O Lobisomem De Liveway

17 Capítulo 16 - Você quer? Venha pegar.


Notas iniciais
*A PARTIR DE AGORA, O DIA DE POSTAGEM SERÁ QUARTA-FEIRA!*
Qualquer dúvida é só checar o meu perfil u.u ou manda PM

Agradeço aos reviews de:
_ Matry-chan!!
_ Lucy 347!
_ Filha da Sabedoria e do Mar!
_ Larimartins!
_Stefany_Zanoni!

Beijos,
EUQOPÉ-ELLE3

Capítulo 16 – Você quer? Venha pegar.

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Antes que as pessoas me julguem, eu preciso deixar claro que não sou, e nunca fui, do tipo de pessoa que fica questionando sobre os pensamentos mais profundos das pessoas ou dos amigos. Sempre acreditei que cada pessoa precisava ter seu espaço (motivo pelo qual me irrita tanto que Thanatos leia meus pensamentos). Bem, eu não o fazia, a menos que esses “pensamentos” começassem a atrapalhar minha vida.

Sabem, como quando uma perfeita vaca recalcada de um metro e setenta de altura insinuava constantemente que você é uma vagabunda na frente de seus amigos. Aí, a coisa tem que mudar de figura. Não concordam? Bem, é o que eu acho.

Aí, alguém tem que dar o passo inicial. Alguém tem que lutar por algum resquício de amizade... O mínimo que seja.

E foi por isso que, na hora da saída, eu esperei por Elizabeth. Encostada com muito cuidado em seu carro vermelho de segunda mão e sozinha. Não porque eu queria ter uma conversa à sós com ela, mas porque Thanatos não queria ver um “barraco de garotinhas por culpa de um garoto”. E achei melhor que fosse assim mesmo.

Acho que Anabeth e Daniel (que sempre pegavam carona com a gêmea mais velha) perceberam meu clima tenso e sério, pois logo deram meia-volta e deixou Elizabeth sozinha comigo. Ela percebeu, mas era orgulhosa demais para recuar ou demonstrar receio diante de sua “rival”. Acredito que ela me via assim.

– O que você quer? – ela perguntou com petulância.

– Conversar – eu respondi com um dar de ombros.

Queria soar meio despreocupada. Sem mágoas. Mas não era como eu me sentia.

Elizabeth revirou os olhos, provavelmente procurando por Thanatos, mas ele não estava lá. Fora tirar o carro, pois, como eu disse anteriormente, não queria presenciar uma tentativa inútil. Apesar de eu saber que ele acabaria vendo se ele lia minha mente.

– Por quê? – ela perguntou impaciente. – Estou com pressa.

– Porque é o que pessoas adultas fazem – eu respondi, com uma leve chateação. Fingir que não há nada de errado comigo e com ela é ridículo e irritante. – Mas se você não quer falar direito comigo, tudo bem, então só peço para que me escute, tá?

Ela cruzou os braços, mas não percebi a princípio. Estava olhando para o céu e pensando, escolhendo, minhas palavras de modo que soasse amiga, e não crítica.

– Se você está brava... Ou decepcionada comigo... Fale. – Eu olhei para ela e a encontrei me olhando com indiferença. Aquela indiferença de “quero arranhar a sua cara, vadia”. Mas ignorei, apesar de me deixar mais irritada. – Eu não posso ler mentes... E se você gosta de Roman... Bem... Vá atrás dele! Não perca seu tempo atrás de mim!

Minha voz não virou um grito, mas soou como um suspiro desesperado e cansado. E era assim que eu me sentia. Queria Elizabeth de volta. Aquela Elizabeth que era engraçada, sarcástica e maliciosa; e que não usasse isso contra mim. Ela, depois de Roman, foi uma das primeiras a se aproximar quando eu cheguei. E depois que você passa tanto tempo sozinha, sem amigos fixos ou certos... Você passa a dar valor a amigos como ela e os outros.

Mesmo que eu tenha uma parte que não conto a eles.

E então eu percebi que ela estava de braços cruzados. Isso é um péssimo sinal. Geralmente, significava que sua mente está fechada. Sem inclinações para discussões ou intervenções. E, como ela não descruzou os braços, ela não queria pensar no que eu havia lhe dito.

