O Mais Belo Espinho De Sangue
39 Salvação
Notas iniciais
E se eu estiver errado?
Eu estive enganado desde o início
E se eu estiver errado?
Era uma fisgada mortal que subia e descia, repuxando a pele que estava em chamas. Como se mil formigas lava-pé estivessem dilacerando o seu braço. A dor era excruciante e não tinha fim, Charlie Bloson tentou se acomodar, mas foi uma péssima idéia, pois o braço que estava atado atrás das costas com uma algema voltou a gritar pelo buraco de bala ainda mais.
Para ajudar ele ainda tinha que lidar com a dormência de seu abdômen onde um taser tinha disparado choques diversas vezes, um só teria doido o suficiente, mas depois da terceira vez que Bruce Taunt tinha apertado a arma de choque Charlie tinha parado de contar. Ele não precisava olhar para saber que a pele logo estaria com uma bola roxa-esverdeada no lugar onde sofrera os choques, Charlie sentia como se tivesse levado uma mordida de um par de dentes naquele local.
A situação não era a mais favorável, ele sabia que a qualquer momento o FBI entraria naquela sala e tudo o que ele tinha evitado por boa parte de sua vida viria à tona: ir preso. Charlie tentou respirar fundo, mas isso só fez com que suas costelas doessem se ao menos ele pudesse soltar os braços não seria difícil sair dali.
Fugir aparentemente não era uma opção viável, no começo ele tinha achado que aquilo era algum plano de Erzsébeth Pansy de prendê-lo que tinha cansado de ficar blefando, mas aquilo não devia ser atuação, ela estava tão apavorada quanto ele e se não estivesse ela era uma ótima atriz e Hollywood com certeza estaria a perdendo.
Pela primeira vez em muito tempo Charlie estava experimentando alguns sentimentos inesperados como o medo, ele não sentia isso há muitos anos. Um lampejo de desespero estava começando a passar pelos seus olhos. Isso era tudo, era o fim e ele estava condenado. Sua testa começou a ficar quente, ele não sabia se estava com alguma febre ou nervoso mesmo, pois a temperatura estava bem baixa naquela sala, então provavelmente não estava suando de calor.
O tal agente do FBI ficava a maior parte do tempo no telefone gritando ordens para alguém, cuspindo enquanto falava. Se não estava atormentando os outros no telefone e usando a palavra ‘’incompetente’’ ‘’mova essa sua bunda gorda para cá logo!’’ que Charlie podia jurar ter ouvido a repetição dessas palavras inúmeras vezes em um pequeno intervalo de tempo, ele estava torturando Charlie e Pansy mentalmente. Seria muito mais fácil se ele levasse todos presos logo e parasse de ficar esfregando na cara de Charlie que ele era um ser humano desprezível (nas palavras de Taunt) e fazendo jogos psicológicos com Pansy. Nem Charlie era tão cruel assim. Bom, talvez ele fosse, mas isso não vinha ao caso.
Apesar de ser o fim da linha e isto estava evidente, Charlie não estava pronto para se entregar para um tirano do FBI sem nem ao menos mostrar um pouco de força, ele tinha que trabalhar a cabeça e pensar logo em uma maneira de sair dessa situação. Tudo o que ele precisava era se soltar daquelas algemas, mas não conseguia fazer nenhum movimento com o ombro esquerdo baleado. Isso fez com que Charlie lembrasse outra coisa: Taunt possuía uma arma, e se ele conseguisse se soltar antes de poder ficar de pé Taunt estaria metendo uma bala entre seus olhos, ou pior: no seu outro ombro.
Era definitivamente um beco sem saída, mas Charlie se negava a ficar parado esperando ser jogado em um carro forte do FBI, então ele começou a olhar em volta, ser se conseguia achar alguma coisa, nem que alcançasse com os pés e fizesse algum tipo de milagre para se soltar.
