Notas iniciais
Bom, esse é praticamente o último capitulo da fic já que o próximo é o epilogo, então gostaria de agradecer o carinho e atenção á todos quem tem me acompanhado nessa jornada por mais de um ano! Tem uma música nesse att, só clicarem no PLAY e enjoy :)

O dia era quente e seco a umidade estava baixa, o tom era alaranjado a onde o sol batia de encontro com a planície refletia uma imensidão dourada quase cinematográfica, era bonito e estonteante, você podia se afogar só de olhar para a paisagem. Nem o vento continuo, quente e seco e ocasionalmente com alguns grãos de areia batendo na face atrapalhava, tudo estava perfeito. O solo era quente, dava pra sentir o calor passando pelo calçado e ardendo a sola do pé, era uma quentura agradável. Era quase entardecer, parecia ser uma boa idéia ir até lá no entardecer quando os raios solares não eram tão intensos, mas mesmo assim o clima continuava escaldante, a areia havia absorvido o calor do sol o dia todo e no entardecer continuava quente, levantando partículas de calor do solo.

Não havia pássaros sobrevoando o céu, apenas abutres, eles também gostavam do clima quente e estavam sempre sobrevoando á procura de uma carcaça para se banquetear. O vestido era leve e simples, branco com desenho de pequenas cerejas fazendo com que tivesse um toque retro, era cafona, porém confortável. Ele também estava á vontade, com seu habitual jeans surrado e desbotado, ela podia jurar que em algumas partes o brim estava desfiando e com certeza isso não era um artifício de moda, era apenas uma calça velha, o homem não fazia muito o tipo que se preocupava com tendências de moda. Ele usava uma camisa regata branca, ela estava suja de terra (como a maioria das roupas dele), mas ela gostava da camisa mesmo assim, marcava bem o braço forte e definido, não um braço de academia mas um braço que pegava no pesado. Os ombros largos, o peitoral grande com algumas pelos saindo da camisa, se ela se aproximasse um pouco poderia sentir o cheiro de terra, de suor, de colônia e de masculinidade, ele exalava testosterona.

Ela ainda não estava certa de qual era o relacionamento de ambos, estava apenas se aproximando, no fundo do fundo ela sabia que isso era impossível, não havia aproximação, não havia um relacionamento, ela tinha que investigar e coletar provas de que ele era o homem que todos procuravam, pelo menos ela tinha encontrado um homem que nem ela mesma procurava.

Não fora muito difícil convencê-lo de ir até o deserto Mojave em Nevada novamente com ela, depois da ultima vez em que tinham trepado sob as estrelas naquele lugar parecia tentador voltar para lá, mas afinal de contas Scarlett Bliss era um fotografa e ela precisa fotografar, e tinha acabado de se mudar para uma cidade desconhecida, não custava nada o simpático botânico fazer um pequeno tour com a ruiva pela cidade, e não havia lugar melhor para fotografar do que o deserto.

Ela segurava a câmera com destreza enquanto fotografava as montanhas de areia vermelha, o solo rachado pelo sol e uma cobra Mojave que passeava perto de um cacto. Ele apenas observa, apontando ocasionalmente algumas direções de onde poderia ser um bom ângulo para fotografia, ela não fazia idéia do que tirar foto, não entendia de ângulos ou luzes, mas tinha que manter a aparecia de que era uma fotografa profissional, ele pelo menos parecia convencido disso. Às vezes esboçada um sorriso tímido quando ela reclamava do vendo que despenteava seu cabelo, ou fazia seu vestido quase se erguer. Ele tinha um lindo sorriso, uma fileira de dentes brancos e perfeitos, tudo nele era perfeito aparentemente.

—Você poderia tirar uma foto minha? — Ela disse se posicionando contra o sol.

Ele parecia desconfortável, mas acenou a cabeça em concordância, pegou a câmera desajeitado.

—É aqui que aperta? —Ele perguntou confuso tocando o botão do flash.

Ela sorriu.

—Não, ai é o flash, você tem que apertar esse botãozinho vermelho que tem em cima. —Ela disse apontando.

Ele balançou a cabeça e sorriu baixinho.

—Espere! — Ela disse fuçando o bolso que tinha no vestido tirou um cigarro e o colocou nos lábios sem ascender.

Ele franziu o cenho e riu.

—O que foi? Dá um ar de malvada. — Ela disse entre os lábios.

