O Lobisomem De Liveway

9 Capítulo 8 - Ervas Florence.


Notas iniciais
Hope You Like it~*
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> Luíza Quadros
> BelleCat
> Bolinho de Arroz - bem vinda ^ ^
...
Beijos,
EUQOPÉ-ELLE3

Capítulo Oito – Ervas Florence.

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Minha cabeça parecia que ia explodir.

Eu precisava de respostas ou acabaria ficando louca. Era triste ver um grande amigo com problemas e, mais triste ainda, era ter a própria tia escondendo coisas de você. O que será de que Alice poderia esconder de mim? Por que ela escondia algo de mim? Será que ela sabia que isso iria me magoar? Será que ela se importava?

Repreendi-me depois desse pensamento.

Caramba! Era a Alice! A mesma mulher que era a minha tia materna e que nos últimos meses mostrara paciência e compreensão comigo... Mas que também se mostrara alguém misteriosa.

Será que Atuérpia sabia de algo? Eu poderia perguntar a ela. Ou melhor, eu poderia perguntar ao César!

- Que bom que você chegou a uma conclusão! – zombou Thanatos enquanto dirigia para a escola. – Você está com a cabeça cheia de coisas desde ontem!

Sorri pedindo desculpas.

- Bem, pelo menos agora você está a par de minhas visões – ela respondeu dando de ombros. – Vou pôr César Villanueva contra a parede agora... Mas você viu aquela visão do cemitério? Alexander deve saber de alguma coisa... Disse que era um desejo enorme de Alice... Então! Se minha conversa com César não tiver resultados. Terei que pôr Alexander contra a parede.

Thanatos gargalhou e isso me deixou desconfortável. Entre risos ele perguntara com que moral e força eu iria colocar um vampiro sanguinário contra a parede! Realmente, ele tinha razão. Eu teria que preparar um armamento de tortura. Bem... Mas com que frieza eu torturaria um vampiro?

Meu Guardião inútil riu de novo enquanto estacionava o carro.

- Sabe... A ideia de você torturando Alexander me é engraçada. Quando você decidir fazê-lo, chame-me para ser a plateia – brincou o guardião.

Revirei os olhos e saí de seu carro preto.

O clima ainda estava frio e a cada dia esfriava ainda mais. Era outono, logo, seria inverno. Só de pensar na neve branca, nas árvores nuas de folhas e o céu sempre cinzento, já comecei a sentir excitação. Amava o inverno! Tanto quanto amava a primavera!

Encontrei-me com Érika e Daniel em minha primeira aula. Sorri para ambos e sentei-me perto deles. Daniel pareceu ficar um pouco rígido com minha presença, enquanto Érika agia normalmente. Perguntei-me porque será que ele parecia preocupado com alguma coisa.

- Tudo bem, cara? – perguntou Thanatos por mim.

Daniel apenas respondeu que precisava falar com Thanatos depois, a sós, e eu fiquei preocupada. Por que vi que ele olhou para mim antes de falar. Olhei para Érika e ela deu de ombros. Fingindo que não sabia de nada.

Pronto, era tudo o que me faltava! Mais segredos!

Cadê as pessoas honestas deste mundo, meu Deus?!

Na hora da troca de sala. Thanatos foi com Daniel enquanto eu fiquei sozinha, mesmo sabendo que ele me vigiava pelos pensamentos. Encontrei César no corredor e o empurrei contra o meu armário.

- Ow! Prazer revê-la também, Malback – ele disse com ironia.

- Não venha com gracinhas para cima de mim! Alice está me escondendo alguma coisa e eu quero saber o quê.

César olhou ao redor com seus olhos de cores distintas como se estivesse checando o corredor antes de me contar um segredo. Ele aproximou-se um pouco de mim e disse o que eu esperava ser algo útil:

- Você já pensou em perguntar para ela?

Fiquei com raiva e explodi.

Dei um soco no meu armário e disse:

- Não se faça de desentendido! Se ela contou algo para a sua mãe, é óbvio que você deve saber de alguma coisa! – briguei.

César desviou o olhar. Reflexivo. Ponderando se devia ou não me contar.

Céus isso era tão frustrante! Por que será que parecia que ninguém era capaz de ser sincero comigo? O que será que eu tenho de errado? Até mesmo Roman, que eu considerava ser um livro aberto, está me ignorando e escondendo coisas de mim!

