Notas iniciais
Estou em fortaleza só volto dia 23 isso pode atrasar um pouco a saida dos capitulos

Lone Hills – Canadá, 07/10/2015

–Agora, mesmo com séculos de inimizade, rezamos para que sua alma torturada encontre a paz perante o julgamento no purgatório, junto com a carne e osso que você matou em vida pelo que me revela seus olhos...-

Ele limpava a lamina com um pano, e depois de dizer essas palavras assustadoras sobre meus olhos que mudavam de cor, ele coloca a lamina na minha garganta na vertical o que se ele fizesse força iria perfurar até a morte

–Eu lhe dou misericórdia!- eu senti a adaga afundar um pouco sobre a minha pele, então após sentir esse mínimo movimento de empurrar a faca eu senti uma enorme fúria dentro de mim, eu então chutei o peito do homem o empurrando longe e num pulo, me levantei e corri para o mais longe possível –PEGUEM-LO! ACABEM COM AQUELE MONSTRO LICANTROPO!-murmurou o homem no chão, então eu pude sentir uma enorme dor no meu ombro enquanto eu corria.

Eu corria pela floresta cheia de neve enquanto via eles vindo atrás de mim como loucos, eu fugia sem destino sentindo a dor no ombro, eu senti algo escorrer no ombro e quando desviei meu olhar para trás para ver eles me perseguindo vi a flecha presa em meu ombro. Assim presumindo de onde vinha a dor, mas eu não parei um segundo de correr por aquela floresta cheia de neve. Mesmo assim, eu sentia eles na minha cola.

–Que merda está acontecendo?- Eu perguntei para mim mesmo enquanto corria, eu comecei a ver uma luz á poucos metros dali, quando eu me aproximei mais era...

–AHH!- eu gritei desesperado me sentando, quando percebi, olhando em volta estava na minha cama, já estava bem escuro e nevando lá fora, quando olhei para o relógio digital na bancada marcava 4h28, então achei que tudo havia sido apenas um sonho ruim, eu então me levantei fui até o banheiro e me encarei no espelho –Foi um sonho...-

–Foi tudo apenas um pesadelo...- Então eu liguei a torneira e fiz uma concha com as mãos e enchi de água mas quando fui jogar no rosto eu encarrei com as minhas unhas crescendo lentamente e se tornando salientes, estavam virando garras –Não foi um sonho...-

Eu então olho no espelho e reparo uma coisa, eu coloco a mão no ombro da minha camisa e vejo um pequeno furo, pequeno quase invisível, eu coloquei a mão nas costas e senti a mesma pequena abertura no ombro, como se algo tivesse atravessado, algo como uma... flecha

Eu fiquei processando tudo aquilo em minha cabeça procurando uma resposta mais plausível, então pelo reflexo do espelho eu vi o caderno de Liv jogado num canto, eu me aproximei com cautela lembrando do que aconteceu da ultima vez e o peguei com o máximo de cuidado para não abrir, e foi possível ver claramente a marca chamuscada que ele havia deixado onde estava. Então eu o enrolei num pequeno pano qualquer e guardei em minha mochila

–Mas porque isso está acontecendo?- Perguntei para mim mesmo olhando as garras –Isso não é natural, eu virei um monstro...- Essas palavras então ecoam em minha mente

–PEGUEM-LO! ACABEM COM AQUELE MONSTRO LICANTROPO!-murmurou o homem no chão

–Licantropo...- Digo para mim mesmo lembrando do que o “Psico-maniaco” havia dito –Onde eu já ouvi esse nome?- pensei, pensei e pensei e... nada

Eu peguei meu laptop na minha escrivaninha e o liguei, após digitar minha senha, abri o navegador e digitei “licantropo”, e então apareceu a enorme imagem com um pequeno dialogo no lado superior direito da tela, quando li me arrependi...

–“ Lobisomem ou licantropo, é um ser lendário, com origem na mitologia grega, segundo as quais, um homem pode se transformar em lobo ou em algo semelhante a um lobo em noites de lua cheia, só voltando à forma humana ao amanhecer, cuja a causa é a licantropia”- Eu li tudo aquilo assustado então a próxima pesquisa foi “licantropia”

–“ No folclore, licantropia é a capacidade ou maldição caída sobre um homem que se transforma em um lobo. Em psiquiatria, é um distúrbio onde o indivíduo pensa ser ou ter sido transformado em qualquer animal.”- Eu novamente li da Wikipedia, e então cliquei num link próximo escrito: “A Origem do Mito” a pagina abriu na Wikipedia e comecei a ler

Licáon ou Licaonte (do grego Λυκάων) na mitologia grega era filho de Pelasgo. Zeus, o deus dos deuses, fêz-se passar por um peregrino e hospedou-se em seu palácio. Licaón preparou-se para sacrificá-lo, assim como havia feito com outros em nome de sua religiosidade. Porém, alertado por alguns sinais divinos quis assegurar-se de que o hóspede não era um deus como afirmavam seus temerosos súditos. Para isso mandou cozinhar a carne de um escravo e servir a Zeus. Enfurecido, Zeus transformou Licaón em um lobo e, por ser testemunha de tamanha crueldade, incendiou seu palácio.

Licaón era pai de inúmeros filhos, em torno de sete estavam presentes no local. Os filhos de Licaón eram tão cruéis quanto o pai e se tornaram famosos por sua insolência e seus crimes. Tão logo ficou sabendo das barbaridades dos filhos de Licaón, Zeus se disfarçou de um velho mendigo e foi ao palácio dos Licaónidas para comprovar os rumores. Os jovens príncipes tiveram a ousadia de assassinar o próprio irmão, Níctimo e servir suas entranhas ao hóspede, misturadas com entranhas de lobos.

Zeus descobriu a crueldade e enfurecido converteu todos em lobos, o mesmo animal que eles ofereceram para disfarçar a carne humana e em sua fúria, amaldiçoou todos os descendentes de Licaão e seus filhos desde então...”

Eu lia tudo aquilo com o máximo de atenção possível, vendo os mínimos detalhes até a ultima letra e a única coisa que eu pude falar foi:

–Caralho! Isso não pode ser verdade...- Eu falei para mim mesmo enquanto olhava para tela do computador então eu fiquei pesquisando e pesquisando, coisas e coisas a noite inteira até que...

