O Lobisomem De Liveway

4 Capítulo 3 - Um Pequena Batalha.


Notas iniciais
Meu deus, sinto muito, ficou curtinho esse capítulo.
Tinha tanta coisa que eu poderia fazer para aperfeiçoá-lo...
...
Agradeço aos reviews de:
> Thalia
> Lucy347
> Gaby_Mystie
> Stefany_Zanoni
> Hina
> Sarah Cristiana
> Kath Dragomir
> Lilith
> Nathalia S
> LuLerman
> Catherine Le Blanc
> JuuliaS
> Miss Whatsername
...
Beijos,
EUQOPÉ-ELLE3

Capítulo III – Uma Pequena Batalha.

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Eu não sabia dizer se o que eu via era apenas uma alucinação causada pelo meu estado débil de inválida ou se era de verdade. Eu nunca havia visto nada como aquilo antes. Parecia um chacal*. Um animal quadrúpede, de porte grande, esguio e magricelo. Seus pelos eram baixos, o focinho alongado e as orelhas grandes, em pé e alertas. Possuía quatro rabos ondulados e felpudos, mas não havia nada de gracioso.

O que mais me assustou foi ver que, um, ele possuía dentes afiados que se mostravam intimidantes em um rosnado grotesco, e, dois, ver que seu corpo era algo incrivelmente espiritual. Algo translúcido, mas não como a figura da mãe de Roman. Algo como realmente um cachorro do inferno. Algo que parecia uma densa névoa ou fumaça negra de poluição.

- A-alice? – gaguejei a chamando.

Eu estava com medo, seria uma tola se não estivesse. Eu tinha certeza de que aquele não era um “bicho exótico” da Amazônia. E o pior era que eu ainda estava sentindo-me fraca e meu corpo pesado. Alice parecia estar tão assustada quanto eu.

Ela olhava diretamente para seus olhos negros de ônix brilhantes.

- Isabelle, eu acho que você não consegue correr, não é? – ela sussurrou.

Neguei com a cabeça, talvez fosse apenas isso o que eu fosse capaz de fazer. E pude ver frustração no rosto dela, como se ela quisesse dizer “Caramba, preciso de mais tempo para pensar”. Mas não tínhamos esse tempo. Seus músculos se tencionaram quando o viu erguer a cabeça e soltar um uivo que ecoou pelas árvores da floresta.

Infelizmente, a magia não era apenas uma ou duas palavras mágicas soltas e “kaboom” ai está o seu pedido. Precisávamos ter todo um ritual, objetos encantados, versos recitados... Perguntei-me se Alice não teria nada por aí. Algo que me curasse ou que nos ajudasse a sair daquela situação.

- Isabelle... – ela murmurou, havia pensado em alguma coisa. – Vou lançar uma magia, quando você puder, corra.

- Eu não consigo...

- Você vai precisar se esforçar – ela respondeu e a vi pegar alguma coisa, discretamente, da bolsa que ela havia trazido consigo para aquela expedição.

Ela não esperou uma palavra minha de fraqueza e, antes que eu pudesse responder algo, jogou uma bola pequena, parecida com uma bombinha, para cima e um feixe de luz forte se desabrochou no céu como uma flor. Como o sol radiante. Em plena noite, foi como se fosse de dia.

Percebi que aquela era a “magia”.

O animal recuou abaixando a cabeça para esconder os olhos entre as patas.

Alice me empurrou para que me levantasse de seus braços e, com uma agilidade impressionante, tomou a frente e me puxou pelo braço. Ela queria correr com rapidez, mas minhas pernas pesadas e trêmulas falhavam e acabamos nós duas caindo no meio do caminho para fora de nosso lugar sagrado.

Infelizmente, o efeito acabou e nos vimos novamente no escuro e com o chacal híbrido muito chateado.

E como se isso não bastasse, vi uma névoa negra derramar por entre as raízes grossas as árvores de das florestas. Meu sexto sentido me disse que aquilo não ia dar certo. Para comprovar, vi – com temor – as névoas negras tomarem a mesma forma inconsistente do primeiro animal.

Em cópias parecidas.

- Droga! – Alice praguejou, abraçando-me no chão de forma protetora.

Vi aflição em seus atos e acho que ela realmente achou que tudo terminaria ali. Provavelmente ela havia se preparado para muitas ocasiões, menos para aquela.

