O Mais Belo Espinho De Sangue
7 Capítulo 7- A Decisão
Notas iniciais
O aroma do café inebriava todo o local, Pansy estava sentindo um misto de enjôo e um nó no estomago, como se tivesse algo preso em sua garganta. Que diabos Taunt estava tramando? Que ele era vingativo e não tinhas muitos escrúpulos não era nenhuma novidade, agora, jogá-la na toca dos leões era demais, até mesmo para ele. Se ele estava querendo se vingar dela, estava começando por baixo. E Pansy odiava pessoas baixas.
—Desculpe senhor, mas, isso só pode ser uma brincadeira não é mesmo? — Pansy desenhava círculos imaginários na mesa, enquanto todos desviavam sua atenção para ela.
—É uma chance de ouro, Agente Pansy. Muitas pessoas dariam um braço para ter essa oportunidade, caso você descubra que ele é o nosso assassino, poderá prendê-lo e sairá vitoriosa, biografias serão feitas sobre você, caso ele não seja, você volta a sua vidinha regular. — Taunt afrouxou o nó da gravata.
—Pois se essa é uma oportunidade de ouro, o senhor que a agarre. Eu tenho uma vida sabia?
—Todos estão dispensados, podem sair Pansy, você fica. —Taunt disse sentando-se na cadeira principal da mesa. Todos se retiraram da sala, e Pansy estava bufando, com tanta raiva que a qualquer momento quebraria uma cadeira e a usaria para empalar Taunt.
—Que porra você esta pensando? Eu não vou cair nesse seu joguinho de merda, então acho bom você parar com essa palhaçada ridícula. —Pansy rangia os dentes com tanta força, que pensou que seu maxilar fosse travar.
—Cuidado com o linguajar. Não sei por que você está reclamando, sou seu chefe e posso mandar você pra porra da Escandinávia antes que você abrisse essa sua boquinha suja. Estou sendo legal com você, e lhe dando uma chance de ouro, de um trabalho que muitos agentes sacrificariam a própria vida para ter. Coloque um sorriso nesse seu rostinho pálido, e pare de reclamar.
Pansy segurou-se no acento para não pular em cima de Taunt e estrangulá-lo até a morte.
—Eu tenho o direito de não aceitar. Você nem sabe quem é esse maldito cara, e só quer me ferrar porque eu não quis transar com você. Você é patético, me dá pena sabia?
Taunt riu, se levantou, fechou a persiana da sala, Roger e Cali estavam observando do lado de fora, ele acabou com a vista privilegiada dos dois, lentamente se moveu até onde Pansy estava sentada, sentou-se em cima da mesa e disse:
—Se você não aceitar, minha querida, você simplesmente estará fora do FBI, vai ter que fazer algum trabalho de merda, pensei em te mandar pro transito, para cuidar dos motoristas bêbados, o que acha? Com essa sua cara de vagabunda, e como eu desconfio que você deve usar algum tipo de remédio, não me importa, o que você faz com a porra da sua vida, você não duraria nem um segundo lá. Então-ele cerrou os dentes, e se aproximou do rosto dela, ela podia sentir o hálito de café saindo dele— você não tem muita escolha minha cara. Isso é uma ordem, e eu ainda sou seu chefe. Trate de se colocar em seu devido lugar, você não vai ser solta no meio da rodovia como uma fugitiva, terá toda uma preparação, monitoramento e todos esses procedimentos que eu espero que você saiba.
Pansy sentiu todo o sangue subir para suas bochechas, elas estavam pegando fogo, e a qualquer momento ela teria um lapso de loucura e arrancaria o nariz dele com os dentes. Ela respirou fundo.
—O senhor esta me intimidando? Não sou obrigada a aceitar porra nenhuma. Isso se chama abuso de poder, se você me ferrar, eu posso ferrar o senhor de volta, uma retaliação ainda maior.
Taunt em um gesto brusco levou as mãos ao rosto de Pansy, e apertou sua boca com tanta raiva, que ela sentia os dentes rasgando a gengiva.
—Escute bem o que eu tenho a dizer, estou farto de você, poderia arrumar um bom motivo para te colocar no olho da rua, e muito ao contrario disso, estou lhe mandando para uma missão especial, sinta-se grata por isso. Eu tenho uma carreira e uma família a zelar, não pense em fazer nada estúpido, pois isso se trata de uma luta de poderes, e eu posso foder com a sua vida em um piscar de olhos, pare de bancar a espertinha e pense com cuidado na sua decisão, quero uma resposta até amanhã. Agora saia da minha frente.
Taunt soltou o rosto de Pansy, ela se sentia tão estúpida e catatônica, ela começou a notar que tinha jogado a merda no ventilador, e em breve ela iria atingir bem no meio de sua cara.
