O Legado do Tabuleiro

10 O Jogo das Sombras em Hamptons



​A imensa SUV preta da família cortava a rodovia em direção a Hamptons, carregada com todas as malas e com o silêncio pesado dos quatro adultos nos bancos da frente. James e Garret revezavam-se no volante, enquanto Hope e Sofia conversavam sobre a organização dos quartos da casa de praia. Graças à configuração de três fileiras de assentos, a última fileira ficou inteiramente destinada aos dois mais jovens. Confinados naquele espaço reduzido, cercados pelo barulho do motor e pela falsa segurança de que os pais estavam focados na estrada, o verdadeiro perigo começou.

​Maya tentava manter os olhos fixos na janela, mas a proximidade física de Thomas era esmagadora. Ele estava esparramado, com os joelhos longos quase tocando os dela. A viagem inteira tornou-se um teste de resistência psicológica. Thomas não usava palavras; ele jogava com o toque.

​Aproveitando um momento em que a estrada ficou mais sinuosa e todos na frente se distraíram com o GPS, a mão de Thomas deslizou lentamente pelo banco de couro. Seus dedos quentes tocaram o joelho descoberto de Maya, subindo milimetricamente pela barra do seu short de linho. Maya congelou, sua respiração travando instantaneamente. Ela olhou para ele, com os olhos arregalados em um aviso mudo, mas Thomas apenas sustentou o olhar com um sorriso cínico e desafiador. A palma da mão dele subiu pela parte interna de sua coxa, os dedos pressionando a pele macia com uma lentidão torturante. Maya prendeu o lábio inferior entre os dentes, sentindo uma onda de calor rasgar seu corpo enquanto tentava não emitir um único som que pudesse alertar os pais no banco da frente. Foi uma viagem absurdamente intensa, onde cada quilômetro parecia uma eternidade de provocação e desejo contido no escuro da última fileira.

​A Chegada e o Almoço de Fachada

​Quando o carro finalmente estacionou em frente à imensa propriedade de veraneio em Hamptons — uma mansão colonial deslumbrante com vista direta para o oceano —, a tensão era quase visível. Maya desceu do carro rapidamente, tentando recuperar o ar e o controle de seus próprios sentidos, enquanto Thomas exibia uma calma irritante ao carregar as bagagens para dentro.

​O almoço foi servido na varanda gourmet, com o som das ondas do mar quebrando ao fundo. O prato principal era frutos do mar, acompanhado de vinho branco para os adultos.

​— A viagem foi tranquila, não foi, crianças? — Sofia perguntou, servindo-se de salada, enquanto olhava para os dois na ponta da mesa.

​Maya limpou os lábios com o guardanapo, as mãos ainda levemente trêmulas pelo que acontecera no carro.

​— Foi... perfeitamente normal, mãe. Só um pouco cansativa — ela respondeu, forçando uma voz firme, sem olhar na direção de Thomas.

​— É, a estrada estava boa — Thomas completou, pegando o copo de suco. Sob a mesa, no entanto, seu pé direito moveu-se lentamente, roçando o tornozelo de Maya com uma pressão firme, fazendo-a quase engasgar com a comida. Ele continuou mastigando como se nada estivesse acontecendo. — Acho que o final de semana vai ser muito produtivo para a família.

​James e Garret trocaram um olhar rápido e analítico. Eles não disseram nada, mas a vigilância sobre os dois herdeiros estava mais alta do que nunca. O almoço seguiu com conversas corporativas sobre o fechamento dos fundos de investimento, enquanto Maya contava os minutos para poder se trancar em seu quarto.

​A Noite em Chamas

​A escuridão caiu sobre Hamptons, trazendo o som alto do vento e do mar. Todos na casa já haviam se recolhido para seus respectivos quartos após um dia longo. Maya estava em seu quarto de hóspedes, vestindo apenas uma camisola curta de seda preta, tentando acalmar a mente lendo algumas páginas em seu tablet. O calor da noite parecia sufocante.

