O Lobisomem De Liveway

14 Capítulo 13 - Itens Mágicos.


Notas iniciais
*Tira o pó do arquivo e as teias de aranhas que já até criaram família...*
Oláaaa gente!
Olha quem voltou depois de tanto tempo que muitos já até se esqueceram de mim (sempre se esquecem), mas tudo bem. Gostaria de, primeiramente, pedir desculpas por TANTA demora, espero que vocês tenham lido o aviso qeu eu deixei para vocês no capítulo passado. Ou melhor, qeu eu mandei o Alex deixar para vocês (foi ideia do meu amigo para "amansar as feras").
Realmente, eu estava MUITO mal e espero que vocês me perdoem. Desde o primeiro ano, eu tenho ouvido as pessoas falarem de vestibular, vestibular, vestibular... e eu sou alguém que não trabalha bem sob pressão.
Espero que vocês possam me perdoar e que gostem desse capítulo que eu fiz para voces com muito amor e carinho.
Beijos,
EUQOPÉ-ELLE3

Capítulo Treze – Itens Mágicos.

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Roman, meu melhor amigo, estava em perigo. E eu nada podia fazer para ajudá-lo. Era algo desesperador para mim, alguém que lhe devia tanto. Fazendo coisas tão simples, ele me deixou com uma dívida enorme.

Para começar, se não fosse por ele, eu duvido que fosse capaz de me abrir com os outros e de conseguir esses maravilhosos amigos. Esta pode ser uma ilusão minha, mas acredito que eles estarão lá para todas as horas. Para sempre que eu precisar.

Teve, também, o apoio que ele me deu quando meu mundo parecia querer se desmoronar. Quando alguém morreu por minha culpa e quando descobri que, na verdade, minha mãe era uma bruxa que morreu para me salvar e Alice era a sua irmã. Minha tia.

E eu nada podia fazer para salvá-lo?

Até quando Alice me levou para a sua sala, eu não havia me acalmado. Ou melhor, eu não havia aceitado que eu estava de mãos e pés atados. Sempre me falaram que "cada problema, tem uma solução".

- Sei que é difícil para você, Anabelle — Alice disse como se interpretasse meu silêncio. — Mas você não pode simplesmente invadir a casa de Roman e matar o pai dele. É a única família que ele tem.

Olhei para Alice, percebendo o quanto ela estava certa!

Eu realmente não podia fazer nada por Roman... Ainda.

- O que você está mexendo aí? — perguntei para mudar de assunto.

Eu precisava pensar em outras coisas. Concentrar-me em tudo... Menos que Roman precisava de mim. Pelo menos eu acreditava que ele precisava.

Percebi que desde que Alice entrara em sua sala, ela não parara de mexer em sua estante. Como se estivesse procurando alguma coisa, que eu duvidava se tratar de uma solução para os problemas de Roman. Ela mexia em cima, ela mexia em baixo... E nada de encontrar seja lá o que a bruxa procurava.

- Procurando uma coisa... Que eu comprei para você! – ela respondeu com um sorriso sincero. – Mas... Eu não encontro.

Eu sorri de volta para ela e me levantei da cadeira.

- Então deixa eu te ajudar a procurar! – Levantei-me da cadeira e gesticulei para a escrivaninha bagunçada de Alice: — Não está por aqui? No meio desta bagunça toda?

Ela olhou para a mesa e sorriu envergonhada.

Andou até lá e começou a remexer sobre os papéis, os livros e um bando de “bagulho” que somente serviam para entulhar tudo, ajudei-a e aproveitei para organizar tudo. Secretamente, me perguntei como alguém que parecia tão educada e refinada poderia trabalhar naquele lugar confuso. Não me lembro de ter visto tudo daquele jeito na primeira vez que vim.

Empilhei os livros, guardei os papéis avulsos em uma pasta... E Alice soltou uma exclamação.

- Ah! Está aqui! – Ela avisou se aproximando de mim com um sorriso reluzente.

Em suas mãos estava... Sei lá, uma embalagem escura. Parecia uma bolsa cheia de coisas, mas duvido que ela guardasse maquiagem lá dentro. Além disso, ainda era meio feinha e era de couro preto. Apesar de ter um aspecto duvidoso – e eu acreditei que Alice poderia ter um gosto melhor – eu não pude evitar em pensar no que poderia ter ali. Parecia ser algo que a deixava orgulhosa e ao mesmo tempo temerosa com minha reação.

Ela estendeu para mim.

- Eu deveria ter te entregado isso antes... Mas o correio atrasou – ela disse em tom de desculpas, entregando-me o estojo. – Bem, de todo jeito, antes tarde do que nunca, certo?

