Notas iniciais
Vagas abertas, mandem suas fichas e evitem criaturas obvias como lobisomens e vampiros, façam algo original com um dragão devorador de cabras...

Lone Hills – Canadá. 05/10/2015

–ARG!- Eu me arrastei com os cotovelos no concreto molhado até eu poder esticar meu braço e alcançar o celular que também estava com o vidro rachado eu consegui desbloquear com dificuldade, nunca mais escolho um padrão tão difícil, eu coloquei no discador e digitei na discagem rápida, o “1”, que ligaria para casa –Atende, por favor deus, atende!

–Alô?- Perguntou Alice do outro lado da linha

–Alice...- Eu falei com muita dificuldade cuspindo sangue

–Ah, oi Luke, porque demorou tanto estou com fome- Falou ela rindo feliz do telefone, eu soltei um breve suspiro –Você está bem, tá com uma voz de zumbi.

–Eu estou na esquina da 93...- Eu gaguejei com dificuldade –Chame uma ambulância, rápido!

Foi a ultima coisa que eu consegui dizer antes de apagar de novo cansado, mas eu ainda consegui escutar a voz preocupada de minha irmã.

–Luke? LUKE? RESPONDE POR FAVOR!- Ela gritou no telefone preocupada –Luke! LUKE!

22h52

Eu abri meus olhos e me vi deitado dentro de algo, um veiculo, que tinha uma porta na frente dos meus pés, eu senti falta de ar e sente algo na minha boca e nariz, quando virei meu pescoço vi um enorme fio ligado á algo que parecia uma tomada escrito “oxigênio”, eu vi uma mulher, uniformizada , eu não consegui ler o que estava no logo apenas vi uma espécie de serpente envolvida num bastão, mas então eu fraquejei, me senti cansado e pisquei os olhos

23h07

Eu pisquei e der repente não estava mais naquela ambulância e sim numa maca passando pelo corredor sendo arrastado por alguns médicos, eu pude ver apenas nos correndo pelo corredor e deixando para trás varias portas de quartos eu também consegui escutar com dificuldade da mesma medica que estava comigo na ambulancia.

–Sofreu acidente de moto, a moto descarrilou e ele foi arremessado na estrada, ferimentos de corte profundo possível concussão, a ambulância foi acionada pela irmã, antes da ambulância chegar foi mord—Ela ainda disse mais algo mas eu pisquei novamente

23h12

Para mim novamente parecia que havia passado apenas um milésimo, normal quando piscamos, mas eu já estava numa sala, sobre uma cama, ainda com a mascara de oxigênio e vários doutores me encarando e falando coisas

–Tesoura, tesoura!- Pedia um homem que recebeu em segundo ele então usou a tesoura para cortar a minha blusa como um pedaço de papel –Liguem o eletrocardiograma!

Varias pessoas colaram umas ventosas ligadas á um fio em mim e eu escutei aqueles famosos “bips” contínuos daquelas maquinas que avisam quando a pessoa morre nos filmes lendo os batimentos.

–Pode furar!- Assim que ele disse isso alguém, de maneira nada delicada enfiou uma agulha no meu braço que eu vi estar ligada ao soro –Injetem a morfina-

Alguém pegou uma injeção desse budega que ele falou e colocou num fio ligado á veia

–Olha, eu estou acordado, preciso que chamem meu pai e—Eu falei com dificuldade, parecendo mais um zumbido de mosca, mas fui interrompido pelo o moço que comandava tudo após colocar mais uma injeção de um liquido desconhecido

–Não tente falar, isso é um acalmante vai ajudar.- Quando ele falou isso senti enorme fadiga, como se tomasse um golpe na cabeça e então fechei os olhos de vez...

Sonho

–Você havia prometido que iria aparecer! Eu confiei em você! Você furou e por causa disso ele me chutou, porque na hora que eu mais precisei de você, você não estava lá!- Gritou uma garota de uns 16 anos para um garoto gordinho no lado de fora da porta da casa dela onde chovia muito e caia raios –Eu achei que pudesse confiar em você, mas é isso que dá passar a vida toda só com um idiota porque tem pena dele! SAIA DAQUI!

