O Mais Belo Espinho De Sangue

24 Capítulo 24- Alma Danificada


Notas iniciais
Eu sei que estou demorando pra att, mas é culpa da escola e da preguiça, não minha u.u
Coloquei uma música (de novo) nesse cap, então cliquem no PLAY e enjoy :)

Boa leitura!

O prazer e a dor são coisas ambíguas, mas também podem se tornar extremamente relativos, andando de mãos dadas, como aquelas pessoas velhas que são inimigos por uma vida toda e no final das contas nenhuma delas se lembra a real razão por terem brigado, simplesmente continuam a travar uma batalha pelo orgulho ferido. Este é o prazer e a dor, ambos duelam por seu espaço, e às vezes eles resolvem dar as mãos e saírem andando. Tornando-se a combinação perfeita, dolorosamente prazeroso, tudo aquilo que causa a dor geralmente vem acompanhado do prazer, ou tudo aquilo que dá prazer pode ser dolorido.

Esse não era o caso de Erzébeth Pansy, tudo o que ela sentia era uma dor continua, sem fim, sem cessar e sem pausas interruptas. Após contar precisamente mil trezentas e sessenta e sete gotas pingando em algum lugar daquele abrigo anti-bombas embaixo da floricultura de Charlie ela simplesmente resolveu parar de contar, e se entregou de completo para a dor.

A principio o pânico e o medo que ela sentia por Charlie a havia deixado entorpecida, tudo o que sua mente mutilada conseguia projetar era a decepção e o fracasso. A decepção de ter enganado e enrolado o homem que ela deveria perseguir e prender e por quem fatidicamente acabou se apaixonando e o fracasso por falhar profissionalmente em sua missão. Agora ela estava praticamente nua, ou se vestia alguma coisa não sabia dizer, amarrada em uma maca de hospital, e mutilada física e mentalmente. O pior abuso que Charlie poderia cometer com ela não era o físico e sim o emocional.

Pansy não sabia dizer a quanto tempo exatamente ela estava naquela situação, ela tentou desesperadamente calcular o tempo pelo som da torneira pingando naquele cômodo, mas era difícil se manter sana naquela situação, poderiam ser dias que ela estava lá embaixo, como poderiam ser apenas algumas horas. A mulher tentava lutar por sua sobrevivência mental ‘’ele pode acabar com meu corpo, mas não pode machucar minha mente’’ foi o que ela havia pensando inicialmente quando acordou amarrada naquele lugar, obviamente foi um grande engano da parte dela pensar isso.

Primeiro ela foi submetida ao falatório sem fim do homem, contando sua infância desgraçada, uma tentativa desesperada de justificar o monstro que ele havia se tornado, mas aparentemente para ele aquilo era absolutamente normal, afinal de contas, quem nunca empurrou a mãe em um poço na infância e não jogou a culpa em um jardineiro, não é mesmo?

Enquanto o pânico e a tormenta a corroíam por dentro, Charlie ainda não satisfeito resolveu violar Pansy física e emocionalmente, possuindo-a a força de todas as maneiras, enquanto ela observava tudo àquilo como uma telespectadora a distancia, vendo alguém violar seu corpo. Pansy não conseguia mexer os dedos dos pés, ela também não se atrevia, sabia que estavam todos quebrados, e provavelmente iria perdê-los se continuassem por muito tempo sem os cuidados necessários, enquanto ele apertava seus dedos com um alicate, tudo o que ela pensava era nos momentos felizes de sua vida, sua infância com seus pais e sua irmã, seu trabalho em Washington, e a brincadeira de casinha que era para ser uma missão de trabalho que ela vinha desempenhando nos últimos meses com Charlie, todas suas memórias eram tentativas desesperadas e frustradas de se livrar da dor excruciante que sentia naquele momento, mas ela não tinha autocontrole o suficiente para isso, apenas absorveu cada osso de seus dedos dos pés quebrarem lentamente, Pansy começou a levar em consideração que talvez o som de gotas que ela ouvia era o seu sangue escorrendo no chão, e não alguma torneira.

Era como pequenos grãos de areia se esvaindo em uma ampulheta, ela sentia a vida saindo lentamente de seu corpo, á abandonando na escuridão com sua alma danificada, enquanto ela era insultada pelo homem que julgava amar, de todos os xingamentos existentes (que era uma lista extremamente extensa) ele a violentou outra vez, desta vez com um arame farpado. Pansy não fazia idéia de como era sua situação intima, mas ela não ousava fazer qualquer movimento com o corpo, ou a dor latejante poderia piorar e a abrir no meio. Ela sentia o sangue escorrer entre suas penas, até secar e formar uma crosta, todas suas necessidades fisiológicas foram privadas de serem feitas adequadamente, tudo o que ela sentia vontade de fazer tinha que ser deitada, sob seus próprios excrementos. A situação era intensamente humilhante, ela se sentia grata por Charlie não estar lá para vê-la daquela maneira. Aparentemente ele havia a esquecido lá embaixo, talvez a tenha deixado para morrer, Pansy pensou por uma fração de segundos se ele a deixaria agonizando até a morte, mas provavelmente voltaria para atormentar-la. Ela não comia nem bebia nada, sentia os lábios secos e rachados mesmo com a boca tapada pela fita isolante, e sabia que estava com algum tipo de hemorragia, pois não tardou muito até ela começar a dormir com poucos intervalos de tempo e é claro a delirar.