–Acorda Luke! Vamos nos atrasar!- Gritou minha irmã me sacudindo

–Uh?- Eu abri meus olhos e estava olhando para a madeira na escrivaninha, levantei o pescoço e limpei a baba em meu rosto

–Você dormiu ai?- Perguntou ela me encarando

–Acho que eu cochilei- Eu falei me espreguiçando, e olhei para o relógio e era 7h –Já são 7h horas, eu tenho que me arrumar...- Eu falei ainda cansado e acordando

–Então acelera que o pai falou que tem que deixar a gente cedo lá para voltar para o trabalho!- falou ela saindo do quarto, então eu levantei, tomei um banho, e me arrumei com roupas de frio já que ainda nevava, arrumei o material e preparei para sair do quarto mas coloquei meus olhos no computador

Eu voltei para dentro do quarto e o coloquei dentro da mochila então desci as escadas até a cozinha onde estavam todos comendo, eu me sentei e comecei a comer alguma coisa. Nós conversamos, comemos e então ele nos deixou na escola. Assim que eu entrei no corredor muitos me cumprimentaram, pessoas que até eu sequer conhecia e eu andei até o meu armário e...

–Um memorial? Serio?!- Eu perguntei para mim mesmo vendo meu armário coberto de coisas, flores assinaturas e vários presentes –Eu sofri um acidente não morri!- Assim que eu abri meu armário uma montanha de pequenos envelopes foi caindo do meu armário e se esparramando no chão, tipo milhares enchendo o chão de envelopes.

–Nossa, tantos bilhetes assim? Na próxima vou falar para enviarem e-mail- Falou Kurt aparecendo do nada –Eai, como tá a força?- Perguntou ele me cumprimentando

–Muito bem para quem foi arremessado de uma moto á 90km/h- Falei ironicamente pegando os envelopes do chão –Eu achei que era exagero seu quando falou que fizeram um memorial no meu armário...-

–Eu nunca exagero!- Falou ele o que me fez soltar uma pequena risada, enquanto eu empurrava os bilhetes novamente para dentro do armário –Mas serio, eu nunca exagero!-

–Aham...- Falei irônico forçando a porta do armário para se fechar –Agora me atualiza, o que eu perdi?- Falei me dirigindo a sala

–O professor ficou com pena de você e te deu um “A+” no teste, eu peguei uma menina, minha semana de detenção acabou mas eu peguei outra fazendo uma nuvem podre na aula de química, eu peguei um menino, e o conteúdo e o dia da nossa prova de biologia já foi lançado, vai ser “a reprodução de fungos na cantina” e vai ser mês que vem e eu ainda não descobri o porque de você não gostar da Liv, se ela é gentil, inteligente e gata!-

Ele falou sem parar enquanto entravamos na sala

–Olha, desencana dessa que eu não vou falar o motivo- Eu falei colocando a minha mochila no chão mas quando sentei na carteira

–EI! LUKE!- Gritou uma voz feminina desconhecida e quando eu virei, Patty, uma aluna qualquer estava atrás de mim –Que bom que você está bem, já está voltando pra escola? Já se recuperou do acidente?-

–Sim, não foi nada grave, estou bem- Falei para ela –Só a moto não sobreviveu- Eu falei e ele deu uma risadinha

–Não ficou nenhuma cicatriz?- Perguntou ela, mas quando ela falou cicatriz eu engasguei um pouco

–N-não estou bem mesmo, obrigado por se preocupar- Falei ainda pensando no que havia acontecido com meus ferimento na tarde anterior

–Você se recupera bem rápido ein...- Falou ela rindo –Se quiser conversar, ou uma carona, estou a disposição! Bye!- Falou ela, mas quando saiu, passou a mão na quina da mesa deixando um papel que eu peguei e abri e tinha o telefone dela, e não demorou muito para Kurt se pronunciar

–Wow, deu sorte em cara...- Ele então tomou o papel de minha mão encarando o papel –Deu sorte ein, eu vou retirar isso de sua mão, pode te fazer mal, pode estar infectado com “vírus gostosurite”- Falou ele guardando o papel que ele havia tomado em seus bolsos, e eu encarei Patty algumas mesas atrás acenando para mim

–Oh, oi Luke...- Falou a menina, Hillary em meu lado chamando minha atenção –Já está melhor?!- Perguntou ela e assim a historia se repetiu varias e varias vezes, o que era bom né, quer dizer, após 16 anos sem nenhuma menina falar comigo direito, o karma virou de lado com um pequeno acidente e então começou a minha coleção de papei com números de garotas

–Eu vou bater com meu carro num poste e só volto para essa sala com uma cicatriz para ver se assim consigo alguma coisa!- Reclamou ele com ciúme –Como você tem tanta sorte?-

–Faça o seguinte, pule de um penhasco, e se você sobreviver volta para a sala cheio de hematomas e cortes abertos, duvido que ninguém note a sua cara!- Eu falei sarcástico vendo um dos papeis recebidos e então senti algo estranho e disse

–Cara, se acalma, seus batimentos tão super rápidos! Não liga pra Hannah, ela ta falando de vocês para as amigas agora, e tira esse brownie velho do bolso da mochila!- eu falei sem perceber e fiquei encarando o que eu havia dito e a cara de Kurt boba –Da onde veio isso?- Eu perguntei para mim mesmo analizando a minha frase

–Como você sabe que eu estou preocupado com ela? Eu nem havia mencionado o nome dela em nenhum momento?- Falou ele me encarando então ele mexeu em sua mochila e de lá retirou um brownie verde de tanto bolos num saco plástico –E como sabia que isso estava aqui? E como sabe que ela está falando de mim? Ela está no laboratório de informática lá no outro bloco.-

Com o questionário eu ainda estava surpreso do que eu havia falado, quer dizer, eu realmente havia sentido o cheiro podre do brownie e também escutando a tal de Hannah, que eu sequer conhecia, como se ela estivesse do meu lado, falando com as amigas sobre a “noite” deles, coisas que eu não queria ter ouvido sobre certos detalhes de “que sabor de camisinha”, URG, deu até um arrepio

–Fala! Como você descobriu?! Eu só dei uns “pegas” nela ontem á noite- Perguntou ele me encarando seriamente, então o professor entrou na sala e então a milagrosa desculpa apareceu

–Psiu! O professor entrou!- Eu criei uma desculpa qualquer enquanto todos ficavam em silencio, mas Kurt ainda me encarava exigindo respostas

–Bom dia turma! Sr. Collins, vire-se para frente, porfavor!- Ao ele falar isso, Kurt, com relutância virou para frente parando de me encarar já que ele estava sentado em minha frente

–A aula de hoje seria sobre o território de Alexandre, o grande, mas teremos que adiar isso por termos de ir ao auditório para uma pequena palestra de “Cuidados”, já que á pouco tempo o Sr. Hendrikson sofreu um acidente de moto.- Ele falou meio desapontado por perder sua aula, mas todos comemoravam felizes em silencio me dando sinais de positivo com o polegar

–Devemos nos encontrar no auditório, eu vou depois pois tenho umas coisas para pegar, é para irem em SILENCIO para o auditório, e qualquer espertinho que estiver fora do auditório será detido, podem ir!- Ele afirmou

Assim que ele falou todos foram, “civilizadamente” para o auditório enquanto o professor seguia outro caminho, eu fui o mais rápido para ir para longe de Kurt, os corredores estavam repletos de gente de outras salas que também deveriam ir ao auditório então foi fácil me esconder de Kurt que me caçava exigindo respostas.