Vi um dos chacais híbridos se abaixar em um ataque voraz. Preparando-se para acabar se satisfazendo do delicioso prato de duas bruxas idealistas e idiotas.

“E ONDE ESTÁ O IMBECIL DO MEU GUARDIÃO QUANDO EU PRECISO?!” pensei desesperada, fechando os olhos com forças e desejando uma morte rápida e indolor. O que não parecia possível com o tamanho de cinco centímetros dos caninos daqueles animais.

No entanto, foi quando eu fechei os olhos que nossos “protetores” chegaram. Thanatos enfim deu o ar de sua graça e apareceu à minha frente, como em um passe de mágica. Emergindo em uma entrada triunfal desnecessária quando ele surgiu da minha sombra e a de Alice. Como Jack, o rei das abóboras, ressurge depois de pegar fogo no início do filme**.

Quase soltei um palavrão por sua demora quando o animal de aspecto gasoso avançou sobre ele. Rosnando, mordeu-lhe o braço, mas eu sabia que no fim ele ficaria bem. Era a primeira vez que eu via Thanatos em ação, e foi algo incrível.

Ele era bom de briga corpo a corpo, mas fiquei impressionada em ver que “Guardião Sombrio” não era apenas um título comum dado de graça.

Ele literalmente controlava as sombras como se fossem... Algo palpável.

E foi maravilhada, que eu contemplei o momento em que o animal tentou encravar suas presas no braço macio de meu guardião, e vi que as sombras revestiram seu braço em uma armadura impenetrável de um brilho negro... Ele deu um soco no animal que o mesmo voou de encontro a uma meia parede ainda de pé.

Bem... Não mais.

Gostaria de ter ficado para ver mais, no entanto, Alexander me puxou pela cintura e me pôs de pé. Enquanto Alice se levantava também. Perguntei-me o porquê ele não havia se preocupado em lutar e percebi que César estava dando cobertura, atirando flechas e acertando seus alvos com maestria.

Espera aí! Quando foi que César havia trazido um arco e flechas para aqui?!

E não era um arco comum com flechas comum. Seu arco era como um trovão azulado, suas flechas eram como relâmpagos rápidos e brilhantes que pareciam nunca se esgotar. O que era estranho porque ele sequer repunha. Tudo o que ele fazia era puxar a corda de sua arma e lá estava.

- Alex, tire-a daqui. Eu vou ajudar os garotos – Alice mandou.

- Mas Alice... – eu protestei, mesmo que eu nem conseguisse ficar em pé sozinha.

- Tudo bem. Você é quem está indefesa aqui. Ele é rápido. Vá com ele.

Abri a boca, mas Alexander me pegou no colo. Eu quase reclamo sobre o como estou pesada, mas percebi que provavelmente ele nem deveria sentir. Ou talvez o peso e esgotamento de meu corpo fosse algo psicológico. Provavelmente, já que Alice também não teve muitas dificuldades comigo.

- Agarre-se em mim. Não me responsabilizo se você cair por acidente – ele murmurou divertido.

Olhei para ele com raiva.

- Está realizando o seu sonho, não é Van Cruce? – provoquei agarrando seu pescoço com meus braços pesados e quase mortos.

Vi um meio sorriso sarcástico esgueirar-se por seu rosto. Ele andava muito estranho ultimamente. Muito diferente do revoltado que eu conheci. Enterrando meu rosto em seu ombro, o senti correr. Era como voar: incrível. O vento da floresta abafada ricocheteava meu corpo e bagunçava meus cabelos enquanto ele corria.

Senti quando ele virou a cabeça para trás por um breve momento. E ele parou de repente. Será que ele não conhecia a lei da inércia? Eu quase fui arremessada para longe em sua parada brusca. Mesmo que ele me carregasse feito uma princesa e suas mãos estivessem paradas atrás de meus joelhos e em minhas costas.

- Você está louco?! – briguei, sentindo-me enjoada.

- Shhhh – mandou me pondo no chão e tapando a minha boca, apoiando-me com um braço em volta de minha cintura. Dando-me sustentação.

Quis perguntar o que foi, mas ele me puxou para trás de uma árvore. “Hm, o que aconteceu com o homem devotado pela minha tia naquele momento?” pensei com maldade.

