O Mais Belo Espinho De Sangue

4 Capítulo 4- Alcançando as Estrelas


Notas iniciais
Desculpa a demora pessoal, espero que este capitulo não seja muito exaustivo, mas aposto que vocês irão gostar. Beijos e boa leitura.

Pansy pediu para que Cali a levasse até a sede do FBI para poder pegar o seu carro, a amiga gentilmente a levou até lá.

Pansy nem ao menos entrou no prédio, apenas pegou o seu carro e foi até seu apartamento, eram 09h00min e ela ainda estava usando aquela blusa ridícula, mas confortável do Mickey, era a oportunidade perfeita para poder tomar um banho, colocar uma roupa mais profissional e ir até a maldita seção de terapia. Pansy odiava ter que passar por elas, a última vez que havia feito uma seção de terapia foi quando foi selecionada para trabalhar no FBI, ela trabalhava na parte de investigações da policia, mas já havia completado alguns cursos na Academia, e estava apta para o cargo.

Assim que abriu a porta de seu apartamento o cheiro de café inebriou todos os sentidos de Pansy, Cali havia prometido parar para tomarem um café, mas estava tão empolgada em abrir um cadáver que se esqueceu do combinado, Pansy achou indelicado tocar no assunto.

Johnny provavelmente havia preparado um café, e pelos cálculos de Pansy estava saindo para mais alguma seção de fotos, ele havia comentado algo do tipo na noite passada, mas ela não estava em condições de se recordar.

Tudo o que ela precisava era de um bom banho, uma roupa limpa e formal, uma xícara de café e talvez um comprimidinho, pois ela estava exausta e morrendo de sono, não seria nada de mais, apenas uma balinha inocente, não tomaria nenhuma dose cavalar que a deixaria impossibilitada de responder as perguntas de Taunt, seria apenas um tapinha na cara, para acordar.

Dirigiu-se até a cozinha e viu Johnny sentado na cadeira próxima ao balcão, ele estava tomando uma xícara de café e lendo algum jornal matinal. Johnny era cerca de cinco anos mais novo do que ela, algo inédito, pois ela sempre achou ridículas mulheres mais velhas com homens mais novos, mas mal dava para notar a diferença, pois modéstia a parte Pansy tinha traços muito joviais e tinha acabado de completar trinta anos. Johnny tinha os cabelos longos na altura das costas, eles eram castanho claro e liso escorrido, Pansy sempre se sentiu atraída por homens com cabelo comprido. Johnny estava com eles parcialmente presos, apenas uma parte presa, e a outra solta embaixo de um rabo, era como ele os usava para ir trabalhar, ele também tinha em sua orelha esquerda três piercings de argola.

—Levantou cedo hoje. Podia ter me acordado e me tirado daquele sofá duro pelo menos. — ele disse sem tirar os olhos do jornal.

— Você estava dormindo tão profundamente que fiquei com pena de acordar. — Pansy caminhou até o armário de madeira da cozinha, e abriu uma caixinha de costura, ninguém costurava naquela casa, e de alguma forma aquela caixinha estava lá, mas havia algo dentro que Pansy se importava.

—Hey! Não é um pouco cedo para isso? Estou começando a ficar preocupado com você, nosso combinado era de apenas em ocasiões importantes. — ele disse voltando se para ela.

—Não enche! Tenho mil coisas para fazer e meu corpo pede cama, preciso disso para me manter disposta. — ela disse depositando o pequeno comprimido na boca. Pegou uma xícara de café e se sentou ao lado de Johnny.

— Você esta começando a soar como um viciado falando. Essa foi a ultima vez que você me pede para comprar essa porcaria e eu trago para dentro desta casa! Estou falando sério, Erzs, este é um caminho sem volta.

—Quem é você para me dar lições de moral? Não esta na hora de você ir trabalhar não? Estou bem, acredite em mim. Sou bem grandinha para ter uma babá.

