Notas iniciais
Desculpa a demora pessoal, está um pouco corrido para mim no momento então talvez eu demore um pouquinho para att, espero que entendam ;)

Esse capitulo tem uma música, eu sei, eu sei, vocês devem estar pensando que isso aqui é um musical, porém eu PRECISAVA por essa música, ela transcreve certinho esse capitulo.
Boa leitura e bjs.
cliquem no PLAY para ouvir a música.

O abrigo era quente e abafado, sem circulação, ele cheirava a sangue, a morte e a profundo desespero, quando a pesada porta de metal se abriu uma rajada de vento entrou na sala, era uma brisa gélida, que despertou Pansy de suas trevas, tirando o odor abafado da sala.

Passos agitados e arrastados se aproximavam de Pansy, ela não tinha forças para levantar a cabeça e ver quem estava diante dela, até que uma mão delicada pousou em seu ombro, aquele não era o toque de Charlie.

—Díos mio! O que aconteceu com a señora? — A voz assoprada e carregada de Alfredo a despertou, seu rosto engraçado foi se materializando em sua frente.

—O-onde está ele? —Pansy lutava com as palavras presas na garganta.

—Ele quem? Quem fez isso com você? Meu Deus preciso avisar o señor Bloson que a señora está aqui em baixo — O pobre coitado estava aflito.

—Não, seu imbecil... Foi ele quem fez isso comigo, Charlie —Pansy não estava com vontade de ser simpática, tinha arame farpado no meio das pernas dela.

—Ai caramba! Eu fiquei desconfiado que o señor Blosson não saia daqui de baixo e vim dar uma olhada, a porta estava só encostada e...e...

—Me tire daqui porra!

—Sim , sim! — Alfredo foi tirar as amarras das pernas da mulher e parou. —Oh não!

—O que foi? —Pansy perguntou aflita.

—Ele colocou um cadeado nessas amarras e agora?

Pansy estava presa e seu provável salvador era um completo idiota.

—Então procure uma chave, um alicate, carregue essa maca, mas me tire daqui! —Pansy tentou controlar as palavras e falar calmamente, ela precisava da cooperação daquele paspalho.

—Mas é muito pesada! — O homem estava claramente em desespero, ele começou a vasculhar todas as coisas na sala a procura das chaves, quando os dois pararam com som de passos na escada.

—Saia daqui seu idiota, e chame o FBI! —Pansy disse sem fôlego para o assustado rapaz.

Alfredo se aproximou e segurou uma das mãos geladas de Pansy.

—Eu vou tirar a señora daqui, prometo! —E um assustado Alfredo saiu rapidamente da sala fechando a porta novamente.

Por uma fração de segundos Pansy se encheu de esperanças, esperanças de viver, de sair daquele lugar, mas aparentemente Alfredo não era de muita ajuda, o rapaz estava evidentemente nauseado com todo o sangue a brutalidade da situação, tudo o que ela tinha que fazer era rezar por um milagre.

Os passos ficaram mais altos e a porta se abriu novamente, dessa vez a corrente de ar tinha o cheiro nauseante e inconfundível de rosas.

—Querida cheguei! —Charlie lhe lançou um encantador sorriso, em algum lugar da alma quebrada de Pansy ela sentia muito, sentia mais por tê-lo perdido do que pela situação em que se encontrava.

Charlie depositou alguma coisa no chão e Pansy não pode ver o que era ela tentou se esticar, mas assim que ela se moveu, sua dor profunda voltou.

—Não seja curiosa, minha querida! Não é nada que você tenha que se preocupar agora, benzinho. — Charlie tinha um brilho melancólico no olhar.

—Char-Charlie, o que você vai fazer comigo? —Pansy perguntou temerosa com a resposta.

—O que você acha meu bem? Não ficou claro para você ainda o que está prestes a acontecer?

Charlie voltou-se a mesa e segurava um ramo de espinhos nas mãos. Delicadamente ele começou a passar os espinhos pela barriga de Pansy, Pansy julgou estar imune a dor, pois aquilo não fazia nem cócegas nela, ela sentia o sangue fluindo do corte que ela tinha no abdômen, sentia o sangue quente e viscoso escorrer por sua pele, e o principal, sentia o toque de Charlie, era frio e ao mesmo tempo quente, sua pele não o rejeitava, tampouco repelia, era como um imã, uma onda de eletricidade percorreu o corpo de Erzébeth Pansy a fazendo ter espasmos por todo o corpo. Charlie a olhava intensamente, ele também havia sentido a onda que suas mãos emanavam no cálido corpo dela.