—Você não tem cara de malvada, não importa o que faça. — Ele disse disparando o botão enquanto ela o encarava.

Ela fingiu ultraje.

—Eu posso ser bem malvada se quiser sabia?

Ele abaixou a câmera e passou uma de suas grandes mãos calejadas pelo cabelo escuro. Ela ainda não tinha notado como a tatuagem dele era charmosa, espinhos que subiam desde o ombro passando pelo braço esquerdo, tudo nele dava um ar de perigo.

—Duvido muito que você seja má. — Ele sorriu.

Ela pegou a câmera dele.

—Hum... Você fica muito bonito zombando, sabia Sr. Bloson? — Ela disse dando um click inesperado. Ele arregalou os olhos.

—Não sou muito fotogênico, já disse isso para você, não gosto de tirar fotos. — Ele disse tentando pegar a câmera, mas ela se esquivou.

—A fotografa aqui sou eu, e eu acredito que você fica extremamente bonito no meio desse deserto. —Ela tirou outra foto enquanto caminhava apressadamente para trás.

Ele balançou a cabeça enquanto tentava segurar o riso.

—Estou falando sério, pare com isso. Já disse que não gosto de fotos. Vai acabar queimando a sua câmera. — Ele tentou pegar a câmera com suas grandes mãos, mas ela não deixou se encostou ao capô do carro.

Ele se aproximou ligeiramente dela que continuava a disparar clicks, segurou o braço dela no ar enquanto fotografava.

—Hey! Você está atrapalhando meu trabalho, invadindo meu espaço! —Ela protestou.

Ele tirou a câmera das mãos dela e a jogou no banco da frente do conversível, a imprensou contra o próprio corpo. Ela podia sentir o hálito quente dele de tão próximos que estavam.

—Talvez seja melhor pararmos de fotografar. —Ele disse encostando o nariz no cabelo dela.

Ela fechou os olhos.

—E o que você sugere que a gente faça? —Perguntou em tom desafiador.

Ele riu, e entrelaçou as mãos nas costas dela massageando-as, ela sentia arrepios pelas costas, a eletricidade passando do toque dele para o corpo dela. Ele encostou os lábios no pescoço dela, ela sentia a barba cerrada dele se esfregando contra sua pele, ele deu um beijo de leve no pescoço dela. Ela passou as mãos para cintura dele e as desceu colocando uma em cada bolso traseiro da calça dele.

Ele a fitou e encostou o nariz no dela, antes que ele tomasse iniciativa ela o beijava ferozmente, invadindo a boca dele com sua língua, sentindo a umidade quente do beijo, os dentes rangendo um no outro e até se permitiu dar um pequeno apertão na bunda do homem.

Ele subiu uma mão pela alça do vestido dela, descendo sem pressa devagar, ela não usava sutiã, ela detestava usar sutiã. Ele tocou o seio dela, o toque dele não era gentil, ela sentia a mão calejada apertando seu seio com voracidade. Ele era consideravelmente mais alto que ela, podia sentir a ereção contra a sua barriga. Ela se inclinou para trás quase deitando no capô do carro. Ele já tinha abaixado o zíper de sua calça e erguido o vestido leve dela, ela sentiu quando ele entrou dentro dela sem nenhum aviso prévio, foi um tranco rápido. Ele a olhava com desejo e voracidade, fez o movimento para trás de saindo e depois voltou a investir com força, o carro tremia, ela soltou um gemido fraco e podia sentir o coração dele batendo contra o peito dela, ele ainda mantinha a mão no seio dela apertando com força.

Ele seguia um ritmo, entrando e saindo com rapidez, enquanto ela sentia seu quadril sendo empurrado com a força que ele mantinha sobre o corpo dela, ela estava sob o domínio do homem, ele gemeu ruidosamente enquanto ia para frente e para trás, ela mantinha as mãos nos quadris do homem que fazem movimentos frenéticos enquanto ele estava desesperado dentro dela com força.

Ela sentiu os dedos dos pés se contraírem, sua boca se abriu e soltou um gemido gutural, ele a acompanhou grunhindo alto e encostou os lábios nos seios dela.

Ele continuava dentro dela, ele estava vermelho e com os cabelos despenteados, aqueles olhos verdes profundos se voltaram contra ela.

—Esse foi um dia proveitoso.

Erzsébeth Pansy sentia o calor embaixo de si, seu corpo colado com o corpo do homem, a eletricidade passava deliberadamente de uma pele para a outra. Tudo fora muito rápido, ela não teve tempo de pensar, respirar apenas teve que agir por instinto e se jogar por cima de Charlie.

