O Mais Belo Espinho De Sangue
2 Capítulo 2-Chamada Noturna
Notas iniciais
Já passava das nove da noite quando Pansy chegou em seu apartamento. Ela morava no décimo quinto andar do Hellace Hotel’s um dos hotéis mais confortáveis da zona norte de Washington, não era luxuoso, mas também não era precário, e a vista dava para um parque, onde pessoas faziam caminhada, piqueniques, levavam as crianças para brincar e coisa do gênero, era muito melhor do que ter a visão de um beco onde mendigos se drogavam ou urinavam nas latas de lixo. Podia ser bem pior.
Pansy morava oito anos nesse apartamento e há três anos seu namorado Johnny Mills havia se mudado para morar junto com ela. Ele era espaçoso, e Pansy sentia falta de privacidade às vezes, ele ocupava muito espaço do apartamento com fotografias e utensílios de fotografias, pois ele era um fotógrafo. Às vezes a presença dele a incomodava, mas era melhor do que a solidão, ela sempre tentava afastar esses pensamentos egoístas de sua mente.
Ela pegou um elevador, e ficou se olhando no espelho, Roger tinha razão, odiava admitir, mas tinha, sua aparência estava horrível, os olhos estavam com bolsas enormes, e o lábio inferior tão inchado que até brilhava. Finalmente ela ouviu o barulho de que estava em seu andar, saiu do elevador, e seguiu em direção ao corredor de portas, até chegar a sua ironicamente seu apartamento era do número 669 o que gerou várias piadinhas de mal gosto de seus amigos.
Pansy abriu a porta, e a primeira coisa que avistou foi seu sofá vermelho na forma dos lábios de Mae West, ela adorava este sofá, era presente de sua irmã, um único presente decente em anos, ela se estirou no sofá, e com o auxílio dos pés tirou sua bota de cano baixo e sem salto.
Soltou um suspiro, desbotou um botão da calça, e soltou o cabelo do rabo de cavalo, e ouviu a porta do banheiro se abrir, só podia ser o Johnny ela pensou. Ouviu o som dos pés molhados no assoalho de madeira, e sentiu o eco de sua voz entrando em sua cabeça, céus que dor de cabeça horrível era essa?
—Já chegou Erzs?
—Não, estou lá na sede do FBI ainda... — Pansy disse chutando suas botas no chão.
Johnny que estava vestindo só uma toalha violeta, com a testa e o peito ainda molhados, deu a volta no sofá e sentou na mesinha de centro.
—Algum problema?
—O de sempre, exausta, com a boca maior que a de um babuíno, e sim, e matei um cara hoje, é uma quinta feira bem típica.
Uma gota caiu do cabelo de Johnny e fez um barulho quando alcançou o assoalho. Johnny regalou os olhos e olhou para Pansy.
—Você fez o que Erzs?
—Matei um cara, já disse, não, eu não quero falar sobre isso, são ossos do oficio não é? Não é nada demais, essa semana eu passo por algumas seções de terapia, e logo ninguém mais vai se lembrar disso. Droga! Estou com uma dor de cabeça infernal, e esse gotejar do seu cabelo está me irritando.
—Sabe, eu acho que você precisa relaxar, e eu sei de algo que vai te deixar muito animada.
—Você comprou? — De repente Pansy demonstrou um súbito interesse em Johnny, como uma criança que tem doces sendo prometidos a ela.
—Sim, comprei alguns, para uma ocasião especial, e eu acho que hoje seria uma ótima ocasião.
—Não sei Johnny, isso está começando a ficar arriscado, não quero me tornar totalmente dependente a isso, ainda mais eu tenho uma carreira a zelar, e... Ah que se dane! Vai lá pegar.
Johnny se levantou, foi até a cozinha, dava-se para ouvir o barulho de um zíper abrindo, e o barulho de algum saco plástico, logo ele chegou até a sala segurando um saquinho transparente com alguns comprimidos pequenos e brancos dentro.
—Não tinha dos coloridos? —Pansy perguntou com um sorriso malicioso no rosto.
—Ele me disse que estava em falta, mas esse aqui é a mesma coisa, e olha tem até uns coraçõezinhos em cima deles, uma graça, não acha? — Johnny disse colocando um comprimido na boca, ele se jogou espaçosamente no sofá, jogou a cabeça para trás e fechou os olhos.
—Talvez isso não seja uma boa idéia, eu preciso de uma noite de sono, estou com olheiras e... — Antes de concluir a frase Johnny pegou o rosto de Pansy e o acariciou, trazendo-o próximo ao seu, seus olhos azuis se encontravam com os olhos cor de âmbar dela, Pansy se sentia mais e mais envolvia nisso, quando os lábios dele se encontraram com os seus, no começo ela sentiu uma pontada de dor, ‘’Maldito Roger’’ ela pensou, mas logo foi recompensada com o presente que Johnny havia depositado em sua boca, agora não dava mais para recusar.
Quando seus lábios finalmente se desgrudaram, ela sentiu uma onda de calor percorrer todo o seu corpo, e uma energia, com se ela tivesse dormido a semana toda e acordado disposta para correr uma maratona, sentia seu coração acelerado, e sabia que o Ecstasy começara a fazer efeito, tudo o que ela viu foi a tolha de Johnny sendo jogada no chão.
Eram 04:45 e Pansy sentia seu corpo doendo, ela havia perdido a noção de tempo e espaço, e notou que estava deitada no chão, e Johnny estava no sofá, deveria ter sido uma viagem e tanto, antes que pudesse pensar, sentiu algo vibrando, ela o seu celular em cima da mesinha de centro, ainda atordoada o pegou e viu que era Roger, o que era algo estranho, pois ele nunca ligava para ela na madrugada.