PLAY

Your cruel device
Your blood like ice
One look could kill
My pain, your thrill

Pansy tentou mesmo sabendo que em vão esticar a mão e tocá-lo.

—O que você está fazendo? —Ele perguntou perplexo.

—Apesar de tudo o que você está fazendo comigo, eu o amo, amo-o desesperadamente, você pode pensar que eu estou mentindo, mas sinta! Há eletricidade entre nós dois! Temos uma conexão muito forte, se você me matar, estará matando uma parte de si mesmo.

I wanna love you, but i better not touch (don't touch)
I wanna hold you, but my senses tell me to stop

Cale-se mulher! Você está tirando toda a graça da tortura com esse papo! E nem tente me enganar com palavras, palavras são o vento e você está desesperada pra sair daí que vai continuar vomitando qualquer coisa achando que eu vou engolir isso! —Uma fração de dúvida cintilou nos olhos verdes do botânico.

I wanna kiss you, but I want it too much (too much)

I wanna taste you but your lips are venomous poison.

Pansy esticou a mão, usando todo o resto de força que ainda acalentava em seu corpo, com muito esforço, as mãos trêmulas quase tocaram as de Charlie, mas ele afastou as suas mãos das dela.

—Você não vê Charlie? No fundo eu sei que você é um bom homem, eu consigo ver a bondade em você, tudo isso é apenas uma escapatória, mas eu posso te ajudar a ser um homem melhor, a ser o meu homem! Eu sei que o homem por quem eu me apaixonei está ai em algum lugar. — Sua voz era rouca e suplicante.

Charlie deu de ombros e se voltou até a mesa, Charlie viu algo refletindo nas mãos dele, quase a cegando ele se aproximou com uma afiada faca de inox.

—Não acho que homens bons fariam o que eu estou prestes a fazer, não se iluda meu bem, não há um pingo de bondade dentro de mim, e eu vou te fazer gritar! —Os olhos dele eram dois poços de fúria, mas Pansy conseguia ver a dúvida passando por eles.

I hear you calling and it's needles and pins (and pins)

I wanna hurt you just to hear you screaming my name

Don't wanna touch you, but you're under my skin (deep in)

Ele aproximou a faca novamente do corte no abdômen dela, desta vez a afundando com força, Pansy sentiu a dor dilacerando-a.

—Charlie não!— Pansy rapidamente conseguiu encostar sua mão trêmula na mão dele, assim que a tocou entrelaçou os dedos nos dele, a ligação de ambos era muito forte, um vínculo inexplicável. Charlie derrubou a faca no chão e a fitou.

—Scarlett... mas o que... não pode ser... —O homem estava perplexo, ele obviamente sentiu a conexão de ambos, se aproximou de Pansy colando os lábios nos dela, ele apenas encostou os lábios nos lábios rachados e machucados dela, a barba dele roçava e pinicava o rosto dela, a boca de Pansy era convidativa para a entrada da língua de Charlie, a língua dele era macia e doce, tinha um sabor de néctar, e ela explorava todos os cantos da boca dele, ele era o homem que a havia mutilado e humilhado, mas também era o homem que ela amava com todas as suas forças, Pansy pensou que talvez, apenas talvez, estivesse ficando louca.

Os dentes de ambos rangiam entre si, eles travavam uma luta com as línguas, a respiração ofegante dele, sobre a respiração fraca de Pansy, ela sabia que aquele era o beijo da morte literalmente. Ele desgrudou a boca da dela, e abriu os olhos, Pansy os abriu também vagarosamente, ela imaginava que talvez tudo aquilo fosse um delírio, a roupa dele estava manchada com o sangue que emanava do abdômen dela, ela estava perdendo muito sangue e sentia a visão ficando turva, estava se aproximando do fim.

Inesperadamente ele a abraçou, segurando-a e apertando com força, ele afundou o rosto do pescoço dela, Pansy sentiu algo quente em contato com sua pele, ela não podia acreditar, ele estava chorando.