Ela se levantou, saiu da sala e bateu a porta com toda a raiva que tinha reprimida dentro de si. Passou direito por seus colegas, ignorando cada um deles que vinham com perguntas e mais perguntas, se dirigiu para fora do edifício e quando finalmente chegou a seu carro, saiu dali o mais rápido possível.
Era impossível não chorar, eram lagrimas de ódio. Como ela poderia abandonar toda a sua vida, para assumir outra identidade e ir perseguir a porra de um serial killer que ela nem ao menos tinha certeza se era o cara certo. Ela tinha batalhado para se estabilizar, e apesar de tomar muitas medidas e escolhas erradas, devido à insegurança que trazia dentro de si, tentava controlar sua raiva o mais longo possível que seus limites permitissem. Apesar de tomar ecstasy, para se esquecer de quão frustrante era tudo, e de ocasionalmente trair seu namorado, ela amava sua vida, ainda não a entendia, e muitas coisas eram insatisfatórias para ela, mas era a realidade em que Erszébeth vivia suas escolhas erradas a faziam ser quem era uma errante.
Enquanto parou em um engarrafamento, começou a fazer uma revisão mentalmente de quem ela realmente era. Apesar de fazer muitas coisas consideradas politicamente incorretas, ela gostava do jeito que as coisas iam, e procurava nunca pensar muito a respeito.
Desde que seu pai havia abandonado sua mãe e sua irmã, quando ela tinha 8 anos e sua irmã 16, ela se sentira perdida no mundo, tinha problemas com rejeição e abandono, se tornou insegura e desconfiada. Não conseguia manter um relacionamento, e os que mantinha geralmente os estragava, se tornou insuportável com sua irmã e mãe, e se envolveu com algumas drogas. Depois que entrou para a Academia do FBI, parou de beber e se drogar, e quando foi morar sozinha voltou a ser mais dócil com sua mãe e irmã, pois não tinha que as ver diariamente, em visitas ocasionais ela se comportava. Logo conhecera Johnny, nessa mesma época ela entrou para o FBI definitivamente, e como não tinha muito tempo para dormir, e precisava manter-se acordada, começou a tomar ecstasy, no começo Johnny tomava junto, mas depois vira que se tornou algo arriscado e parou, quando ele começou a importunar com isso, e se tornar entediante, começou a sair com Kenny, que era tão chato e pegajoso quanto ele.
E agora lá estava ela, pateticamente parada no transito chorando, prestes a perder tudo aquilo que amava, ela amava Johnny, estava decidida a parar de tomar as pílulas, e ser uma namorada melhor, recomeçar tudo de novo, e também amava seu emprego, batalhou para chegar ao cargo que estava, e devido a sua estupidez estava a um passo de perder tudo.
Finalmente ela chegou em seu apartamento, assim que abriu a porta se deparou com uma visita um tanto quanto inusitada: Sua mãe Judit e sua irmã Caméllia estavam sentas na sala, que diabos elas estavam fazendo lá.
—Olá? Mãe, Camy, a que devo a honra? — Pansy tentou disfarçar um sorriso feliz, mas não gostava muito das visitas das duas, pois elas sempre achavam que Pansy ainda era imatura, o que não era totalmente errado.
—Erzs, sente-se, precisamos conversar. —Judit disse com um ar sério. O irônico da situação era que sua mãe estava dando ordens para ela dentro de sua própria casa.
Pansy não quis contrariar, sua mãe podia ter um gosto terrível para escolher nomes para as filhas, mas geralmente tomava as decisões certas.
—Certo. É bom ver vocês também. — Ela mentiu.
—Erszébeth, estamos aqui, porque o Johnny nos ligou e...— Judit enterrompeu Caméllia.
—E...Nós viemos fazer uma intervenção. É isso.
—Merda! O que aquele imbecil falou para vocês?— Pansy sabia muito bem, eram as medidas drásticas que ele disse que iria tomar, mas porra, chamar a mãe era ir longe demais. Ele sabia o quanto ela odiava aparentar fragilidade e imaturidade para as duas, ele havia passado dos limites.
—Ei! Ele só quer te ajudar, e nós também! Sabemos dos problemas que você já er... teve com esse tipo de coisa, e estamos aqui para auxiliá-la, porque nós te amamos. —Judit disse, Pansy estava sentada entre as duas no sofá, e as duas estavam com as mãos nas pernas dela.
Pansy sabia que era inútil discutir com elas, era teria que tirar as duas o mais rápido dali. Para poder esganar Johnny.
—Olha, quero que vocês saibam que vocês têm toda a razão, eu vou procurar ajuda médica, e o caralho a quatro todo. Sou imatura, e não tenho jeito, afinal, estamos falando sobre mim, não é mesmo? Agora se vocês me dão licença, preciso er... Trabalhar, isso! Tenho muito trabalho para casa, realmente muito obrigada pela ajuda. —Pansy se levantou e foi empurrando as duas que estavam atônitas.
