Notas iniciais
Mais um capitulo pessoal, não se impressionem muito, e espero que gostem. Não se esqueçam da review. Beijos e boa leitura!

Roger e Pansy não puderam deixar de notar que os cabelos ruivos da Dr. Ordin e os cabelos grisalhos de Taunt estavam molhados, Roger e Pansy se entreolharam com certa cumplicidade e malícia.

Taunt tinha cerca de 45 anos, era casado, pai de 3 filhos e aparentemente era uma pessoa feliz e realizada tanto quanto pessoalmente e profissionalmente. Já aparentava algumas marcas de expressão em torno dos olhos, algumas rugas de preocupação na testa, mas ainda sim era charmoso, como um bom vinho, melhor com o tempo. Tinha olhos verdes penetrantes que podiam ser a perdição de qualquer mulher, e eram a perdição da Dra. Cali Ordin.

—Me explica uma coisa queridão, porque diabos você tinha que nos chamar às 5 da manhã para esse maldito escritório para nos falar de um doente que gosta de enfiar flores na piriquita das outras? — Roger perguntou confuso.

—Veja bem Agente Winnes... Eu estava em uma reunião — Pansy e Roger se entreolharam sabendo muito bem que o tipo de reunião envolvia uma certa ruiva. — E recebi um chamado da polícia de Miami, uma jovem chamada Pandora Bernes tinha ido passar uns dias lá, e coincidentemente ela era daqui de Washington, então encontraram o corpo dela, nessas circunstâncias lamentáveis e é ai que nós entramos, somos o FBI, estamos diante de um assassino em série, e a garota era de nossa cidade. — Taunt disse, passando a mão nos cabelos impecavelmente penteados para o lado esquerdo, e ainda molhados.

—A perícia de Miami liberou o corpo e o estão mandando para Washington onde a autopsia será realizada aqui mesmo, agora adivinhem quem irá fazê-la? — Cali disse com um mórbido sorriso no rosto que apenas os médicos legistas tinham. — Moi! Yo! Euzinha!

—Tá! Já deu pra entender, você vai abrir à defunta aqui, grande coisa. — Roger disse mostrando pouco entusiasmo e bocejando.

—E o que pediram para que o FBI fizesse? — Pansy perguntou dando de ombros.

—Nós teremos que ir até a Califórnia essa semana, para investigarmos o caso.

—Posso levar meus óculos escuros, protetores solares e minha melhor sunga, e com sunga quero dizer fio dental. — Roger disse pescando para Cali.

—Nós não vamos a férias, Agente Winnes, estamos diante de uma situação de extrema seriedade e importância, Pansy acompanhe a Dra. Ordin até o instituto médico legal, quero que você esteja presente e a par da situação da autópsia. Estão dispensados. — Taunt disse se levantando da grande cadeira na frente da mesa de reuniões, e se retirou da sala.

—Não sei quanto a vocês vadias, mas eu estou indo para a minha casa tirar meu sono de beleza! Vejo vocês por ai! — Roger disse levantando triunfantemente da cadeira, e saindo da sala.

—Pansy, vamos no meu carro, tudo bem para você? Vou passar em algum lugar antes e comprar um café, pois estou exausta.

—Sei muito bem o que te deixou exausta Cali, vai indo na frente vou ao banheiro antes.

Cali fez um gesto de afirmativo e saiu da sala, Cali era uma daquelas ruivas falsas que a raiz condena o uso de tintas, ela era naturalmente loira, pois as sobrancelhas e a raiz do cabelo a condenavam. Era estonteante e tinha sua beleza natural, tinha um daqueles cortes modernos de cabelo, um lado alcançando a orelha e o outro em forma de bico batendo no queixo. Tinha um corpo magérrimo, e dava para ser notada a distancia a ausência de seios, a puberdade não foi generosa com ela como havia sido com Pansy, que tinha seios fartos e naturais, mas não era algo que ela usava para se gabar, já que eles muitas vezes distraiam as pessoas que ela estava interrogando. Havia pensando na possibilidade de fazer uma camisa escrita ‘’ Olhe para a minha cara enquanto fala comigo’’ mas as letras nos seios não iriam ajudar muito. Erzébeth Pansy tinha descendência húngara, e também tinha quadris largos, e uma cintura fina, a academia estava começando a surtir alguns resultados.

Pansy caminhou até o banheiro feminino, era um cubículo com uma privada, uma pia, com sabonete liquido e também tinha um espelho. Olhou para o seu reflexo, viu seus cabelos cor de petróleo, que vinham até a altura do ombro, há uma semana atrás havia mudado o visual deixando uma franja um pouco acima das sobrancelhas, quando sua mãe viu, disse que ela estava parecendo uma Pin Up dos anos 50. Resolveu aceitar isso como um elogio.

