O Mais Belo Espinho De Sangue
8 Capítulo 8- Sonhando Com a Califórnia
Notas iniciais
Pansy chegou cedo a sede do FBI, e Taunt a estava esperando em sua sala. Ela não havia dormido nem sequer cochilado na noite anterior, sentia falta de Johnny do seu lado na cama, e ao mesmo tempo sentia raiva dele, queria matá-lo, chutá-lo bem no meio da virilha, mas também queria abraçá-lo, e dormir agarrada a ele. Agora era tarde demais para voltar atrás, ela já havia tomado a decisão mais drástica da sua vida, e ainda pela manhã estava tão decidida quanto na noite anterior, não havia tempo para desistir muito menos hesitar, sua vida já estava um caos, teria como ficar pior? Que mal teria em ir a uma pequena missão suicida?
Pansy havia tomado uma ducha gelada pela manhã, que a fez lembrar-se de pêlos que ela nem sabia que podiam ficar arrepiados, era a melhor maneira de tomar um choque de realidade e acordar para o que vinha pela frente. Ela nem se deu ao trabalho de secar o cabelo, foi com ele ainda molhado e ele ainda tinha o cheiro de Johnny, o que a fazia ficar com o estomago embrulhado. Vestiu-se com uma calça e uma camisa social, nada de muito extraordinário.
Bateu na porta de Taunt e em seguida abriu, ele estava sentado em sua mesa, fazendo algumas anotações, e assim que ele notou sua presença, parou de escrever e lhe deu um sorriso charmoso.
—Bom Dia! Estou muito satisfeito que você tenha tomado uma decisão. — ele disse maliciosamente, Pansy sentia vontade de rasgar todas as folhas que tinham em cima daquela mesa e fazê-lo comer uma a uma.
—Nem dá pra notar que você está feliz, então me diga o que tenho que fazer? — ela sentou-se cruzando as pernas.
—Não é tão simples quanto você deve imaginar, é algo extremamente trabalhoso, você deverá assumir uma nova identidade, comportamento, e...
—Eu já sei disso, quero o mais rápido possível. — ela o interrompeu e disse impacientemente.
—Enfim, eu tenho aqui uma ficha com o nome que você deverá assumir, e tudo sobre quem você será também terá que mudar sua aparência física e, antes que eu me esqueça, você não vai poder comunicar a nenhum parente sobre isso, as únicas pessoas que sabem sobre isso somos eu, o agente Wines, a Dra. Ordin e o detetive Kenny. É extremamente importante que você saiba que o sigilo é absoluto, nem para o seu namorado você deve contar sobre isso e...
—Não tenho nenhum familiar para contar. — ela disse rispidamente.
—E nem seu namorado? — ele perguntou, se empertigando na cadeira.
—Negativo senhor, não tenho namorado também, sou só eu por mim mesma. Passe-me as informações necessárias.
—Seu nome a partir de agora será, Scarlett Bliss, você é uma fotografa, que vai para Nevada, justamente para fotografar o deserto, irá tentar aproximar contato com Charlie Bloson pelo fato que ele tem uma floricultura, o que é um ótimo inicio para puxar o assunto de flores, paisagens etc. Você tem alguma noção sobre fotografia?
Pansy riu as ironias que a vida nos proporciona.
—Sei mais do que gostaria, e tenho uma câmera profissional.
—Excelente, já é um ótimo começo. Vamos mudar seu cabelo, eu estava pensando em uma cor que se destacasse para você poder chamar a atenção dele, que tal um ruivo natural?
—Você pode pintar até de verde, eu não me importo.
Taunt percebeu que Pansy estava diferente, não estava resistente e nem cheia de perguntas e contra argumentos, muito pelo contrário estava bem segura de sua decisão.
—Mais alguma coisa senhor? —Ela perguntou passando a mão pelos cabelos molhados, seus olhos estavam mais fundos que de costume.