Ela se aproximou de mim. Bem perto.

– Você não sabe de nada, Malback. A única coisa que sabe, é fazer pose de boa-amiga. A amiga de todos – ela cuspiu entredentes. Então deu um riso sarcástico. – Dá para desgrudar da porta do meu carro agora ou tá difícil?

“Desista de tirar leite de pedra” Ouvi Thanatos me pedir mentalmente.

Olhei para trás dela, onde Thanatos parara o carro e agora estava me olhando com uma sobrancelha arqueada. Ele balançou com a cabeça, deixando os cabelos negros oscilarem levemente, e abriu a porta do passageiro para mim.

– Certo – eu concordei, mordendo o lábio inferior. – Nem sei porque eu tentei...

– Por que você é Anabelle Malback! – ela desdenhou. – A filha do cara superfamoso. A filha da amada Jane Marie! A garota que conseguiu fazer Roman Langerark rastejar atrás dela como nenhuma outra conseguiu! E depois de dar uma boa provada no produto veio com o papo de “somos só amigos”. Aff, Anabelle... Vá para o inferno vai! Sua pose de garotinha preocupada não me abala!

Não me dignei a responder à altura.

Eu somente dei de ombros. Não querendo que ela saiba o como suas palavras me enfureceram. Ok, eu havia entendido que ela não queria mais me ver, nem pintada de ouro, da primeira vez. Aquele fim havia sido desnecessário. Mas, como as pessoas haviam dito: “quem fala o que quer, ouve o que não quer”.

Entrei no carro de Thanatos e soltei um suspiro cansado. Vendo-a fazer o mesmo, mas enfurecida por eu não ter perdido a paciência ou a pose de “santa”.

– Não vou nem perguntar se foi inútil – ele disse com deboche.

Eu estalei a mandíbula. Estava de cabeça quente e não queria saber de piadinhas.

– Thanatos... Só dirija – eu mandei. – Vamos fazer algo útil. Vamos à loja de Anne.

Ele riu e ia arrancar o carro quando, de repente, a traseira do carro de Elizabeth bateu ao lado do seu automóvel. Não foi nada preocupante, mas o susto fez o meu coração dar um pulo olímpico no peito e olhei pela janela. Vi a gêmea sem mecha dar de ombros com um sorriso cínico nos lábios.

– Essa garota tá pedindo para morrer! – Thanatos bufou, vendo-a também.

Tratando-se dele, eu sabia que podia até ser verdade.

– Deixe-a para lá. Ela só quer a minha atenção – respondi.

Thanatos me mostrou um sorriso sarcástico, na verdade, era um sorriso que ia além do sarcástico. Era assustador. Um arrepio até percorreu pela minha espinha e eu amaldiçoei por não ser capaz de ler a sua mente.

– Se ela quer atenção... Ela conseguiu – ele disse de modo sombrio.

Ele apertou as mãos no volante e revirou os olhos até que eles ficassem brancos. Um bolo se formou na minha garganta e olhei para o carro de Elizabeth. Ela estava bem... Mas seu carro não. De repente, as sombras abaixo dele, devoraram parte de seus pneus. Grudando-os no asfalto. E duvido que, mesmo quebrando, tenha um modo de tirá-lo dali sem um guindaste.

– Ah, você não adora uma boa dose de justiça? – ele perguntou com sarcasmo, parecendo aliviado e divertido. – Olho por olho... Dente por dente... Carro por carro.

– Tecnicamente, não foi justo. Ela não tem as mesmas armas que você... – respondi com diversão.

– Tanto faz. Sei que dali ela não vai sair tão rápido – ele disse, rindo malignamente.

– Jurei que você fosse matá-la mesmo – eu lhe confessei, rindo.

– Garota, se decida... Da primeira vez que conversamos cara a cara, você queria me matar por eu matar – ele disse. – Mas, se você quiser que eu a mate, seria fácil. Acredito que basta só quebrar o pescoço dela e...

– Thanatos. Vamos! – eu o interrompi.

Ele concordou com a cabeça e acelerou para sairmos do campus escolar, deixando Elizabeth para trás com o carro estagnado sem se importar. E parte de mim, não se importou também.

