Notas iniciais
Olá pessoal, desculpem a demora, espero que gostem deste capitulo e não se esqueçam de deixar um review. Beijos e Boa Leitura!

Um aroma adocicado e perfumado inebriou todos os sentidos possíveis, era uma brisa suave de verão, com um toque de nostalgia e elegância. Era o aroma inconfundível e insuperável das flores e a brisa nada mais era do que o ar-condicionado.

De mãos dadas, Kenny e Roger adentraram a floricultura. Tinha uma fachada comum, com um toldo azul com listras brancas, escrito ‘’ Bloson’s Flores e Arranjos’’ uma vidraça repleta de flores, vasos e estátuas de jardinagem, era elegante, simples e encantadora, nada que gritasse ‘’ Eu mato mulheres por aí’’.

Roger e Kenny ambos estavam usando camisas havaianas com cores gritantes e estampas que davam dor de cabeça só de olhar, segundo Roger era o típico visual de turista gay. Com muito esforço Kenny foi driblado por Roger para seguir o disfarce de um casal gay a procura de flores para sua cerimônia de casamento. Roger estava se aproveitando da situação, entrando na loja de mãos dadas com Kenny.

Logo que entraram não puderam deixar de notar que a floricultura era extremamente organizada, o que poderia ser o perfil de um psicopata controlador ou de apenas um comerciante organizado. Todas as flores estavam separadas por tamanho, cor, espécie e preço, todas imaculadamente impecáveis, nenhum arranjo fora do lugar, nenhum sinal de poeira ou desleixo, dava a entender que quem quer que as arrumassem passava mais tempo as organizando do assassinando mulheres pelas redondezas.

Logo atrás de um balcão estava um jovem rapaz, não deveria ter mais de vinte e tantos anos, tinha a pele bronzeada, mas não um bronze artificial ou de sol, aquele bronze que certas pessoas já nascem com ele, tinha os cabelos pretos duros de algum tipo de gel repartido no meio, e usava um avental preto com o nome da loja, era franzino e de aparência amigável. O jovem saiu de trás do balcão e se dirigiu para até Roger e Kenny.

—Bom dia senhores, como posso ajudá-los? — O rapaz tinha um forte sotaque latino, Kenny imaginou que ele fosse porto rico e assim que ele sorriu, deu para notar que um dos dentes superiores da frente era quebrado.

—Você é o Charlie? — Roger perguntou entre dentes ainda de mãos dadas com Kenny.

—Não eu não sou meu nome é Alfredo, e eu trabalho para o Charlie. — O rapaz disse com um sorriso forçado.

—Sabe o que é? Eu e esse pedaço de mau caminho vamos nos casar, e me falaram que este lugar é o melhor em arranjos de flores, então eu tinha que vir aqui para ver, né? Então, mas me indicaram o Charlie e eu realmente queria falar com ele, se possível é claro. — Roger disse sorrindo exageradamente, mostrando seus grandes dentes brancos.

—Tudo bem senhor, vou chamá-lo, ele está lá atrás na estufa, espere um momento. — Alfredo saiu de trás do balcão, e se dirigiu para uma porta feita de miçangas, ao lado do balcão.

—Kenny! Anda logo! Você que entende de tecnologia vai ali ao computador no balcão e tente ver quais foram os últimos lugares que eles foram, rápido, vê se tem algum registro. — Roger disse com uma aflição no seu tom de voz.

Kenny mais do que rápido deslizou para de trás do balcão e começou a vasculhar o computador.

—Caralho! — Kenny disse com uma empolgação.

— Caralho vai ser se você não for logo, achou alguma coisa?

—Sim, tem uma pasta aqui, com os registros dos últimos lugares que eles foram levar flores, e tem a porra das cidades onde as garotas foram encontradas mortas! Puta sorte!

—Bom isso a gente já sabia, mas era só pra ter certeza mesmo que ele esteve em Bervely Hills, Long Beach e Malibu... — Roger foi interrompido com o som de passos se aproximando.

—Merda! — Kenny ligeiramente fechou a janela que estava fuçando, e voltou a seu posto de macho man ao lado de Roger.

A cortina cafona era a única coisa que não combinava com a decoração do local, ela se balançou e um homem robusto e alto saiu de trás dela, ele usava um macacão jeans por cima de uma camisa branca, exibia braços músculos e bem definidos, e no braço esquerdo tinha uma notável tatuagem, um caule cheio de espinhos enrolado no braço, dava para notar que ia até o ombro. Roger quase se esqueceu que estava a trabalho.

—Bom dia senhores. Vocês estavam procurando por mim? — ele deu um sorriso, daqueles que você sabe que destruirá sua vida, mas não se arrependerá por isso. Roger começou a entender o porquê de as mulheres confiarem nele.