Ela então olha para mão do garoto extremamente triste que já até lacrimejava e tinha um cartão, eu estava achando um pouco estranho tudo isso eu parado naquela chuva sem me molhar encarando todas aquelas cenas como um filme

–Eu lembro disso...- Eu olhei me lembrando quem eram aqueles, eram eu e Liv –Foi no ultimo dia que eu falei com Liv...

–Eu só vim entregar isso...- O “eu mais jovem” então entrega o envelope vermelho para “Liv mais jovem” que pega com raiva

–O que é isso? É bom que seja uma carta de desculpa!- Falou a garota enfurecida –Quer saber, eu não ligo, olha o que eu faço pra isso!- Ela pegou a carta e rasgou e rasgou em milhares de pedaços e depois jogou no chão e pisou em cima

–Feliz?- Pergunta ironicamente a garota que também chorava de raiva –Que merda era essa?

–O convite pro enterro da minha mãe...- Falava o “eu” que chorava na chuva o que fez a Liv mudar a expressão totalmente –Ela não aguentou... Morreu no dia da festa.

–Luke...- A garota repreendia a própria fala culpada com as lagrimas se tornando mais visíveis –Luke, desculpa, eu não devia ter dito isso!- Ela aproximou a mão mas o garoto encharcado recuou

–Sabe o que é pior?- Perguntou o “eu” chorando loucamente –Eu não estava com ela, meu pai estava, a minha irmã estava, mas eu não sabe porque? PORQUE EU ESTAVA DANDO UMA DE CUPIDO PARA A MINHA SUPOSTA “MELHOR AMIGA” E O CARA QUE ME AZUCRINOU A VIDA TODA!- O garoto urrava e gritava chorando

–Luke, eu sinto muito, olha me perdoa- Falava a garota triste enquanto tentar esticar a mão para encontrar o rosto do menino, mas antes disso o garoto bate no braço dela para longe

–Eu também confiava em você quando você falou que iria comigo para o hospital para fazer a ultima tomografia dela, mas você não apareceu porque estava ocupada de mais dando para o cara que pratica bullyng comigo desde os seis anos!- O garoto gritava se afastando e indo em direção á sua bicicleta jogada no gramado pegando chuva

–Quer saber, não apareça, pelo contrario, nunca mais chegue perto de mim! Se você sequer chegar perto do tumulo dela, você não vai sequer precisar sair do cemitério, porque eu vou te enterrar lá mesmo!- Ele subiu em sua bicicleta e saiu na chuva devolta para casa deixando a garota para trás

–Lucky espere, me perdoe!- Ela tentou ir atrás chamando ele pelo apelido, mas no terceiro passo que deu fora de casa na chuva tropeçou e caiu no chão mesmo assim ela tentou gritar –Luke! LUKE!

Nisso meus olhos começaram a tremer e...

07/05/2015, Hospital, 13h30

Eu abri os olhos por causa de uma luz invadindo minhas pálpebras, quando a visão embaçada se ajustou, eu vi que estava num quarto de hospital com uma roupa ridícula que parecia um vestido e uma canula no nariz.

–Acordou?- Quando virei meu pescoço vi minha irmã sentada numa poltrona ao meu lado dando um pequeno sorriso –Me assustou bobão!- Ela pulou sobre mim me dando um enorme abraço

–Ok,ok, você está esmagando o resto dos meus pulmões- Eu falei pegando ar –Quantos dias eu apaguei?-

–Dois dias, sorte sua, perdeu muita abobrinha na escola...- Falava ela ainda me abraçando enquanto eu sentia o meus ossos estalarem

–Falando nisso não deveria estar na escola?- Eu perguntei me sentando na cama e ela se sentou ao meu lado, e deu para ver meu pai jogado dormindo no sofá do quarto