—Eu contei quantos tem naquela caixinha, tem mais três, se quando eu chegar do trabalho e eles não estiverem mais ali, tomarei alguma medida extrema. Se ainda estiverem, vou jogá-los pia a baixo. —Johnny disse se levantando, deu um beijo rápido em Pansy, pegou sua mochila e saiu.

—Vai ver se eu estou na esquina, Johnny! Era só o que me faltava, ter vigilância pra cima de mim agora. ‘’tomarei alguma medida extrema’’ que medo, nossa que medo.

Pansy disse caçoando sabendo que Johnny estava longe o suficiente para não ouvi-la.

Foi até o banheiro tomou uma ducha fria e rápida, Pansy adorava tomar banhos gelados, eles tinham um efeito maravilhoso com aqueles comprimidinhos. Fechou a torneira, e estava começando a torcer seus cabelos molhados quando o telefone tocou.

—Droga! — Bufou se enrolou em uma toalha, a mesma toalha violeta e felpuda que Johnny estava usando na noite passada e foi até a sala, deixando um rastro de água pelo caminho.

—Alô?

—Cachorra você não vai acreditar a onde eu estou.

Pansy sabia que havia apenas uma pessoa no mundo que a chamava deste modo carinhoso.

—Num bordel?

—Cruzes não!

—Bom você disse que eu não ia acreditar...

—Estou em um jatinho fretado, tomando champanhe e tendo como companhia aquele seu amigo pegajoso.

—Posso saber o que você esta fazendo no ar com o Detetive Kenny Johnson?

—Estamos indo para a Califórnia, cachorrona! O Agente Super Especial Calças- Largas vulgo Taunt nos mandou investigar o cara que enfia rosas na perseguida das defuntas, e aqui estou eu.

—Nossa isso deve ser muito interessante. Bom divertimento para vocês. Vadia, vou ter que desligar, estou meio atrasada. Beijos... De língua.

—ECAAAAAAAAAAAA! Vou cuspir meu champanhe! Guarde sua língua de vaca dentro da boca, Adíos.

Pansy secou os cabelos, pegou uma saia preta de cintura alta, ela era de couro e Pansy a amava colocou uma blusa social roxa, colocou um de seus Scarpins preto e foi nem um pouco entusiasmada para a tal terapia.

Assim que chegou à Sede do FBI, se anunciou na portaria e foi informada que o Agente Taunt já a esperava na sala, Pansy estava quinze minutos atrasada.

Nem bateu na porta, foi entrando e se sentou em uma poltrona cor de vinho, logo a sua frente estava Taunt, sentado em uma poltrona parecida a encarando. Era uma sala grande, tinha vários diplomas e certificados no nome de Bruce Taunt na parede, fotos dele com a esposa e os filhos, uma mesa cor de ópio e alguns armários.

—Pontualidade e educação não são o seu forte, não é mesmo Erzsébeth. — Taunt disse a fitando dos pés a cabeça.

—E nem decoração o seu, vamos logo com isso.

—Tudo bem, vou ter que lhe fazer algumas perguntas de rotina e preencher uns formulários, preparada?

—Nasci pronta.

—Ótimo. Prefere frutos do mar ou comida chinesa?

—O que isso tem a ver com eu ter dado um tiro em um cara escroto?

—Apenas responda a minha pergunta.

—Frutos do mar. — ela disse desconfiada, cruzou as pernas e ficou olhando para Taunt que fazia algumas anotações em uma prancheta.

—Vinho seco ou suave?

—Qualquer coisa que tenha álcool, não estou entendendo a aonde você quer chegar.

Taunt se empertigou na poltrona e continuou.

—Conheço um ótimo restaurante de frutos do mar, o que acha de irmos jantar hoje à noite? — Taunt soltou um de seus olhares sedutores, quase inegáveis.

—Tenho uma proposta melhor, vamos cortar essa porcaria de analise terapêutica e se eu aceitar jantar com você anote nesse seu caderninho que eu estou ótima e apta para trabalhar.

—Uma proposta tentadora! Aceito, mas você sabe que nós deste ramo, não podemos nos relacionar, apenas amigavelmente.