Todos chegamos no enorme auditório da escola, que já estava um pouco cheio, tinha algumas cadeiras vazias, eu procurei uma mais longe possível da porta, e o mais longe possível de Kurt que ainda andava me procurando. E o inevitável aconteceu, ele me avistou

–Luke, eu to te vendo!- Ele começou a se aproximar passando pela manada de gente, eu comecei a me apavorar

–É né, eu adoraria!- Falou uma voz conhecida atrás de mim quando virei, não tinha ideia de quem era, era uma loura alta de olhos azuis junto de duas amigas, mas a voz era reconhecível, era a Hannah, então eu tentei pensar em algo... E a ideia apareceu!

–Com licença, você é a Hannah?- Eu perguntei calmamente para ela que me encarou estranha

–Sim...- Respondeu ela calmamente meio sem jeito –Desculpe, eu te conheço?- Ela perguntou em duvida

–Não, eu sou um amigo do Kurt, ele falou muito bem de você- Eu falei meio nervoso já que o mesmo se aproximava –Sabe, ele é um pouco tímido, então eu vim aqui para ajudar ele, sabe, ele é meu amigão do peito...- Eu falei meio forçado e ela começou a sorrir quando mencionei o Kurt

–Sim, ele é uma pessoa maravilhosa não é?- Ela falou ainda com as amigas –Veio ajudar em que?-

–E que ele tem vergonha de falar pra você que ele gosta muito de você, e ele queria te chamar para sentar vocês dois juntos, mas ele não teve coragem, você se importaria? É que ele gosta mesmo de você!- Eu falei ainda preocupado com Kurt chegando e então eu vi a cara emocionada dela

–AH!- Ela deu aqueles gritinhos estridentes junto de suas amigas –Meninas, eu vou sentar com o meu homenzinho timido, você sabe onde ele está?- Ela perguntou para mim

–Ora não sei, ele está bem ali!- Eu apontei para Kurt um pouco abaixo ela então se preparou para ir na direção dele que ainda me encarava se aproximando –Olha, não se esqueça ele fica um pouquinho nervoso quando está com quem gosta e fica pedindo para ir embora ou sentar em outro lugar, não deixe, seja forte por ele!- Eu falei

–Claro!- Ela então começou a descer os degraus para se aproximar de Kurt –Kurtzinho!- Ela gritou quando chegou ao seu lado, e então após ver eles conversarem um pouco eu vi eles indo se sentar juntos enquanto Kurt ainda fazia sinais com os dedos para mim, mas sem evitar de ir com Hannah

–Ufa, me livrei...- Suspirei pensando no que fazer depois

–Nossa! Você é tão gentil, ajudando seu amigo dando uma de cupido!- Falou uma das meninas que estava com Hannah –Você também é bem bonitinho!- Ela então como já via visto varias garotas fazerem hoje me entregou um papel e fez o sinal de colocar os dedos na orelha como “me liga” e então foi se sentar num lugar capaz de espiar e fofocar sobre Kurt e Hannah

–Dia produtivo. Me livrei do Kurt e ainda peguei mais um telefone- Falei feliz guardando o papel e olhei para os bancos e como havia demorado dando uma de cupido para fugir que todo o auditório estava ocupado, não consegui ver nenhuma cadeira livre.

Mas por algum tipo de macumba sarava do meu querido amigo viado “universo e destino” que foi possível ver um lugar, na ponta esquerda na ultima fileira, mas obvio que do lado que ninguém mais que Olivia “Diabrete” Gerson, eu fiquei pensando no que fazer mas então eles fecharam as portas do auditório e apagaram as luzes e logo um professor veio e falou

–Deve se sentar, a palestra já vai começar!- Falou um professor e me avisou

–É que não tem nenhuma poltrona livre!- Eu falei na esperança dele não notar aquela poltrona lá atrás, mas foi em vão...

–Tem uma lá na ultima fileira, agora vá logo!- Ele falou apontando para cadeira e eu não tive escolha, segui para a cadeira enquanto a palestra já começava com uma pequena apresentação de slides com a diretora falando coisas sobre cuidados na automobilística, quando eu finalmente cheguei na cadeira e me sentei, nenhum de nos dois disse uma palavra, enquanto vários nas cadeiras do fundo conversavam, mas o silencio entre nos se quebrou...

–Luke...- Falou ela meio tímida

–O que?- Eu falei um pouco serio

–Você... por acaso ontem... achou um- Ela falou com pausa entre as falas com o visível nervosismo –Livrinho lá na sua casa?- Ela falou isso e novamente eu lembrei de ontem, quando tentei abrir o livro e aconteceu algo que queimou minha mão, então ainda perdido em meus pensamentos eu falei

–Sim, eu trouxe ele, está na minha mochila lá na sala...- Eu falei sem fazer contato visual –Te entrego quando voltarmos para sala

–Obrigada...- Ela falou novamente virando sua cabeça para frente, mas a curiosidade em mim era muito forte

–O que aquele caderno? É um diário?- Eu perguntei para ela esperando uma boa resposta

–Mais ou menos...- Minha boa resposta não veio –Eu só anoto qualquer coisa nele, foi só um presente, nada de mais- ela falou ainda sem nenhum de nos fazer contato visual

Essa foi a ultima coisa que ela disse, depois nós, entre aspas, “assistimos a palestra”, que continuava demorando e demorando sobre os assuntos dos cuidados no transito, o que foi desnecessário, quer dizer, que adolescente com mais de dezesseis ainda não tem carteira de motorista, bem não vou julgar nada.

–Isso mostra como o cinto de segurança pode salvar vidas!- Falou a diretora passando o ultimo slide, mas eu comecei a me sentir estranho, como quando eu senti que a Liv estava do outro lado da porta de casa ontem –Agora teremos uma palavra do presidente do grêmio estudantil, James Andrews...- ela falou isso e um garoto apareceu e se posicionou atrás do microfone

–Olá...- Eu me assustei, eu reconheci aquela voz e então eu apertei meus olhos para ter uma visão melhor e vi algo horrível –Eu sou o seu presidente, James Andrew SilverWood...-

Era o garoto que havia me parado na floresta ontem, havia dado a faca para o velhote psicopático que tentou cortar a minha garganta, eu o encarava seriamente enquanto ele falava varias coisas então:

–Luke, você está bem?- Ela perguntou e então num reflexo eu olhei para ele que também me encarava preocupada –Ficou tão pálido derrepente!-

–E-eu estou bem...- Não consegui parar de gaguejar, eu ainda estava pensando sobre o que havia acontecido, e mesmo ele e seus amigos terem tentado me matar, eu não lembro de como escapei, so de acordar na minha cama eu estava perdido em meus pensamentos até que...