Peguei com certa relutância e desenrolei sobre a mesa.

Meu queixo caiu em choque!

O que era aquilo?! O que ela pretendia me dando aquilo?! Fazer-me virar uma psicopata?!

Dentro daquele estojo, tinha facas! Vários tipos delas! Tinha uma faca com dois gumes, de cabo preto grosseiro, havia outra faca parecida, só que de cabo branco, um pequeno cálice de bronze, a bola de cristal que eu usara da última vez com Alice e... Uma vareta de madeira com o cabo de prata!

Não brinca!

- Alice... Isso...

- É um kit de itens mágicos – ela explicou concordando com a cabeça e um sorriso resplandecente. – E será somente seu.

Observei tudo com uma curiosidade que talvez não me fosse comum. Sim, havia várias coisas ali, mas somente algumas eu reconhecia. Eu não fazia ideia para o que serviria aquele cálice estranho ou para quê de tantas facas (coisas que me davam arrepios), no entanto, eu reconheci somente aquela vareta.

- Não brinca! – disse pegando-a e a analisando. – Uma varinha mágica?!

Alice riu, constrangida.

- Eu deveria ter lhe dado uma assim que houvesse iniciado. Eu sei. Mas é que, com essa nova situação de “caça às bruxas”, nós acreditamos que quanto mais nos adaptarmos às normalidades da vida humana, mais fácil se torna para nos escondermos. E humanos normais não andam por aí com uma vareta e lançando magias – ela discursou.

Olhei para Alice percebendo o seu olhar baixo. Era óbvio que falar sobre os caçadores mexia com ela, de um modo que eu ainda não compreendo. Talvez fosse porque minha mãe, sua irmã, havia sido assassinada por eles.

- Se eu houvesse te dado isso antes, nossa luta na Amazônia poderia ter sido mais fácil – ela comentou com um suspiro. – Eu poderia ensiná-la a voar com uma vassoura, mas aí já é pedir para ser queimada na fogueira.

Eu ri.

- Por este motivo... – ela andou até mim e pousou as mãos em meus ombros. – Sugiro que use magias e “artifícios mágicos” somente entre as quatro paredes de sua casa. Fui clara?

Fitei seu olhar intenso e concordei com a cabeça.

- E você vai me ensinar a usar tudo isso? – perguntei.

- Ora, mas é claro! – respondeu quase ultrajada. – Sou sua instrutora até segunda ordem! E vou começar a lhe ensinar para o que serve cada uma desses instrumentos.

Ela se posicionou a minha frente e pegou um lenço em seu bolso. Com a mão coberta por ele, primeiramente pegou a faca afiada e pavorosa de cabo preto e de dois gumes. Passando-me em seguida.

- Esta faca, é chamada de Athame e preste atenção Anabelle que o que eu vou te ensinar é muito importante. O Athame é uma faca que deve ser usada apenas com propósitos ritualísticos. É um instrumento do elemento ar e é usado para abrir ou fechar um círculo mágico, para canalizar a energia em determinado local. Não deve ser nunca usado para cortar coisas ou fazer desenhos com sangues.

Eu engulo em seco.

- Desenhos... Com sangues? — perguntei.

Ela me olhou e entendeu o meu medo. Bem, o que eu posso fazer? Sangue é uma palavra que causa arrepios em qualquer pessoa, não é? Quando falam em sangue você pensa em tudo: assassinatos, serial killers, balas perdidas, cortes, vampiros... Alexander! Você nunca pensa em algo como: doação de sangue, vida, solidariedade...

- Não se preocupe, não é como se nós fôssemos matar alguma coisa – ela disse rindo. — Desenhos com sangue já nem são mais usados... Mesmo assim, para o caso de você precisar, eu recomendo que tenha uma boa relação com o açougueiro.

Acho que foi uma piada, por isso eu dei um riso nervoso.

- Claro – eu disse desconfortável.

- Bem, de todo modo, o athame deve ser consagrado no momento em que a bruxa é iniciada, e deve ser usado apenas por você. Então nunca use o athame de alguém ou que não seja o seu. Se você o perder, trate de pedir outro.

Eu concordo com a cabeça e pego a outra faca parecida, só que de cabo branco.

- Então me explique uma coisa. Se eu não vou matar nada, porque eu preciso de duas facas? Eu poderia muito bem ficar com só com o athame, que já é muito assustador...

Ela riu.

- Bem, porque as duas facas são muito diferentes uma da outra. Essa faca de cabo branco é chamada de Bolline. Essa é a que você deve utilizar para cortar madeiras, ervas... Seu cabo é branco para distinguir do athame ritualístico.

- O. K. Acho que eu entendi – eu disse, ainda sentindo uma inquietação no peito. — Próximo item, por favor.