Em um de seus delírios sua mãe e sua irmã estavam juntas a ela no quarto, sua mãe estava sentada onde Charlie estivera, e sua irmã em pé ao lado dela. As duas a olhavam com desaprovação.

—Porque Erzsébeth? Porque você fez essa loucura com sua vida? Você poderia estar em casa, conosco, poderia ter se casado com aquele simpático fotografo, estaríamos reunidas em volta de uma mesa, eu, você, sua irmã... Porque você tem que fazer tudo errado? —Judit Pansy sua mãe dizia calmamente com lagrimas aos olhos.

—Você me decepciona tanto Erzs. — Camellia Pansy, sua irmã balançava a cabeça em desaprovação.

Pansy tentava dizer às duas que queria que elas se orgulhassem dela, que queria fazer algo certo, mas os lábios estavam selados com fita.

Como uma névoa de fumaça sua mãe e sua irmã desapareceram, Pansy olhou para a cadeira e Johnny estava sentado na cadeira com um saquinho de ‘’balas’’ coloridas nas mãos.

—Erzs, olha, eu tenho da boa! Podemos trocar algumas em um beijo, que nem os velhos tempos? Vamos nos casar na praia, como a gente tinha combinado largar aquele emprego de merda que você tem e ter uma casa beira mar? Levante-se venha, Erzs você é a única mulher que eu já amei! —Ele disse soltando uma tragada de fumaça na cara dela e desaparecendo.

Havia um homem alto, calvo de terno e gravata segurando uma menina no colo, ela tinha o cabelo cacheado e uma franja.

—Olhe Erzs—ele dizia apontando para a maca onde ela estava e a menina observada atônita— Olhe filha, isso é o que acontece com meninas más, prometa ao papai que nunca vai fazer nada estúpido? —A menina concordou.

Pansy sentia as lágrimas quentes escorrerem pelo rosto, ela queria se levantar e tocar o pai fazia tantos anos que ele havia morrido que sua face era um borrão, se desvanecendo em sua memória, até se desintegrar por completo e sumir. Não! Ele não podia a abandonar naquele lugar. Papai me tire daqui, eu vou me comportar, você vai se orgulhar de mim! Mas era tarde demais...

Com um flash de luz, Bruce Taunt estava sentado na cadeira, ao seu lado estavam seus amigos Roger Winnes, Cali Ordin e seu ex affair Kenny Johnson.

—Agente Pansy, que vergonha! Olhe onde você está! Coberta de merda e sangue, uma agente profissional e treinada pelo FBI! Eu esperava tudo de você menos isso, dominada como uma vadia, se você tivesse aceitado minha proposta e não ferrado aquele jantar, se tivesse trepado comigo, eu não a teria colocado nessa missão suicida, e todos estaríamos felizes, mas você sempre tem que ferrar com tudo. — Bruce Taunt dizia com o semblante fechado.

—Eu te disse cachorra, seu pior problema e não conseguir fechar essas tuas pernas! Agora se vira cachorrona, como você vai sair dessa? Eu falei que aquele belo par de calças jeans, uie e que calças iam ferrar com você, você devia ter me escutado vadia, e ficado sussegadinha na sua casa. —Roger dizia pomposamente com seu riso estrondoso.

—Pansy amiga, o que foi que você fez com sua vida? Volte pra Washington, nós sentimos sua falta! — Cali dizia passando uma das mãos nos cabelos ruivos falsos, ela tinha a outra apoiada no ombro de Bruce.

—Não Cali, é tarde demais para ela, você não vê? Ela fudeu com tudo como sempre. Eu gostei muito de você Erzs, eu te disse que um dia você iria se arrepender de brincar com os sentimentos dos outros, igual você brincou com os meus. Espero que você apodreça ai embaixo, esquecida, sua porca imunda! — Kenny Johnson dizia, com seus olhos azuis cintilando nela.

A sala tornou a girar, e Pansy notou que no canto da sala havia um homem de costas, a cabeça dele estava esmagada atrás, era uma mistura de sangue e massa cefálica, ele usava um colete aberto mostrando as inconfundíveis tatuagens de pistolas no abdômen, ele tinha uma taça nas mãos.

—Um brinde! A buceta mais perigosa do mundo! Olhe a onde eu fui parar por sua culpa, gata! Porque se fazer de difícil se todos sabem que você é uma puta, por quê? Teria sido divertido, para nós dois. — Richie disse bebendo o conteúdo da taça era vermelho como sangue.

