Notas iniciais
Na segunda parte, prosseguimos nossa caminhada ao sol.

Meu amigo pediu para que eu fosse com ele. Segundo o homem, era questão de vida ou morte! Aquele mistério todo estava começando a torrar minha paciência! Alguns minutos de caminhada depois, chegamos em um campo abandonado. Na área, havia um helicóptero militar preto e, ao lado, um homem de braços cruzados estava à nossa espera. Quando nos aproximamos, ele questionou se eu era o novo recrutado. Maurício concordou e respondeu:

—Lucas, eu quero te apresentar o Rafael… Ele vai ser nosso piloto!

O homem de cabelos castanhos apertou minha mão, dizendo:

—Oi, rapaz! Acredito que seja o sangue novo do grupo...

—Sim, sou eu! Pra onde nós estamos indo? (perguntei)

—Vamos sair de Nova Iguaçu… Tá muito perigoso por aqui. Aliás, é melhor irmos logo, Maurício!

Entramos no helicóptero, então Rafael assumiu o banco do piloto. Fechei a porta do veículo e levantamos vôo pelas ruas do Rio. Enquanto cruzávamos o céu, pensei na minha família… Meu trabalho sempre me dificultou de ver meus pais, e eu me arrependia amargamente só de lembrar disso. Tentei desviar meus pensamentos, afinal, eu já tinha muito para me atormentar. Não seria a culpa que ia acabar com o resto do meu ânimo... Passados alguns segundos de silêncio, meu amigo começou a falar:

—Então, Lucas... O que tá acontecendo é meio complicado de explicar... Não sei se você chegou a ver nos jornais, mas surgiu uma epidemia no mundo. Esse vírus se espalha à partir de uma mordida, transformando pessoas em mortos-vivos. Resumindo, nós estamos vivendo num mundo pós-apocalíptico…

De início, não acreditei, até porque aquilo não fazia o menor sentido! Mas foi aí que me lembrei do vídeo que havia visto! Aos poucos, tudo começou a se encaixar. O comunicado do governo, a notícia dos sumiços misteriosos… Do nada senti a visão ficar turva e a cabeça girar. Era muita coisa para um dia só! Depois de um tempo calado, consegui exprimir algumas poucas palavras:

—E o que nós vamos fazer?

—Simples! Ficamos num abrigo até essa loucura toda acabar!"

—E quando isso vai acontecer?!

—Não faço ideia, mas espero que isso termine o quanto antes! Tá muito perigoso andar por aí… Escuta, eu sei como está se sentindo! Foi difícil pra mim também no começo! Mas nós estamos indo pra um local seguro… Você vai ver! (respondeu ele)

—Assim espero…

Chequei o relógio, que marcava apenas dez horas da manhã. Não era possível! Aquele dia parecia ser infinito! Cansado devido à noite horrível, decidi cochilar um pouco. Algum tempo depois, Maurício me acordou, dizendo que chegamos. Quando saltamos do helicóptero, notei que havíamos parado num zoológico. Maurício abriu o portão de ferro, nos guiando até cinco pessoas, que esperavam por nós. Ao nos aproximarmos, Rafael foi me apresentando:

—Lucas, esses são Mariana, Vinícius, Júlia, Gabriel e Pedro...

Me senti bem melhor em ver mais sobreviventes. Era como se tudo estivesse voltando à normalidade... Depois das devidas apresentações, caminhamos pelo zoológico, passando pelos animais selvagens. Entre eles, vi uma família de onças-pintadas. Os predadores nos vigiaram detrás das grades, com olhos ameaçadores. Enquanto observava os animais, uma garota de cabelos pretos se aproximou de mim, sorrindo e se apresentando:

—Oi, novato. Sou a Mariana. Prazer!

—Ah, oi! O prazer é meu!"

—É muito complicado, né?"

—O que é muito complicado?"

—Ter que se adequar a isso tudo… Aos infectados e essas coisas!"

—Aaah, sim. Muito… Ainda estou tentando me acostumar com essa loucura toda!

—Não tente… Senão você vai se enlouquecer!

Em nossos passos, pensei naquelas palavras por um tempo, tentando extrair algum significado. Passados alguns minutos andando, chegamos numa grande jaula. Dentro do lugar, latas de feijão vazias estavam jogadas, além de algumas garrafas d'água e balas de pistola. Falei, analisando o local entre grades:

—Vocês conseguem caber aqui dentro?

Pedro respondeu, cruzando os braços:

—Ah, sim! Essa jaula é bem espaçosa! O único problema são os mosquitos à noite...

Gabriel assentiu, soltando um risinho:

—Pô, nem me fala! Acredita que na última noite eu...

—Depois ouvimos a sua história, Gabriel… Temos que mostrar o resto do local pro Lucas! (interrompeu Júlia)

Maurício concordou com a moça, dizendo que iria me mostrar onde ficavam os suprimentos. Passado um tempo de caminhada, chegamos num pequeno bunker subterrâneo. Meu amigo apontou para a porta metálica, dizendo que ali eles tinham uma regra: usar apenas o mínimo que precisa. Segundo ele, não podíamos nos dar ao luxo de perder nossos suprimentos, até porque era arriscado sair pra procurar mais…

—E que isso também sirva aos outros como segundo aviso! (concluiu ele)

Vinícius concordou, provavelmente cansado de escutar aquilo novamente:

—Tá bem, Maurício… Nós já memorizamos isso na oitava vez!"

—É, mas eu preciso lembrar! Todo cuidado é pouco! Bem, terminamos por aqui. Seja bem-vindo ao grupo, Lucas! Estão todos dispensados..."

O dia estava apenas começando, mas eu já me sentia entre velhos amigos…Após almoçarmos no refeitório do zoológico, cada um tomou o seu caminho. Decidi então andar um pouco pelo local, a fim de respirar o ar puro da natureza. Então pensei no que havia acontecido até o momento: da invasão à minha antiga casa até o caminho ao zoológico, tudo pareceu tão rápido para mim! Mesmo sendo apenas manhã, eu já me sentia exausto... Eu havia passado por tanta coisa e não era nem meio-dia ainda. Enquanto pensava em minha trajetória, observei os outros sobreviventes pela área. Eu precisaria ganhar a confiança de cada um deles, caso quisesse fazer realmente parte do grupo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.