–Por isso eu gostaria de chamar o aluno, Luke Hendrikson, para comparecer aqui na frente!- Eu apenas escutei James falar e depois vários olhos se viraram para mim –Sr. Hendrikson, porfavor compareça aqui!- ele repetiu mas eu ainda estava imóvel então Liv se pronunciou

–Vai lá Luke!- Ela falou e nisso eu tive uma sensação de deja vú dela mesma numa idade menor falando essa mesma frase, e quando notei, já estava no palco ao lado da diretora e James

–Esse aluno, á alguns dias, sofreu um acidente de moto, não teve muitos ferimentos, mas mesmo assim, numa moto numa alta velocidade, que após derrapar, ele conseguiu retornar á esta escola hoje sem um arranhão, totalmente curado!—Ele falou num tom acusador fazendo todos começarem a falarem entre si

–Mas podemos ver que a força de vontade dele de retornar á educação o ajudou bastante, ele veio aqui para informar aos amigos que se importa e apoia a ideia de mais segurança e responsabilidade no transito, pode retornar ao seu acento!- Ele pediu e assim retornei a minha cadeira sem pestanejar para retornar aos meus pensamentos

–Muito bem, e agora organizadamente podem retornar á suas salas para o resto das aulas!- Falou a diretora e assim, milagrosamente aquela tediosa palestra acabou e todos levantaram de suas cadeiras e começaram a retornar para suas salas, eu fiquei um pouco nervoso se Kurt voltasse, mas eu vi ele saindo quase engolindo Hannah, então tudo bem...

Eu me levantei e sai do auditório normalmente até a sala de aula tediosa onde tive todas as outras matérias o resto do dia. Era isso que eu queria ter vivido, mas não quando eu estava atravessando a porta, eu senti o telefone em meu bolso tremer, quando o liguei, percebi que havia recebido uma mensagem de texto nova, assim que desbloqueei o telefone, o SMS era de um numero bloqueado e a mensagem dizia:

Se quiser descobrir o porque dos SilverWood lhe perseguirem, venha a biblioteca no horário do almoço”

Misterioso e sem nenhuma informação, eu estava desesperado mas nem tanto, podia mesmo ser o próprio James então eu fingi que não li e guardei o telefone e segui pelo corredor. Eu entrei na sala e tomei acento e logo depois o professor chegou, a aula seguiu normalmente, até que no meio da aula:

–Você pode me ouvir né...– Eu escutei uma voz do nada, o que me assustou me fazendo soltar a caneta sobre a mesa –Pela sua ação eu digo que sim, agora vamos a norma, se até o final do dia você ficar no nosso campo de visão não faremos nada, se você se esconder ou fugir, a primeira coisa que vamos fazer e pegar a sua amiguinha, e cortar a garganta dela!-

A voz disse do nada, e mesmo sem saber de onde vinha eu reconheci a voz, James, e tinha mais de 100% de certeza de que ele falava sobre Liv que estava sentada um pouco á minha frente anotando o dever

Você vai viver o seu dia tedioso normalmente, pode sair da escola com a sua irmãzinha depois ir trabalhar e voltar para casa, se você não estiver em casa ás 23h30, nós vamos ir na casa da sua namoradinha, e matar qualquer um que ficar na frente, e depois vamos seguir para a sua casa, então estamos entendidos?-

Eu estava furioso, só de pensar na imagem, ele perguntou num tom irônico e eu concordei com a cabeça sem sequer saber se ele viu –Bom! Agora volte ao seu dever, e siga as normas, não sou apenas eu que estou vigiando você!- Então eu lembrei de que quando me abordaram eram três, podiam mesmo ter muitas pessoas de sobra, eu então mesmo com medo e com raiva voltei a escrever como se nada tivesse acontecido...

O tempo passou e passou, e eu sem sequer parar de imaginar que ele podia estar falando serio, ele já me encurralou numa floresta e tentou me matar, podia muito bem fazer isso com os outros, então eu estava decidido, era o ultimo recurso, eu iria a biblioteca para ver se achava algumas respostas! O sinal finalmente tocou, eu sequer esperei, guardei os meus materiais e corri direto para a biblioteca, nossa, nunca pensei que fosse dizer isso, mas quando estava saindo pela porta:

–Luke?- Eu escutei Liv chamar, e me virei para ver ela guardando tudo em sua bolsa e vindo em minha direção –Você ainda está com meu livro?- Ela perguntou após colocar a bolsa no ombro

–Ah, sim...- Eu virei minha mochila e abri e entreguei para ela –Aqui está!- Eu entreguei o livro que ainda estava enrolado no pano, mas olhando por trás dela eu consegui ver uma coisa, entre a multidão de alunos que se dirigiam ao refeitório eu consegui ver nitidamente James, no fundo da sala me encarando o que me deixou meio nervoso

–Obrigada!- Ela falou guardando o livreto enrolado no pano na bolsa mas eu não retirava o olhar de James me encarando lá atrás, e logo depois ele lentamente apontou para nos e num gesto simbólico, passou o dedo no pescoço –Então, eu estava pensando, se você queria ir almoçar agora? Que tal?- Ela perguntou gentilmente, mas eu olhei para ela e respondi

–Acho melhor não, tive uma ideia melhor!- Eu falei num tom serio já que quando eu olhei para a parede novamente James não estava mais lá, então eu fiquei preocupado com ela –Vem aqui!- Eu peguei a mão dela (coisa que eu não fazia a muito tempo) e a arrastei, a puxando pelos corredores até chegarmos próximo á biblioteca onde não tinha ninguém nas proximidades

–O que estamos fazendo aqui?- Ela perguntou olhando as proximidades –A biblioteca está fechada! Não podemos estar aqui!- Ela falou olhando nos lugares

–Eu preciso fazer uma coisa aqui!- Eu falei e quando tentei abrir a porta –Trancada!- Eu reclamei quando a porta nem mexeu

–Você podia me dar mais informações né?- Falou ela dando voltas em círculos então eu tive uma ideia

–Eu te conto depois, por hora procura uma entrada por ali!- Eu pedi e ela foi para lá e então comecei a me concentrar –Por favor, funciona, porfavor, vai, vai...- Eu fiquei pedindo e assim lentamente as minhas garras foram lentamente crescendo e crescendo, então eu a coloquei na fechadura sem parar de me concentrar, até que após alguns segundos de balançar as garras lá dentro, um estalo foi ouvido