...

A loja não havia mudado muita coisa, pelo menos pelo lado de fora. Porém, algo me preocupou, e à Thanatos também: ela não estava fechada. Pelo contrário. Sua porta estava bem aberta com uma viatura de polícia na fachada e um carro a paisana. Olhei para o meu guardião e ele me olhou de volta. Não seria seguro tentar entrar.

– Deveríamos dar uma checada – eu sugeri.

Ele negou com a cabeça.

– Isso pode ser perigoso... É melhor voltarmos outra hora – ele propôs.

Eu olhei novamente e mordi o lábio inferior. De repente, Thanatos se abaixou no banco e desligou o carro. Puxou-me para que eu me deitasse também. Minhas costas doeram, pois fiquei com a cabeça e a coluna numa posição desfavorável, mas aguentei. Ele não faria isso por diversão e havia algo em sua expressão que estava longe do sarcasmo ou deboche.

– O que foi? – eu perguntei para ele. – Você está vendo alguma coisa?

Ele concordou com a cabeça e estreitou os olhos.

Ia perguntar o que ele estava vendo quando uma imagem foi enviada à minha mente.

Eu vi Sean saindo da loja de Anne, acompanhado de um policial. Não éramos capazes de ouvir o que eles estão dizendo, mas percebi que ele estava sorrindo amigavelmente. Parecia que os dois eram amigos. Estranho. Teriam os caçadores alguma espécie de ligação entre policiais? Alguém que lhes avisava quando algo estranho acontecia?

No entanto, de repente, o homem põe a mão no ombro do policial e desliza ela para mais perto de seu pescoço. Isso me pareceu algo estranho. Ele emitiu uma pressão ali, como se apertasse alguma espécie de botão em um ser humano e massageou repetidamente, de repente, o policial ficou tenso e com os olhos perdidos. Sean se aproximou dele e murmurou algo em seu ouvido.

Seus lábios se mexeram lentamente... Como se estivesse sendo claro.

Depois ele se afastou e tirou a mão do ombro dele.

O homem continuou com o olhar perdido. Ele disse algo bem-humorado e abriu a porta da viatura. O policial entrou no carro, sem dizer nada, e logo adormeceu. Não com naturalidade, mas como se... Estivesse “programado” para fazer.

Um sorriso malicioso brincou nos olhos de “Trevor”.

Ele ajeitou suas roupas, virando-se em direção ao nosso carro, o que fez Thanatos se abaixar ainda mais, porém, ele só abriu o casaco (revelando um caderno de aspecto antigo em um dos bolsos) e o fechou com cuidado. Entrou em seu carro e saiu. Sem nos perceber, eu espero.

Voltei para o meu lugar.

– Isso foi estranho – eu disse.

Thanatos concordou com a cabeça.

– Aquele cara parecia... Estar... Sei lá... Hipnotizando o policial – meu Guardião concordou comigo, parecia taciturno.

Eu engoli em seco e abaixei meu olhar. Já ouvira meu pai me falar de algo parecido... Qual era o nome?

– Letargia! – eu me lembrei, e olhei para Thanatos. Ele estava confuso. – Meu pai me disse que há um tempo, quando ele começou na carreira da música, ele se encontrou com um hipnotizador que fora formado em medicina e voltara de um seminário sobre “letargia”. Ele e os outros membros, mais por curiosidade e diversão, resolveram tentar experimentar e foi como se eles houvessem sido hipnotizados... Mas eles não se lembravam daquilo que eles faziam quando “acordavam”. Mamãe ficou fula da vida porque ele sumiu por três dias e sem explicações!

Meu Guardião deu um meio sorriso, mas ele estava tenso.

– Isso explica algumas coisas... Ele provavelmente veio aqui para pesquisar sobre a vida de Anne... Mas como ele conseguiu encontrar a loja dela com tamanha rapidez? – perguntou-se.

– Aqui é uma cidade pequena... É só ele descrever a aparência das pessoas que procura que qualquer um pode lhe dar a resposta – eu comentei dando de ombros. – Mas confesso que eu estou receosa também. Deveríamos tentar pegar, seja lá o que Anne tiver deixado para mim, e irmos embora. Vamos falar com Alice sobre isso e ela comunicará aos três.

