O Lobisomem De Liveway
5 Capítulo 4 - Tristeza em Alice.
Notas iniciais
Desculpem ficar uma semana sem postar, mas é que eu havia viajado nesse feriado e meu netbook estava quebrado, então não pude levá-lo e quando voltei, tive que esperar ele voltar do conserto. Rezando para não perder o que eu havia escevido.
Graças a deus, deu tudo certo.
E para quem é fã de Roman, o próximo capítulo será maravilhoso *-*
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Agradeço aos reviews de:
> Lilith
> Luíza Quadros
> Lucy347
> Stefany_Zanoni
> Kath Dragomir
> Yáàh Santana
> aninha cia
> Chi Ha Ru
> Hina
> Miss Yuuki
> Pollyana
> Milalasilva
> Elizabeth Marke
> Mis Whatsername
> juulia S
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Como eu estou com muita pressa, não vou poder responder aos reviews agora, mas prometo fazê-lo mais tarde.
Capítulo Quatro – Tristeza em Alice.
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Meu corpo estava relaxado e leve, tão leve que acreditei poder flutuar. No entanto, minha mente estava exausta e, minhas lembranças, distantes. Deitei-me de bruços e apertei o travesseiro com força, enterrando meu rosto em sua textura macia e cheirosa. Mas estranhei quando o senti tão sólido e magrelo.
- Tudo bem. Eu sei que sou lindo, gostoso e, também, cheiroso, mas eu apreciaria muito se você me soltasse, Bell.
Soltei-o, assustada, enquanto me perguntava quando foi que o meu travesseiro havia se transformado no meu pai. Talvez a magia estivesse fugindo de meu controle.
Ele estava bem ao meu lado, na cabeceira da cama, sorrindo com os lábios e com os olhos – de uma maneira que somente ele podia fazer. Com aquelas duas esferas azuis e brincalhonas me fitando intensamente, seus cabelos loiros parecendo uma aureola, e sua pele corada e saldável.
Sorri quando o vi ali.
Não era como se houvéssemos passado dias sem nos ver, mas eu senti saudades e ciúmes. Antes, em sua vida, era somente eu, o trabalho e poucos casinhos com mulheres que não tinham a mínima importância para ele. Agora eram eu, Thanatos, o trabalho e Meredith Nightray.
- Como você está se sentindo? – ele perguntou acariciando meus cabelos.
- Como se houvesse sido drogada – respondi e ele me olhou torto. Eu acho que ele não gostava que eu falasse algo relacionado à drogas pelo passado sombrio dele e pela ideia ultrapassada que ele tinha de bruxas e bruxarias. – Estou confusa. O que aconteceu? Como eu vim parar aqui?
- Bem... Tudo o que eu sei é que Thanatos te trouxe para casa tarde da noite. Você estava inconsciente, mas ele disse que você ia ficar bem e que só precisava descansar. Só não esperava que você dormisse por mais de um dia inteiro.
Assustei-me.
- Que dia é hoje?! – perguntei.
- Domingo; 7 horas da manhã. Acabei de voltar da rádio. Suas amigas estão desde ontem querendo falar contigo.
Meu Deus! Eu dormi tanto assim?!
O que foi que eu fiz para ficar tão...
Então eu me lembrei.
A viagem por meio da magia; a expedição à Amazônia; minha exaustiva iniciação; o ataque daqueles animais... Alexander! Meu Deus! Alexander passou mal!
Levantei-me da cama em um pulo. Sentindo-me inquieta. Thanatos deveria saber de alguma coisa. Alguma coisa sobre o estado em que o vampiro deveria estar. Eu não sei o que aconteceu com ele, mas ele parecia muito mal. Como um drogado tendo overdose. Não que eu tenha visto muito disso, mas se aprende alguma coisa vendo séries como Gossip Girl ou The O.C.
- Onde o meu guardião está? – perguntei ao papai.