–Abriu!- Eu girei a maçaneta e a porta abriu revelando o lugar escuro desértico e assim Liv apareceu

–Como conseguiu abrir?- Ela perguntou encarando a porta aberta

–Acho que estava aberta, eu só dei um empurrão!- Eu falei mentindo

–Está mentindo!- Afirmou ela apontando para meu rosto

–O que? Obvio que não!- Eu gaguejei meio nervoso

–Desde que a gente era pequeno quando você mente sua sobrancelha esquerda treme- Ela falou me surpreendendo

–Tá, tá, eu te conto depois agora vamos entrar!- Eu falei já entrando e ligando a luz do meu celular para iluminar o caminho

–O que você está procurando que é tão urgente assim?- Perguntou ela também ligando a lanterna do seu celular –Eu estou com fome...-

–A gente come depois agora eu só preciso encontrar alguém aqui...- Eu falei procurando o autor da mensagem

–Luke, não tem ninguém aqui, agora vamos sair antes que nos metamos em encrenca!- Ela reclamou olhando em volta da biblioteca –Perai o que é isso?- Ela falou chamando minha atenção

–“Isso” o que?- Eu perguntei olhando para onde ela apontava com a lanterna –Não tô vendo nada!-

–Olha só- Ela aponta a lanterna para a parede e nada acontece, mas quando ela tira era possível ver pequenas marquinhas quase invisíveis –Isso não é pintura, é um papel de parede, e está com bolhas de ar, com luz não dá para notar!-

–O que é bolha de ar?- Eu perguntei duvidoso

–Sabe quando colocam a película do celular errado e fica umas bolhinhas brancas que afundam com o toque?- Ela perguntou e eu consenti –Bolha de ar é isso, esse papel de parede foi colocado com pressa!-

–Você está certa, espere um segundo- Eu coloquei minha mochila no chão e com a ajuda da lanterna tirei lá de dentro um compasso da aula de geometria e coloquei a ponta-agulha na parede e fiz um pequeno furo

–O que está fazendo?! Isso é vandalismo!- Ela afirmou assustada

–Tem alguma coisa aqui dentro!- Eu falei olhando para dentro do pequeno furo –É definitivamente tem coisa aqui, aponta sua lanterna aqui...- Eu falei e ela colocou a lanterna e nós nos espantamos com o que vimos, a parede estava marcada com uma tinta negra borrada, como se tivesse sido escrita com os dedos

–B-3/Z? O que é isso?- Ela perguntou olhando para mim

–Eu não sei...- Eu falei também em duvida, então escutamos um estalo o que nos assustou –Tem alguém aqui!- Eu afirmei com certeza ao escutar o barulho da porta de vidro se abrindo

–O que vamos fazer, eu não posso levar advertência em menos de um mês!- Ela falou assustada

–Eu acho que não é um monitor- Eu falei escutando os passos se aproximarem –Rápido, desliga a lanterna!- Eu falei e ela assim fez, desligou a luz do telefone e pegou sua bolsa, eu fiz o mesmo

–Vamos nos esconder ali!- Eu sussurrei e nos fomos para as mesas dos computadores que tinha na biblioteca para pesquisa, nos retiramos as cadeiras e nos escondemos debaixo da escrivaninha onde sobre ela estava o monitor –Agora faça silencio!- Eu sussurrei e ela ficou debaixo da escrivaninha do meu lado e assim escutamos os passos cessarem e uma voz dizer

Escuta aqui, se você não nos falar agora, nesse segundo onde você escondeu, nos vamos matar você e qualquer um com ligação á você, está escutando!- falou a voz conhecida, a voz do homem que tentou me matar sem seguir o suposto “código”, se lembro bem o velhote tinha chamado ele de Adam

Eu já disse que não roubei nada!- Falou uma voz masculina fraca e sem forças, então eles andando entraram no meu campo de visão, era Adam, e dois homens desconhecidos segurando um adolescente da minha idades todo esmurrado e ensanguentado

–Isso é meio suspeito, no dia em que o “Lobo” desperta, e foge de nossas mãos em milésimos, ao mesmo tempo o livro some e você, não estava em sua residência, para mim isso é muito suspeito!- Falou Adam num tom irônico –Se você o estiver ajudando, estaria violando o tratado de nossa família, isso seria ruim para você!-

–O que eles estão fazendo?!- Sussurrou Liv da escrivaninha do lado assustada

–Shh! Fique em silencio, e calma, não vai acontecer nada se ficarmos quietos!- Eu sussurrei devolta e ela ficou em silencio

–O nosso tratado de paz é remanescente de anos, nos não poderíamos viola-los nem se quiséssemos!- Falou o jovem cospindo sangue

–Mas vale lembrar que antes de ter o tratado de poucos anos conosco você tinha um tratado de mais de décadas com o “Lobo”, se você souber de algo vai ser pior para você...- Disse adam serenamente mas depois deu um enorme soco no estomago do adolescente que cuspiu mais sangue urrando de dor

–Mh- Liv soltou um pequeno gemido do susto e agarrou minha mão com medo, mas por sorte ninguém escutou

–Agora fala de uma vez, ONDE VOCÊ ESCONDEU O QUE ROUBOU DO MEU COFRE!- Gritou ele irado fervendo de ódio para o menor –É só uma questão de tempo para acharmos aquela fera, então porque não fala de uma vez?-

–Eu não... roubei nada!- Falou o garoto fraco

–Ok, se é assim pequeno Viggo, teremos que usar isso!- Ele então de seu bolso retirou uma faca, a mesma faca negra de antes quando o homem velho que estava com ele tentou me matar

–Isso...é...- Ele perguntou fraco, mas assustado

–Isso mesmo, Obsidiana!- Falou Adam num tom sádico olhando para adaga –Vou te dar três segundos para falar...-

–Não! NÃO!- Ele gritou tentando se afastar mas os homens o seguraram com mais força enquanto Adam aproximava a lamina da barriga do menor

–1...- Falou Adam contando

–Precisamos fazer alguma coisa, vão mata-lo, isso não é mais brincadeira!- Sussurrou Liv apertando minha mão com mais força –Precisamos chamar a policia!-

–Se tentarmos algo eles nos matam, e quando a policia chegar, e se chegar, já vai ser tarde, precisamos fazer algo agora!- Eu sussurrei

–2...- Mais uma vez Adam falou aproximando mais enquanto eu estava sobrecarregado sem saber o que fazer

–Por favor, não!- falou fraco o suposto Viggo apavorado

–3- Quando ele falou isso a faca tocou a barriga de Viggo e quando Adam foi pressionar para cortar a barriga dele, o sinal tocou nos aliviando sabendo que em poucos minutos alguém chegaria ali, e vendo Adam recuar a faca –Deu sorte, mas se você não devolver até o final do dia, na ponte de metal, não teremos contagem regressiva e sim um esquartejamento!-