—Tudo isso é para até o final do dia, você viajará durante a madrugada, chegando em Nevada terá um carro no nome de Scarlett Bliss esperando por você, um quarto em um bom hotel, reservado neste mesmo nome, dependendo do tempo que você permanecerá lá, poderemos até arrumar uma casa para você.
Pansy assentiu se levantou e foi saindo quando Taunt a chamou a atenção.
—Pansy, isso não é algo que durará seis meses, é uma missão complicada, tudo depende de você, manteremos total contato, e teremos pessoas vigiando você 24hs por dia para evitar qualquer fatalidade, você não está sozinha nessa, terá que ser paciente e estudar todo o comportamento e ter certeza absoluta que ele é o nosso cara, isso pode levar anos.
—Eu sei disso. — Ela saiu, batendo a porta, por força do hábito.
Assim que saiu da sala de Taunt, Roger, Kenny e Cali foram correndo em sua direção.
—Cachorra! Desembucha, você disse para ele ir se fuder e que você não vai atrás de nenhum psicopata? —Roger disse.
—Eu vou partir hoje à noite. — Pansy disse vagarosamente.
—O que? Você só pode tá brincando né? Não fode, Erzs, você tá drogada?
—Não Roger, muito pelo contrário, nunca estive tão lúcida em toda minha vida.
—Aquele canalha! Ele te ameaçou? —Cali disse colocando uma das mãos no ombro de Pansy.
—Eu tomei esta decisão sozinha, hoje a noite serei Scarlett Bliss, um nome normal, até que enfim!
—Você sabe que isso leva anos, e ele é perigosíssimo, e a sua família? E o seu....—Kenny hesitou por um momento — namorado?
—Minha mãe e minha irmã não irão notar minha ausência, e o Johnny é página virada.
—É por causa do Johnny? Vocês terminaram e você decidiu que quer largar tudo? Se for por isso juro que vou te bater até dizer chega. — Roger disse, com lágrimas escorrendo pelos olhos, era a primeira vez que todos o viam chorar.
—Sim e não, preciso de uma mudança em minha vida, e talvez essa seja à hora certa. E não há nada que nenhum de vocês pode fazer para me impedir, eu realmente gostaria de poder contar com a cooperação dos meus amigos, pois, porra, eu vou precisar de vocês mais do que nunca agora, o Taunt disse que deixaria pessoas me vigiando, e manteria contato, eu preciso passar informações, e além do mais eventualmente acabe passando até elas a um de vocês.
Todos se entreolharam, Cali tomou a iniciativa de se aproximar de Pansy, e lhe abraçar.
—Só não morre tá bom? — ela disse entre soluços.
Roger também se aproximou e abraçou as duas, dizendo ao ouvido de Pansy.
—Vadia! Juizo! Se aquele pedaço de mau caminho fizer algo com você, juro que esqueço que ele é a perdição em forma de gente e mato ele. Eu te amo sua ordinária! —as lagrimas estavam encharcando toda a blusa de Pansy.
Kenny notou que era o momento apropriado para um abraço coletivo, e se juntou, abraçando Pansy por trás.
—Não faça nenhuma besteira Erzs, você é muito importante para mim.
—Eu amo todos vocês, e Kenny, você é um cara legal, eu sei que vai encontrar uma moça que realmente goste de você.
Nesta altura até Pansy estava derramando lágrimas.
O resto do dia passou como flashes para Pansy, a ida ao cabeleireiro, o novo visual, agora ela era uma ruiva, não era um vermelho artificial, era natural, quase indo para o loiro, mas beirando o alaranjado dependendo da luz, ela gostou bastante do resultado, mas ficou pensando se em Nevada mandariam alguém para retocar sua raiz.
Teve que comprar todo um novo guarda roupa, menos formal, mais ousado, com a ajuda de um analista comportamental do FBI, que ia dizendo-lhe quais seriam os traços psicológicos de Scarlett, de acordo com o que se vestir, a maior parte consistia em roupas ousadas de calor, pois apesar de se tratar de Nevada, ainda era na Califórnia, e o calor era escaldante, ainda mais com o deserto. Tinha muitos shorts jeans, e um visual bem retro, mas ao mesmo tempo moderno com muitas estampas floridas e assim por diante.
