sem escolhas, arrastei meu sofá para perto da porta, fazendo uma barricada. Aquilo até pareceu adiantar, mas mesmo assim eles continuaram batendo… Desesperado, decidi ir até o meu quarto. Então, me abriguei embaixo da cama, sem nada para me defender na completa escuridão.
Logo em seguida, ouvi os invasores quebrarem a porta. Aos poucos, ouvi passos se aproximando do meu quarto... Comecei a pensar no que fazer, porém nada vinha em mente. De repente, ouvi eles se aproximarem da porta. Então, escutei grunhidos estranhos vindo do outro lado, seguido de um barulho ensurdecedor de tiros. Após isso, a única coisa que ouvi foi a chuva caindo… Foi aí que a luz voltou, com a mesma rapidez que acabou. Alguém bateu na porta do quarto logo depois, porém me chamando pelo nome. Parecia uma voz muito familiar, então decidi abrir. Do outro lado e segurando uma pistola, estava um velho amigo que eu não via a muitos anos: Maurício. Nos pés dele, dois homens, aparentemente usuários de drogas, tinham balas na cabeça. Os olhos deles estavam avermelhados e ambos usavam roupas rasgadas. Porém, o que mais me chocou foram seus rostos, que não se pareciam com nada próximo do de um ser humano...
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