Observou o perímetro, era uma sala comum, dois sofás brancos, Pansy sentada também presa em um deles, o outro vazio, Taunt tinha levado sua mala dali, provavelmente ali dentro deveria ter alguma coisa para ele se soltar, mas isso era apenas uma dedução. Uma mesinha de centro vazia. Uma televisão e um assassino de mulheres preso ao cano do aquecedor no chão de madeira. Nenhuma chave dando sopa, nenhum grampo pra ser usado pra abrir a algema, nenhuma arma para ele usar contra Taunt.
Charlie parou de pensar por um minuto, Pansy era uma agente do FBI treinada, não fazia sentido ela estar sentada no sofá sem demonstrar nenhum tipo de reação ela deveria ter algum truque na manga, algum plano mirabolante para escapar dali, e Charlie não viu outra alternativa a não ser conversar com ela. Havia uma pequena chance de ele ser ignorado por ter dito minutos atrás que queria ter matado ela, mas se Pansy fosse sensata teria notado que ele usou a palavra ‘’querer’’ no passado, significando que ele não tinha mais a intenção de fazer isso e tinha abandonado a ideia em um passado remoto. Ela vivia tentando matar ele e nem por isso Charlie ficava reclamando, não via motivo para ela não querer ajudá-lo.
—Erzsébeth... —Charlie tentou abaixar o tom de voz, quase um sussurro para Bruce não ouvi-lo.
Ela não o olhou, continuou a fitar a parede branca.
Valia à tentativa.
—Hey, Erzsébeth! —Charlie disse novamente.
—Nem tente isso. Eu sei o que você está pensando. —Ela mantinha a voz calma, e ainda continuava olhando para a parede.
Charlie não sabia se ela tinha adquirido poderes psíquicos, pois ela não podia saber o que ele queria ou muito menos pensava.
—Tudo o que eu aprendi no FBI foi com ele, não importa o que eu tente fazer, nem se eu quisesse poderia tirar nós dois daqui. Antes que eu me mexa um centímetro desse sofá ele volta e te dá um choque no meio das bolas. —Pansy ainda não o olhava. Aparentemente ela sabia quais eram os planos de Charlie.
Charlie encostou a cabeça na parede. Ele precisava dar um jeito nisso. Pensou em passar o pé em Taunt enquanto ele passasse por ele, com sorte ele poderia tropeçar no chão e sofrer uma fratura craniana, como também poderia levantar e dar um cacete em Charlie. Ou ele poderia tentar asfixiá-lo com a perna, mas Taunt tinha uma maldita arma, o que não facilitava muito as coisas.
—Duas cabeças pensam melhor que uma, deve ter um jeito de sairmos daqui. — Charlie disse com cautela.
A parede era bem mais interessante que Charlie.
—Mesmo se tivesse o que te faz pensar que eu o ajudaria? Supondo que saíssemos daqui você ia fazer o que? Terminar o que queria fazer anos atrás e me matar de vez? — A voz dela era carregada de rancor.
Ela tinha um bom argumento, quem garantia que ele não iria matá-la? Nem Charlie tinha certeza sobre o que queria fazer com ela. Não queria machucá-la, não queria perdê-la, mas também não sabia se iria acabar sucumbindo aos seus instintos básicos e libertando o que tinha dentro dele, um monstro.
—Você deve achar que eu sou um monstro. —Charlie sabia que ela não achava, tinha certeza disso.
Pansy olhava para o chão agora, uma mudança de ângulo.
—Eu não sou diferente de você, Charlie.
Charlie não entendia a onde ela queria chegar.