Ela decolou até Nevada e assim que chegou lá, havia um Mustang Vermelho Conversivel 1964 a esperando, mais clichê não podia ser.
Estava amanhecendo, e Pansy, começou a pensar que seria uma ótima idéia fotografar o nascer do sol direto de seu Conversivél.
Ela seguia em uma estrada, com a maravilhosa paisagem do nascer do sol, contrastando com deserto. A brisa quente da manhã começava a chegar, e Pansy sentia o vento em seus cabelos ruivos, e uma sensação de paz subitamente tomou posse de si.
Ela tentou relaxar e ligou o rádio, estava tocando Califórnia Dreamin,
‘’All the leaves are brown
And the sky is grey
I've been for a walk
On a winter's day
I'd be safe and warm
If I was in L.A
California Dreamin'
On such a winter's day’’
Pansy até se deixou cantar a melodia contagiante enquanto dirigia, parava e fotografava a paisagem. Abriu a porta objetos, e lá estava uma foto de Charlie Bloson junto a um arquivo, ela admirou a foto, pensando que esse trabalho estava começando a ficar interessante.
O sol havia nascido à paisagem era maravilhosa, e tudo estava perfeito, exceto pelo de que Pansy estava morta de sede, e não tinham deixado nenhuma garrafa de água no carro. Merda! Estava perfeito demais para ser verdade.
Logo a frente estava lá, só podia ser uma miragem, um posto de conveniência, Pansy estava começando a amar este lugar.
Havia três bombas de gasolina na frente, e atrás uma loja de conveniência, com certeza teria algo para beber lá dentro.
Usando botas de cowboy, um shorts jeans desfiado, e uma blusa social com estampa floral, Pansy, agora Scarlett, se dirigiu para dentro do estabelecimento.
Era uma loja normal, tinha um balcão, doces, produtos de higiene, comida, era quase um supermercado e tamanho reduzido, e lá, logo na entrada estava o grande refrigerador com as bebidas.
Pansy estava sedenta por Gatorade, ela abriu a geladeira, a procura do de morango, teve que entrar com metade do corpo para dentro do refrigerador, para achá-lo, deixando a bunda empinada para fora, tinha certeza que algum tarado estava olhando para o cumprimento de seu short. Assim que ela pegou a bebida, ainda com o corpo lá dentro ela parou e pensou. não havia ninguém dentro da loja, a não ser uma balconista velha, ela e um homem próximo ao caixa que ela nem havia dado atenção, apenas olhado de relance, ela pensou mais um pouco, não podia ser, seria muita coincidência, ela se assustou com o pensamento, e acabou batento a cabeça na prateleira de cima.
—Merda! —Ela disse baixinho, assim que tentou sair de dentro do refrigerador, bateu a bunda em alguma coisa.
—Me desculpe. —A coisa disse.
A coisa estava parada atrás dela, apesar de ter toda uma loja para circular estava exatamente atrás dela.
A coisa não era uma coisa, e sim um homem, alto, atlético, usando um macacão jeans surrado, e uma regata branca, ele estava com uma sacola de papel nas mãos.
—Imagina, você que me desculpe, eu nem vi que você estava ai atrás e... e ... acabei batendo em você acidentalmente. — Pansy disse perplexa.
—Eu estava indo para o caixa, e acabei esbarrando em você, muito indelicado de minha parte.
—Que isso, tudo minha culpa. Enfim, que grosseria minha — Pansy estendeu sua mão livre— Scarlett Bliss.
Ela já sabia quem ele era, o caminhão de pequeno porte do lado de fora, repleto de flores na traseira, e o logo já indicavam de quem se tratava, ela viu pela porta da loja.
Ele usou sua outra mão livre também.
—Charlie Bloson, prazer em conhecê-lá.
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