Ele concordou com a cabeça.

– Vamos rápido. Aproveitando que o policial está adormecido ainda – ele sugeriu.

Concordei com a cabeça e saímos do carro. Corremos até a porta de vidro da loja e a abrimos. Sorri por não estar trancada. Thanatos entrou primeiro e olhamos para as prateleiras quase vazias, estava com cara de algo que havia sido esvaziado às pressas, pois ainda havia poucas coisas (inúteis) por lá.

Seguimos pelo balcão, onde eu me lembrei de tê-la encontrada sentada lá ainda ontem, e seguimos pela porta que ficava atrás deste. Tudo lá estava tão bagunçado e de aparência tão urgente quanto a parte da frente. Abri o armário e...

Nada.

Não havia nada ali, além de papéis velhos e coisas inúteis como tesouras, papelões... Tentei até procurar um fundo falso, mas não tinha. Soltei um suspiro frustrado. Não havia nada. Nenhum cadeado, nem nada mágico, nem nada que quisesse devorar o meu braço se eu não estivesse com um maldito galho de oliveira.

Olhei para Thanatos, atrás de mim.

O lugar era tão apertado que não dava para ele ficar ao meu lado.

– Calma, não se desespere... – ele me pediu. – Deve estar em algum lugar. No chão?

Apesar de saber que não estava lá. Olhei para os meus pés. Não havia nada além das folhas que eu jogara ou das coisas que eu atirara ali. Minha respiração estava ofegante. A ideia dessa “coisa” ter sumido logo depois de Trevor-Sean estar aqui era aterrorizante.

De repente me lembrei de algo... Algo que me passou despercebido.

Um sorriso malicioso brincara nos olhos de Trevor.

Ele ajeitara as suas roupas e abrira o casaco... Revelara um caderno de aspecto antigo em um dos bolsos... Será que ele realmente não nos vira? Seu gesto... Foi como se dissesse...

– “Você quer isso? Venha pegar” – Thanatos completou por mim.

Olhei para o meu guardião. Agora havia pânico em meus olhos.

Ele me fitava também, mas estava surpreso. Estupefato, na verdade.

– Ele é um cachorro filho da puta. Ele sabia que estávamos aqui... Ele sabe que nós não somos humanos, Bell! Ele é falso... Duas vezes falso! Uma por mentir o nome, e duas por mentir sobre o que sabe! – ele murmurou para mim. Eu concordei com a cabeça. – Tá, mas então por que ele não nos pegou ainda? Isso não tem sentido... O que ele está pensando?!

Thanatos estava bravo.

Eu dei de ombros. Respirei fundo, tentando ficar calma. Eu precisava ficar calma para pensar... Eu precisava... Precisava, muito, meditar com uma pedra de ametista. Nunca o fizera, mas sabia que ajudava a abrir a mente.

Mas, então, como se tudo fosse claro... A resposta me veio à mente.

– Ele nos quer na festa de Roman.

Meu Guardião grunhiu. Raivoso, estupefato...

– Ele provavelmente está armando uma armadilha para nós lá! Por isso nós não iremos, Bell. Ouviu-me? Não iremos! – ele grunhiu. – Ele não vai saber como abrir aquele cadeado. Não há perigo real se ele não abrir...

Eu neguei com a cabeça. Estava atordoada.

– Eu preciso ir, Than! – exclamei assustada. – Se ele quisesse nos matar já teria feito quando nos encontramos perto do cemitério! Não havia ninguém lá! Algo me diz... Me diz que... Ele quer nos dizer alguma coisa...

– Bell! Não seja estúpida... Esse cara não quer nada além de te queimar numa fogueira! – ele esbravejou.

Eu fechei os olhos por um momento e me encostei ao armário dos fundos. Cobri meu rosto com as mãos e respirei fundo. Se eu soubesse ao menos o que ele queria... Hm... Tive uma ideia. Apesar de não saber seu estava pronta para ela.

– Vamos para casa – eu pedi. – Preciso consultar a minha bola de cristal.