Ele falou isso apontando a faca para o rosto dele e quando ele acabou a frase, os homens soltaram o garoto espancado no chão e depois se retiraram o mais rápido possível deixando Viggo caído

–Precisamos ajuda-lo!- Falou Liv saindo de debaixo da escrivaninha e correndo para próximo do garoto caído numa poça de sangue

–Liv, espera!- Eu pedi saindo de debaixo da escrivaninha e a seguindo, quando a alcancei a segurei envolvendo meus braços sobre ela –Temos que tomar cuidado ele pode ser perigoso!-

–Ele está morrendo- ela falou tentando se soltar de mim –Agora chega você precisa me contar o que está acontecendo porque eu estou ficando louca! Quem eram eles, porque viemos aqui, o que aquela escrita significa?! Eu quero respostas!- Falou ela chorando

–Se acalma! Calma, calma...- Eu falei pedindo para ela se acalmar e quando ela parou de se debater eu comecei a afrouxar meus braços que a apertavam –Eu queria saber o que está acontecendo, mas eu não sei!- ela então se dirigiu a minha frente e me encarou seria

–Eu preciso de ao menos uma resposta!- Ela falou ainda chorando o que apertou meu coração, Liv não era uma garota que chorava por qualquer coisa

–Olha, eu só sei que tem alguma coisa rolando comigo desde o acidente, e esses caras tem alguma coisa a ver com isso, eu só vim para cá porque recebi uma mensagem de alguém dizendo que pode ajudar, mas não tinha ninguém aqui!- Eu soltei tudo que tinha preso dentro de mim nela que apenas ficou confusa me encarando

–Já tentou ligar para o numero?- Ela perguntou

–estava bloqueado!- Eu respondi

–Precisamos de ajuda, ele está morrendo!- Ela falou limpando algumas lagrimas e então parou por um segundo –Responda para a pessoa, fala que precisamos dela aqui agora!- Ela falou e assim eu obedeci, eu peguei meu celular enquanto ela se aproximava do corpo desfalecido no chão para checar a pulsação no pescoço

–Ele ainda está vivo!- Ela falou e virou o corpo do garoto e começou a pressionar seu peito para fazer massagem cardiaca

Preciso de respostas urgentes! Estou na biblioteca e tem um garoto morrendo aqui!” Eu digitei e assim enviei, e quando guardei o telefone no bolso nos escutamos um pequeno barulho

–O que foi isso?- Eu perguntei escutando o barulho –Você também ouviu?- Eu perguntei mas ela fez uma cara pálida

–Luke... olha!- Ela apontou para o bolso do casaco do garoto que tinha uma certa luz saindo de lá, Liv então relutante e com medo aproxima a mão do bolso do garoto e de lá tira um celular, ela liga ele e faz uma cara apavorada –Olha isso!- Ela aponta a tela bloqueada do celular com uma notificação piscando o que me fez ficar sem ar por um tempo

–“Nova mensagem”...- Eu li a notificação assustado e deduzi tudo –Ele enviou a mensagem! Ele me mandou vir aqui!- Eu falei encarando a tela do telefone

–Vai ver por isso aqueles caras estavam aqui!- Liv falou colocando o telefone no chão e então o corpo se mexeu nos assustando –AHH!- Liv gritou com susto levantando num pulo, vindo para perto de mim, mas novamente o corpo se mexe, nos assustados começamos a tomar distancia, então o corpo começa a levantar, levantar até que ele vira o rosto totalmente limpo sem nenhum hematoma para a gente

–Você está vivo?!- Eu perguntei assustado dele ter levantado

–Não vão ser alguns socos que vão me matar, já acharam?- Ele perguntou retirando a poeira do corpo como se não fosse nada

–Achamos o que?- perguntou Liv

–Quem é ela?- Perguntou ele pegando seu telefone do chão

–Quem é ela? Quem é você?! E como está curado?- Eu perguntei num tom irônico sem me aproximar

–Do mesmo jeito que você se curou do acidente!- Ele falou diretamente –E então, já acharam?

–Achamos o que?- Eu perguntei sem saber sobre o que dizia

–O que eu roubei deles e escondi para você achar, sabe, o letreiro atrás da parede, o SMS...- Ele perguntou mas nos continuamos fazendo caras confusas –Aff, isso! Vem aqui!- Ele então vai em direção ás prateleiras de livro, e nos o seguimos com cautela até a prateleira que era colada na parede

–é claro!- Falou Liv chamando minha atenção –Você não percebeu?-

–Percebi o que?- Eu perguntei

–A escrita que achamos B-3/Z, se pronunciarmos de outra forma fica...- Ela falou como se ensinasse algo, então eu notei outro jeito de falar sem ser “B-3 barra Z”

–“Be”-“três”“Ze”...- Eu falei me relembrando –B-13...- E então quando olhei para a numeração da prateleira estávamos na prateleira B-13

–Ela é bem mais esperta que você!- Ele então pega o único livro da prateleira, era bem grande, quase uma apostila de capa de couro–Isso tem todas as respostas que você precisa, isso, é o Bestiário do SilverWood!- Ele então me entrega o livro que eu folheei lendo cada coisa mais assustadora que a outra

–Chimeras voadoras, manticoras romanas, esfinges egípcias...- Eu li cada titulo que eu via com imagens assustadoras –O que é um bestiário?- Eu falei dando o livro para Liv ver

–É uma enciclopédia- Ele falou seriamente

–Uma enciclopédia de que?- Perguntou Liv fechando o livro

–De todos os monstros que rodam o nosso mundo, todas as feras que eles já caçaram...- Ele falou apontando para o livro enquanto isso ficava cada vez mais estranho –Monstros como eu e você- Ele então pegou o livro e abriu numa certa pagina e me deu

–Licantropos...- Eu falei lendo o titulo –Lobisomem!- Eu falei vendo a imagem de um ser monstruoso

–Eu tenho certeza que já notou as mudanças!- Ele falou com calma –A audição, o olfato, tudo isso mudando dentro de você, principalmente a cura, você acha que alguém sobreviveria ao capotamento de uma moto á quase 90km/h- Ele perguntou irônico

–Eu...- Eu tentei falar mas nenhuma palavra saiu

–Ora, você já sabe, e por isso os SilverWood já estão te caçando! Na floresta ontem!- Ele falou e isso chamou minha atenção

–Como você sabe da floresta ontem?- Eu perguntei para ele mas eu já sabia a resposta com a face que ele me deu –Foi você que me tirou de lá!-

–Eu em carne e osso...- Falou ele

–Olha só, eu sei que o que vimos aqui foi estranho, mas, Luke, eu tenho certeza que você não virou um lobisomem, isso não existe!- Falou Liv para mim assustada com tudo que ouvia