–A parte boa do seu acidente é que eu estava psicologicamente incapaz de ir para escola até meu irmão melhorar, então estou aqui cuidando de você desde o acidente.- Falou ela sorrindo

–O que aconteceu, eu só lembro de algo bater em mim e eu cair- Falei me levantando e indo ao banheiro para urinar, enquanto ela explicava da cama, ficar dois dias sem fazer xixi faz sua bexiga inchar. E após sair de lá ela prosseguiu

–Bem, segundo os médicos e os caras da manutenção de automóvel, você bateu em algo tão forte que amassou a lataria da sua moto e te jogou longe, você abriu a cachola no asfalto e desmaiou, conseguiu ligar para mim mas antes da ambulância chegar parece que você foi atacado por um lobo, que te deu uma dentada na cintura- Falava ela mas nisso eu lembrei de todo o ocorrido, como se fossem flashes –Não sei se você tem muito azar, ou muita sorte de estar vivo

–Pera eu lembrei!- Eu que estava pegando uma água no frigobar dali sentei na cama –Quando eu tava saindo do trabalho eu vi um lobo, eu corri para longe mais ai algo bateu em mim, mas quando eu te liguei, eu já estava com a mordida, o que bateu em mim era um lobo, que me deu a mordida naquela hora!- Eu dizia passando a mão sobre a mordida que ainda doía

–Eu acho que não!- Falava ela com certeza

–E porque não?- Eu perguntei com duvida bebendo água

–Porque você, viu um lobo na delegacia, um lobo te derrubou? Eu duvido muito!- Falou ela mas ela viu minha cara de “não acredito” –Você pode não prestar atenção na aula de biologia mas eu sim, uma moto pesa uns 110kg, um único lobo atinge mais ou menos 45kg, tenho certeza que não foi o lobo que fez aquele amassadão na sua moto.

–Evite falar disso ainda sinto luto pela minha moto!- Eu falei –Eu tenho certeza que foi um lobo.

–Mesmo que tenha sido, você tem sorte e é bom, você viveu com poucos ferimentos, e melhor, foi só mordido e não devorado por uma matilha!

–E, tenho apenas que agradecer- Eu me olhei no espelho e vi apenas alguns cortes, mas o principal foi um pequeno corte na bochecha que necessitou pontos, mas olhando para o espelho notei que numa bancada atrás de mim tinha um enorme buque de flores eu segui para ela –Que bonito, quem mandou isso?

–Er...- Eu odiava quando ela fazia isso, significava má noticia, então eu peguei o cartão com as flores e mudei minha cara me lembrando do sonho que eu tive –Foi da Liv...

–Você sabia que ela ia voltar não sabia?- Eu olhei fixamente para ela já sabendo a resposta –Sabia?

–Tá bom, tá bom, ela me avisou que ia se mudar para cá no inicio das aulas, mas teve um problema com o passaporte e chegou só sábado- Falou ela confessando –Cê tá bravo?

–Não, não estou bravo, apenas decepcionado- Falei a abraçando –Você sabe que um dos maiores motivos de nos termos mudado para cá foi por ela. Deveria ter me avisado para termos nos mudado para o Brasil dessa vez- Eu falei brincando

–Ok, eu te prometo que eu nunca mais escondo nada a partir de hoje!- Falou ela sorrindo, após alguns segundos alguém adentrou a porta fazendo meu pai acordar num pulo, era o doutor, o mesmo que comandou a minha chegada com uma prancheta nas mãos.

–Vejo que já acordou, Sr. Hendrikson, isso é bom, significa que os antibióticos estão ajudando.- Falou ele anotando na prancheta –Você tem sorte, tem um ótimo sistema imunológico, agora olhe para cá e não pisque- Ele pegou uma daquelas luzinhas e apontou para os meus olhos

–Ele está bem? Vai demorar muito para receber alta?- Perguntou meu pai preocupado

–Para falar a verdade, seu filho está surpreendentemente bem, nenhum sinal de trauma, os raios-x mostraram nenhum osso quebrado, ele está bem, poderá ter alta hoje mesmo- Falava o medico feliz anotando tudo –Meus parabéns!- Ele nos entregou o papel e eu notei a assinatura

–Um segundo, Dr. Richard Taddeus Collins?- Eu perguntei para o homem lendo a receita –Seu filho é o Kurt Taddeus Collins?