Roger estava com a boca aberta, e quase estava salivando, o que era algo estranho, ele tentou balbuciar algumas palavras, mas não obteve nenhum sucesso.

—Er...er o a...— Roger tentava em vão falar alguma coisa.

—Olá, eu e meu noivo ouvimos muito falar de você, e estamos procurando flores para a nossa cerimônia de amor! —Kenny disse com um sorriso colgate, apertando com tanta força a mão de Roger que os ossos dele iram estralar a qualquer momento.

—Pois vieram ao lugar certo, tem alguma preferência por espécie?

—A sua... Digo o que você nos recomenda? — Roger disse, tentando não aparentar estar em total hipnose.

—Depende da ocasião que os senhores estão pensando em preparar, o tipo de evento, podem ir desde rosas a lírios.

—Rosas...— Kenny repetiu com malícia.

—O senhor gostaria de rosas? — Charlie perguntou confuso, não entendendo o tom dele.

—Eu gosto muito de rosas, elas são espetaculares, não acha? — Kenny retrucou.

—Todas as flores são, mas rosas são as minhas favoritas, mas bom, escolher a flor favorita é como escolher o filho predileto, não tem como. — Charlie deu um sorriso de lado, e Roger sentiu o chão desabando de baixo de seus pés.

—Quantos filhos você tem? — Roger perguntou, e Kenny o lançou um olhar feroz de reprova.

—Infelizmente não tenho nenhum, ainda, quem sabe um dia... — Charlie disse, olhando para sua mão calejada.

—Você e o... Alfredo não pensam em adotar? — Assim que as palavras de Roger saíram, Kenny apertou sua mão com tanta força, que talvez eles tivessem que ir a um pronto-socorro antes de voltarem embora.

—Er... Alfredo é só meu empregado, nós não... Bem vocês sabem. Não sei se ele e a esposa dele falam sobre o assunto, enfim os senhores tem algum ponto de partida, com as flores? — Charlie disse embaraçado com as palavras.

—Ah me desculpe eu não... Eu não fazia idéia, enfim, eu e o meu noivo vamos pensar e qualquer coisa voltaremos, tudo bem? — Roger disse sendo arrastadp por Kenny até a saída.

—Vocês que mandam, afinal vai ser o grande dia de vocês! Aqui — Charlie tirou um cartão do bolso — qualquer coisa, os senhores liguem para cá. —E Charlie deu mais um sorriso sedutor.

—Tudo bem! Muito obrigado, tchauzinho! — Kenny tentou acenar da maneira mais gay que ele julgava, e assim que saíram da floricultura, pulou dentro do carro.

—Porra! Ele só pode ser o nosso suspeito! — Kenny disse batendo as mãos no volante.

—Que homem! Meu Deus, o que você disse?

—Que merda, presta atenção Roger. E agora o que iremos fazer?

—Não é a toa que você não é um agente e sim um detetive, seguinte pudinzinho, a gente não pode entrar lá e ir algemando o cara, com base em pesquisar de lugares que ele esteve só se ser gostoso seja um crime, ai ele pegaria perpétua! Em quanto isso, vamos voltar para Washington e averiguar isso certinho.

—Merda! Por mim esse desgraçado estaria preso agora mesmo. — Kenny bufou.

—O preferiria ele preso na minha cama, mas enfim, não se pode ter tudo àquilo que deseja, não é mesmo docinho? — Roger disse passando a costa da mão no rosto de Kenny.

—Para com essa merda de boiolagem! Não estamos mais na porra da floricultura, e você precisa parar com essa porcaria de frescura com o cara, ele é a porra de um serial killer, você ainda não notou isso?

—Inocente até que se prove o contrário, queridinho. —Roger sorriu maliciosamente.

Fazia uma semana desde que Pansy teve o desastroso jantar com Taunt, e ela o evitava o máximo possível no trabalho, ela achou que isso era apenas orgulho ferido da parte dele também, pois era recíproco, ambos evitavam um ao outro.

Pansy não se lembrava muito do que havia acontecido depois que ela foi escorraçada para fora do carro deTaunt, ela subiu para seu apartamento, tomou uma garrafa inteira de vinho, e mais alguns comprimidinhos, ficou hiper ativa, assim que Johnny chegou, lá pelas 02hs da manhã, ela ficou o alugando e falando freneticamente, e o resto eram apenas flashes de lapsos perdidos na memória.

Era segunda feira, e ela estava se arrumando para mais um glorioso dia de trabalho, estava sentada em frente à cômoda em seu quarto, colocando um par de brincos, quando Johnny entrou no quarto, com uma cara séria, o que era algo inusitado em seu semblante descontraído.

—Erzs, precisamos conversar. — Ele disse se sentando na beirada da cama, passando as mãos sobre seus longos cabelos, e a olhando com uma cara de preocupação.