Foi uma pergunta desnecessária, pois, segundos depois, Thanatos apareceu como se atravessasse da parede. Meu pai se assustou e caiu da beira de minha cama. Talvez ele ainda não houvesse se acostumado com os poderes de seu “filho”.
- Me chamou? – perguntou com sarcasmo.
Mesmo sabendo que ele, provavelmente, já sabia, perguntei:
- O que aconteceu com Alexander? Ele está bem?! Diga alguma coisa!
- Alexander? O garoto que trabalha com você? O que aconteceu? – papai perguntou.
Thanatos revirou os olhos com tanta preocupação.
- Ele está bem. Atuérpia cuidou dele assim que ele chegou. O que aconteceu foi que o homem que Alexander mordeu tinha passado uma espécie de perfume à base de alho no pescoço. Claro que a intensão dele não era a de cheirar bem, mas sim matar vampiros que tentassem lhe morder. Aconteceu que não tinha cheiro nenhum e ele o mordeu. Por isso passou mal – respondeu o guardião e acrescentou com ironia: — Mas ele está bem melhor agora... Que Alice está cuidando dele.
“Com certeza. Esse deveria ser omais perto de Alice que ele conseguiria chegar” pensei com pesar, mas com um aperto estranho no coração.
Thanatos jogou algo para mim que eu quase deixei cair no chão. Era o meu celular com vinte e três ligações perdidas e cinquenta mensagens de texto. Todas de Érika, Elizabeth e Anabeth. Meu Deus, elas não tinham nada melhor para fazer em um fim de semana, não?
Tudo bem. Admito que estou com saudades também, mas, ultimamente, elas estavam insuportáveis. Anabeth só sabia falar de Daniel, do que ele gosta, do que ele não gosta; enquanto Érika só sabia falar de Joshua e Elizabeth só falava do como eu era uma retardada por ter perdido Roman e que era por culpa minha que ele andava com o pensamento um pouco distante da turma. E, por algum motivo que eu não sei, mas suspeito, ela estava começando a ficar com raiva de mim.
Em uma festa do pijama, falávamos sobre namorados, sexo e virgindade. Coisas de garotas que não tem o que fazer.
- David bem que tentou... Mas não rolou nada entre a gente – eu comentei constrangida enquanto elas ouviam como se estivessem lendo uma revista de fofocas.
As três me olhavam como se vissem algo inédito.
- Isabelle... Você ainda é virgem? – perguntou Érika, chocada.
Eu nem precisei responder. O rubor de minhas faces falou por mim.
- Meu Deus – sussurrou Anabeth. – Não me diga que você é uma daquelas garotas românticas que só querem transar com o seu “príncipe encantado”.
Eu fiquei vermelha e assumi uma postura defensiva.
- E qual o problema? – perguntei.
- O problema é que você vai gastar a sua juventude buscando alguém que não virá – respondeu Érika revirando os olhos.
Eu gostaria de dizer que eu não via problema em ser virgem e esperar pelo cara certo. Eu gostaria de dizer que me recusar a dormir com qualquer garoto era algo mais gratificante do que transar com ele para depois ouvi-lo se gabar com os amigos e ser só mais uma de suas conquistas.
Eu não quero um “príncipe encantado”. Eu só quero um garoto que olhe para mim e não me veja apenas como um corpo bonito e uma fonte de prazer, mas que goste de mim ao menos um pouquinho e que eu goste dele o suficiente por nós dois.
Posso ser romântica, mas acredito que tudo tem o seu tempo.
E um dia, meu tempo vai chegar. E, eu espero, com o cara certo.
- Você quer parar com esse joguinho? – pediu Elizabeth, parecendo indignada. – Pare de bancar a boba pura e casta. Uma hora isso cansa.
- Eliza... – advertiu Anabeth, como se soubesse sobre o que a sua irmã ia falar.
- Eu já me cansei disso, Ana – disse sua gêmea. – Você não vê? É óbvio que ela gosta de seduzir os garotos, iludi-los com falsas esperanças e depois dispensá-los, para que eles fiquem correndo atrás dela depois. Aí ela vem com essa história de “Ninguém me ama; Ninguém me quer” – virando-se para mim, concluiu: — Uma verdadeira hipócrita.