Ela o observava, quase uma imagem congelada, com seus olhos verdes e melancólicos segurando uma arma contra sua cabeça, subitamente Pansy sentiu o chão sendo retirado debaixo de seus pés e o vazio tomou conta de seu corpo. Um torpor subiu junto com o desespero. Aquilo não podia estar acontecendo.

Um estouro, forte e audível fez com que os ouvidos de Pansy zumbissem um estrondo tão alto que fez com que o chão tremesse embaixo de seus pés. Pansy não se moveu, seu corpo automaticamente foi projetado para frente caindo em cima de Charlie.

No exato momento em que ele mantinha uma arma apontada para a cabeça com o dedo no gatilho a porta fora aberta abruptamente e ela não teve alternativa a não ser se jogar contra o homem, ela fechou os olhos com força enquanto o abraçava no chão, até ouvir o som do tiro e sentir algo quente e pegajoso espirrando em sua pele.

A porta fora arrombada.

Fechou os olhos com intensidade, com toda a força que podia enquanto o abraçava, ele ainda cheirava a terra o cheiro não tinha saído dele depois de todos esses anos. Permitiu-se abrir os olhos lentamente e tocou a cabeça de Charlie, ela ainda estava intacta, não era um melão espatifado, nada daquilo fazia sentindo...

Levantou-se lentamente e viu a mulher parada em sua frente com uma arma em punho. Ela tinha a maquiagem borrada, os olhos eram riscos pretos a boca curvada e um olhar psicótico. Ela encarava alguma coisa no chão, Pansy se virou e viu Bruce Taunt caído de bruços em uma poça de sangue que um dia fora sua cabeça.

—C-Cali? — Ela perguntou olhando para a Dr. Cali Ordin a médica legista do FBI que deveria estar nos Estados Unidos muito longe dali.

—Desgraçado! — Ela disse entre dentes.

Charlie se levantou e ficou em pé. Pansy correu até perto do sofá a onde estava a arma que ele segurava. A tomou, Charlie fitava o chão perplexo sem entender o que tinha acontecido meio minuto atrás. Pansy se aproximou de Charlie e bateu com o cabo da arma na cara dele. Ele virou o rosto em espanto.

—Nunca mais tente fazer algo estúpido como enfiar uma arma na cabeça, eu sou a única que pode fazer isso! — Ela disse se movendo em passos lentos para Cali que continuava parada perto da porta com um olhar de ódio.

—Filho da puta, porco desgraçado! — Ela continuava balbuciando.

—Mas que... Mas que porra foi essa Cali? —Pansy perguntou sem entender o porque da amiga ter ido para o outro lado do mundo para matar Bruce Taunt que era o chefe de ambas, e amante de Cali há muitos anos.

—Arrombado, cretino ignorante! — Ela continuava a dizer.

Charlie se sentou no sofá.

—Cali! Eu preciso que você se foque, tem uma equipe do FBI que vai chegar aqui a qualquer minuto, preciso que você me diga que merda está acontecendo! —Pansy disse se aproximando da amiga.

—Esse bastardo, eu invadi o computador dele e vi que ele tinha feito uma força tarefa para prender o Charlie e ia prender você... Mas isso não fazia sentido, já que você não tinha nada a ver com ele... —Ela disse olhando para Charlie. —Meu Deus, eu não sei o que está acontecendo. Eu fui até a mulher dele e contei tudo!Contei sobre Taunt e eu disse que ele vivia prometendo que ia largar dela e ficar comigo e — Ela continuava a olhar para o corpo de Taunt. —Ela riu da minha cara, disse que sabia que ele tinha uma amante e que, que eles riam de mim e que nunca ele ia largar dela pra ficar comigo, cretino miserável! — Ela disse chutando o corpo de Taunt.

—Hey Cali! E foi por isso que você o matou? — Pansy perguntou confusa.

—Não! — Ela enxugou uma lágrima. — Claro que não, ele estava obcecado em prender esse tal de assassino das flores e também em ferrar a sua carreira, eu li tudo isso nos arquivos dele quando eu invadi o computador dele, então eu resolvi vir pra cá pra te alertar, e quando eu arrombei essa porra de porta, ele estava apontando uma arma para você, Pansy! —Cali disse com desdém. Pansy olhou para Taunt e de fato ele segurava uma arma na mão, Pansy não sabia dizer de onde ele tinha tirado aquela arma. Sentiu um arrepio percorrer as entranhas, ela deveria estar morta e Charlie também.