—Pode ser depois? Estou meio atrasada, vamos deixar essa conversa para mais tarde. —Pansy se levantou, e saiu andando até a cozinha, Johnny se levantou e a alcançou no corredor, a virando para si, bruscamente, seus olhos estavam pegando fogo, dava para ver que ele estava vermelho e raivoso.

—Não! Nós vamos conversar agora, tem uma semana que você tem evitado esta conversa, e eu já tomei minha decisão.

—Tá maluco? Me solta Johnny, não se esqueça de quem tem uma arma aqui sou eu.

Johnny tirou as mãos dos ombros dela, mas ainda a cercava no corredor.

—Essa sua situação, com esses comprimidos passou dos limites! Você tomou todos eles, e semana passada, quando eu cheguei do trabalho você parecia um zumbi vagando pelo apartamento. Isso tem que parar.

—Eu tomei café demais. Pare de ser tão careta, Johnny, acabou o sermão, posso ir trabalhar?

—Pelo amor de Deus! Você é da porra do FBI, deveria saber quantas pessoas perdem tudo pelas drogas, sua carreira iria pela descarga se soubesse o que você faz você tem um problema admita isso!

Pansy riu, deixando Johnny mais vermelho e fumegante ainda.

—Olhe para o que você esta falando, você esta parecendo à porra da minha mãe! Pare de agir como um cuzão, e me deixe ir trabalhar. Que merda Johnny, você esta sendo um completo otário com esse assunto. Quem você pensa que é para me dar lição de moral? Qual a sua moral, se uma vez ou outra você toma essas porcarias também?

—Quando eu te conheci, você já tinha esse habito, eu comecei a compartilhar o uso com você, mas não achei que você iria chegar a esse ponto, você esta se autodestruindo.

—Chega Johnny! Poupe-me dessa lengalenga! Tenho que ir trabalhar, estou atrasada, e sem saco para aturar seu ataque histérico.

—Erzs, você não esta entendo, eu vou tomar uma providência.

—Você deveria tomar no meio do seu cu! Agora da licença que como eu já disse, tenho que ir trabalhar.

Pansy deu de ombros para Johnny e saiu rindo do apartamento, quem ele pensava que era para tentar intimidá-la dessa maneira? Ela era adulta e sabia muito bem o que fazer com si mesma e o que tomar ou não tomar. ‘’ Tomar Providências’’ o que ele iria fazer? Chamar a policia? Ela era a policia, que idiota, Pansy disse a si mesma.

Assim que chegou à sala de reuniões, Roger e Kenny já estavam lá, eles haviam chegado pela madrugada de Nevada, e estavam sentados na mesa de reuniões, junto a Taunt e Cali. Pelo tom de seriedade eles estavam falando sobre o tal Assassino das Rosas.

Quando abriu a porta todos se viraram para ela ‘’merda’’ Pansy pensou.

—Estou atrasada, eu sei então o que há de novo? — ela disse se sentando ao lado Cali, e pegando um pouco de café, da cafeteira que estava em cima da mesa.

—Bom dia para você também, como eu estava dizendo, são poucas as evidencias, mas tenho certeza que esse tal de Charlie Bloson é o nosso cara. Ou seria uma puta coincidência. — Roger disse, dando um gole em sua xícara de café.

—Bom, só há uma maneira de termos certeza, não podemos ficar esperando esse psicopata fazer mais vítimas, teremos que ir até ele. — Taunt disse solenemente.

—Mas nós acabamos de voltar de lá. — Kenny disse confuso.

—Não ir e apenas visitá-lo, teremos que nos infiltrar no cotidiano dele, na vida dele, descobrir seus hábitos e rotina, para termos certeza de que ele cometerá algum deslize e seria o nosso assassino. Já sei! Vamos mandar um de nós a paisana, para se infiltrar na vida dele. — os olhos de Taunt cintilavam, ele não parava de encarar Pansy, que estava ocupada demais olhando para o café.

—E quem seria essa pessoa, você já tem alguma idéia? —Cali perguntou.

—Uma mulher obviamente, atraente, inteligente e que faça o tipo do nosso psicopata, ela assumiria uma nova identidade, e se aproximaria do sujeito, para garantir que ele é mesmo o cara certo, se não for, essa pessoa com sua brilhante inteligência notaria isso logo, e voltaríamos a estaca zero, como não temos nenhuma prova contra ele, só nós resta o investigá-lo, e a pessoa perfeita para isso seria você, Agente Pansy.

Assim que ouviu as palavras ‘’ psicopata’’ ‘’paisana’’ e ‘’Pansy’’ saírem da boca de Taunt, Pansy se engasgou com o café.

—Eu o quê?!?