E foi embora do quarto.
Anabeth tentou até pedir desculpas e dizer que a irmã só tinha inveja dos garotos que corriam atrás de mim, mas não funcionou e resolvi ir embora. Não queria causar um clima ruim na festa.
Depois disto, fizemos as pazes, mas eu fiquei confusa. Elas não sabiam muito sobre mim e David, o que me levou a crer que Elizabeth havia falado aquilo não pelo o meu falecido namorado, nem por Rudolph, mas por Roman.
Será que ele havia dito isso à ela? Será que ela realmente tinha inveja de mim ou será que ela... Gostava dele?
- Vou tomar um banho – suspirei. – Será que os cavalheiros querem, por favor, se retirar dos meus aposentos, obrigada.
Caminhei para o banheiro e fechei a porta a tempo de ouvir meu pai falar:
- Isabelle... Precisamos conversar sobre...
Tirei a blusa e gritei.
O que diabos era aquilo?!
Abri a porta e perguntei para o meu pai, que tapou os olhos de Thanatos no mesmo instante:
- O que é isso?!
- É o seu animal mágico – ele respondeu com um sorriso amarelo. – Marie tinha um também. Era um coelhinho bem no...
- Não sei se eu quero ouvir, obrigada – resmunguei.
Thanatos riu com malícia e começou a cantarolar:
- Coelhinho se eu fosse como tu, tirava a mão do bolso e metia no...
- Tinha que ser uma borboleta? O senhor sabe que eu tenho pavor delas! – interrompi a música obscena de meu guardião maldoso.
- Sabe que eu nunca entendi esse seu medo por elas? Até mesmo quando criança você fugia delas como o diabo foge da cruz.
O.K. Eu sempre tive medo delas. Quando Ellie, a garota que foi morta por Thanatos, viu uma borboleta, ela gritou: “Olha mamãe! Uma cor voando”, enquanto eu gritava no colo de minha empregada: “Socorro Cinhtya, uma cobra!”. O que borboletas e cobras têm em comum? Nada. Mas quem entende a cabeça de uma criança de quatro anos?
- Vou falar com Alice mais tarde – eu disse voltando para o banheiro.
Olhei para o meu reflexo no espelho e aquela marca em minha pele. Entre o vão de meus seios. Era uma borboleta delicada e medonha. Sua cabeça redonda parecia um olho cabalístico, e as antenas pareciam dois chifres afiados. Uma de suas asas era delicada e tinha formas arredondadas, enquanto a outra era afiada e perigosa.
- E depois Alice diz que bruxaria não é diabólica – resmunguei.
E quem dera que aquela fosse a única mudança. Eu sentia que algo havia mudado. Algo que era quase imperceptível aos olhos dos outros. Era impressão minha, ou os meus olhos estavam mais azuis, tanto que pareciam até lilás?
Tomei banho e troquei de roupa para algo que fosse confortável para ficar em casa e ir visitar Alice. Precisava conversar com ela, pois “Alice sabe de tudo”, certo? Comi algo que mal senti o gosto por estar morta de fome. E, quando pensei em chamar Thanatos para me acompanhar, me deparo com ele fazendo pose com o seu carro e rodando as chaves no dedo indicador.
- Vamos? – perguntou me provocando.
Resmunguei baixinho. Era injusto que Thanatos tivesse um carro e eu não. Quer dizer, ele matou muita gente e é um antipático pessimista enquanto eu sou uma “quase santa”, e ele é quem ganha o carro?
Papai me mima de muitas formas desde que ele passou a me perceber como filha. Eu sempre fico com ele em seus tempos vagos, brincamos, assistimos à televisão, ele me enche dos melhores presentes no meu aniversário, por mais que lhe doa na carteira... Mas é pedir de mais apenas um carro?! Eu nunca vi um homem tão pão duro quando se trata do meu pai.