Taunt ia matar ela, enquanto ela olhava Charlie se matar, eram muitas mortes em poucos segundos para serem digeridas.

Todos ouviram as sirenes.

—Merda o FBI chegou junto com a policia! — Cali disse.

Charlie não se moveu do lugar.

—Saia daqui. — Cali disse encarando Charlie.

—O que? — Pansy perguntou perplexa. —Você está o mandandoele fugir? Cali tem a porra de um cadáver no meio da merda da sala, você vai ser presa!

—Claro que não, tolinha. Não fui eu quem matou Taunt, quando eu cheguei aqui ele já estava morto, foi o seu namorado que fez isso.— Cali disse com naturalidade.

Charlie se levantou.

—Mas eu não matei esse idiota. — Charlie disse em protesto.

Cali bufou.

—Eu sou uma médica legista lido com isso todos os dias, Taunt merecia ter morrido pelas mãos de qualquer um de nós, Pansy se você quer ferrar a sua vida, à hora é agora, você pode ficar aqui comigo e confirmar minha história, e você... —Cali olhou para Charlie. —Eu nem quero saber o que acontece com vocês, saia daqui.

—O que? — Pansy e Charlie perguntaram juntos.

—Esse bastardo não vai ter o gostinho de ter te prendido, ele vai morrer como um fracassado, um covarde que morreu falhando em prender o assassino mais procurado dos EUA, que atirou nele e fugiu, ele não merece morrer como um herói, e sim como um verme! — O ódio era palpável na voz dela. — Fuja!

Charlie concordou em um aceno e se aproximou da janela por onde ele ia ir embora e puxou Pansy para perto da janela. Cali se movia no apartamento montando a cena do crime para dar ênfase na historia dela.

Play

Hey you must obey
Or you will bleed
You know I need to get my way
So now you listen up
You are my pup
I beat you up in every way

Pansy olhou assustada par o braço, onde Charlie a segurava.

—Erzsébeth, eu fui o homem que estragou sua vida, me de uma chance de mudar isso e acertar as coisas, eu posso provar ser um homem melhor, fazer você feliz um dia de cada vez. Fuja comigo, viva comigo, passe sua vida ao meu lado e morra comigo. — A voz dele era uma suplica.

Pansy estava chocada.

—Meu Deus Charlie! Você enlouqueceu? Eu... Eu não posso... — Ele colocou um dedo sob a boca dela.

—Não tem nada que a prenda aqui, vamos, fuja comigo e daremos um passo e cada vez, só eu você, eu sei que podemos recomeçar do zero. Nós gostamos um do outro e isso é o que importa.

—Mas você é um... — Ela balançou a cabeça.

—Eu sou um homem simples, atormentado e complicado, você não é diferente de mim, você mesma disse isso. Você desperta o melhor de mim, vamos viver um dia de cada vez, eu sei que posso... —Ele fez uma pausa, parecia procurar argumentos. —Eu sei que posso me redimir ter uma vida normal e abandonar o passado para trás.

We are not to blame
For seeing love is pain
An we are not ashamed
To say that love is pain
An well do it again

Pansy se aproximou de Charlie e colou seus lábios no dele, segurou a cabeça dele e ele entrelaçou os braços ao redor do pescoço dela. Por um segundo ela apenas inalou o aroma dele, sentindo a eletricidade conduzida de um para o outro, então ela o soltou.

—Meu Deus, isso não está certo, eu não posso deixar a Cali aqui sozinha Charlie. O que nós vamos fazer da vida?

Carpe Diem. — Ele disse.

—O que?

—Sugar e espremer o dia. Vamos aproveitá-lo eu e você, carpe diem um dia de cada vez.

—Isso é loucura, você sabe que e não posso fazer isso. — Ela disse soltando a mão de Charlie. Ele abriu a janela e olhou para ela uma ultima vez.

—Talvez sejamos todos loucos, talvez a loucura seja melhor quando aproveitada em dois, você sabe o que dizem? O mundo foi construído para dois... — Ele esticou a mão para ela.

Pansy mordeu o lábio inferior e soltou a mão de Charlie, fechou os olhos com força e balançou a cabeça negativamente.

Notas finais
E o próximo é O final. Realmente espero que vocês gostem de todo o meu coração :)