Alice sorriu e puxou a bola de cristal.

- Acho que você deve saber o que é isso – ela disse me passando com cuidado.

Fiz uma cara de desgosto ao me lembrar do que aquilo fez comigo. Eu paguei o mico do século na frente de Alexander! E ainda havia visto imagens das quais eu, até agora, não fui capaz de entender direito e que só serviram para me deixar inquieta.

- Ah, se lembro – resmunguei passando para o próximo.

Coloquei a bola no apoio e puxei outro item de dentro da bolsa. O cálice de bronze.

- Para quê eu vou precisar disso? — perguntei.

- Bem... Ele é de elemento água e representa a deusa e a fertilidade. Ele pode ser feito de qualquer material e é usado nos rituais com o propósito de guardar água ou outra bebida durante os rituais. É com o cálice que se compartilha as bebidas ritualísticas entre irmãos de arte e também guarda a bebida oferecida à Deusa e ao Deus.

Olhei para Alice e depois para o cálice.

- Dividir a bebida? Irmãos de arte? — perguntei achando graça.

- É... Hm... Outros bruxos – ela respondeu. — Antigamente, era comum se praticar magia com outros colegas de magia. Mas, atualmente...

Aparece pesar em seu rosto enquanto ela fala.

- Entendi – eu a interrompo.

Não precisa ser um grande gênio para entender que Alice não gostava de falar sobre o mundo atual. Caramba, eu queria ter nascido há muito tempo, assim poderia descobrir de que mundo era esse que ela falava. Quer dizer, deveria ser maravilhoso você encontrar mais bruxos ao seu redor do que precisar lutar para encontrar outro semelhante.

Sem contar que você poderia fazer mais magia antigamente do que hoje em dia. Sem se preocupar se acabaria sendo morta ou caçada.

- Eu gostaria de fazer uma magia em conjunto com você – eu disse para titia.

Ela sorriu para mim.

- Podemos fazer hoje – ela respondeu. — Mas antes, eu vou te dar uma última introdução sobre outro instrumento importante: a varinha mágica.

Eu peguei lá de dentro e sorri.

- Ah, mas eu sei para que isso serve – eu respondi. — Vi todos os filmes de Harry Potter. É só girar e sacudir e... Wingardium Leviosa!

Para a minha grande surpresa, nada flutuou. Mas não posso dizer também que nada aconteceu. Do nada, e eu digo do nada mesmo, uma ventania invadiu a sala de Alice – que estava de janelas fechadas – e bagunçou tudo. Cadernos e folhas voaram em todos os lados como se de repente um furacão estivesse lá dentro, a cadeira e a mesa de Alice arredou contra a parede com violência, tal qual seu armário e o espelho.

E de repente tudo pegou fogo. Tudo mesmo: desde a sua mesa e até o espelho.

Deixando Alice e eu presas em um círculo de fogo.

Eu não acreditei no que eu havia feito.

Ela abaixou a minha mão com a varinha gentilmente.

- Bem... Um pouco diferente de Harry Potter, não é? — ela perguntou rindo.

Eu engoli em seco. Sua sala estava uma bagunça e em chamas por minha causa, mas não havia nenhum sinal de que ela estava furiosa comigo. Na verdade ela estava muito calma como se esperasse que algo assim acontecesse.

Ela ergueu as mãos como se fosse a Tempestade de X-Men e disse:

- Nevasca!

Se eu achei que aquele redemoinho que pôs fogo em tudo veio “do nada”. Imaginem então quando de repente apareceu uma nuvem cinzenta no teto da sala de Alice neve fria caiu. Mas, como não estava tão frio lá dentro, a neve se transformou em chuva. E começou a chover... Dentro da minúscula sala de Alice. Extinguindo com o fogo.

É... Quem precisa de sprinklers quando pode fazer chover dentro de casa?

- Isso é incrível – eu disse, sentindo gotas gélidas de chuva caírem sobre mim.

Ela abaixou os braços e disse:

- A varinha é um instrumento de invocação. Usado para dirigir energias, desenhar símbolos mágicos, mexer coisas no caldeirão e até mesmo para invocar um Deus ou uma Deusa... É um instrumento de elemento fogo – ela explicou.

- Então eu... Invoquei uma espécie furacão flamejante para a sua sala? — eu perguntei extremamente surpresa, e depois culpada. — Sinto muito!

- Tudo bem – ela suspirou. — Vamos com mais calma, está bem? Acho melhor termos o resto da nossa aula no cemitério. Não poderemos ter aula nenhuma aqui dentro...