—O que faz de você um monstro? A falta de empatia? O desejo por sangue? E o que faz com que eu não seja um monstro? Eu sou negligente, impaciente e egoísta. Eu estava disposta a... —Charlie podia jurar que ela estava chorando. —Quando ele deu aquela arma na minha mão, eu não hesitei nem por um momento, eu ia atirar nele, eu ia matá-lo sem nem pestanejar. Nem por um... Nem pela droga de um segundo eu pensei no que isso iria implicar, ele pode ser um babaca, mas só está fazendo o trabalho dele. Eu ia matar um homem inocente! —Ela mantinha a voz baixa, mas estava chorando. —Ele tem uma família, Deus ele tem três filhos! Eu ia deixar três crianças órfãs de pai pelo o que? Pra salvar um homem que não tem um pingo de amor no coração, por um homem que passa a vida torturando, mutilando e matando pessoas a sangue frio, mas isso não é o pior de tudo. O pior de tudo é que eu sei que isso é errado, mas eu continuo não me importando, se ele colocasse aquela maldita arma na minha mão eu ia atirar nele mil vezes e salvar você. Isso não faz de mim uma pessoa altruísta, isso faz com que eu seja um monstro mil vezes pior que você.
Ela tentava engolir as lágrimas, Charlie não sabia o que dizer diante daquela situação, sentiu um frio na espinha, uma sensação estranha, ele não sabia o que era aquilo que estava sentindo ao vê-la daquela maneira, mas era um sentimento novo e estranho.
—Você matou o Johnny, você disse que ia me matar e eu não sinto nada a respeito disso. Eu deveria estar te odiando, eu deveria estar furiosa, mas eu não consigo odiar você, por mais que eu tente e Deus... Como eu tentei te odiar! Depois daqueles dias naquela porra daquele abrigo anti-bombas que era uma sala de tortura, eu deveria desejar você morto, tentar te matar a cada oportunidade. Sim eu tive inúmeras oportunidades desde então de matar você, seu filho da puta desgraçado! E eu não fiz! Aquele dia, você usou e abusou de mim de todas as maneiras possíveis, eu deveria ter nojo de você. Mas eu não tenho. Eu tenho nojo de mim. Eu sou um ser humano horrível e pior que um rato de esgoto. Eu me odeio a cada segundo por ter me envolvido com você, por não ter feito meu trabalho, por ter sido estúpida, por ter gostado de todas as vezes que você esteve dentro de mim, sabendo que você é um psicopata, um lunático, um... Um monstro! Mas eu não consigo! Eu não consigo te odiar, eu só consigo odiar a mim mesma. Por ser a porra de um monstro! — Ela se virou para ele, com o nariz vermelho e cheio de muco, se Charlie não se esforçasse não conseguiria ouvi-la sua voz era um sussurro e falhava enquanto saia. Os olhos dela estavam inchados e vermelhos.
Charlie sentiu o arrepio subir novamente. Ele sabia que tinha algo muito errado acontecendo com ele. Ele sabia que tinha um sentimento novo e até pouco tempo inexistente habitando seu corpo.
E ele estava sem palavras, sua língua pesava dentro de sua boca. Ele sentia algo parecido com uma náusea. Ele tentava se focar e sentir algum ódio, mas não estava conseguindo.
Por que eu devo me importar?
O que está errado comigo? Meu ódio se foi
Por que eu devo me importar?
Charlie não conseguia entender porque ele estava se importando, mas alguma coisa fazia com que ele se importasse com Pansy, com o que ela sentia e principalmente com o que ele tinha feito. Não, isso só pode ser a minha febre! Charlie pensou isso era impensável, impossível. Não era?
Tinha que ter uma maneira de sair disso, Charlie precisava sair, custasse o que custasse.
Agora Pansy não parava de encará-lo, isso o estava deixando nervoso, ele preferia quando ela o estava ignorando, o olhar que ela tinha sobre ele, fazia com que a temperatura subisse ainda mais, ou talvez fosse só a febre.
—Você já foi feliz Charlie? —A voz dela era um resquício de voz, Charlie teve dificuldade de ouvir o que ela dizia.
—O quê? — Ele perguntou confuso, talvez ele não fosse o único delirando ali.