–Sim, porque?- Ele perguntou

–Ah, nada é porque ele é um amigo meu...- Eu falei dando o papel para meu pai

–Oh, isso é ótimo, e como vai meu diabrete na escola, aprontando pegadinhas?- Perguntou ele feliz –Em casa ele é assim, queria saber na escola.

–Exato, no dia do acidente ele soltou uma bomba de tinta na sala- Falei rindo

–Bem, acho melhor conversar com ele depois mas até lá...- Ele deu um ultimo carimbo no relatório –Você já está bem, pode ir

Algumas horas depois...

–Bem, só precisa tomar esses antivermicidas e trocar os curativos dos ferimentos de seis e seis horas e estará bem em poucas semanas- Falava o doutor anotando na receita medica –Os cortes não foram profundos então nos vemos em duas semanas para retirar os pontos.

Nos pegamos a bula e nos retiramos e fomos para casa, eu entrei e nos sentamos na sala.

–Bem, sua moto vai ficar na oficina por uma semana, até lá, eu vou precisar do meu carro anoite, então pode usar só de manhã, vai ter que arranjar um jeito de ir ao trabalho...

–Tudo bem, eu me viro!- Eu falei pensando num método de ir ao trabalho amanhã já que como eu estava “curado” só recebi atestado pros dias que faltei –Eu vou subir que eu tenho que tomar um banho e trocar os curativos, já desço para janta- Eu falei subindo as escadas com um pouco de dificuldade já que meu pé ainda estava um pouco machucado

Eu entrei no quarto totalmente diferente do eu havia deixado, ele estava...arrumado, bléé, eu sei que limpeza é bom, mas ver meu quarto que era meu lugar seguro brilhando, me dava angustia

–Ai não, quem arrumou meu quarto, eu não vou achar nada!- Eu gritei bagunçando ele novamente tentando achar minha toalha

–Fui eu- Falou minha irmã rindo da minha cara de desesperado procurando –Eu só organizei um pouco, sua toalha está dentro da gaveta, a outra botei para lavar...

–Minha bagunça é organizada, ali era para ser a pilha dos livros, ali a pilha do lixo, ali a pilha da roupa suja- Eu falei apontando para os lados do quarto pegando a toalha na gaveta

–Pilha? Você quer dizer montanha certo, eu vi uma pomba escapando pela sua janela com um pedaço de mortadela velha no bico- Ela falou irônica saindo –Acelera ai que eu fiz lasanha, sua favorita!

Eu lambi os beiços ao ouvir isso, eu amava lasanha que a minha irmã fazia, já era mais ou menos 20h e também, eu nem sei se comi no hospital, sera que eles aplicam papinha para você ou você sobrevive só com o soro? Mas não importa agora eu peguei minha toalha e me dirigi a minha suíte e liguei o chuveiro e comecei a me despir, quando já havia retirado os sapatos e a camisa me preparei para tirar os curativos para lavar os ferimentos, eu estava totalmente sem coragem, eu não queria ver o que tinha por baixo daqueles curativos que por algum motivo ainda tinha um pouco de sangue, ou no hospital não trocaram o curativo ou era uma ferida tão horrível que sangrava até agora, eu respirei fundo e...

–Agora vai!- Eu retirei de uma vez o curativo do braço (uma ideia estupida por sinal) e quase senti minha pele ser levada junto. –Merda! Ok,ok não foi uma boa ideia, perai, mais que...-

Quando eu olhei para o braço ele estava completamente limpo, uma pele normal, cor-de-pele, carne de pele e pele de pele normal, como se por algum motivo não tivesse me cortado ali, eu quase tive uma pani no cérebro. Tipo, era bom estar curado e mais ainda estar sem corte sangrante, mas porque? Eu não posso ter criado super-anticorpos da noite pro dia, posso?