–É verdade...- Eu falei surpreendendo Liv –Eu sei desde ontem anoite, eu vi coisas acontecerem comigo quando os SilverWood me caçaram, e quando eu pesquisei sobre o assunto eu descobri...-

–Luke, isso não é piada que se faça! Você não é um homem lobo que sai correndo na lua cheia!- Falou ela seria

–Sinto muito, mas seu namorado é sim um lobisomem, por isso mesmo ele tem que aprender a se controlar o mais cedo possível senão pessoas podem morrer!- Falou Viggo serio

–CALA A BOCA!- Gritou Liv para ele –Se ele é um lobisomem, você seria o que?- Ela perguntou irônica

–Eu sou Viggo Wintour, um leviatã...- Ele falou num tom serio mas não surpreendeu Liv

–E eu sou Olivia Gerson, a rainha das fadas-hipopótamo- Ela falou sarcástica com raiva –E o que seria um leviatã?-

–Olha no livro para sabe “rainha hipopótamo”- Falou ele num tom sarcástico e isso foi feito, Liv abriu o livro e procurou a palavra e começou a ler

–“Leviatãs são seres que em mitologia são relacionados á monstros marinhos, serpentes enormes ou lulas assassinas, todos com mais de 20 metros de comprimento, mais atualmente relacionados á Monstros do Lago Ness”- Ela leu o que estava escrito e apontou para Viggo a imagem de um bicho enorme –Você não parece uma lula assassina para mim!-

–Leia o resto- ele falou apontando os outros parágrafos e ela voltou a ler

–“Mas na vida real nenhum dos leviatãs já caçados por SilverWood’s, tinham essa aparência, eles como varias outras criaturas não são como descritas na mitologia, são metamorfos com aparência quase sempre humana, podem criar membranas em questão de segundos e nadar mais de 180km/h ainda em forma humana”- Ela leu quebrando a cara enquanto Viggo fazia uma cara sinica

–“São hidrocineticos, manipuladores do elemento da água, assim durante a caça o mantenha o mais longe possível da água, assim como os lobisomens seu poder aumenta na lua cheia com a maré alta, um breve método de desmascarar um leviatã é com uma luz ultra-violeta, se uma luz dessas atingir seus olhos na forma humana, eles ficarão completamente negros como demônios da noite”- Ela leu em voz alta para todos ouvirmos –Ainda não acredito!-

–Você é muito descrente, pegue isso- Ele então dá para ela um laser de brinquedo, aqueles que qualquer um pode comprar na lojinha da esquina –Aperte o segundo botão!- Ele ordenou e assim ela fez e uma luz lilás apareceu

–Você quer mesmo que eu acredite que isso vai funcionar?- Ela perguntou e ele consentiu –Então tá né...- Ela apontou a lanterna para os olhos de Viggo que em milésimos foram envolvidos por membranas negras

–Buh!- Ele falou brincando

–AHH!- Liv gritou assustada largando o laser no chão –É... u-um truque, e-eu não acredito!- ela falou gaguejando de medo

–Olhe no meu “tique” para ver se estou mentindo...- Eu falei serio para ela e ela me encarou–É verdade Liv, não podemos omitir isso!- Eu falei e ela fez uma cara triste sabendo que minha sobrancelha não tremeu e então comecei a me concentrar e novamente minhas garras começaram a crescer

–Não é possível- Ela falou ficando muda ao ver aquilo

–Viu garotinha!- Falou Viggo num tom serio

–Pega isso! Não quero mais relação com nada disso!- Ela falou devolvendo o livro

–Você já está bem envolvida amiguinha, vai precisar ler essas coisas ai para poder se defender, agora que sabe sobre o sobrenatural, eles vão vir em você como abelhas no mel!- Ele falou empurrando o livro devolta para as mãos dela

–Perai, oque?!- Ela perguntou –Quer dizer que eu estou em perigo também?!-

–Os sobrenaturais não querem que humanos, deixem o segredo deles vazar- Ele falou –Então vai precisar de ajuda se alguma coisa bater na sua porta, por isso é melhor guardar isso!-

–Mas e os tal do SilverWood? Eles não são humanos que sabem do segredo?- Ela perguntou –Ele são humanos mesmo, né?- Ela perguntou com duvida na voz

–Como você acha que eles começaram a caçar? Foram caçados primeiro quando descobriram o segredo!- Ele falou explicando tudo

–Eles não vão vir atrás de mim só porque estou com esse livro, não, né?- Ela perguntou

–Provavelmente, não!- Ele falou num tom meio irônico, assim não deu para saber se ele estava falando serio mesmo

–Como vai ser a partir de agora?- Perguntei pensando no futuro enquanto as minhas garras diminuiam

–Simplesmente você vai ter que se concentrar para conseguir viver sem matar ninguém e sem ninguém te matar- Ele falou como se não fosse nada –Eu estou disposto a te ajudar, a lua cheia é daqui á vinte dias, você tem que ter controle total até lá.-

–O que acontece se eu não conseguir?- Eu perguntei com duvida

–Se não conseguir se controlar eu mesmo terei que te matar!- Ele falou com calma e serenidade como se não fosse nada me assustando

–Porque?- Eu perguntei assustado

–Aquele que te mordeu virá atrás de você novamente...- Ele disse

–Quer dizer o lobo que me derrubou e me mordeu?- Eu perguntei

–Ele não era apenas um lobo, era um lobisomem, um alfa- Ele explicou com calma –Um alfa é como numa alcateia de lobos normais, é o mestre, o rei, os outros da alcateia são os betas, igual a você, no caso de lobisomem tem dois meios de se tornar um, nascendo de uma família de lobisomens, ou...-

–Sendo mordido por um alfa- Falou Liv completando a frase –Nas alcateias de lobos normais, o alfa deve escolher os seus betas, até mesmo os filhotes recém-nascidos devem ser escolhidos senão são deixados para morrer, o alfa só escolhe os melhores, um alfa com uma alcateia fraca, é o mesmo que um sem alcateia, morre em questão de minutos!-

–Então quer dizer que existem centenas de alfas que saem mordendo pessoas que se tornam milhares de betas – Perguntei retoricamente –Então ele não está sozinho, e ele vai me procurar para me juntar á alcateia dele, e se eu não quiser entrar?-

–Ele vai te rastrear e te encontrar, e você terá que entrar se você não quiser, ele simplesmente vai arrancar seu coração pela boca, por isso você precisa de controle, até a lua cheia ele vai te achar e se te achar vai ser pior para você!- Ele falou –E vai fazer você matar todos próximos de você!-

As luzes então ascenderam simbolizando que alguém havia entrado ali

–Eu estarei sempre perto, não importa o que aconteça não contem para ninguém, até lá tenha o máximo de cuidado possível!- Ele falou pouco antes da luz ligar, mas quando olhamos de volta para ele, ele havia sumido