E foi por culpa dele que eu passei a trabalhar para a minha tia como jardineira de um cemitério! Que tipo de pai é esse meu Deus?! É pedir de mais que, ao invés de Henry Malback, o guitarrista e vocalista famoso de uma juventude desviada, o Senhor tivesse me mandado para o George Clooney?
- Oh, sim, a vida é tão injusta e blá blá blá – Thanatos caçoou. – Vamos lá. Você vai morrer se não falar com a sua tia agora.
Entrei em seu Chevrolet, ainda resmungando mentalmente, e coloquei o cinto de segurança, enquanto o meu Guardião colocava um CD dos Beatles. Eu já falei o quanto eu odeio os Beatles? Pois bem, vos digo agora: Eu ODEIO os Beatles. Só não pedi para que ele jogasse aquele CD para fora do carro, porque uma coisa me chamou mais atenção.
- Thanatos... Se você é um espírito e você morreu antes... Isso significa que você teve uma vida passada... Você se lembra de algo dessa sua vida? – perguntei.
Vi que ele franziu o cenho de vagar enquanto refletia, ou se esforçava, para se lembrar de alguma coisa. Até que ele enfim, suspirasse e, com um meneio de cabeça, ele respondesse:
- Não. Eu não me lembro de muita coisa e, sempre quando eu tento me lembrar, eu sinto raiva. Não sei do quê ou de quem... Mas sinto muita raiva. – Ele desviou o olhar para mim e apertou o volante com força. – E é essa raiva que me dar o poder de controlar as sombras.
Resolvi ficar calada enquanto o som tocava umas das músicas monótonas de The Beatles. Sinceramente, preferia o som agitado de Versailles, mas nada disse. Meu pensamento deveria ser o suficiente para ele.
Ele parou na frente de uma casa que eu sabia que não era a de Alice e isso me fez encará-lo interrogativamente. A casa era em estilo gótico. Com duas pequenas torres de telhado cônico e pontudas, de telhas escuras, era muito espaçosa e suas paredes revestidas por madeiras escuras e horizontais.
- Thanatos essa não é a casa de Alice – informei-lhe descendo do carro.
- Não. Claro que não. Esta é a casa do sociopata – ele respondeu descendo de seu carro. – Eu disse que ela estava cuidando dele, não disse?
Meu guardião rumou para a porta e o vi abri-la com uma intimidade que era como se a casa fosse dele. Sem dúvida ele era um pouco afobado. Mas a aparência da casa esclarecia quase tudo, pois era como ele: Belo e assustador por fora.
- Espere só até ver por dentro – Thanatos disse lendo meus pensamentos, abrindo a porta. – Velho e maligno, como ele.
Eu quis rir mesmo que o momento não pedisse por isso, mas era verdade. Por dentro era escuro e sombrio. O clima era tenso e a atmosfera parecia fechada. A sala de estar dele era sofisticada, mas sombria e gótica. Os móveis pareciam antigos, mas bem conservados.
Alice estava na sala de estar, que era decorada com um sofá e duas poltronas vermelho escuro, lendo um livro, mesmo que parecesse muito cansada.
- E aí, bruxa de Salem?! – Thanatos se jogou no sofá de Alexander, numa intimidade que me deixou envergonhada. – Cuidando muito do vampiro mimado? Ele está “sugando a sua vida”?
Riu da própria piada. Ela suspirou e ergueu o olhar do livro para mim, sorrindo.
- Que bom te ver bem, Isabelle – disse deixando o livro de lado e me dando um abraço. – Espero que você tenha descansado bastante.
- Sim. Eu descansei. Diferente de você – comentei.
Não sei quanto tempo Alice não estava dormindo bem, mas eu percebi um leve desânimo em sua fisionomia. Não como se ela estivesse triste, mas cansada. Havia leves olheiras circundando os olhos grandes e uma palidez em sua face.