–Mas que coisa!- Eu olhei para o braço, eu até passei a mão para ter certeza que eu não estava insano, então olhei para o outro na cintura (dessa ver delicadamente) o retirei aos poucos, quando tirei ele também estava totalmente curado e limpo –O que tá acontecendo aqui?- Eu então levei um susto com alguém batendo na porta

–Luke, você está bem?- Perguntou minha irmã do outro lado

–Tô, já já eu saio!- Eu falei ainda encarando a minha cintura onde supostamente um lobo teria me mordido, totalmente curado e sequer estava roxo, a conta de quatro dígitos realmente valeu a pena, porque não é todo dia que isso acontece, você está a beira da morte após um acidente e volta sem um arranhão eu tentei dar o mínimo de atenção á isso e entrei no banho, tomei uma bela chuveirada, mas não deu, a cada milésimo de segundo eu olhava para onde deveria ter as cicatrizes tentando imaginar o que aconteceu.

Eu sai do banheiro, coloquei uma roupa casual, uma calça moletom, uma blusa cinza de manga comprida e uma camiseta preta por cima, eu realmente estava com frio, aqui no Canadá e bem diferente de Los Angeles, lá era um clima normal, aqui é frio quase o ano todo e lá, você deveria ter realmente se visse neve algum período de sua vida, aqui no Canadá neva muito de setembro á janeiro, agora mesmo eu via alguns flocos de neve caindo do lado de fora da janela, mas mesmo assim, não tirava a historia da cura da cabeça.

Eu sai do quarto enquanto eu andava pelo corredor até chegar á escada eu mexia no celular, eu abri o Whatsapp e só vi as milhares e milhares de mensagens de pessoas perguntando como eu estava, o que me fez sentir bem já que eu estava na escola á apenas um mês e antigamente eu podia pular de um prédio que o povo ia perguntar “Luke Hendrikson? Nunca ouvi falar”.

Eu respondi cada uma delas dizendo que estava bem e sem nenhum arranhão literalmente, principalmente as exatas sessenta e oito mensagens do Kurt, perai, esquece, começou a subir e eu odeio contar, eu respondi para ele, ele disse que o povo ficou tão preocupado que até fez um memorial no meu armário, o que eu achei meio exagerado, Kurt exagerava em tudo.

Ele tem muitos e muitos amigos, mas desde que ele admitiu ser bissexual muitos foram embora, eu não ligo nem um pouco para isso, quer dizer, qual o problema dele gostar de todo tipo de pessoa, isso é bom, mas finalmente, quando cheguei ao fim das escadas e vi meu pai e minha irmã (com um avental bobo), arrumando a mesa de jantar.

Eu vi sobre a mesa arroz, lasanha e batata frita, eu me aproximei sem tirar a cara do telefone e fui pegar uma batata e...

–AU!- Eu reclamei quando senti algo bater na minha mão, e vi que foi minha irmã com uma espátula. –Que droga, eu só queria uma batata!

–Primeiro vai lavar a mão, segundo esperem todos sentarem na mesa e terceiro—Bem quando ele ia falar o terceiro a campainha tocou –Vai atender a porta para o desconhecido!

–Ué, estão esperando alguém?- Eu falei enquanto acariciava minha mão vermelha achando estranho já que quase ninguém visitava a gente, tínhamos pouca família aqui então não era muito comum

–Não- Falaram os dois em uníssono mas então Alice finalizou –Vai lá atender do mesmo jeito, estou ocupada!-

–Fazendo o que, costurando mais florinhas no seu aventalzinho?- Eu perguntei irônico ainda com raiva dela batido na minha mão, ela então me olhou com uma cara “vai lá agora senão essa espátula vai fazer coisa pior!” então eu me dirigi até a porta.