Olhou com desanimo para seu reflexo, olheiras haviam se formado embaixo de seus grandes olhos com de âmbar, e o lábio inferior continuava inchado como nunca. Abriu a torneira, encheu as mãos com água e jogou no rosto, se secou com uma toalha de papel, penteou as grossas e delineadas sobrancelhas de volta ao normal, e saiu do banheiro olhando para o chão.

Assim que abriu a porta avistou um par de sapatos masculinos que estavam bloqueando sua saída do banheiro, era um sapato de couro preto, tão lustroso que dava para se ver refletida neles, conhecia aqueles sapatos, e não estava a fim de conversar com o dono deles. Seu olhar foi subindo de cima a baixo até encontrar com um par de olhos azuis. Eram os olhos do Detetive Kenny Johnson.

— Hey Michey! — Kenny com um sorriso amarelo olhando para a blusa de Pansy.

Kenny era alto, tinha o corpo atlético de quem usava anabolizantes, tinha cabelos louros e ondulados, penteados para trás, um sorriso sedutor e olhos apaixonantes. Era impossível resistir ao seu charme.

—Kenny! Estou atrasada! Tenho uma autopsia para assistir e realmente não quero me atrasar.

—Ei! Calma ai, você não retornou nenhum dos meus telefonemas, deve ser pelo fato de que você não me deixou o seu número, estou começando a achar que eu não signifiquei nada para você. Você está me evitando?

—Olha Kenny, o que aconteceu foi a milhões de anos atrás e foi um erro. Estávamos trabalhando juntos naquele caso do Lench, fui até o seu apartamento para resolvermos alguns assuntos e investigarmos algumas pistas, alguém teve a brilhante idéia de abrir um vinho, e quando eu me dei conta, você estava suando em cima de mim.

—Milhões de anos uma vírgula, isso foi semana passada. Não finja que eu não signifiquei nada para você, eu senti que tínhamos algo especial, Erzs!

—Que seja! Tínhamos muito vinho na cabeça isso sim, olha foi só uma vez, não vai acontecer de novo, e não você significou tanto para mim quando uma tampa de caneta significa. Agora me de licença que eu estou começando a achar que tirar rosas do meio das pernas de uma defunta é muito mais empolgante do que transar com você.

— Palavras podem ferir Erzsébeth! Isso vai ter volta, fique sabendo que vai.

Pansy já estava no meio do corredor e não tinha nem dado ouvidos ao que o pegajoso Kenny tinha dito, talvez misturar sexo com trabalho fosse uma má idéia, pensou, principalmente se você já tem um namorado, e o cara em questão é uma mala sem alça.

Pansy se sentou no carro do passageiro do Porche vermelho de Cali, fechou a porta e colocou o sinto. O carro dela tinha um cheiro inebriante de canela.

—Reunião! Sei meu rabo que vocês estavam em reunião! — Pansy disse, enquanto olhava para a rua.

—Tá tão na cara assim?

—Há quanto tempo você faz isso? Uns sete anos e ainda não aprendeu que quando duas pessoas aparecem com o cabelo molhado, esta escrito SEXO na testa delas.

—São nove anos Erzs, e ele disse que vai largar da chata da mulher dele.

—E o papai Noel é meu vizinho! Cali, eu estou começando a achar que essa tinta vermelha esta afetando seus sentidos, desde que eu conheci você, há muitos anos atrás, você sempre me fala a mesma historia que o casamento do Taunt esta em crise, que ele vai largar dela, e nesse meio tempo ele arrumou três filhos com a esposa. Eu não acho que ela colocou uma arma na cabeça dele e o obrigou a fabricá-los.

—Eu sei, eu sou uma idiota, mas, eu gosto dele, e sei que ele gosta de mim, — Cali disse esfregando as unhas vermelhas no volante do carro.

—Ele gosta do fato que você faz Ioga e é muito mais flexível que a mulher dele, isso sim. Você é uma romântica incorrigível que acha que tudo vai dar certo, eles nunca largam das amantes, acredite em mim, você não deve ser a única que ele tem relações extraconjugais, minha querida.

—Eu procuro evitar este assunto. Chegamos. — Cali disse quase se jogando do carro assim que estacionou na vaga de Médicos do IML.

Pansy a acompanhou até o necrotério, onde Cali logo pegou seu jaleco branco, lavou as mãos em água corrente de uma torneira, automática, era só pisar em um determinado local no chão que a água saia feito uma cachoeira. Cali puxou uma porta prata, e um saco preto em uma espécie de maca saiu de lá de dentro.

O frio tomou conta do lugar, e Pansy esfregava uma mão na outra para tentar se aquecer. Cali pediu ajuda a um enfermeiro para levar o saco ate uma mesa de mármore que ficava no centro da sala gelada, os dois abriram o zíper e lá estava, o corpo sem vida de Pandora pronto para ser aberto.

—Obrigada John. — Cali agradeceu e o enfermeiro se retirou da sala.

