O Legado Esquecido
9 O Olho na Sombra
O som de penas arranhando pergaminhos preenchia a sala de aula de Poções. Rose estava concentrada em misturar os ingredientes do seu antídoto para venenos comuns, mas sua mente vagava para a reunião do jardim e a profecia de Firenze. Ao lado dela, Scorpius murmurava algo sobre as propriedades da bicórnia. Apesar do esforço para parecerem alunos normais, havia uma tensão subjacente nos dois.
Enquanto isso, na aula de Herbologia, Hugo estava sendo guiado pela professora Longbottom em como replantar Mandrágoras Jovens. Molly estava tentando focar em sua aula de transifguração. Mas os dois sabiam de que o próximo encontro do grupo seria crucial.
Lorcan e Lysander, na aula de Runas Antigas, trabalhavam em decifrar inscrições misteriosas em um pergaminho. As runas lembravam vagamente as marcas que Lorcan havia encontrado na base da gárgula, e os dois sabiam que precisavam guardar aquelas informações para compartilhar com o grupo mais tarde.
Na hora do jantar, o Grande Salão estava iluminado por velas flutuantes, mas o grupo mal notava o ambiente. Seus olhos estavam voltados para um bilhete amassado que circulava entre eles:
"Espelho da árvore. Meia-noite. Sigam com cautela."
O autor do bilhete era um mistério. Fred parecia convencido de que era uma brincadeira de algum aluno. “Talvez Peeves,” sugeriu, mas a seriedade nos rostos de Rose e Scorpius indicava que não era algo a ser ignorado.
Pouco antes da meia-noite, eles se encontraram perto da árvore no terreno de Hogwarts. A luz fraca da lua iluminava o contorno do espelho que haviam descoberto antes. James, com a varinha em punho, deu um passo à frente.
“Se isso é uma armadilha, pelo menos estamos preparados,” ele murmurou.
Rose se aproximou do espelho, tocando suavemente sua superfície com a ponta da varinha. Runas começaram a se formar, brilhando em azul prateado.
“É uma chave,” disse Lysander, quase em um sussurro. “Mas não temos todas as peças.”
Antes que pudessem continuar, um som de passos leves os congelou. Eles se viraram para ver uma figura encapuzada emergindo das sombras.
“Vocês não deveriam estar aqui,” disse a figura, a voz baixa e grave.
Fred foi o primeiro a reagir. “E quem é você para dizer onde podemos estar?”
A figura ergueu as mãos, revelando um anel com o mesmo nó de serpentes que Scorpius havia visto anteriormente. O grupo prendeu a respiração.
“Vocês estão se metendo em algo muito maior do que imaginam. Se continuarem, colocarão não só vocês mesmos, mas todos em Hogwarts, em perigo.”
“Quem é você?” exigiu Rose, sua varinha tremendo levemente em sua mão.
“Isso não importa agora,” respondeu a figura. “Mas saibam disto: a Ordem da Lua Negra está observando. Há segredos que não devem ser revelados, e as consequências de desafiar isso serão terríveis.”
Antes que pudessem reagir, a figura apontou uma varinha para o chão e desapareceu em uma nuvem de fumaça negra
No dia seguinte, o grupo estava mais silencioso do que nunca. Reunidos na biblioteca, longe de olhares curiosos, discutiam o que haviam testemunhado.
“A Ordem da Lua Negra...” começou Hugo. “O que isso significa?”
“Não sei,” respondeu Scorpius, “mas o símbolo do anel é o mesmo do nó de serpentes. Eles têm alguma ligação com Merlin.”
“E parece que não querem que descubramos o que é,” disse Lily, nervosa.
James bateu a mão na mesa, atraindo olhares de alguns alunos próximos. “Precisamos decidir. Continuamos ou não?”
“Continuamos,” disse Rose, firme. “Seja o que for, já estamos envolvidos. E se há algo aqui que pode mudar tudo, precisamos saber.”
“Mas com cuidado,” acrescentou Albus. “Não sabemos quem é essa ordem ou do que são capazes.”
Enquanto o grupo assentia, cada um perdido em seus próprios pensamentos, nenhum deles percebeu que, no alto de uma das estantes, um corvo negro os observava atentamente.
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