Tem alguém ai?- Perguntou a senhora que cuidava da biblioteca –O horário do almoço já acabou, vocês não podem ficar ai!-

–E agora, o que vamos fazer?- Eu perguntei para Liv que também não tinha ideias, até que a expressão dela mudou

–Fica parado!- Ela falou e de sua bolsa tirou um batom vermelho e passou nos lábios

–Serio?! Passar batom te dá ideias?- Eu perguntei sarcástico e então ela passou um pouco do batom nos dedos e começou a passar de forma manchada em meu rosto–Mas que porr—

–Quieto!- Ela ordenou enquanto passava o dedo com batom bem apagado em meu lábio –Agora tira o casaco!-

–O que?- Eu perguntei ainda sem saber do que ela falava já que vale lembrar que lá fora ainda nevava

–Tira logo!- Ela ordenou guardando o batom

Saiam logo!- A senhora falou mais uma vez –Estou vendo vocês!- A voz se aproximava

–Tá bom!- Relutante então tirei o casaco ficando apenas com a camiseta

–Agora fica em silencio!- Ela falou e então me abraçou, o que foi meio estranho, hoje nós tínhamos feito varias coisas que não fazíamos á muito tempo, ficamos de mãos dadas e nos abraçamos e então os passos que se aproximavam se cessaram

–O que estão fazendo aqui! Não deveriam sequer estar aqui dentro seus sacos de carne cheios de hormonios!- Falou a senhora –Vamos! Saindo, saindo! Continuem isso lá fora! A aula de vocês já deve ter começado!- A mulher falou nos chutando para fora

Ela falou enquanto nós nos retirávamos da biblioteca enquanto eu processava o que aconteceu e finalmente entendi o que ela tinha feito...

–Vamos correr que a aula já começou!- Ela falou puxando minha mão pelos corredores até a sala enquanto eu colocava meu casaco até que chegamos na porta da sala que já estava fechada com todos lá dentro –Vamos entrar agora! Perai...-

Ela então passou o dedo no meu lábio para limpar o batom que ela mesma tinha passado em mim, e assim retirou todo o batom e depois bateu na porta e após receber um entre de volta do professor nos entramos

–Sinto muito professor, nos atrasamos!- Falou Liv se desculpando ao professor

–Tudo bem, mas tomem seus acentos imediatamente, a aula acabou de começar!- O professor respondeu e nos corremos para nossos lugares, acho que mais uma vez o destino me jogou para ficar na frente de Kurt, vou parar de falar “caminho do destino” e começar a falar “chute na bunda para um lugar onde minha vida é ruim” assim que sentei ele me cutucou

–Onde você estava, não te vi no almoço- Perguntou ele falando muito rápido

–Estava andando por ai- Eu falei enquanto retirava os materiais de minha mochila mas então eu comecei a escutar as risadas bobas dele

–Vejo que você e a Olivia já estão de boa...- Ele falou numa voz pervertida –Pegou ela?- ele perguntou como se não fosse nada

–NÃO!- Eu falei para ele assim que escutei a pergunta e então ele ficou em silencio por alguns segundos até que

–Então eu posso pegar ela?- Ele perguntou e novamente escutou a mesma resposta

–NÃO!- Eu respondi enquanto anotava o dever

–Pô, cara, tem que deixar uns peixes no mar ai, você já tem o telefone de umas setenta garotas!- Ele reclamou enchendo o meu saco

–E a Hannah como vai ela?- Eu perguntei procurando sair de assunto

–Não deu certo...- Ele falou feliz

–E porque está tão feliz?- Eu perguntei para ele –Você ficaram só metade de um dia juntos!-

–Por isso mesmo, só porque eu dei uns pega nela não significa que sou dela- Ele respondeu –Ela queria exclusividade e compromisso, então eu pulei fora...-

–É bom saber que o amor é algo tão importante para você!- Eu falei sarcástico ouvindo as coisas que ele falava e assim a aula foi passando, você sempre tem aquela impressão que quando você tem algo super importante para fazer e o tempo passa bem devagar. Pois é, isso estava ocorrendo, eu queria que a aula acabasse logo para eu pensar no que fazer, mas não, parecia uma tartaruga manca com joanetes com leucemia em estado terminal. E assim a aula foi passando, como eu já mencionei, bem devagar até que num piscar de olhos:

–Uh?- Eu abri meus olhos após uma piscada de alguns segundos para ver a sala vazia, sem ninguém, apenas as cadeiras vazias sem um sinal de vida, eu levantei para procurar alguém –----Alô? Cadê todo mundo?- Eu perguntei pelo o corredor também vazio, saindo da sala, eu comecei a andar pelos corredores a procura de alguém mas nada apareceu, até que quando fiz a curva a direita no final do corredor...

–Oi...- Eu perguntei pela pessoa que eu via no final do corredor sem saída, entre as sombras –Quem está ai?- Eu perguntei me aproximando aos poucos para escutar alguns sussurros

–Eu posso...- Escutei apenas esse sussurro enquanto me aproximava da pessoa de pé, que estava parada imóvel

–Você está bem?- Eu perguntei enquanto me aproximava, eu estava á poucos metros agora, que em pouco tempo se tornariam centímetros –Sabe o que aconteceu com todos aqui?-

–Eu posso...- Eles sussurrou novamente –Eu posso, eu posso, eu posso...- Eu escutei desta vez com mais nitidez

–Pode o que?- Eu perguntei agora á poucos centímetros enquanto eu aproximava minha mão de seu ombro –Ei, você está bem?- Assim que eu coloquei a mão no ombro dele

–Eu posso...- Eu escutei uma ultima vez enquanto ele virava lentamente o corpo para me encarar, e quando virou eu vi a mesma imagem de um espelho, eu mesmo, com os olhos cintilantes azuis e presas e garras longas com a boca lambuzada de sangue –MATAR VOCÊ AQUI E AGORA!-

Ele gritou e então eu comecei a recuar dando passos para trás e então ele começou a correr em minha direção e eu comecei a correr para escapar dele, sempre olhando para trás para ver ele correndo de forma mais animalesca em quatro patas quase me alcançando, mas quando fiz a curva eu parei de correr para me deparar com todos os alunos formando uma barreira, o que era pavoroso já que estavam cheios de cortes e machucados que sangravam

–Shh...- Eles fizeram um gesto com o dedo indicador entre os lábios para pedir silencio de forma macabra e então quando virei para trás novamente me deparei comigo mesmo com as garras prontas para me rasgar

–É só não gritar...- Ele falou e logo depois eu só vi os enormes dentes deles prontos para rasgarem minha pele

CONTINUA