A sala ficou escura, Pansy não conseguia ver mais ninguém, ela queria os amigos dela de volta, queria seus pais e sua irmã, queria voltar para casa, queria viver, esse não podia ser o fim.

Até que um cheiro de rosas a invadiu, ele era doce e delicado, dançando sob suas narinas, entrando em contato com sua epiderme, o cheiro era bom e a fazia se lembrar de Charlie. O botânico entrou no quarto, usando seus jeans surrados, uma regata branca, mostrando os braços definidos e aquela tatuagem de espinhos que ela tanto amava, em seus braços ele tinha uma criança, com cabelos escuros e a pele clara, e olhos verdes, perigosamente verdes.

PLAY Man's got his woman to take his seed
He's got the power — oh
She's got the need

—Ele tem o melhor de nós dois. Eu seria um pai maravilhoso para ele, eu o amaria com todo o meu coração, eu poderia ser um ser humano provido de sentimentos novamente Scarlett, eu você e nosso filho, teríamos nosso final feliz, o veríamos crescer e envelheceríamos um do lado do outro para sempre, juntos para toda a eternidade. —A criança e Charlie a fitavavam continuamente a criança queria tocá-la mas Pansy estava presa e não podia tocar nenhum dos dois.

She cries alone at night too often
He smokes and drinks and don't come home at all

Only women bleed


— Seriamos uma típica família americana, mas agora você está impossibilitada dessa dádiva, você nunca experimentará a maternidade Pansy —ele a chamava pela primeira vez pelo seu sobrenome, ele acariciava o rosto delicado da criança —você nunca gerará esse filho e nunca envelheceremos juntos, porque Erzsébeth, porque você fez isso comigo? Scarlett? Erzébeth? Pansy? ACORDE!

And you there down on your knees begging me please come
Watch me bleed

A voz de Charlie ficou mais alta e mais clara, a despertando de seu devaneio, quando ela tornou a abrir os olhos, brilhando como um Deus, Charlie estava a sacudindo.

—Bom, achei que tinha perdido você. Para quem não come há alguns dias, você fez uma bela sujeira? Não se preocupe, eu a limpei, uma pena que você sangre tanto não é mesmo? Espero que toda essa perda de sangue não danifique o lanchinho de Joffi, não é mesmo? O que foi? O que você disse? Eu não escuto o que você fala... Ah, é mesmo, você está com a boca tapada, vou deixá-la falar um pouco minha querida. —Ele tirou delicadamente a fita da boca de Pansy.

—Á...gua— ela disse com a voz rouca pela falta de uso e água.

Pansy achou que Charlie fosse insultá-la ou deixá-la no escuro novamente, mas surpreendentemente ele pegou um copo com água da mesa e levou aos lábios rachados dela. Á principio a água machucava sua garganta arranhada como um ácido, e quando ela chegou ao estomago vazio, foi como ser apunhalada por um punhal.

—Eu tenho mais a perder, mais do que você, eu sou um grande tolo, e talvez um grande coração para quebrar, e saiba que ele se parte em mil pedaços de ter que fazer isso com você, mas eu cheguei a uma conclusão, eu poderia te deixar andar, eu poderia alimentar o gato com você, eu poderia desaparecer com você daqui, como se você nunca tivesse existido —nada do que ele dizia fazia sentido, ele estava tão transtornado quanto ela. — mas você precisa morrer.

—Eu não me importo de morrer, eu já estou morta. — Pansy disse com um sorriso melancólico no rosto. Aquilo atingiu Charlie em cheio.

—Fique quieta! Não fale, eu preciso pensar! —seu semblante era transtornado. —Se eu quisesse a sua opinião eu desceria até o inferno! Droga mulher! —ele se agitava pela sala, e voltou com uma faca, á pressionando sob o abdômen de Pansy, ele iria tirar o fígado dela. Um filete quente de sangue escorria pela barriga branca e mutilada da mulher.

—Vá em frente, acabe com isso! Acabe com a minha alma danificada! —Pansy suplicava.

Charlie parou o que fazia e a fuzilou com o olhar.

—Não! EU DIGO COMO ISSO FUNCIONA E VOCÊ SÓ VAI DEIXAR ESSE MUNDO QUANDO EU ORDENAR! NÃO OUSE ME DIZER O QUE FAZER SUA PIRANHA! —Charlie a esbofeteou na cara, Pansy nem piscou, estava submersa nas trevas.

O homem saiu pisando duro, deixando a sozinha na escuridão novamente, mas desta vez ele não tapou a boca dela, e ela não tinha mais forças para gritar.

Pansy adormeceu, adormeceu profundamente, rezando secretamente para partir logo desse mundo, ou para que tudo fosse um pesadelo muito ruim, até que algo a despertou das trevas, a porta se abriu vagarosamente e rangendo, a mulher não sabia se quem estava diante dela era fruto de sua imaginação perturbada ou realidade.

Notas finais
Is this the real life? Is this just fantasy?

Comentem e indiquem, porque vcs são uns lindos :)