- Bem, Alex é um vampiro. O que requer que eu cuide dele de noite e de manhã eu mal consigo dormir preocupada – ela respondeu com um sorriso nostálgico.
- Por que tudo isso? Você se preocupa tanto com ele até o ponto de não conseguir dormir de dia? – perguntei preocupada.
Era muito estranho que Alice tivesse tal tipo de relação com Alexander, sendo que ela o despreza sem dó nem piedade quando ele faz suas investidas, que estão se tornando mais intensas, porém, mais raras. E eu estou começando a acreditar que ele está se conformando.
- Você não entenderia, Isabelle – ela murmurou com um suspiro triste. – Eu estou com Alexander desde... Bem, faz tempo. Ele suportou muitas coisas e eu também. Ele é quase toda a minha família, e eu sou a única família dele.
Vi a se sentar na poltrona e não pude deixar de perceber uma nota de tristeza em sua voz suave e delicada. Sentei-me na parte mais próxima dela do sofá e perguntei:
- Alice, por que você nunca se casou?
Ela riu.
- Quem disse que eu nunca me casei?
Fiquei muito surpresa, pois eu não sabia que em algum momento ela já havia se casado. Então me perguntei por que eu ainda não vi nem conheci o seu marido e porque ela nunca teve filhos. Mas fiquei com medo que ela se sentisse ofendida e realmente houvesse tido filhos que eu não conhecesse.
- Eu já fui casada e já tive uma filha – ela respondeu com um sorriso triste. – Ela não nasceu com magia, mas eu sabia que se ela quisesse eu poderia lhe ensinar alguns feitiços simples que até humanos podem aprender.
- E o que aconteceu com eles? – perguntou Thanatos por mim.
Ela ficou calada por um tempo e um suspiro sôfrego escapou por seus lábios. Seja lá qual fosse a resposta, provavelmente a feria muito. Então eu cogitei que talvez fosse melhor ela me contar quando se sentisse segura para dizer.
- Tudo bem, Alice. Não precisa responder – eu disse. – Eu só vim porque... Sei lá. Poderíamos sair das aulas teóricas para as práticas agora, não é?
Ela sorriu e concordou com a cabeça.
- Mas não hoje. Eu preciso cuidar de Alexander e acho melhor te deixar descansar um pouco – ela respondeu. – Por que você não aproveita para sair um pouco com suas amigas.
Suspirei e concordei com a cabeça.
- E como ele está? – perguntei, sentindo um tremor ao me lembrar da crise dele.
- Vai ficar bem – ela respondeu. – Atuérpia e eu fizemos uma poção que foi capaz de impedir que o composto do alho se propagasse no corpo dele, mas ele ainda está muito debilitado. Você quer vê-lo?
Estremeci. Não gostava de ver a imagem de alguém dormindo dentro de um caixão, mesmo que ele fosse um vampiro. A imagem de David, meu falecido namorado, ainda era bem vívida em minha cabeça e o suficiente para eu desejar ver algo assim novamente.
- Hm, não obrigada. Acho que vou voltar para casa e tentar dar uma lida no livro da mamãe... Estou curiosa para ver sobre o que ela escrevia – respondi com empolgação. – O que me faz lembrar, como foi que aquele símbolo de borboleta medonho apareceu no meu corpo, Alice?
Thanatos gargalhou com o tom de timidez que minha voz tomou. Ela sorriu.
- Ninguém sabe por que, mas toda a bruxa tem um animal protetor. Talvez seja pelo mesmo motivo que nós, bruxas, somos ligadas aos elementos da natureza. – Ela suspirou. – Eu sei que o seu símbolo pode parecer medonho, mas ele diz respeito à sua personalidade. O fato da cabeça de sua borboleta parecer um olho, diz respeito ao olhar amplo que você adquiriu; os chifres, à sua capacidade psíquica; a asa delicada, à sua delicadeza própria, e a asa mortal e pontiaguda, à sua capacidade de lutar.