—É exatamente isso que vamos fazer queridão. Um jantar, iremos falar sobre trabalho, sobre nossos problemas e só isso.

—Sim, claro. — Taunt disse com tom de deboche.

—Pode ir me buscar as oito. — Pansy disse se levantando da poltrona e deixando a sala.

Ela sabia que Johnny só chegava em casa depois das onze, e teria tempo de sobra para jantar com seu chefe. Jantar apenas isso, ela tinha uma grande consideração por Cali, e não queria se envolver em mais problemas com colegas de serviço, igual havia acontecido com Kenny. Sabia quais eram as intenções de Taunt, mas apenas iria usá-lo a seu favor, para se livrar da chatice de uma terapia.

Com Roger e Kenny fora da cidade não sobrou muito trabalho para Pansy realizar, então ela resolveu voltar para seu apartamento, levou uma pilha de arquivos do ‘’Assassino Das Rosas’’ como alguns jornais já estavam começando a o chamar, e resolveu tirar o resto do dia para estudar este caso.

Assim que chegou em seu apartamento sentiu a necessidade de ligar para Cali e lhe contar sobre o jantar, realmente esperava que ela pudesse entender seus motivos e interpretá-los da maneira correta.

Deitou na sua boca- sofá e ligou para a amiga:

—Hey garota, precisamos conversar. — Disse hesitante.

—Realmente espero que seja algo importante, eu estava dissecando um cérebro.

—Muita informação Cali, muita informação. Espero que não se importe, mas hoje à noite vou jantar com o Agente- Calças- Largas. E antes que você surte, quero deixar bem claro que é apenas um jantar, para me livrar da chatice da terapia, e assim vou satisfazer o ego dele, algum conselho?

—Não sei se eu deveria confiar em você, mas como ele tecnicamente não é meu não tenho com o que me preocupar, bom ultimamente tenho tido mais diversão com meus cadáveres enrijecidos do que com ele, se é que você me entende. — Cali disse soltando uma risada abafada.

—Wow! Entendo alguém não está fazendo a lição de casa, bom saber, bom era só isso, volte lá para, fazer as coisas nojentas que você tanto ama.

—Hey! Cuidado com o que fala essas coisas nojentas já foram seres humanos. Mantenha-me informada. — Cali desligou.

Pansy passou o resto do dia debruçada em cima dos arquivos das investigações do tal Assassino das Rosas, ele tinha um padrão muito bom, e provavelmente tinha alguma obsessão por colocar flores em lugares inusitados, Cali tinha razão pensou Pansy, ele tenta de alguma forma devolver a inocência ‘’deflorada’’ dessas garotas, colocando aquela flor estratégicamente. Pansy estava lutando contra seus próprios olhos, queria muito dormir, mas tinha que se manter acordada, havia uma solução para recuperar essa energia, ela sabia muito bem que café era para os fracos, quando se tem Ectsasy, pode-se manter acordada e vibrante por muito mais tempo.

Ela se lembrou do aviso de Johnny e riu, ele deveria estar blefando, e mesmo que não estivesse o que ele iria fazer? Puni-la? Pansy sempre adorou uma punição então isso não iria funcionar muito.

Foi até a caixinha de costura e tomou os três comprimidos de uma vez, dane-se a sociedade pensou. Agora ela iria bem acordada e chapada para essa droga de encontro.

Tomou um banho bem demorado, que quase parecia um musical da Broadway de tanto que cantou, por sorte nenhum dos vizinhos reclamou. Já que era para estragar, vamos estragar tudo com classe, abriu uma garrafa de Wiskey que ela estava guardando a anos, e começou a tomar na garrafa, a partir do momento em que se sentou no chão e não sabia mais o que fazer, teve a leve impressão de que seu jantar tinha ido pro vinagre.

Abriu o guarda roupa, pegou o primeiro vestido que achou que era um preto liso e justo, com as costas abertas, e mesmo que fosse uma capa de chuva, não saberia a diferença.

Estava jogada no sofá bebendo seu Wiskey quando recebeu um interfone de que Taunt estava a esperando no carro, as probabilidades deste jantar ser produtivo eram mínimas, quase escassas.