—Sabe o que dizem? Que a felicidade é algo subjetivo. —Ela não piscava continuava fitando os olhos de Charlie, aqueles olhos cor de âmbar. — Ela não é algo permanente, acontece de maneira diferente para cada pessoa, o que pode ser considerado ‘’felicidade’’ para uma pessoa não é para outra. Felicidade não pode ser comprada, não pode ser contada. A felicidade pode ser um momento, um flash como em uma câmera sabe? — Não, ele não fazia idéia do que ela estava falando — Pode ser um abraço, uma risada, uma lágrima, carregar um filho recém nascido nos braços, beijar a pessoa amada, abraçar seus pais, ou simplesmente ler um bom livro, eles dizem que as pequenas coisas trazem a felicidade. —Charlie tinha a impressão que ela não piscava, com aqueles lábios inchados e machucados, a testa com casca de sangue, o rosto manchado pelas lagrimas, ela continuava linda — Eu nunca fui verdadeiramente feliz, minha infância foi o câncer do meu pai, e quando ele morreu... De certa forma foi um alivio para todos sabe? Como um fardo que tiravam de cima de todos nós, minha mãe e minha irmã nunca admitiram isso, mas eu sei que uma pequena parte delas ficou... Feliz de ele ter morrido. Depois eu passei boa parte da minha vida adulta entorpecida, sempre pulando de uma droga para outra, conheci o Johnny e eu achava que estava feliz com ele, mas não estava. Eu estava drogada e chapada a maior parte do tempo. Achei que meu trabalho me fazia feliz, mas eu tinha que lidar com a escória da sociedade todos os dias, pessoas como... —Ela parou de falar.
—Pessoas como eu. —Charlie completou.
—Sim. —Ela suspirou e fechou os olhos. —O engraçado disso tudo, é que a única fez que eu acho que realmente fui feliz, bom eu não sei, eu nunca soube distinguir a felicidade. Foram os meses que eu passei casada com você. — ela sorriu — Era tudo uma mentira, uma farsa, mas eu era feliz sabe?
O arrepiou voltou um pouco mais forte. Charlie sentiu uma leve pontada no peito. Era a febre não tinha outra explicação, era fisicamente impossível ele estar sentindo o que ele achava que estava sentindo.
O que eu tenho feito?
Eu gastei minha vida apenas por diversão?
O que eu tenho feito?
Pansy estava derrota, Charlie sabia disso. Ela tinha desistido e isso estava evidente nos olhos dela. Ele não tinha estragado o corpo dela e a mente dela tinha estragado a vida dela, apenas por diversão.
Charlie estava arrependido.
Charlie estava sentindo remorso.
Charlie não fazia idéia do que fazer a respeito disso.
Pela primeira vez em muitos anos ele estava sentindo algo real, não era ódio, não era desejo e não era felicidade. Era o puro e mais simples arrependimento. Ele não sabia se tinha alguma salvação para ele, mas com certeza não teria. Ele não conseguia se arrepender de todas as pessoas que ele machucou e todas as vidas que tirou. Ele só conseguia se arrepender por ter deixado Pansy viva e oca por dentro, por ter feito com que o errado parecesse certo para ela, por ter revirado os sentimentos dela. Ele fez algo muito pior que torturar e matar ela, ele a deixou apaixonada por um monstro.
Pela primeira vez ele sabia como era se sentir culpado e não apreciava essa sensação.
Taunt voltou da cozinha colocando o celular no bolso. Ele estava radiante e com um sorriso de orelha á orelha.
—Se animem pessoas bonitas! As estradas foram liberadas e a minha equipe está na rota para vir para cá! —Taunt disse sorrindo.
Ninguém achou graça.
—Nossa! Que clima pesado, o que vocês dois andaram conversando? Bem, não me interessa, o que interessa é que em algumas horas estaremos todos alegres e felizes em solo americano, pensando bem talvez vocês não vão compartilhar de tamanha alegria. Pansy ainda dá tempo de mudar de idéia, você vai depor contra esse homem e ficar do lado da sua família do FBI? É simples querida, muito simples. Na realidade eu não acho que você acredite realmente de tão fácil que é, é só você dizer toda a verdade, que ele é um louco sádico e que você estava como cúmplice dele, a gente consegue encurtara sua pena. —Taunt deu um de seus melhores sorrisos.