O vi se afastar levemente de mim para espiar por além do tronco da árvore. E então, no silêncio quase absoluto da mata, ouvimos algo. Um baixo rosnado e um passo de pessoa. Vi ele soltar um palavrão e, acho que se ele estivesse vivo, eu teria visto a veia do seu pescoço pulsar de apreensão.

Ele resmungou algo lentamente com uma careta. Fiz uma leitura labial e percebi que boca suja ele tinha!

Voltou a ficar encolhido comigo na árvore e quase solto um grunhido. Ele poderia soltar a minha boca e dizer o que está acontecendo. Eu estava quase ficando sem ar. Era desconfortável ficar com uma mão sobre a sua boca. Atrapalhava a respiração do nariz.

Ouvi uma leve voz desconhecida em uma língua estranha perguntar algo. Estava baixinho, mas se eu fui capaz de ouvir era por que...

Houve um ganido baixo e Alexander praguejou.

... Eles vinham para onde estávamos.

- Fique abaixada aqui – ele mandou me escorregando pela árvore. – Fique quieta e não faça nada de estúpido.

Concordei com a cabeça, perguntando-me se o lance de “ficar quieta” começava agora ou teria um “um, dois, três, já”. Satisfeito ele me deixou ali e respirou fundo. Parecia um condenado indo para a forca.

Ele se afastou e foi até o cara. Quis esgueirar-me e ver o que ele ia fazer.

- Vampiro! – o homem exclamou e atirou.

Meu Deus ele estava doido em encarar um caçador?!

Mas ao que parece, não atingiu Alexander. Não houve nenhum grunhido ou gemido da parte dele. Ele apenas riu, provavelmente ia brincar com o homem. Sem conter a curiosidade, venci o torpor de meu corpo e esgueirei-me para ver o que ele ia fazer.

Demorei em encontrá-lo, só vi um homem vestindo um casacão bege e com um chapéu muito do fora de moda com um daqueles cachorros enevoados com ele.

- O que foi? Não consegue atirar em um vampiro, caçador? – ele provocou.

Alexander estava encostado em uma árvore. Mas foram questões de segundos. O caçador se virou e atirou e ele já não estava mais ali.

- Maldito – o homem praguejou.

O riso fantasmagórico de Alexander não soou muito longe. E o mesmo apareceu como um borrão atrás do homem que empunhava a arma e lhe mordeu o pescoço com força, dilacerando a pele e a carne. O animal feroz que o acompanhava, avançou sobre o vampiro que lhe deu um soco no focinho.

No entanto, algo que eu não vi o que foi aconteceu, e o vampiro soltou o homem quase que de imediato – mesmo que ele já estivesse morto – no chão e ele recuou. Seu rosto era surpreso e dolorido.

Com a morte de seu dono, o cachorro transformou-se em neblina e vazou para longe.

- Alexander! – chamei-o assustada.

Ele teve uma convulsão.

Vampiros poderiam ter uma? Ele levou a mão ao peito e caiu trêmulo no chão. Sofrendo leves convulsões que, aos poucos, foram se intensificando. Reunindo uma pouca força que eu tinha em mim ainda, mesmo que eu sentisse meu corpo ficar cada vez mais pesado e a minha mente mais cansada, arrastei-me até ele.

Seus olhos estavam arregalados e em nada se fixavam. Seu rosto era uma mistura de muitas coisas. Susto, dor, inquietação... Seus olhos estavam opacos e em nada se fixavam. Seu corpo tremia, agora, violentamente e vi o sangue escorrer de seus lábios como se queimasse a pele.

- Alexan...

- Isabelle! – Thanatos apareceu com Alice e César. – Conseguimos despistá-los, mas precisamos ir agora! O que houve com ele?!

- Eu... Ele... O cara... – tentei explicar, mas estava com medo, assustada e confusa. Sem contar que cansada e esgotada. Completamente esgotada. Pensei que ia desmaiar a qualquer momento, e Thanatos percebeu isso, pois me pegou em seus braços.

Lastimável dizer que naquele momento, meu corpo se sucumbiu ao cansaço e desmaiei. Sentindo um estranho aperto no peito. Com medo de não mais acordar.

Notas finais
* Chacal, parece uma raposinha do deserto. Os egípicios o adoravam - vocês podem pesquisar ou se lembrar de como é a cabeça de Anúbis.
** Bem no fim da música This Is Halloween, do filme de Tim Burtton.