​De repente, o som quase imperceptível da maçaneta girando quebrou o silêncio.

​A porta se abriu e Thomas entrou. Ele vestia apenas uma calça de moletom cinza baixa no quadril, deixando todo o seu peito musculoso e definido à mostra. Mas, ao contrário das outras vezes, Thomas não deixou a porta encostada. Ele girou a chave com precisão e empurrou o trinco interno. O som seco da porta sendo trancada ecoou pelo quarto como um aviso de que, desta vez, não haveria fuga.

​— Thomas... o que você pensa que está fazendo? — Maya sussurrou, sentando-se na cama de sobressalto, o coração disparando instantaneamente. — Meus pais estão no corredor ao lado. Se eles ouvirem...

​— Eles estão dormindo, Maya — Thomas cortou, a voz absurdamente grossa, rouca e determinada. Ele caminhou até a cama com passos lentos e predatórios, os olhos escuros cravados nela. — Eu cansei de brincar de esconder. Cansei do carro, cansei da cozinha, cansei de ver você fingindo que não me quer.

​Ele subiu na cama de casal, ajoelhando-se entre as pernas dela antes que Maya pudesse reagir. A presença física dele era massiva, o cheiro de sua pele invadindo os sentidos dela de forma avassaladora. Thomas segurou os pulsos de Maya com uma das mãos, prendendo-os acima da cabeça dela contra os travesseiros, enquanto a outra mão subia pelo seu pescoço, forçando-a a olhar para ele.

​— Você me deixa louco, Styles. Sabia disso? — ele sussurrou contra os lábios dela, a respiração quente queimando a pele de Maya. — Essa sua pose de controlada só me dá mais vontade de desarmar você por completo.

​— Thomas... por favor... — ela tentou protestar, mas o som saiu como um gemido fraco quando ele inclinou o rosto e a beijou com uma ferocidade implacável.

​Foi um beijo explícito, profundo e quente, desprovido de qualquer hesitação. A língua de Thomas invadiu a boca dela com dominância, travando uma batalha voraz com a dela. Maya arqueou as costas contra o colchão, entregando-se completamente ao desejo que a consumia há meses. Ela conseguiu soltar as mãos do aperto dele e as cravou nas costas nuas de Thomas, arranhando a pele firme enquanto sentia os músculos dele se contraírem sob seus dedos.

​Thomas desceu os beijos pela linha do maxilar dela, mordendo de leve a pele sensível de seu pescoço, arrancando um suspiro agudo de Maya que foi abafado pelo som do mar lá fora. A mão dele deslizou com urgência pela seda da camisola, subindo pelas suas coxas até encontrar a pele quente de sua cintura, apertando-a com força, puxando o corpo dela para colar contra o dele. O contato era elétrico; Maya conseguia sentir a rigidez do corpo dele pressionada contra o seu através do tecido fino do moletom, entregando a intensidade do desejo dele.

​Ele subiu a camisola de seda até a altura dos seios dela, suas mãos grandes e quentes mapeando cada centímetro da pele de Maya com uma possessividade que a fazia arfar. O quarto parecia estar pegando fogo. Thomas voltou a fustigar os lábios dela com beijos molhados e pesados, enquanto seus corpos se moviam em um ritmo torturante e necessitado sobre os lençóis desalinhados.

​— Eu quero você, Maya. Eu vou ter você — ele murmurou contra a boca dela, a voz trêmula pelo esforço de não perder o controle total ali mesmo.

​Maya puxou o cabelo dele com força, trazendo-o ainda mais para perto, as pernas dela envolvendo a cintura dele por puro instinto, buscando mais contato, mais calor. Eles estavam à beira do abismo, a milímetros de quebrar a última linha que os separava, imersos em um transe hot, carnal e sufocante que ameaçava destruir todas as regras do tabuleiro de Hamptons.