Ela pegou o celular e antes que pudesse balbuciar alguma palavra a voz afeminada de Roger havia tomado conta do aparelho.
—Cachorra, como eu sei que você é quase um morcego e não dorme, mova seu traseiro branco até a Sede, temos um probleminha.
—O que foi agora Roger? Droga sabe que horas são? Eu tenho uma vida sabia.
—Ninguém perguntou, é algo muito grande, venha pra cá agora.
Antes de argumentar Roger já havia desligado o telefone na cara dela, Pansy levou alguns minutos para conseguir parar em pé, e raciocinar qual deveria ser a gravidade do problema, para ser chamada no meio da madrugada.
Pansy colocou uma calça jeans rasgada, e uma blusa de moletom do Mickey, era de madrugada e ela estava chapada demais para se arrumar decentemente. Vestiu um tênis velho e surrado, pensou em acordar Johnny para ele ir para a cama, mas logo desistiu da idéia quando o ouviu roncar, pegou suas chaves e saiu.
Chegando a sala de reuniões do FBI todos estavam lá, Taunt, Roger, alguns agentes do FBI e até sua amiga a médica legista Dr. Cali Ordin o que era algo inédito, pois ela nunca participava destas reuniões.
—Custava trocar o pijama, Erzs? — Cali disse sarcasticamente fitando Pansy dos pés a cabeça.
—São cinco da manhã, não enche! O que foi de tão extraordinário que não podemos esperar até amanhã?
—Agente Pansy, peço desculpas por acordá-la esta hora, mas é um assunto de extrema urgência, estamos lindando com um Serial Killer perigosíssimo.
—Nos acordar de madrugada não vai fazer com que ele pare de matar. — Roger rosnou.
—De fato não Agente Winnes, mas estamos diante de uma situação que requer toda a nossa atenção, eu já estava sabendo disso há alguns meses, mas não achei que fosse tomar as proporções que está tomando, então fomos acionados, e preciso da ajuda de todos vocês. —Taunt disse de forma diplomática. —Mulheres entre 18 e 30 anos estão desaparecendo na Califórnia, elas são de cidades variadas, mas no mesmo estado, que vão desde Bervely Hills, Long Beach, Malibu, e até Nevada City, elas são encontradas em auto-estradas, em campos, na praia e até em canteiros de flores.
—Mas o mais impressionante disso é o requinte de crueldade do Modus Operandi desde assassino, todos estes corpos tem algo em comum, o que nos leva a crer que são da autoria da mesma pessoa. — Dra. Cali complementou.
Taunt fitou os cabelos ruivos tingidos na altura do pescoço de Cali, e seus olhos verdes e continuou.
—Uma rosa. — Taunt disse, abrindo um slide no Power Point para mostrar as vítimas.
—Ele deixa uma rosa no local do crime?— Pansy perguntou.
—Não é necessariamente no local do crime e sim na vítima mesmo. —Taunt disse sem tirar os olhos da imagem.
—Não entendi. — Roger Indagou.
—Ele introduz uma rosa vermelha na cavidade vaginal da vítima. —Cali complementou.
—CREEEEEEEDO! Que nojo, quero sair desse caso AGORA! —Roger protestou.
—Se controle Winnes. Ele deve saber como manusear flores, pois a parte do caule das flores onde tem os espinhos, está totalmente enrolado no útero das vítimas, o legista de lá me disse que teve o maior trabalho para desenrolar isso. — Cali disse.
—E não é só isso — Taunt abriu de uma das vítimas com a flor, e abriu outra em que aparecia uma costa com arranhões. — Ele também as tortura antes de matar, cravando alguns espinhos nas costas delas, usando algum objeto para apertar os dedos das mãos e dos pés, sendo que algumas vítimas foram encontradas quase sem os dedos, de tanto que foram apertados, eacreditamos que as rosas foram introduzidas enquanto elas ainda estavam vivas, e todas essas vítimas não tinham seus respectivos fígados. —Taunt disse olhando para todos.
—Os fígados? Isso não faz sentido, quantas vítimas foram no total e desde quando? — Pansy perguntou.
—Temos dados de algumas mulheres encontradas a certa de 15 anos atrás com essas características, então ele devem estar agindo a muito tempo, encontramos cerca de 30 mulheres mortas dessa maneira, elas são estranguladas até a morte, os crimes vinham acontecendo em um longo intervalo de tempo, cerca de 5 anos de diferença, nos primeiros corpos, mas de uns 4 anos para cá, temos informações de até 2 cadáveres encontrados em uma semana. Ele vem perdendo o medo, e agindo com mais freqüência, deve ter entre 40 ou 50 anos, pelo tempo em que isso vem acontecendo. — Informou Taunt.
—Bom, sabemos que ele é da Califórnia, e tem conhecimento no ramo das flores, deve ser florista, botânico ou algo do tipo, e é muito esperto, a rosa deve simbolizar algo para ele, e colocada neste... Local inusitado deve ter um significado, houve violência sexual? —Pansy perguntou para Cali.
—O mais inusitado nisso é que nenhuma das vítimas apresentou numa violência sexual, a não ser pela localização da flor, acredito que ela deve simbolizar algo com o botão da rosa, pureza, ser virgem novamente, vai saber o que esses doentes pensam. —Cali disse de relance.
—Bom, nós vamos pegar esse doente! —Pansy disse entre dentes serrados.
Fale com o autor