Thanatos olhou para mim e compartilhou um pensamento comigo, de um jeito que só ele pode fazer: “Eu acho que sua tia tem algo faltando na cabeça”. Ignorei o comentário e agradeci por daquela vez não ter sido dito em voz alta, se não eu daria um soco na boca dele como há tempos venho desejando fazer.
- Bem, Isabelle, você pode ler as magias dela, mas não se esqueça de que o belo da magia é você mesma criar as suas próprias magias – avisou Alice com um sorriso.
Revirei os olhos. Eu havia ouvido isso com muita frequência desde que ela começou a me dar aulas teóricas. Acho que ela chegou a repeti-la cinco vezes em uma única aula.
- Tudo bem. Vamos Thanatos – pedi puxando meu guardião largado no sofá da casa do vampiro. – Nossa! Como você é folgado!
- Ele me deve isso. Fiquei com dor nas costas de ter de arrastá-lo até aqui – ele bufou se levantando. – Quem você acha que o trouxe para cá? Alice? O magrelo do César? Nãaao. Sobrou para o seu guardião enquanto o engraçadinho do meio-elfo se aproveitava de sua inconsciência.
Alice riu, pois isso não deveria ser verdade. César não faria isso. Não com o meu guardião tão perto dele, e nem sem ele. César não era esse tipo de garoto.
Despedi-me de Alice e desejei melhoras à Alexander, e fomos de volta para casa. Mas meu dia estava longe de ser rápido. Pois paradas na frente de casa, estavam minhas três amigas. Érika, Anabeth e Elizabeth. E para piorar, ainda estavam com Daniel e Joshua.
Sério, amiga com namorado novo é a pior coisa que existe. Principalmente quando você não tem ninguém. Por quê? Bem, porque ela fica comentado sobre coisas inúteis sobre ele, como ele se veste ou beija bem, o como ele tem uma ótima pegada, ou sobre como ele era muito bom de cama...
Coisas que dá vontade de perguntar: “Ah, tá. Quer que eu o pegue para mim? Não? Então pare de fazer propaganda para a concorrência!”.
Desci do carro com Thanatos, que eu percebi que atraía olhares de Elizabeth.
- Eu não te perdoo! – haviam exclamado as garotas quando eu o apresentei como o meu irmão gêmeo que passou uma temporada na Inglaterra. – Como você pôde ter se esquecido de nos falar sobre ele? Ou de nos apresentar a ele?!
Eu apenas me encolhi e dei de ombros, mas, pelo sorriso que se esgueirou pelo rosto do meu Guardião, ele pareceu ter gostado de ouvi-las dizer isso. Claro, homens devem gostar de ouvir as mulheres chamarem-nos de gostosos. Diferente de mim, que me sinto ofendida.
- Isabelle! Viram garotas, ela está bem. Parem de fazer melodrama – Joshua disse para as três. – Agora podemos ir cuidar de nossas vidas.
- Espere aí espertinho – Érika disse o segurando pelo braço. – Tínhamos um plano, lembra? Seu Final Fantasy XIII-2, pode esperar um pouco mais.
Ele suspirou e resmungou para Daniel:
- Não foi dessa vez. Mais tarde tentamos novamente.
Thanatos revirou os olhos enquanto eu era agarrada por Érika e Anabeth. Elizabeth ainda mantinha um clima distante, tenso e competitivo comigo. Eu não sabia qual era o problema dela, mas eu tentava não me sentir mal por isso. Não me lembrava de ter lhe dado um motivo para que ela me odiasse.
- Pensávamos que você estava nos evitando! É demais pedir para que você atendesse ao telefone?! Seu irmão disse que você não estava se sentindo muito bem e que estava de cama... Mas você simplesmente não atendeu telefone nem uma vez e nem nos vimos – disseram com excessiva preocupação.
- Desculpem. Até pouco tempo estava com uma gripe forte – respondi dando de ombros. – Mas isso não é o fim do mundo.