- Bem... Talvez eu saiba de alguma coisa – ele respondeu, e eu fiquei muito esperançosa. – Mas você vai ter que fazer algo por mim antes que eu conte.

Franzi o cenho. O que César Villanueva poderia querer de mim?

- Em quê posso ajudá-lo? – perguntei, desconfiada.

Ele respirou fundo por um momento e segurou em minhas mãos para que eu o soltasse. Como eu estava um pouco absorta agora, o soltei e ele olhou ao redor como se analisasse todas as pessoas que observavam o nosso comportamento estranho. Eu não havia percebido, mas realmente tiveram pessoas que pararam para ouvir nossa discussão.

Ô pessoal fofoqueiro! Vão cuidar da vida de vocês cambada! Tem uma aula para assistirem agora, não têm?!

- Você se incomoda de matar a aula de história agora? – perguntou.

Minha resposta não foi precisa. César sabia de Thanatos e sabia que ele poderia anotar e passar a aula toda em minha cabeça. Como ele era capaz de colocar pensamentos em minha mente, ele também era capaz de pôr imagens. Por isso, ele nem me esperou responder para me pegar pelo pulso e me arrastar para fora do colégio.

Eu não sabia para onde iríamos – cara, eu estava matando aula com César?! -, mas estava desconfiada que fosse um lugar bem calmo. Ele me levou em seu carro. Uma picape. Não era uma picape velha, na verdade, parecia ser bem nova e era até bonita, mas isso não me preocupou.

Em um silêncio que me assustou, parece que íamos para o bairro comercial.

Resolvi aquele momento para arrancar informações.

- Então...

- Você percebeu que seus amiguinhos estão mantendo segredos de você? – perguntou desviando o olhar da estrada por um instante, para me fitar pelo rabo do olho.

- Como você...

- Sabe? – perguntou ele e sorriu sarcástico. – Bem, todo mundo da escola sabe.

- Sabe o quê?

- Que Roman vai dar uma festa e, lamento te informar, Anabelle, mas seu nome não consta na lista de convidados.

“Roman vai dar uma festa e seu nome não consta na lista de convidados”. A frase ecoava em minha cabeça como se ela estivesse oca. Como se fosse um vácuo. Como assim Roman ia dar uma festa e não me convidou?!

- Como assim Roman vai dar uma festa e não me convidou?! Isso é impossível! – briguei irritada. – Roman é o meu melhor amigo!

- Correção, moça, Roman era o seu melhor amigo – respondeu César.

Cruzei os braços e me recostei contra o seu assento confortável.

Como era possível que ele fizesse isso comigo? Mas então percebi que César tinha razão. Roman era o meu melhor amigo. Ainda ontem brigamos e ele disse que seria melhor manter distância de mim. Talvez ele tenha “cortado” nossas amizades naquele instante, já que não me dirigiu uma palavra pelo resto do dia.

- Você está chorando?! – César pareceu chocado.

Eu era alguém que chorava fácil, principalmente quando se tratava de amigos.

Mesmo que eu sentisse o arder em meus olhos e o soluço querer sair pelo meu peito, eu neguei estar chorando. Mas eu estava. Até que eu aceitei e choraminguei:

- Os últimos anos da minha vida foram uma perfeita merda. As pessoas ao meu redor morriam por culpa do Thanatos, mesmo que ele tivesse uma boa intenção... E eu me sentia culpada por isso. Depois que alguém morria eu tinha que mudar de cidade em cidade, estado em estado, país em país! Sem poder fazer amizades que me entendam e que me ajudem!

Voltei-me para César chorando e percebi sua perturbação.

- Na minha última escola, eu ficava sozinha porque meu ex-namorado havia espalhado para todo mundo que eu era uma puta soro positiva! – Continuei chorando. – Então, eu chego a uma escola onde todo mundo é legal comigo. Onde encontro pessoas que me amam e estão dispostos a me ajudar... E o que acontece?! Roman, meu melhor amigo e o único que me compreende, arma essa para mim! Corta nossas relações!

Quando eu comecei a chorar feito uma criança e levei minhas mãos ao meu rosto, César ficou ainda mais perturbado. Ele pegou um guardanapo e pediu:

- Ah, por favor, pare de drama! Recomponha-se!

Eu peguei e tentei parar chorar, mas não consegui.

- Como foi que eu me meti nessa, César?! Não posso desejar ser como era antes? Céus, eu fiz algo de errado?! – briguei comigo mesmo.

Ele respirou fundo, impaciente e estacionou o carro.