Assim que Pansy se sentou no carro, já não sabia mais em que dimensão ela estava, estava tão alta que podia tocar a lua. Taunt abriu um sorriso sedutor para ela.

— Você esta linda, Erzsébeth!

—Sabe o que é lindo? As luzes da rua de noite, nunca havia notado como elas são cintilantes.

Taunt a olhou de canto, sem entender uma palavra do que ela disse. Até os dois chegarem ao restaurante não tocaram nenhuma palavra, a não ser por Taunt querer puxar assunto, mas ser ignorado por Pansy comentando sobre como era a textura do estofado do assento do carro.

Assim que chegaram ao luxuoso restaurante de frutos do mar, e Taunt gentilmente foi abrir a porta para Pansy descer, ela tropeçou ao descer da porta do carro e caiu sentada no meio do estacionamento, não havia mais dúvidas de que a noite seria um fiasco.

Pansy teve uma crise de riso até se sentarem em sua mesa reservada, e só parou para fazer observações de como o cheiro do restaurante a lembrava do necrotério que ela havia visitado de manhã.

—Erzsbéth, não estou entendendo seu humor, você está bem? Suas pupilas estão dilatas, há alguma coisa de errado com você?

—Não! Estou... Ótima, tão bem que — após uma pausa demasiadamente, longa demais, Pansy fez um movimento de beber a taça vazia que estava na mesa — porque você está me olhando?

—Você estava me dizendo que estava bem e?

—Ah! É isso ai, que horas vamos comer, estou com tanta fome que comeria esse garçom — Pansy disse um pouco alto de mais e o garçom a encarou — brincadeirinha, não curto carne humana.

—Eu vou querer um salmão com alcaparras, e uma taça de chardonnay, o que você vai querer Erzsébeth?

—O mesmo que ele, e uma garrafa inteira de chardonnay.

—Uau! Algum motivo especial para bebermos tanto?

—É difícil aturar você sóbria, se é que me entende. —Pansy deu uma piscada falsa.

—Você esta estranha, Pansy, há algum problema?

—Eu não tenho nenhum, já você, ouvi dizer que tem um ‘’ probleminha’’ não é? — ela disse fazendo um sinal de diminutivo com os dedos.

Taunt afroxou a gravata, e mudou para um semblante mais sério.

—Pansy, você esta me constrangendo, deveria se envergonhar deste tipo de comportamento, e, por favor, pare de beber! — ele disse tomando a taça das mãos dela.

—Me envergonhar? Diga-me o que você sabe sobre vergonha, já que mantém um caso extraconjugal a anos, engana sua mulher e seus filhos, e ainda trás uma funcionária para jantar, com a intenção de se dar bem.

Taunt empalideceu, se ele não estive sentado teria caído da cadeira neste momento.

—Termine seu jantar, vou levá-la para casa.

Não houve nenhuma palavra no trajeto da volta, apenas Taunt soltando alguns olhares fulminantes para Pansy, que estava cantando qualquer música que tocava no rádio, até Taunt ficar mais vermelho de raiva e desligar o rádio.

Assim que chegaram à frente do Hotel onde Pansy morava, ele parou bruscamente e a fitou.

—Não sei o que esta acontecendo com você, não sei se fico preocupado ou nervoso, gostaria que repensasse em suas atitures, Pansy. — ele disse a olhando fixamente.

—Sabe o que eu acho... — Antes de terminar a frase, Pansy fez uma careta estranha e vomitou dentro do carro de Taunt, fez um barulho horrível e sujou todo o assoalho, o banco, o tapete e seus sapatos.

—Mas que inferno! Era só o que me faltava! Desça, ande saia da minha frente agora! — Taunt gritou sem acreditar no que havia acontecido, empurrou Pansy para fora do carro, e arrancou ferozmente em partida.

Pansy sentou na grama, em frente a portaria do hotel, pensando que não iria se safar depois dessa.

Notas finais
Não se esqueçam do review, e deixem suas criticas construtivas e opiniões.