Eu concordei com a cabeça, com medo de que acabasse arruinando mais alguma coisa ali enquanto eu sentia a mão delicada de Alice pousar no meu ombro e me conduzir para fora da sala completamente bagunçada. Provavelmente foi assim que a Vampira do X-Men se sentiu no momento em que se esbarrou com aquele cara e quase o matou... Como se fosse uma aberração feita para matar qualquer coisa que se aproximar.

Quando saímos da sala dela, encontramos Alexander, literalmente, parecendo um morcego cego, desorientado e fraco, mas alerta. Provavelmente sentira que algo estava se passando no escritório de Alice e ficou alarmado. Bem diferente do meu guardião que se divertia bastante com o estado enfraquecido do vampiro.

No entanto, eu senti pena... Era estranho vê-lo debilitado.

- O que aconteceu? Vocês estão bem? – ele perguntou preocupado, olhando primeiro para Alice e depois para mim. Nos analisando de cima a abaixo.

Eu corei, sentindo-me idiota por ter conseguido incendiar a sala da minha tia.

- Estamos bem, Alex. Foi só um pequeno acidente... Coisas de bruxas – Alice respondeu pacientemente, passando a mão por meus cabelos.

Fiquei feliz por ele não ter me lançado nenhum olhar feio por tê-lo preocupado por nada. Mas Thanatos me lançou um olhar debochado, apesar de eu não me acusar nem nada. Ah, mas eu podia sentir seus comentários maldosos sendo guardados para mais tarde.

- Vamos treinar lá fora, Bell – Alice propôs. – Thanatos, eu apreciaria muito se você aceitasse limpar a minha sala...

- Você tá brincando, né? – ele perguntou incrédulo.

O rosto sério de Alice e o riso engasgado do vampiro eram as respostas dele: era sério. E isso fez com que ele bufasse irritado.

- Juro que às vezes eu sinto falta de quando eu não era “domesticado”. Eu só fazia bagunça e a limpeza ficava com a Belle — ele resmungou indo para a sala de Alice. Então, ele exclamou ao ver o desastre: — Θεέ μου! Ορκίζομαι ότι θα σε σκοτώσω, Anabelle Malback!

Nem eu, nem Alice e nem Alexander entendemos o que ele disse ou que língua estranha era aquela. Por isso, trocamos olhares confusos.

- Que que ele disse? – perguntei.

- Parecia ser outra língua – Alice comentou pensativa.

- Era grego – Alexander respondeu sério, olhando para a porta da sala de Alice. – Você sabe falar grego, Anabelle?

Eu neguei com a cabeça e abaixei o olhar por um instante, perguntando-me desde quando Thanatos sabia falar grego? Se eu não sabia como é que ele iria saber? E ainda tinha aquele fascínio dele por nozes...

“Você anda muito estranho... Primeiro tem uma paixão por nozes e agora falar línguas estranhas” pensei esperando por uma resposta sarcástica.

... Mas ela não veio.

- Tem alguma coisa estranha entre vocês, Anabelle? – perguntou Alice com um olhar analisador. – Parece muito estranho que um guardião não consiga sentir sua protegida.

Dei de ombros.

- Fora o fato dele ter adquirido uma paixão por nozes recentemente... – eu cruzei os braços e dei de ombros novamente.

- Bem... pesquisaremos sobre isso mais tarde – Alice disse, tentando me fazer voltar ao foco inicial. – Vamos lá para fora. Não está tão frio a ponto de eu não conseguir te ensinar o básico da magia com a varinha. Vamos usá-la de modo correto desta vez.

Ela passou o braço por sobre os meus ombros e me levou para fora do mausoléu. Realmente, apesar de estarmos no outono, não estava muito frio lá fora a ponto de ficar insuportável. Mesmo assim, não pude deixar de pensar da água fria em que eu caíra naquele momento em que fomos atacados pelo caçador.

Alexander ficou um tempo lá dentro, reflexivamente, fitando a porta pela qual Thanatos passara, antes de nos seguir para fora também.

Acabamos novamente numa parte sem muitas vegetações, e com um bom espaço aberto. O vampiro se sentou no pedestal de alguma estátua de anjo e cruzou as pernas, sem poder esconder a diversão que iria ser ao me ver treinar magia pela primeira vez. Uma bruxa descoordenada seria muito divertido para ele.

Ela jogou o estojo cheio daqueles itens para mim.

- Vamos começar com o simples – ela sugeriu me passando o estojo. – Pegue a varinha. Vou te ensinar a se defender hoje, garota.

Eu olhei para Alexander, querendo que ele me dissesse o que ela pretendia com aquilo, mas havia apenas um sorriso maldoso em seu rosto. E, quando eu peguei a minha varinha e me voltei para Alice... ela estava com um sorriso parecido no rosto dela.