Eu preparei para abrir mas com a mão á centímetros da maçaneta minha mão parou por algum tipo de impulso do meu corpo, eu a parei sem sequer notar, depois por algum motivo senti uma sensação de reconhecimento, um cheiro familiar, mesmo com a porta e as paredes na frente, eu também senti como se tivesse uma faca cravando meu peito, um sentimento de culpa como da vez que eu quebrei a boneca favorita da Alice por acidente, mas mil vezes pior e também—

DING-DONG

–Atende logo Luke!- Falou Alice reclamando quando a campainha tocou novamente eu então dessa vez coloquei a mão da maçaneta de uma vez e abri

–Boa noite, em que posso--Quando abri a porta dei de cara com uma Liv o que me fez me auto-interromper, ela vestia uma casaco sobretudo curto marrom de pele, luvas marrons também e um cachecol de cachimere cinza enrolando seu pescoço com uma touca branca com alguns flocos de neve em sua touca, e enquanto isso nos ficamos nos encarando sem dizer uma palavra.

–Eu fui no hospital e disseram que você saiu agora pouco e...- Ela ficou me encarando sem ter o que dizer –Desculpe, eu não devia ter vindo...- ela se preparou para retirar

–Luke, quem é?- Perguntou meu pai largando tudo e vindo até a porta –Liv? Nossa que surpresa não espera você aqui- Falou ele surpreso vendo ela desse lado do continente

–Er, eu só vim aqui ver como o Luke estava, soube que ele sofreu um acidente- Falou ela sorrindo para meu pai

–Por isso veio para o Canadá?- Perguntou ele meio irônico na voz

–Não, na verdade nos mudamos para cá á alguns dias eu até vi o Luke na escola no dia do acidente- Ela falou para meu pai retirando uma mecha de cabelo do rosto

–Quer dizer que sabia que ela estava aqui e não me avisou?- Perguntou meu pai me encarando

–Desculpa, antes de chegar em casa eu fiquei desmaiado por dois dias!- Eu argumentei com meu pai

–Bem, eu já vou indo, amanhã tenho teste de matemática, tchau Luke, tchau Sr. Hendrikson- Falou ela dando um ultimo aceno para nós e indo em direção ao seu carro

–Nananinanão! Você vai jantar conosco hoje, será nossa convidada!- Falou meu pai animado e feliz ao chamar a atenção de Liv, eu também senti um pequeno infarto no meu coração –Quero por papo em dia faz tempo que não nos falamos, quero saber as noticias em Los Angeles.

–Tem certeza senhor, eu não quero incomodar...- Falou ela meio reservada –E eu também tenho que estudar para o teste de amanhã,e—ela foi interrompida pelo meu pai

–Não eu insisto, você tem costume de jantar conosco desde seus, sei lá, quatro anos, por favor entre, saia dessa neve!- Meu pai falou retornando para mesa para ajudar a Alice

Então ficou aquele clima estranho de nos encararmos denovo...

–Gosta de lasanha?- Eu perguntei para ela com uma cara neutra entra o odio e a sanidade abrindo a entrada

–Gosto...- Falou ela timidamente entrando pela casa passando por mim e indo em direção a mesa, então eu noto algo...

–Perai, vamos ter teste de matemática amanhã?- Eu pensei fechando a porta desesperado

Minutos depois

Nós estávamos todos sentados comendo enquanto conversávamos, quer dizer, enquanto eles conversavam porque eu mal abri o bico.