- Escute... Você não foi a única “amiga” de Roman que não foi convidada – ele respondeu com a voz dura. – Ele não convidou Alexander, como fizera da última vez, e nem Alice... Você acha que é apenas coincidência que ele tenha deixado as aberrações de Liveway do lado de fora dessa festa?

Franzi o cenho.

- O-o que você está sugerindo? – ela perguntou.

César suspirou e abriu a boca para responder, mas se conteve. Deu um sorriso sarcástico e respondeu:

- Some dois mais dois e me diga o resultado depois. Agora, vamos que o problema não é você nem Roman. Hoje, precisamos falar sobre você e eu.

Eu não comentei o quanto sua frase soou com um duplo sentido – algo como se fosse uma cantada ou como se fôssemos um casal -, e tentei me controlar. Eu sou uma garota forte. Sobrevivi quando descobri que Alexander era um vampiro, sobrevivi quando descobri que Roman era um lobisomem e sobrevivi quando me contaram que Alice é minha tia e é uma bruxa.

Eu tinha como sobreviver à rejeição de Roman para com a minha pessoa.

No entanto, não entendi o que César quis dizer com “somar dois mais dois”, mas confesso que era estranho que Roman não houvesse convidado tanto a mim quanto Alexander. Alexander não tinha virado “inimigo” de Roman, então porque o lobisomem não o convidou?

Respirei fundo, enxuguei meus olhos, mesmo que agora eles estivessem incomodamente inchados e vermelhos, e olhei para frente da loja que ele havia estacionado.

Era uma loja de facha moderna, mas discreta. Havia um enorme cartaz escrito “Ervas Florence”. Parecia um nome para uma nova droga. Havia plantas penduradas, samambaias principalmente, potes na vitrine. E percebi que se tratava de uma loja homeopática.

- Não sabia que tinha uma loja homeopática por aqui – comentei vendo-o abrir a porta para sair do carro.

- Foi aberta já há algum tempo pela família Florence – ele respondeu dando de ombros. – Por anos eles ficaram longe da cidade e voltaram há cinco anos, para abrir essa loja, mas eles não gostam de divulgar. Vamos, precisamos fazer compras.

Perguntei-me, então, como é que eles mantinham a loja, mas não comentei nada.

Saí do carro e o segui para dentro da loja.

Foi um choque para o meu corpo quando saí da rua fria e de ventos cortantes para entrar na loja abafada e quente. Tive até que tirar o meu casaco, porque parecia uma estufa. A loja era velha organizada, e quase empoeirada. Não parecia uma loja de homeopatia, mas sim uma loja esotérica. De artigos de magia.

Olhei para César, confusa, e o vi andar até o balcão como se aquela fosse a sua segunda casa, enquanto eu o segui lentamente, observando as prateleiras. Uma garota magrela estava lendo uma revista. Sues cabelos eram castanhos achocolatados, os olhos eram azuis e sua pele era branca como a minha.

— Você deveria estar na escola, César – ela disse sem sequer olhar para ele. Mas quando me viu, perguntou: — Quem é ela?

- Anne Claire Florence, esta é Anabelle Malback Franklin. Uma bruxa, como você – César apresentou.

Eu não pude conter a surpresa quando ele o disse.

Outra bruxa?

E ela nem parecia ter tão velha quanto Alice ou Atuérpia. Na verdade, eu não diria que ela era muito mais velha do que eu ou os meus amigos. Ela parecia ter por volta dos dezesseis aos dezenove anos, ainda mais porque seu rosto era um pouco doce e infantil, como o meu.

Ela também me analisava. Deixou a revista de lado e me olhou de cima a baixo, debruçando-se sobre o balcão.

- Franklin? Não sabia que a família Franklin tinha uma herdeira – ela disse surpresa. – Até onde eu sei, George foi banido da família, Jane Marie abandonou a magia e Alice teve a família morta.

Franzi o cenho. Quem era George? Espere, a família de Alice foi morta?!

- Não estamos aqui para fofocar, precisamos falar sobre negócios – César disse impaciente, colocando uma folha de papel sobre o balcão. – Você disse que precisava de uma parceira, eu consegui. O que mais falta agora?

- Espere aí! César, o que está havendo? – perguntei assustada. – Precisa de uma parceira para quê?

Ele respirou fundo e pensou em colocar por palavras o que ele precisava. Mas quem respondeu à minha pergunta foi Anne Claire:

- César quer encontrar o pai dele.