Pandora estava com um branco arroxeado de post mortem que só os mortos têm. Ela tinha cabelos louros e compridos, estavam molhados devido à refrigeração, havia marcas roxas, quase verdes em torno do pescoço dela, e pareciam ser o sinal de dedos, ela foi estrangulada pelas próprias mãos do assassino. Cali separou as pernas dela para ter certeza e lá estava, uma rosa vermelha, ela já estava murcha devido ao tempo que estava ali.

—Olha só, vou ter que brincar de jardinagem. — Cali disse. Pansy às vezes não conseguia entender o senso de humor mórbido da amiga.

—Há quanto tempo ela esta morta? — Pansy disse, tentando não aparentar impressionada, mas estava começando a sentir algumas dores abdominais só de imaginar aquela rosa enfiada em seu corpo.

—A julgar pelo estado, há uns três dias. O corpo foi encontrado em um canteiro de flores, na frente de uma restaurante beira-mar em Miami. Os donos foram abrir o estabelecimento e se depararam com algo diferente entre as flores. Droga vou ter que abrir para tirar essa maldita rosa daqui, você não se importa em pegar o bisturi que esta logo atrás de você, Erzs?

Pansy olhou com desdenho para o pequeno objeto cortante atrás dela, que estava em uma pia de metal, e o entregou para Cali.

Cali fez uma incisão logo abaixo do umbigo de Pandora, e soltou um ‘’UAU’’ de espanto.

—O que é esse ‘’Uau’’?

— Você não vai acreditar, mas parece que a rosa se enraizou no útero da menina, céus como isso é possível? Bom o útero é um lugar úmido, ela deve ter geminado aqui dentro, eu sei que isso parece impossível, mas aparentemente é. E os espinhos estão cravados em volta do útero dela, isso vai demorar mais do que eu esperava.

—Esse cara nunca ouviu falar em jardim? Talvez haja outros lugares menos bizarros para se plantar uma flor, — Pansy disse com uma cara enojada.

Alguns minutos depois Cali retirou a flor de dentro de Pansy e a colocou em um pote de vidro.

—Não há sinal algum de violência sexual, mas a pobrezinha teve essa flor enfiada nela ainda enquanto estava consciente, que dor deve ter sido! Ah! Os dedos do pé dela estão todos feridos, como se ele os tivesse apertado com algum alicate eu acho, o mindinho dela esta suspenso e dá pra ver até o osso. Os legistas da Califórnia me disseram que teve um caso, que uma parte do espinho estava apontando pra fora do umbigo, medonho não acha? Ajude-me a virá-la para vermos o que ele fez nas costas dela.

—Não tem um enfermeiro que a ajuda com isso, não?

—Você esta aqui, custa me ajudar?

Cali costurou a abertura no útero da menina. Relutante Pansy concordou em ajudar a virar o corpo, quando elas o viraram de bruços quase caíram para trás era ainda mais chocante a visão que elas tinham.

A costa de Pandora estava totalmente rasgada, havia um corte desde a nuca até o Cox da garota.

—Meu Deus! —Cali disse enfiando uma pinça no ferimento. — Tem espinhos fincados aqui dentro.

Além do enorme corte, havia outros dos lados, menores, mas também profundos todos eles continham espinhos dentro, e Cali imaginava que eles eram venenosos.

—Esses espinhos não devem ser da roseira, deve pertencer a alguma planta venenosa, estes cortes estão infeccionados, e devem ter sidos feitos no mínimo há uma semana, acredito que ele ficou cerca de cinco dias torturando essa garota. Eles são colocados com precisão, e só depois de mandar para o laboratório poderemos saber o que eles causavam nela, ela também tem algumas urticárias na pele, você pode notar — Cali disse passando a pinça no lombar da garota — que esta parte esta mais áspera e com protuberâncias, ele deve ter passado alguma planta venenosa aqui também.

—Ele mora numa selva? Será algum tipo de indígena? Porque se dar tanto ao trabalho de torturar dessa maneira? — Cali perguntou com o cenho franzido.

—Ele quer que elas sofram. Ele sabe o que essas flores e espinhos podem fazer, e o efeito delas na pele, ele deve ser algum botânico ou algo do gênero, agora é com você Erzs, investigar todos os botânicos com atitudes suspeitas dessas regiões.

Cali sentiu um calafrio percorrer todo o seu corpo, e antes que pudesse dizer alguma coisa a Cali sentiu seu celular vibrar, era Taunt.

—Pansy falando.

—Pansy, caso você tenha se esquecido, tem uma terapia a ser realizada, e como eu sou muito generoso, irei eu mesmo conduzir as seções. Venha para a sede do FBI o mais rápido possível. — Taunt desligou antes mesmo de ouvir uma resposta.

Era só o que me faltava, ter que me abrir com esse idiota, Pansy pensou.

Notas finais
post mortem- depois da morte.