–E como vai os seus pais?- Perguntou o meu pai após engolir um pedaço de lasanha

–Muito bem, recebeu uma promoção aqui no canada numa agencia de imóveis, a minha mãe conseguiu um emprego de gerente num parque botânico por aqui, por isso achamos melhor nos mudarmos- Falou ele calmamente e serenamente

–Que bom, assim não ficamos sem nenhum conhecido por aqui- Falou ele feliz –Fazia tempo que eu não te via, você e Luke pararam de se falar, e como vai o seu namorado?- perguntou meu pai fazendo eu e Liv engasgarmos

–Pai acho melhor não falarmos disso...- Eu falei tentando fugir do assunto a verdade é que eu nunca contei as coisas que Liv havia me dito, eu só disse que eu me afastei um pouco dela já que ela tinha namorado

–Não tudo bem, é que nos terminamos á um bom tempo- Falou Liv pro meu pai –A verdade e que ele tentou voltar mas eu achei melhor não...- A ultima parte ela falou me encarando

–Deveria voltar com ele vocês se merecem...- Eu soltei de uma vez sem sequer ligar, nisso todos me encararam de maneira feia –É que eu achava vocês dois tão lindos juntos- Eu disfarcei mudando a cara de meu pai, mas não a de Alice e de Liv

–Eu já acabei, com licença...- Eu peguei o prato com um enorme pedaço ainda e coloquei na pia e pisei na escada

–Não quer ficar mais um pouco? Fizemos seu prato favorito e você mau encostou nele, não quer ficar para conversar com a Liv- Tentou argumentar meu pai

–Eu perdi a fome, estou cansado do hospital e descobri que tenho um teste de matemática amanhã- Falei o encarando e voltando a subir a escada –Fica pra próxima- eu subi as escadas e fechei a porta do meu quarto imaginando todas as merdas que ocorreu hoje após me jogar na cama e bater o próprio rosto com a mão o combrindo

–Aii...- Eu falei para mim após eu ter me batido com muita força, mas estava doendo mais que o normal –Nossa eu bati com força. Pera ita doendo demais!

Eu senti um liquido escorrer pelo meu rosto e mão eu então dei um salto da cama e corri para o banheiro apenas para olhar para o espelho e ver seu rosto com enormes cinco furos, profundos e sangrando, três na bochecha e dois na testa formando a forma dos dedos, que quando olhou estavam recheados de sangue e com unhas bem afiadas que se assemelhava a garras

–Mas que merda...- Ele estava surpreso consigo mesmo quando pisou os olhos e olhou de novo o sangue que escoria pela bochecha e testa começou a voltar, para dentro do ferimento como se ele fosse um aspirador, ele também começou a encolher, focar menor e menor até sumir, com sangue apenas nas unhas –Uau, momento Moises abre o mar total, mas o que foi isso?- eu falei encarando as garras encharcadas de sangue que eu lavei na pia o mais rápido possível vendo o sangue descer pelo ralo.

–Garras?- Eu encarei as enormes e afiadas garras animais onde deveriam ser unhas humanas quando encarei elas no espelho e me assustei com o que vi quando olhei para meu rosto –Meus olhos...- eu passei a mão sobre meu rosto, cujos olhos estavam incandescentes num enorme brilho azul, como se fossem enorme safiras nos olhos que eu tenho um zilhão de certeza que eram verdes –isso tá ficando estranho, quer dizer mais ainda...- então alguém bateu em minha porta o que me assustou me desconcentrando do espelho

–Q-quem é?- Eu perguntei gaguejando duvidoso ainda vendo meu rosto no espelho com os olhos azuis

–Sou eu Luke, abra a porta!- Falou Alice do outro lado eu então apaguei a luz para ela não enxergar nada e abri apenas uma brecha da porta para ver a cara de desaprovação dela

–Podia ao menos ter disfarçado melhor né, meu pai tá desconfiando e você deixou a Liv com cara de taxo na mesa, e porque ai dentro tá tudo escuro ai dentro?- Perguntou ela olhando para dentro do quarto que estava um breu

–É que eu já estava indo dormir- Eu falei sem fazer contato visual para ela não ver meus olhos –O que você quer?