Pansy se voltou para ele.
—Vai se foder, Taunt!
Taunt abaixou a cabeça e riu.
—Bem, a escolha é sua, você vai ter que arcar com as consequências.
Taunt desfilava todo pomposo pela sala, passou por Charlie para ir até a porta. Era esse o momento, era tentar ou morrer tentando.
Charlie esticou a perna o máximo que pode e enroscou a perna nos pés de Taunt. O chão tremeu quando ele caiu com sorte ele não viu o que Charlie estava fazendo.
Charlie entrelaçou as pernas ao redor de Taunt, fazendo pressão com a virilha e os joelhos segurando a cabeça dele, seus pés não tinham falhado, ele ainda tinha força nas pernas.
Pansy arregalou os olhos.
—Você consegue se mexer, vir pulando do sofá até aqui? Rápido! — Charlie disse olhando para a arma de Taunt que tinha caído á poucos centímetros do homem, se Pansy não cooperasse ele sacaria a arma de volta e tudo estaria acabado.
Pansy se jogou do sofá, mesmo com as pernas e os braços presos, ela foi rolando no chão até a arma e a empurrou para longe. Pansy se sentou no chão próxima aos dois.
Taunt se debatia e tentava se mexer, Charlie aumentou a pressão com as pernas ao redor do homem que tossia.
—Me larga seu filho da puta retardado! —Ele tentava dizer.
—Tem um canivete no bolso dele que eu vi você consegue pegar e se soltar, Erzsébeth? —Charlie perguntou.
Ela acenou com a cabeça e se virou até Taunt, com as mãos atadas atrás das costas ela se aproximou e se inclinou para trás para alcançar o bolso dele, Taunt começou a se espernear ainda mais, Charlie apertou ainda mais.
—Logo vai faltar oxigênio no seu cérebro, eu posso te matar asfixiado ou fazer você desmaiar e te matar depois, você decide. —Charlie disse e o homem parou de se mover.
Em silencio Pansy conseguiu pegar o canivete e lutava para cortar o lacre que prendia suas mãos. Ela era habilidosa, Charlie sabia que ela não ia desapontá-lo, ele tentava se convencer que estava fazendo isso pelo próprio bem dela.
Taunt tinha desmaiado, e Charlie afrouxou as pernas deixando Taunt inerte no chão.
Pansy a essa altura estava de pé ela tinha soltado as mãos e os pés com o canivete.
—Você pode pegar a chave das algemas no outro bolso dele e me soltar? —Havia uma pequena possibilidade de ela o mandar se foder e sair daquele apartamento correndo.
Por sorte ela não fez isso. Pegou as chaves e soltou as mãos de Charlie abrindo as algemas. O pulso dele ardia.
Charlie se levantou, as pernas formigavam pelas horas que ele passou sentado no chão.
—Sim eu já fui. — Ele disse cambaleando.
Pansy parecia confusa.
—Foi a onde?
—Eu já fui feliz. — Ele disse se aproximando do sofá e se agachando. —Naquele dia em que eu coloquei um anel no seu dedo, eu senti pela primeira vez na vida o que era ser feliz, ou algo próximo disso, por alguns meses eu era o homem mais feliz do mundo. E mesmo assim eu continuava matando. Não há salvação. Estou cansado de viver e com medo de morrer. —Charlie disse em um lamento.
—O que você está falando, Charlie? —Pansy se aproximou.
Charlie se levantou do chão com a arma de Taunt em mãos.
—Você merece ser feliz, você precisa ficar livre de mim. —Charlie destravou a arma, a ergueu aproximando-a a de sua têmpora
Charlie viu que Taunt se levantava atrás de Pansy, ele tossia ruidosamente com as mãos em volta do pescoço. Pansy o ignorou.
—Eu te amo, Erzsébeth. —Charlie fechou os olhos.
—Charlie, não! —Foram as ultimas coisas que ele ouviu antes do estrondo.
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