—Erzs? Você esta bem? Esse comportamento é novo, nós precisamos conversar sobre isso. —Caméllia, que estava vestindo um jeans sem graça, com uma camisa florida mais sem graça ainda, acompanhada de um coque no cabelo escuro com cara de bibliotecária, o oposto total de Pansy, estava protelando.
—Olha, Camy, eu estou realmente cansada, voltem outra hora, eu vou seguir o conselho de vocês e parar com ‘’isso’’. —Pansy sem paciência as empurrava em direção à porta.
Judit, uma mulher húngara, com marcas visíveis de expressão ao redor dos olhos e boca, que parecia ser mais irmã de Caméllia do que mãe, pelo modo antiquado que as duas se vestiam, com seu vestido azul de bolinhas brancas, estava tão perplexa quanto à filha, pelo comportamento aceitável da rebelde Pansy.
—Erzs, nós te amamos, e estamos aqui para ajudá-la e espero que você saiba disso e....
—Sim eu sei! Agradeço, voltem seguras para casa, tchau mil beijos! —Antes de completar a frase, Pasy empurrou as duas porta a fora, finalmente estava a salvo das chatas de galocha. Agora ela teria que ter uma conversa séria com Johnny, pois ele havia quebrado o protocolo, chamando aquelas duas, para resolver um pequeno inconveniente.
Pansy andou de um lado para o outro pela casa, a até o horário de Johnny chegar, se ela andasse mais um pouco, desgastaria o assoalho e a sola de seus sapatos.
Ele chegou, assobiando como de costume, Pansy estava sentada no sofá, Johnny veio para beijá-la, mas ela virou o rosto.
—Algum problema? —Ele perguntou, colocando uma mexa de cabelo atrás da orelha.
Pansy se levantou e começou a esmurrar Johnny.
—Se tem algum problema? O que você acha se filho da puta! Seu maldito miserável, você poderia fazer a porra que quisesse menos isso! Isso foi baixaria! Você sabe que eu não gosto de meter aquelas duas na minha vida, minha vida, meus problemas, e você ainda me pergunta se tem algum problema? Você é imbecil ou que? — Pansy estava mais vermelha que seu sofá, Johnny assustado a afastou, pois seus socos doíam e muito.
—Qual é o seu problema Erzs? Eu estou tentando te ajudar! Pelo amor de Deus! Você não consegue entender que esta precisando de ajuda?
—Eu não preciso da sua ajuda de merda, seu bastardo! Alias, eu não preciso da ajuda de ninguém, posso me virar muito bem sozinha! — Ela se levantou do sofá, e começou a apontar o dedo para a cara dele. —Não preciso da sua ajuda!
—Muito bem! Se for assim que você quer, não vou ajudar uma pessoa que se recusa a aceitar ajuda! Talvez você deva se virar sozinha, e arcar com as conseqüências dos seus atos. Cansei. —ele disse dando de ombros.
—Ótimo! Pegue suas coisinhas e desapareça da minha frente! — ela gritava, enquanto ele se dirigia ao quarto e ela ouvia o som de portas abrindo, e cabides sendo arrancados.
—Suma da minha vida! Não preciso de você e não quero te ver NUNCA MAIS, está me ouvindo? Nunca mais, vá para a casa do caralho, mas fique bem longe de mim e da minha vida fodida! E, deixe a câmera, pois eu comprei essa merda para você, e custou caro.
—Eu não preciso disso! Mas lembre-se, você vai se arrepender dessa decisão, e não adianta querer voltar atrás!— ele berrou.
Em alguns minutos o lado de Johnny no guarda roupa estava vazio, ele saiu do apartamento, batendo a porta.
Pansy foi até o quarto, a câmera profissional estava depositada em cima da cama, o guarda roupa vazio, e Pansy queria se encolher em posição fetal, e chorar até morrer afogada, mas ela tomou outra decisão, pegou o telefone e discou.
Ouviu uma voz masculina e abafada do outro lado.
—Taunt, eu tomei minha decisão, vou aceitar essa missão. Amanhã estarei cedo na Sede para resolvermos os detalhes.
Ela ouviu um riso maléfico do outro lado da linha.
—Posso saber o que fez a senhorita mudar de opinião tão der repente?
—Temos que pegar esse filho da puta, e eu sou a pessoa ideal para isso.
Ela desligou o telefone e se sentou no chão encostada-se ao guarda roupa, tentando se convencer de que não tinha acabado de covardemente fugir de seus problemas, entrando em outros piores ainda.
—Vai ficar tudo bem, eu sei que vai, — Ela repetia para si mesma enquanto balançava de um lado para ao outro.
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