–E que a Liv já foi embora, mas ela esqueceu isso aqui, tem como devolver para ela amanhã- Assim que ela me entregou um caderno pequeno eu fechei a porta, parecido com um livro de bolso, de mais ou menos 14x9, com uma capa de madeira lisa com alguns pequenos detalhes, mas o que chamou atenção foi uma pena coberta por fogo na capa –O que é isso? Um diário?- eu coloquei minhas mãos com enormes garras sobre a capa e preparei para abrir

–AHHH!- O livro encandeceu e a minha mão ardeu, não simplesmente ardeu pegou fogo por alguns segundos o que fez eu jogar o livro num canto no chão e apertar minha mão, quando eu olhei para a fonte da dor tremula e estava sangrando, com bolhas formadas e a carne viva –AI! ARG!

Eu morria de dor, era muito aguda e quase insuportável, eu comecei a me debater sobre a cama com o sangue nas mãos. Eu senti as minhas novíssimas garras ficarem ainda maiores, eu sequer vi o que estava fazendo, quando percebi, não sei o motivo já havia pulado a janela e estava correndo pelas ruas cheias de neve sem rumo com a dor eu nem sequer havia notado para onde estava indo.

Passei por estradas e ruas correndo numa velocidade inimaginável, correndo de quatro como um cachorro, até passando na frente de vários carros e desviando dele. Quando notei já estava dentro da floresta sem parar de correr momento algum, pulando sobre arvores e galhos com tremenda agilidade sobre-humana até que...

–ARH!- Eu só vi uma luz cintilante brilhar que me cegou em instantes e num reflexo de cobrir meus olhos eu cai da arvore onde estava pulando e senti galhos quebrando nas minhas costas varias vezes até eu cair no chão de terra –O que foi isso?- eu perguntei para mim mesmo segurando meu braço que se feriu na queda me levantando com dificuldade, eu pude ver pequenas luzes se movimentando até que uma delas é apontada para minha cara me cegando mais ainda.

–Ele está ali!- Disse uma voz masculina dentro daquela mata, eu não via nada por causa daquele flash-mutante, eu só via o negro e algumas manchas brancas, eu estava desorientado, batendo em tudo até que escutei um enorme barulho e deu para ver uma silhueta vermelha estranha apontando algo para nós e então:

–ARH!- Eu senti algo perfurar meu ombro o que me fez cair no chão com mais dor ainda, eu senti o sangue escorrer do ferimento, escutei passos na neve se aproximando, quando os senti bem próximos de mim a minha visão se ajustou e deu para ver três pessoas me cercando –Quem são vocês? Porque estão fazendo isso?- eu perguntei sentindo gotas de sangue saírem de minha boca

–Só garantindo que abominações como você sejam aniquiladas para sempre!- Falou um homem jovem/adulto de mais ou menos 20 anos apontando uma balestra armada de flechas para meu rosto enquanto mantinha seu pé no meu peito me impedindo de levantar ele então colocou a sua balestra sobre a minha testa, ele preparou o gatilho eu fiquei com medo e fechei os olhos esperando o momento.

–Não desse método!- Falou o mais velho deles de uns quarenta anos pegando a balestra das mão dele, eu senti poucas esperanças em vão, segundos depois ele apontou sua enorme arma de AK47 á minha cabeça –Devemos prestar nossas homenagens Adam, James, traga a minha adaga.-

O homem fala para o ultimo que era menor, mais ou menos da minha idade, que segurava uma lança entre os braços, ele mexe numa mochila que ele segurava e pega uma pequena lamina negra, com cabo de prata com alguns detalhes e entrega ao homem.

–Agora, mesmo com séculos de inimizade, rezamos para que sua alma torturada encontre a paz perante o julgamento no purgatório, junto com a carne e osso que você matou em vida pelo que me revela seus olhos...- Ele limpava a lamina com um pano, e depois de dizer essas palavras assustadoras sobre meus olhos que mudavam de cor, ele coloca a lamina na minha garganta na vertical o que se ele fizesse força iria perfurar até a morte –Eu lhe dou misericórdia!- eu senti a adaga afundar um pouco sobre a minha pele

CONTINUA