—Eu... eu não posso te perder Scarlett! Você é tudo para mim, passei a minha vida toda perdendo as pessoas que eu... que eu amo... eu não deveria mas a amo! Amo, amo, amo! Meu Deus o que eu fiz? O que eu fiz com você? O que eu fiz com a sua vida, meu Deus do céu! — O homem gemia e chorava no ombro dela a apertando contra seu corpo.

—Charlie...— ela disse tentando tocá-lo com as mãos, mas as amarras dificultavam — você sabe que eu não vou sair viva daqui se continuar desse jeito, tire-me daqui e me leve em um hospital, tudo vai se acertar e...

Ele colocou um dos dedos nos lábios dela.

—Nada vai se acertar é tarde demais para você, e é tarde demais para mim, é tarde demais para nós dois! Eu vou consertar isso, afinal, nascemos para morrer.

Ele se levantou e foi até o canto da sala, pegando algo que tinha deixado no chão, ele secava as lágrimas com as costas das mãos, Pansy viu que era um galão vermelho, ele abriu e começou a despejar o liquido pela sala, o cheiro era forte, aquilo era gasolina.

—Não... não, Charlie não faça isso! —Pansy tentava se mover e elevar a voz mas ela não tinha mais força nenhuma para lutar.

—Sim, Erzsébeth, sim. Nós vamos morrer juntos, e assim passaremos o resto da eternidade juntos, estou disposto a fazer isso por você e por nós! — Ele jogou o galão em um canto e tirou uma caixinha de fósforos do bolso e riscou um palito, o segurando na mão.

—Charlie não é tarde demais, nunca vai ser tarde demais para nós dois, largue isso e me tire daqui! — Pansy tentava esticar o braço para ele, Charlie se aproximou e tocou a mão dela.

—Erzsébeth, eu te amo, de todo o meu cora...— Ele foi interrompido com sons que vinham do andar de cima da floricultura. Charlie apressadamente se aproximou da porta e saiu, derrubando o palito no chão.

—Charlie? Aonde você vai? E aquele papo de morrermos juntos? Volte aqui, não ouse me deixar morrer sozinha seu bastardo! — O fogo rapidamente se alastrou pelo abrigo, que aparentemente era anti-bombas, mas não era anti-fogo, a fumaça enegrecia o local.

Pansy começou a tossir com toda aquela fumaça, estava dificultando sua visão e sua respiração, quando um som estourou em cima de sua cabeça, ele vinha de cima, da floricultura, era um som familiar, era o som de tiro.

—Não...—Pansy disse tossindo, sendo engolida pela escuridão.

O escuro foi tomando formas, Pansy abriu os olhos sendo jogada para fora da escuridão, ela se balançava, sentia que estava em movimento, mas não sabia identificar o que estava acontecendo, não se lembrava onde estava até sentir o cheiro de fumaça ardendo suas narinas. Pansy foi se mexer e sentiu que as mãos estavam soltas, ela as foi erguer e bateu em algo duro. Era um peito masculino.

—Te peguei cachorra, vai ficar tudo bem! — A voz de Roger era familiar aos seus ouvidos ela não entendia o que estava acontecendo até ver que estava no colo do amigo, ele a carregava sob as escadas do abrigo, mas tudo era uma névoa de fumaça.

Ela não entendia o que ele fazia ali e como ela estava em seus braços, até que se lembrou de Charlie, dos sons que ele ouvira e do estrondo, Oh Deus, por favor, não!

Roger passou pela floricultura que estava ardendo, o fogo consumia todas as flores e arranjos, descendo pelas paredes e destruindo e consumindo tudo, ela olhou para o lado e não podia acreditar, mas Johnny estava parado próximo a porta e ele tinha algo nas mãos, uma arma, o som de sirenes dos bombeiros e do carro da polícia era evidente. Pansy encostou o rosto no ombro de Roger e olhou para baixo, no chão havia um homem caído sob uma poça de sangue, o fogo quase o alcançava.

—Não, pode ser...Charlie, não... — Pansy murmurou até ser engolida pelas trevas.

Notas finais
Okay talvez eu seja um pouco má com meus personagens, mas só um pouco.
Obrigada a todos que leem e comentam, e aos que leem e não comentam eu adoraria saber o que vocês estão achando da história :)
Bjs e até a próxima.