- Bem, mas sentimos saudades suas! E como castigo você vai ficar o dia todo conosco! – Érika exclamou agarrando o meu braço. E se virou para Thanatos, dando uma piscadela. – E o seu irmão está convidado, também, é claro.
Ele riu.
Por algum motivo, ele achava meus amigos engraçados, e eu não o culpava. Eles eram exagerados, muito apegados à mim e muito estranho. Ele gostava de ir, mesmo eu dizendo que não era preciso e que ele era capaz de sentir quando eu estava em perigo há quilômetros de distância.
- Claro, vai ser divertido – ele disse pousando a mão em meu ombro.
Os olhos delas brilharam. Por algum motivo absurdo, elas achavam que Thanatos era um cara descolado e isso as fazia idolatrarem ele. A história dele? Ele é a vergonha da família e o garoto rebelde que papai mantinha em um colégio interno na Inglaterra, até que ele foi expulso de lá e obrigado a conviver com a família.
O que elas viam nele? Claro, além dos músculos salientes, do olhar misterioso e dos cabelos lisos e negros como as penas de um corvo. Os garotos não admitiam, mas tinham muito ciúmes dele perto de suas namoradas, mas para o alívio deles, Thanatos não estava interessado nelas.
- Você já parou para pensar que todas as suas amigas são malucas?! – ele comentou depois que eu perguntei se havia algum risco de ele gostar de alguma dentre elas. – Vamos começar pela Érika... O que aquela garota quer da vida? Só bebe, vai às festas de Roman e não copia e nem estuda! Sem contar que ela é muito melodramática. Odeio garota que fica grudada nos homens. É até bom que ela esteja com Joshua, já que ele a leva para o bom caminho. Agora, as gêmeas... Onde é que elas enfiaram o pudor delas? Opa, eu acho que essa eu posso concluir por mim mesmo. – Ele gargalhou com malicia.
- Então não tem risco de eu acabar tendo que considerar uma de minhas amigas de Liveway como cunhadas? – inquiri cruzando os braços.
- Não... – Ele riu. – Eu não sei se é por eu ter algo em comum com você, mas me agrada muito mais as garotas como você.
Fiquei vermelha e ele riu.
- E posso saber qual é o itinerário? – perguntei com sarcasmo, cruzando os braços.
Érika e Anabeth riram.
- Bem, vamos fazer um piquenique no parque, não sabemos quanto à você, mas ainda não tomamos café da manhã. E depois iremos almoçar no restaurante italiano Alcapone... – Eu fiz careta. Odiava comida italiana. – Depois vamos tomar um sorvete no Cindy’s e depois vamos passar a tarde vendo roupas novas na loja da Sra. Evelyn... – Fiz uma careta de novo. – E depois vamos para o Eletric Chapel porque Anabeth tem que cobrir o turno de uma garçonete que viajou.
É... Parecia que elas haviam pensado em tudo.
- Havíamos chamado Roman para vir também, mas ele disse que já tinha o que fazer com o pai... Mesmo eu não acreditando muito – comentou Elizabeth com acidez. – Ultimamente, parece que ele anda evitando os amigos... Por que será?
- Ah, pare de inventar coisas, Eliza! – exclamou Anabeth, tentando deixar tudo mais leve para mim. Pois todo mundo sabia aquele comentário era para mim. – Acontece que o pai de Roman acabou de voltar ferido do trabalho e ele precisa da atenção e cuidado do Roman.
- Alguém aqui sabe o que o pai do Roman faz? – perguntou Thanatos e só então eu me lembrei de que ele nunca havia me dito o que ele fazia.
Todos os garotos trocaram olhares e negaram com a cabeça.
- Ele disse que nem ele sabia o que pai faz. O pai dele só lhe disse que “trabalhava para deixar o mundo mais seguro” – respondeu Joshua.
- Vai ver que ele trabalha para a CIA – comentou Érika com uma nota de bom humor. – Bem, agora vamos que eu não quero perder o dia! Hoje não está tão frio e o sol está incrível! Vamos lá.
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